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Category Archives: Me-Gonza

Piadas e tragédias da vida real.

Putaria 100% – Novo Fanzine

Ah! A alegria de se ver algo que escreveu impresso por alguém que não foi você. Depois de tantos anos aqui neste modesto blog, escrevendo ou tentando escrever, dois de meus artigos foram publicados em um novo Zine, o Putaria, que com muito amor, carinho e dedicação quero participar mais vezes.

Não tenho muito o que falar, o melhor é ler, só tenho a agradecer ao Fabiano Geraldo por sempre acreditar em mim e achar que meus singelos textos gonzos são publicáveis!

Só quem escreve sabe a emoção que é pegar algo seu publicado em mãos.

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Então, oh eu com meu Putaria em mãos ai gente!

Obrigada por tudo pessoas, inclusive por continuarem a me visitar e confiar a mim seus questionamentos, suas dores e alegrias.

Aqui o link de um dos textos: https://freakbutterfly.wordpress.com/2012/04/02/a-garota-da-capa-vermelha/
O outro só no

A verdade nua e crua: o canalha com ética

                Hoje me peguei analisando um gênero masculino quase raro, mas não difícil de encontrar pelos caminhos da vida, o tal do canalha com ética!

               Canalha é coisa que encontramos em qualquer esquina, mas há vários tipos de canalhas, os que acham que são e os que defendem o título com pulsos e dentes, por esses as mulheres, até as mais experientes no tipo caem por chão, com porra nos lábios e lágrimas na face, ela ainda suspira e pensa: ele volta!

             O canalha de hoje é o famoso cafajeste de épocas ‘Rodriguianas’, mas vamos fazer uma breve analise semiótica da palavra “Canalha”:

  • Canalha comum: O homem que seduz uma mulher sem intenção alguma de amá-la.

  • Canalha com ética: É o homem que ao seduzir a mulher, deixa claro suas intenções de, ao pé da letra, fode-la sem amá-la.

             Que de nós mulheres nunca caiu nas artimanhas deste eterno conquistador que atire sem medo as pedras! Eu mesma, já fui alvo do canalha e do canalha com ética. Claro que o primeiro é aquele pelo qual você irá sofrer, chorar e nunca mais desejar amar, mas é também o que ficará cada dia mais só, pois se existe um ditado forte e que funciona é “o melhor marketing é de boca-em-boca” e com isso o canalha frouxo vai perdendo sua falsa credibilidade e rebanho.

               Do outro lado esta ele, o canalha com ética, no circulo social ele está sempre rodeado por amigas, geralmente as mais belas do recinto, tem classe, não solta cantadas baratas, tem boa fala, tenta manter boa aparência, sabe conversar e se ele tiver algum interesse sexual que seja, deixará claro que será isso e nada mais, quem sabe role outras oportunidades, mas não se enganem.

               Enquanto nosso primeiro candidato está interessado em bater o recorde de mulheres que já ‘comeu’ o segundo quer qualidade. O primeiro diz que “seu prazer vem em primeiro lugar”, porém como você já caiu em toda sua ladainha e acaba fingindo orgasmos ao invés de tê-los, diz o quanto seu ‘garoto’ é maravilhoso e a satisfaz, você mente compulsivamente que ele é magnífico na esperança de que ele se apaixone. Meninas, não finjam nem mintam, estarão fazendo isso a si mesma, para este gênero pouco importa você e sim ele gozar.

               A segunda opção também diz que “seu prazer vem entes do dele”, porém este se esforça ao máximo para cumprir a palavra, afinal, se existe uma coisa nessa vida que todos sabem é: mulher conta sim tudo para as amigas, não se enganem nem venham me apedrejar, se foi ruim ou ótimo irmão contar (se for muito bom, ótimo, maravilhoso, por favor, contenham-se, não queira despertar na amiga a curiosidade de ‘provar’), e ele claro não irá querer sujar sua reputação (mesmo sendo canalha). A ética deste canalha está acima de tudo, ele não irá desejar magoá-la, não seria esta sua intenção, ele até mesmo será seu amigo, e enxugará suas lágrimas quando a primeira opção a ferir.

               Caros homens cultivem a ética e se for para ser canalha que a tenha, não engane, não minta, não use as pessoas para seu bel prazer sem que as mesmas saibam. Como diria Sócrates “Deve-se temer mais o amor de uma mulher que o ódio de um homem”, o que isso quer dizer? Não cultive algo que não poderá ‘cuidar’, pois não há nada pior nessa terra que uma mulher de coração partido, sua reputação acabará mais suja que sua falta de ética e caráter, o que me lembra agora Nietzsche que citou “Na vingança e no amor, a mulher é mais bárbara que o homem”, fato, diga-se de passagem.

