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Medo e delírio em São Paulo

Foram apenas nove dias naquela cidade caótica, com trânsito infernal, trens e metros lotados, clima instável e uma diversidade tão grande de pessoas e estilos, que no fim, você só aprende a amar. E foi assim que eu me re-apaixonei e senti vontade de viver novamente, eu percebi, aliais eu senti que, apesar de soar piegas ou como um clichê barato, eu nasci para viver ali.

Em todas as minhas experiências, de um mês certa vez, foi enlouquecedora, eu pensava “será que dou conta?”, mas sabe quando você chega em casa e sente que aquele não é seu lugar? Foi assim, quando desci do avião no aeroporto de Porto Velho, a tristeza me tomou a alma novamente.

Não venho aqui para criticar minha própria cidade, sim, sou uma BERADEIRA, nascida na beira do Rio Madeira, onde o por do sol ainda é o mais lindo, onde as estações do ano só se dividem em duas, onde as pessoas o acolhem como filhos da terra, cujo ditado é “quem bebe desta água sempre volta”, mas não é pra mim.

Quando voltei a ‘Sampa’, depois de um ano sem estar lá, sem ver alguns poucos amigos, o frio me congelou a espinha, e não era o frio qualquer, nem a garoa que caía, depois de anos, eu viria a conhecer dois amigos com quem conversei, chorei, magoei, e tudo que a distância nos proporcionava.

É tão emocionante o perigo que chega a ser excitante! E em nove dias, aprendi coisas, conheci pessoas, vi lugares, fui acolhida. Minha intenção não era escrever nada disto que estou ‘tagarelando’ até o momento, eu apenas queria contar minha louca aventura de nove dias em uma cidade que não se apaga. Uma viajem que me estimulou a ser alguém diferente, a lutar pelo que quero, a ser, simplesmente eu, sem medo de ser julgada e condenada, e apesar de sempre ouvir que SP é um lugar de pessoas frias, fui muito bem acolhida. Ri, chorei, acho até que chorei mais do que ri. Mas, como só eu sei fazer, ou seja, mudar a conversa bruscamente vejamos coisas que aprendi no meu, digamos, “retiro espiritual”, ou de uma folga de mim Rondoniense:

  • Você pode se abrir, chorar, falar de seu passado com os amigos, por mais que a terapeuta lhe pareça uma boa idéia, ela é paga pra te ouvir, e receber um abraço quente depois de mil lágrimas, quando só o que se desejava era sorrir, não tem preço;
  • Ser abraçada por uma doce senhora que mal lhe conhece e te acolhe como uma espécie de filha, foi um dos carinhos mais sinceros que tive durante este ano;
  • Ouvir elogios de você para outra pessoa que não você, não estimula o ego, e sim acalenta a alma e te faz pensar “caramba, de certo sou boa em algo mesmo”;
  • Que eu posso ser amável, e não no sentido de delicada e sim no sentido de que alguém possa me amar, mesmo quando o magôo ou falo asneiras, ou mostro vídeos sem graça (pra ele) da internet;
  • Que a Augusta sempre será um mito, mesmo infestada de ‘moderninhos’ paga pau, ela tem seus encantos;
  • Que slogan de puteiro é genial: “cervejinha e putaria! Cervejinha e putaria à vontade, vamos entrar” e claro o melhor “mesa pra casais, mesa pra casais! Hoje uma galinha irá comer três minhocas com uma bicada só!” – eu deveria ter visto isso, deveria, também não sei porque mas senti imensa vontade de abrir um puteiro no bairro Liberdade… E criar slogans para o mesmo (risos);
  • Aprendi dentro de um puteiro qual o melhor tipo de sapato para você andar, pode ser salto 7 ou 15, desde que a meia pata da frente seja reta, ele será super confortável, disse Carol, uma moça que estava a trabalho;
  • Também aprendi com a Carol que aquelas bolsinhas pequenas de pulso e cigarros de caixinha não dão certos, o melhor é maço, só assim eles irão ficar bem guardados na bolsinha, ela também nós ensinou (sim claro, porque não sou maluca de entrar num puteiro desacompanhada) que mulher, seja puta ou não, gosta de ser bem tratada, odeia ouvir “nossa, olha aquela gostosa”, acha cantada de pedreiro nojenta, e que o melhor jeito de conquistar é ser cortejada;
  • Finalmente aprendi que Velhas Virgens é uma banda do caralio, e que a música ‘Madrugada e meia de amor’ é minha cara (risadas);
  • Que Serra Malte é uma cerveja muito ruim;
  • Que hostel é uma opção barata e divertida, onde você aprende a conviver com diversas culturas, apesar das amizades rápidas, você aprende coisas pra vida toda;
  • No hostel também percebi que devo urgentemente voltar a estudar línguas estrangeiras, apesar de ver que muitos estrangeiros não fazem a mínima questão de aprender a nossa;
  • Também aprendi a nunca deixar meu shampoo caro no banheiro do hostel, não se pode ser tão confiante em um lugar cheio de desconhecidos, mesmo que os que trabalhem lá sejam super legais;
  • Aprendi o quanto é importante uma vez na vida ir ver seu time jogar em um estádio, o grito e calor da torcida te contagia, é algo que te faz amar com mais afinco ou odiar de vez futebol;
  • Aprendi que não se negocia com as chinesas (ou japonesas ou coreanas, seja o que for que trabalhem no shopping 25 de Março), elas são dura na queda, odeiam quem pechincha com os homens você já consegue, mas com elas… Ainda quando você vira e não leva nada, falam mal de você, mesmo que agente não entenda, agente sente!
  • Que mesmo você avisando TODOS seus amigos e conhecidos eles sempre aparecem no ultimo dia dizendo: mas porque não me avisou que tava aqui?
  • Enfim, aprendi a esquecer tudo o que me arrancou lágrimas antes de viajar e ainda nos primeiros dias e a derramar lágrimas de saudades, de pessoas novas, de coisas novas, de uma pequena parte nova de mim.

Enfim, você conhece pessoas, concretiza amizades, planejar, re-vê amigos (bem, só revi a Dani e o Rafa) e de alguma forma, conhece pessoas que se tornam anjos na sua vida, que se preocupam e que cuidam de você, que sorri ou elogiam sem desejar nada em troca. E mesmo que seja apenas nove dias (você deve pensar “essa mina ta viajando, nove dias não é nada comparados a vida toda”), são suficientes pra dizer: é lá que quero ‘sonhar’.

 

A solidão de um bipolar

  É incrível a capacidade das pessoas se alto intitularem depressivas, psicóticas ou bipolares, só quem sofre de tais doenças sabe o quanto é solitário o caminho de quem tem algum distúrbio.

  Eu sou uma delas, assim como milhões de outras pessoas no mundo eu tenho o que chamam de “Distúrbio de Personalidade Bipolar”, já escrevi sobre o assunto aqui, mas do ponto de vista de outras pessoas, não o meu, mas hoje estou aqui, meio que por desabafo, um pouco por revolta da falta de compreensão que o mundo ao nosso redor tem com os bipolares.

    Há muito não sofria de crises tão severas de mudança de humor, eu nunca tomei lítio como alguns, ouvia as reclamações dos seus efeitos e pensava “não quero isso, quero ser uma pessoa normal”… Ai de mim, afinal, normal ninguém é. Tomei vários antidepressivos, ansiolíticos, até que um dia eu estava bem, porém, o distúrbio também nos engana com os famosos momentos de “euforia”, você se sente ótima, capaz de tudo, o mundo é seu e você é invencível, se sente mais sedutora, mais confiável, disposta a mudar ou até a carregar o mundo nas costas, porém, é ilusório, um dia uma das peças desse quebra-cabeça maluco não se encaixa e o mundo desaba te levando junto.

               Faz mais de um mês que escuto a palavra “instável