               Até mesmo um canalha, um dia, pode ser flechado, mas não se enganem meninas que fazer o tipo “puta” irá conquistá-los, o que o canalha, ou cafajeste como prefiro chamar, se encantam de fato são pelas “santas de lábios pecadores” (quem sabe em outro texto podemos discorrer tal debate).

            O canalha com ética sempre poderá ser um bom amigo, te dará conselhos sobre outros canalhas. Por isto meninas, olhos abertos, o pior canalha ainda está à solta, ainda faz mais vítimas, porém ainda sai mais queimado que gringo de férias no Rio de Janeiro.

              Separei para vocês algumas belas frases sobre nossos queridos amados e odiados canalhas (sejam com ética ou não):

  • “As mulheres podem tornar-se facilmente amigas de um homem; mas, para manter essa amizade, torna-se indispensável o concurso de uma pequena antipatia física.” (Nietzsche)

  • “Devemos julgar um homem mais pelas suas perguntas do que suas respostas.” (Voltaire) – Preciso mesmo explicar que essa é uma das poucas maneiras para conhecer de fato um homem e descobrir se o mesmo é moleque ou já saiu das fraldas.

  • “O homem superior atribui a culpa a si próprio; o homem comum aos outros.” (Confúcio) – Sábias palavras o que pode distinguir o canalha comum do canalha com ética, o primeiro sempre irá culpar fatores que não sua irresponsabilidade verbal em dizer o que vem na cabeça e não o que sente de fato.

  • “O verdadeiro homem quer duas coisas: perigo e jogo. Por isso quer a mulher: o jogo mais perigoso.” (Nietzsche) – nunca li muitas coisas do Nietzsche, confesso! Mas começo a pensar que ele era um dos canalhas com ética, assim como o querido Nelson Rodrigues.

  • “O homem de palavra fácil e personalidade agradável raras vezes é homem de bem.” (Confúcio) – é bem isso meu caro Confúcio! Bem isto!

  • “O valor do homem é determinado, em primeira linha, pelo grau e pelo sentido em que se libertou do seu ego.” (Einstein) – Pois veja só, no canalha comum, o ego é algo infinito, por isso este tipo não tem valor e seu espírito nunca cresce nem evolui.

             Chega de frases prontas que de alguma forma pode ou não definir o canalha, seja ele com ou sem ética, como diria Nelson Rodrigues (o pai dos cafajestes, ou seja, o canalha atual): O cafajeste encantador é um devoto convicto das mulheres, ele as ama e não as veem como mero objeto (diga-se do canalha sem ética que pensa que a mulher é apenas uma boneca com buraco onde irá enfiar seu brinquedinho, que sim podem ser trocados e tão descartáveis quanto nós) “Na saída abre a porta do carro para a mulher, mas dá um beliscão na bunda bem na hora em que ela vai entrar, para mostrar que é dono “dela”.” Nelson sempre sou que no fundo nós gostamos de um cafajeste, torcemos para os mocinhos e desejamos os vilões.

               Se eu pudesse dar um conselho, diria, mais vale investir em um bom vibrador que em um homem sem valor ou princípios, ao menos o primeiro não lhe fará fingir, lhe dará prazer garantido e só lhe deixará não mão quando as pilhas acabarem.

Medo e Delírio em São Paulo – a mudança

E lá estava eu, encostada no balcão da cozinha, esfregando os pulsos com um gel aparentemente ‘milagroso’ que comprei a quase dois meses em uma tentativa desesperada de apagar um pouco as cicatrizes que espantam olhos curiosos, e então, me peguei pensando em como vim parar aqui, o que tinha feito de errado, o que havia dito de errado, enfim, onde errei desde que cheguei.

Fiquei ali certo tempo parada olhando os braços cujas cicatrizes não sumiram, nem amenizaram com o gel, minhas veias, que geralmente ficam escondidas sob a pele desbotada estavam ali, pulsando num azul hipnotizante, elas pareciam dizer: contem-me!

No som do celular tocava Hypinose do System Of a Down, meu passo para o delírio já era eminente quando subitamente começa a tocar Seu Jorge, amém! Foi àquela música perdida na minha playlist que me tirou daquele momento pré-suicida. Pouco depois meus pensamentos se perderam novamente, fui lavar a pequena louça suja da janta mais solitária das ultimas semanas, pensando: “Deus, que patético, pareço uma solteirona clichê de filme B”. Tudo me soa como filme B. Às vezes me pego distraidamente pensando se minha vida não é uma ficção no estilo “show do Truman”, e as pessoas estão me assistindo, tropeçar, levantar, tropeçar, levantar, tropeçar, pensar em levantar e como todo reality, elas riem da desgraça alheia. Sem dúvida, quando repasso meus últimos dois meses, diria que seria uma comédia barata.

Às vezes tenho surtos de grandeza onde me acho o alvo predileto de Deus, uma marionete com a qual ele se diverte, rindo de toda confusão física e mental, mas deve ser só mais uma paranóia ou crise de mania, pois nessas mesmas horas me apego à religião como um tipo de salvação implorando pra Deus finalmente me enxergar aqui embaixo e dizer: Chegou sua hora! Mas sempre volto ao princípio da “teoria da conspiração” e acho que todos conspiram contra mim, incluindo, pessoas do meu convívio “familiar”, eu sei, parece absurdo, mas o pensamento é incontrolável, sempre me acho uma vítima de mandinga!

Eu sei, você não deve estar entendendo nada do que digo, é porque nas ultimas semanas, meus pensamentos atropelam as palavras, não consigo dizer o que penso, ou pensar antes de falar, simplesmente fluem. Então vou tentar resumir meu caminho até aqui.

Início de ano, pós-férias, morrendo de saudades da terapeuta (que eu confesso estar sentindo muita saudade), na primeira consulta do ano, fui animada contar minha idéia mirabolante.

“Então Poliana, como foi de férias?”, penso que ela se arrependeu da pergunta, falei tudo que pude lembrar, tudo que me incomodou, brigas que não estive presente, sobre o quanto me senti parte da família pela primeira vez e vários anos, blá, blá, blá… Falei compulsivamente, sem parar e então cheguei a decisão crucial da minha vida: “Quero me mudar pra São Paulo”. Contei todo meu plano arquitetado minuciosamente, depois do trauma da minha mudança não planejada para Curitiba (foi quando iniciei esse blog), eu não poderia ser mais impulsiva. Tudo parecia bem, eu estava medicada e confiante. Meus planos incluíam trabalhar em algo em que pudesse juntar dinheiro até meados de março ou abril para minha sobrevivência em São Paulo até estar trabalhando – coisa que eu imaginava que não fosse demorar a acontecer.

De longe eu olhava classificados, empregos, apartamentos… Os dias passavam, minha ansiedade aumentava, eu só sabia falar sobre partir, não me importava o que ocorresse nada me impediria de viver o “Sonho Brasileiro” (digo que é a paródia ao ‘Sonho Americano’ de Hunter S. Thompson). São Paulo… A Big Apple dos brasileiros, cidade grande, com pessoas dos mais diversos estilos, pensei “terra das oportunidades”, com duas faculdades, uma pequena considerável bagagem de experiência, cursos e mais cursos, eu não só achava como pensava e me sentia preparada para essa mudança, dizia a mim mesma e ao meu irmão, “não é possível que eu não arrume ao menos um ‘trampo’ como vendedora de shopping” (eu dizia shopping porque a mesma aventura em Curitiba me traumatizou, pois na época eu não tinha um ‘padrão’ de shopping, não era um tipo de modelo sem sucesso que fazia bico em lojas, não que eu esteja nos padrões ‘modelísticos’, mas estou numa versão melhorada do meu eu de 2008), mas a vontade é a ilusão dos loucos.

Poderia resumir em curtas frases meu percurso desde que pousei em Guarulhos:

  • Chegar a Barueri;
  • Namorar;
  • Conhecer o Starburcks (porque essa coisa estúpida estava na minha lista de coisas que queria provar);
  • Ganhar camarote VIP do show do Soufly (então risquei mais algo da minha “lista de coisas para fazer” que seria ir num show gringo, bem coisa de interiorana);
  • Preparar currículo;
  • Espalhar currículos;
  • Descobrir que meu currículo não tinha direção;
  • Corrigir currículo;
  • Encontrar da Danny;
  • Brigar com o namorado;
  • Planejar minha ida pra Santo André (afinal eu fiquei quase um mês na casa do namorado);
  • Fazer entrevistas;
  • Esperar o retorno que nunca é dado;
  • Entregar currículos e ouvir: “Nossa, mas você é muito qualificada pra vaga que temos”;
  • Sentir raiva;
  • Medicação no fim;
  • Depressão;
  • Aguardar 40 dias pra minha consulta no psiquiatra;
  • Brigar com namorado;
  • Procurar emprego;
  • Fazer várias novenas;
  • Procurar emprego;
  • Ir a missas;
  • Ir a mais entrevistas;
  • Ser uma péssima namorada;
  • Surtar;
  • Chorar;
  • Rir insanamente;
  • Filmes e mais filmes;
  • Namorar;
  • Brigar com namorado;
  • Chegar a Santo André;
  • Ficar esperando o resto da mudança (que meu pai não manda nunca);
  • Depressão;
  • Saudades de casa;
  • Saudades do meu quarto, livros, dvd’s, Sky;
  • Morrer e chorar de saudades dos meus sobrinhos;
  • Saber que meu pai não enviou a mudança porque tem esperança que eu volte;
  • Depressão;
  • Mau-humor;
  • Sair com amigos em Santo André;
  • Rir;
  • Enjoar do cabelo pseudo-loiro;
  • Ser péssima namorada;
  • Chorar por não conseguir aquele ‘trampo’ que queria na Paulista;
  • Ficar isolada;
  • Distribuir o currículo em todos os RH’s encontráveis de Santo André;
  • Sonhar acordada;
  • Ter cadastro em vários sites de empregos;
  • Depressão + mania;
  • Ter um distúrbio hormonal, sangramentos e espinhas;
  • Ficar emburrada e distante;
  • Terminar o namoro.

Bem, acho que resumidamente em tópicos seria mais ou menos isso. Então, de volta ao momento pré-paranóia, onde me vi sentada na beira da cama ensangüentada, por um segundo fiquei catatônica, foi só um susto, um pensamento, uma neurose, uma alucinação, às vezes sofro disto. Eu queria chorar, mas nenhuma misera lágrima escorreu, então sentei pra escrever e ver se me sinto menos lotada de pensamentos, menos solitária… Eu divido uma casinha com um amigo que quase não tenho visto. O tédio é tão grande que “Amélia” baixa em mim quase diariamente, eu limpo as casa, lavo a roupa, tento cozinhar e mal consigo comer (ainda bem né, se não daqui a pouco estaria uma bola).

O pior de tudo que essas coisas de dona de casa me distraem, meu corpo fica gastando as energias ali, na limpeza, mas quando termino e tomo o banho merecido, meu corpo ainda tem eletricidade, e mesmo cansado e dolorido, não consigo relaxar, as vezes nem com o as 2mg de alprazolan.

Comprei um livro há quase um mês que poderia ter terminado de ler a semanas, se eu não tivesse que reler muita das vezes a mesma página pra então perceber que já a li. O livro se chama “Uma mente inquieta”, recomendação da minha ex-terapeuta que dizia “Poliana, estou lendo um livro que parece que estou escutando você falar”, é apesar de épocas diferentes e surtos psicóticos pouco parecidos, resumindo, até são histórias parecidas…

Hoje sentada aqui sozinha, fico me perguntando o que fiz de errado, está certo que cheguei um pouco antes do tempo, não tinha tanto dinheiro quanto precisava, e pra piorar em uma das minhas crises de ‘mania’ gastei a metade do que tinha num tratamento estético que só consegui fazer duas das doze sessões (da qual espero mesmo assim obter os resultados finais), enfim, antes, em Curitiba, fiquei frustrada por ter uma faculdade iniciado a segunda e não conseguir nada além de olhares tortos e puro preconceito, mas sei que não estava preparada naquele momento, foi uma tentativa de fuga daquela vida em “família” que não era minha. Achava (como acho ainda hoje, que ficar longe daquele quase sanatório chamado “lar” me faria algum bem), e então hoje, com duas faculdades, estando relativamente preparada, adaptável ao mercado de trabalho, com sede de aprender e trabalhar, estou entrando no mesmo processo de frustração, mas agora por motivos contrários e quase desconhecidos, pois não enxergo o possível erro que me impede de estar no mercado de trabalho. Não satisfeita, me matriculei esta semana para uma pós-graduação em docência que começa no final do mês, como em um grito quase que desesperado de que ao me formar como docente possa dar aulas e ter dinheiro pro meu sustento (porque se tem algo que me deprime mais que ficar sem dinheiro, é ter que depender do meu pai pra isso, afinal, tenho 27 anos e não sou aleijada, posso muito bem e há muito tempo me sustentar, só não tive muitas chances).

Desistir? Pensei algumas vezes nisso, mas junto a este pensamento me vem à promessa de que não voltaria viva pra casa. Eu sei, é dramático e exagerado, mas já não consigo pensar em voltar, sem pensar em qualquer outra loucura do gênero suicida. No celular agora toca “make me wanna die” (The Pretty Reckless), música que escuto sempre em minhas crises de depressão, afinal é um desejo mesmo que temporária, morrer, como se de alguma forma fosse aliviar tudo o que sinto.

Enfim hoje, daqui a poucas horas é minha consulta com o Psiquiatra, é como se ele fosse resolver meus problemas (o que não irá acontecer), mas o fato de voltar a tomar a medicação, seja ela qual for me soa como um alívio, voltar a raciocinar melhor, a conseguir me concentrar, não ter crises pseudo-disléxica, só de imaginar que meu cérebro vai desacelerar e vou conseguir enfim estudar pra aquele concurso da PF que queria tanto passar, ou mesmo que eu consiga me dedicar a pós, ou ao menos que eu consigo dar continuidade ao meu projeto com ‘Justine’ (é aquela mesma do conto que alguns de vocês lêem aqui). É como se uma simples pílula pudesse me ajudar a encontrar as respostas do que questionei no início do texto, sei que soa um tanto tolo, até porque remédio não é resposta pra bosta nenhuma, mas me da esperança de amenizar essa bagunça cerebral.

Sem namorado, sem emprego, sem dinheiro, mas com um pouco de dignidade sigo aqui de Santo André, ‘devaneando’ para os corajosos que ainda me lêem.

*Desabafo: se eu me candidatei à vaga disponível, independente do meu currículo, quero dizer que eu li o maldito anúncio, sei o que significa e pra que é a vaga, não preciso que me digam se sou muito qualificada ou não pra aquilo, não sou superior a outros ou pior, como a maioria, sou só alguém buscando uma oportunidade. Acho um absurdo você ser “rejeitado” por ter “estudado demais”. Enfim, é assim que me sinto.

Desventuras em Série: O inimigo é outro

Desventuras em Série: O inimigo é outro

Mulheres têm a tola mania de colocar os homens como o inimigo número um. Se sua relação não da certo, se ele a traiu, se ele ‘pilantrou’ com você de alguma forma. Mas você já parou pra pensar que o inimigo é outro?
Eu sempre disse que não se pode confiar certas coisas as amigas, por exemplo, fazer propaganda demais do cara perfeito, como ele é ótimo amigo, como ele é bom de cama – principalmente esta – pode instigar a curiosidade e o desejo. Talvez tais idéias e sentimentos, até então nunca havia passado pela aquela cabecinha, mas como no filme “A Origem”, acredito no fato de que uma idéia pode ser plantada no subconsciente e acabar crescendo, e muitas vezes, nós que a fertilizamos.
E nós melhor do que ninguém, sabemos que querer pode ser poder, afinal, nós temos todas as armas que eles desejam, e eles tem a desculpa da carne fraca. Daí vem à questão, será que posso culpá-lo por um ato falho meu? Ou seja, me abrir pra uma amiga? Aliais, acho que não se pode dizer muito aos amigos, só as coisas tolas e sem muita importância, coisas que podem ser compartilháveis, no mais é melhor pagar uma terapeuta e ‘desabafar’ ou ‘desabar’ com a mesma.
Eis que eu mesma não segui meus conselhos, e em meio à euforia do momento – onde tudo estava até então enfim em paz – confessei algo a alguém que eu sempre confiei muito, e eis que na calada da noite me vem à apunhalada – via torpedo claro, hoje às pessoas não têm mais o hábito de ao menos usar a voz pra te ‘chutar’.
Aliais, a decepção de abateu pela manhã, quando despertei do sono e vi uma mensagem não lida com “você já foi fala pra ciclana que veio aqui… blá blá blá é por isso que é melhor me afastar”.
Meu ato – em vão – de tornar o ambiente entre amigos agradável e sociável outra vez – tendo em visto que tive certas desavenças com um pilar de minhas amizades incluindo à mesma – se virou contra mim!
Realmente o que diz a respeito entre você e uma segunda pessoa, só interessam a vocês. Contar a terceiros – até mesmo quem você acredita fielmente que seja amiga, irmã ou qualquer palavra afetuosa utilizada para intitulá-la é um erro, é isso que fode todo o sistema, isso que te fode!
Decepção é uma palavra que insiste em permanecer na minha vida, este ano mais que nos outros. E a palavra decepção quando vinculada à confiança se torna ainda mais dolorosa. Um ato falho imensamente meu, visto que, tendo o conhecimento de que o ser humano é falho, porém você não fica esperando levar apunhalada pelas costas. E se eu quisesse foder tudo, eu mesma o tinha feito, e com classe! – sim vou usar milhões de vezes a palavra “foder”, porque é assim que me sinto, acho até pertinente citar aqui uma frase de um filme “quer me foder me beija”.
Enfim, antes de abrir a boca, pense bem. Se você é confiável, não quer dizer que todos são. Não saia por ai achando que só homem ferra tudo, se ele traiu é porque uma mulher o instigou a fazê-lo – claro que não estou em defesa do sexo oposto, há também a falta de caráter, coisa que não se mede logo de cara. Nestas horas concordo que os gays são os melhores amigos, nenhum dos meus amigos gays me apunhalou, ou tentou me ferrar.
Mas no final, se aprende – ou pensa que aprende – que só você sai prejudicada, é você quem perde o cara perfeito, que perde os amigos, que se perde, enquanto para os outros, está tudo bem, tudo normal.
Enfim, se quer desabafar ou desabar, pague uma terapia, ao menos ali há sigilo ético, e se na falta de ética, se algo for dito e você se ferrar, ainda pode abrir um processo.

Medo e Delírio no Texas

Já tem algum tempo que quero escrever essa minha desventura de final de noite, mas antes tarde do que nunca, afinal rir é bom em qualquer momento, então vamos lá.

Nunca pensei que em um sábado eu pude estar no paraíso e do nada cair no inferno. Eu e minha melhor amiga, fomos a um pub ver outra amiga nossa cantar, dançamos, curtimos, e como e não podia beber, haja energético na cabeça. Mas essas energias enlatadas nunca funcionaram bem comigo, o sono tomava meu corpo, re antigos amigos, conversei e reclamei horas do fumódromo improvisado que o pub nos cedeu. E então retorno ao meu antigo discurso: fumante é um bosta mesmo!

Agente paga um imposto altíssimo – que irá subir ainda mais – e ainda é jogado nos piores buracos da balada, isso quando você não tem que sair do lugar pra fumar, o que nos leva e entrar na fila do caixa, pagar a conta pra poder sair, porque além de tudo somos ‘bandidos’, ao menos é o que transparece. Enfim, quem fuma sabe todos os problemas, sei que as demais pessoas – as que não fumam – não são obrigadas a fumar passivamente, sei que há a lei, mas se for criar um local para os fumantes, por favor que não parece um porão de fugitivos da segunda guerra, certeza que a vigilância nunca passou por ali.

Voltando a noite. Amigos, boa música, tudo estava ótimo, pessoas bonitas e divertidas, mas a noite ali acabou cedo – bem pra alguns 4 horas era cedo – dando brecha para a velha discussão, “e agora pra onde vamos?”. Várias sugestões e nenhum rumo certo.

Depois de rodarmos enfim um dos amigos liga e diz: “to aqui no Texas, vem pra cá”. Nunca entrei naquele lugar, nem minha amiga havia se aventurado, então decidimos arriscar, ninguém queria ir pra casa – exceto eu a única sóbria.

Na entrada achamos um fumódromo digno, com um bom espaço e ar condicionado – coisa essencial aqui no norte – e foi então que abrimos a porta dos desesperados. Nunca vi tanta gente feia, mal encarada e com péssimo gosto para moda na minha vida reunidas em um só lugar! Nossa sorte são que certos ‘coletes’ abrem portas, e para nós foi aberto o camarote VIP – que de VIP só tinha nome.

Foi ali que meu nível de irritação atingiu o ápice!  Sabe quando você esta morrendo de fome e vê uma torta saborosa, sabe aquele olhar? Então, eu me sentia a torta. Se você acha que me senti maravilhosa, não viu a concorrência do lugar, tem olhares que incomodam, e muito. Dancei um pouco, tentei me divertir, mas o rei momo que estava próximo cortou meu barato rapidamente com uma cantada pedreira.

O camarote era como um aquário, uma caixa de vidro que dava pra ver todos da pista, o lugar estava cheio, a música mais ou menos, mas a dança… Bem, eu pensei que havia entrado em uma boate e não em um bordel.

Menos de uma hora lá dentro e fomos convidadas a nos retirar do camarote, pois as funções ali estavam se encerrando.

“Vamos pra pista!” disse alguém. Foi ali que eu pedi pra morrer. O chão estava grudando, garras e latas por todo lugar, as mulheres com saltos altíssimos e vestidos drapeados envolvendo seus corpos longe de um padrão ‘panicat’, dançavam empinando a bunda para o alto, onde se poderia realizar um exame de colonoscopia. O cheiro de cerveja podre do chão parecia se misturar com todos aqueles rabos ali, e posso me arriscar em dizer que no meio daquele aroma que me provocou ânsia havia até mesmo porra. Por um instante pensei que tinha aberto o cubo da ‘configurações do lamento’ e me transportado para ‘Hellraiser’.

Eu fiquei perdida sem saber se ria ou chorava, meus olhos lacrimejaram e o estomago anunciava “lá vem a janta!”, então falei “Deus que horror, quero sair daqui”. Todos concordaram e saímos rapidamente. O alivio de voltar a respirar só veio quando sai da boate.

As imagens daquelas bundas me atormentavam a mente, não consigo entender o que leva uma mulher a se desvalorizar daquela forma, não fazia mais sentido, eu só queria ir pra casa e desejava nunca ter entrado ali.

Tudo que eu consegui tirar de proveito desta noite é: nunca mais ir a lugares desconhecidos com procedência suspeita. Quando uma cidade está em crescimento, passando por mudanças e repleta de trabalhadores que passam a semana sem ver mulheres em campos de obra e só vê a cidade nos finais de semana, você não pode se arriscar a entrar em qualquer lugar, nunca se sabe que portal ou dimensão você estará entrando.

 

 

 

 

 

 

Imagem retirada do http://www.humordaterra.com/2011/10/25/anatomia-de-uma-piriguete/

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Efeito Primata: Celular é arma

É incrível como um celular em mãos erradas pode virar uma arma! Não, ele não foi atirado na cabeça de alguém, mas você já irá compreender o que quero dizer.

Foi um final de semana de sobriedade que vi o quanto o ditado “amigo é amigo, filha da puta é filha da puta” vale. Quando você está sóbria (o) você vira psicóloga (o) dos seus amigos, você vê coisas que não deseja e comigo tudo aconteceu em um pequeno ‘fumódromo’, que acabou por se tornar um divã.

As pessoas bebem e a tendência é se soltarem, – alguns bebem justamente por este motivo – mas ao se soltar, duas coisas podem acontecer: curtir a noite a doidado ou ter um entrar nuna ‘bad trip’ – palavra mais utilizada por ‘curtidores’ de ‘balas’ e ‘doces’ – e iniciar um processo de remoer tormentos de um passado não muito distante, e é nesta hora que você pode acabar  usando o celular para fins não convenientes.

Eu mesma já fui vitima, ou melhor, fiz uma vitima com meu celular. Quando a ‘depre’, desejo ou ódio se misturam com o tal do ‘etílico’ nosso senso e razão desaparecem como um passe de mágica e tudo o que você quer ligar ou torpedear quem não deveria ser vítima da sua ‘cachaçada” – ou mesmo talvez nem mereça sua atenção e desespero.

Acontece que sem a razão, só há uma coisa que pode te salvar seu amigo sóbrio – porque se ele estiver bêbado, é capaz de te dar mais corda pra se enforcar que além de se tornar cúmplice, acabará por sentir vergonha alheia.

Por isso, se sair para beber pense duas vezes em levar o celular, deixo no modo “pai de santo” e só receba ligações. Eu já usei esta ‘arma’, eu já fui vítima da mesma, e como vítima eu sei o quanto é chato receber mensagens no meio da noite ou uma ligação sem nexo algum onde o conteúdo da conversa já não interessa mais para essa tal vitima!

Então se sair para beber com os amigos opte por CURTIR A NOITE A DOIDADO! A dor não vai acabar, o ‘chifre’ não desaparecerá – mesmo que metaforicamente falando – e ele (a) não vai voltar. Esquecer é difícil, mas garanto, é muito melhor do que acordar com ressaca moral. Como diz o sábio Chico Xavier – mesmo que você seja católico, evangélico ou umbandista a dádiva da palavra vale para todos – “o sofrimento é parte do processo de evolução”, então um brinde a evolução!

*Imagem copiada do site Google

 

Medo e delírio em São Paulo

Foram apenas nove dias naquela cidade caótica, com trânsito infernal, trens e metros lotados, clima instável e uma diversidade tão grande de pessoas e estilos, que no fim, você só aprende a amar. E foi assim que eu me re-apaixonei e senti vontade de viver novamente, eu percebi, aliais eu senti que, apesar de soar piegas ou como um clichê barato, eu nasci para viver ali.

Em todas as minhas experiências, de um mês certa vez, foi enlouquecedora, eu pensava “será que dou conta?”, mas sabe quando você chega em casa e sente que aquele não é seu lugar? Foi assim, quando desci do avião no aeroporto de Porto Velho, a tristeza me tomou a alma novamente.

Não venho aqui para criticar minha própria cidade, sim, sou uma BERADEIRA, nascida na beira do Rio Madeira, onde o por do sol ainda é o mais lindo, onde as estações do ano só se dividem em duas, onde as pessoas o acolhem como filhos da terra, cujo ditado é “quem bebe desta água sempre volta”, mas não é pra mim.

Quando voltei a ‘Sampa’, depois de um ano sem estar lá, sem ver alguns poucos amigos, o frio me congelou a espinha, e não era o frio qualquer, nem a garoa que caía, depois de anos, eu viria a conhecer dois amigos com quem conversei, chorei, magoei, e tudo que a distância nos proporcionava.

É tão emocionante o perigo que chega a ser excitante! E em nove dias, aprendi coisas, conheci pessoas, vi lugares, fui acolhida. Minha intenção não era escrever nada disto que estou ‘tagarelando’ até o momento, eu apenas queria contar minha louca aventura de nove dias em uma cidade que não se apaga. Uma viajem que me estimulou a ser alguém diferente, a lutar pelo que quero, a ser, simplesmente eu, sem medo de ser julgada e condenada, e apesar de sempre ouvir que SP é um lugar de pessoas frias, fui muito bem acolhida. Ri, chorei, acho até que chorei mais do que ri. Mas, como só eu sei fazer, ou seja, mudar a conversa bruscamente vejamos coisas que aprendi no meu, digamos, “retiro espiritual”, ou de uma folga de mim Rondoniense:

  • Você pode se abrir, chorar, falar de seu passado com os amigos, por mais que a terapeuta lhe pareça uma boa idéia, ela é paga pra te ouvir, e receber um abraço quente depois de mil lágrimas, quando só o que se desejava era sorrir, não tem preço;
  • Ser abraçada por uma doce senhora que mal lhe conhece e te acolhe como uma espécie de filha, foi um dos carinhos mais sinceros que tive durante este ano;
  • Ouvir elogios de você para outra pessoa que não você, não estimula o ego, e sim acalenta a alma e te faz pensar “caramba, de certo sou boa em algo mesmo”;
  • Que eu posso ser amável, e não no sentido de delicada e sim no sentido de que alguém possa me amar, mesmo quando o magôo ou falo asneiras, ou mostro vídeos sem graça (pra ele) da internet;
  • Que a Augusta sempre será um mito, mesmo infestada de ‘moderninhos’ paga pau, ela tem seus encantos;
  • Que slogan de puteiro é genial: “cervejinha e putaria! Cervejinha e putaria à vontade, vamos entrar” e claro o melhor “mesa pra casais, mesa pra casais! Hoje uma galinha irá comer três minhocas com uma bicada só!” – eu deveria ter visto isso, deveria, também não sei porque mas senti imensa vontade de abrir um puteiro no bairro Liberdade… E criar slogans para o mesmo (risos);
  • Aprendi dentro de um puteiro qual o melhor tipo de sapato para você andar, pode ser salto 7 ou 15, desde que a meia pata da frente seja reta, ele será super confortável, disse Carol, uma moça que estava a trabalho;
  • Também aprendi com a Carol que aquelas bolsinhas pequenas de pulso e cigarros de caixinha não dão certos, o melhor é maço, só assim eles irão ficar bem guardados na bolsinha, ela também nós ensinou (sim claro, porque não sou maluca de entrar num puteiro desacompanhada) que mulher, seja puta ou não, gosta de ser bem tratada, odeia ouvir “nossa, olha aquela gostosa”, acha cantada de pedreiro nojenta, e que o melhor jeito de conquistar é ser cortejada;
  • Finalmente aprendi que Velhas Virgens é uma banda do caralio, e que a música ‘Madrugada e meia de amor’ é minha cara (risadas);
  • Que Serra Malte é uma cerveja muito ruim;
  • Que hostel é uma opção barata e divertida, onde você aprende a conviver com diversas culturas, apesar das amizades rápidas, você aprende coisas pra vida toda;
  • No hostel também percebi que devo urgentemente voltar a estudar línguas estrangeiras, apesar de ver que muitos estrangeiros não fazem a mínima questão de aprender a nossa;
  • Também aprendi a nunca deixar meu shampoo caro no banheiro do hostel, não se pode ser tão confiante em um lugar cheio de desconhecidos, mesmo que os que trabalhem lá sejam super legais;
  • Aprendi o quanto é importante uma vez na vida ir ver seu time jogar em um estádio, o grito e calor da torcida te contagia, é algo que te faz amar com mais afinco ou odiar de vez futebol;
  • Aprendi que não se negocia com as chinesas (ou japonesas ou coreanas, seja o que for que trabalhem no shopping 25 de Março), elas são dura na queda, odeiam quem pechincha com os homens você já consegue, mas com elas… Ainda quando você vira e não leva nada, falam mal de você, mesmo que agente não entenda, agente sente!
  • Que mesmo você avisando TODOS seus amigos e conhecidos eles sempre aparecem no ultimo dia dizendo: mas porque não me avisou que tava aqui?
  • Enfim, aprendi a esquecer tudo o que me arrancou lágrimas antes de viajar e ainda nos primeiros dias e a derramar lágrimas de saudades, de pessoas novas, de coisas novas, de uma pequena parte nova de mim.

Enfim, você conhece pessoas, concretiza amizades, planejar, re-vê amigos (bem, só revi a Dani e o Rafa) e de alguma forma, conhece pessoas que se tornam anjos na sua vida, que se preocupam e que cuidam de você, que sorri ou elogiam sem desejar nada em troca. E mesmo que seja apenas nove dias (você deve pensar “essa mina ta viajando, nove dias não é nada comparados a vida toda”), são suficientes pra dizer: é lá que quero ‘sonhar’.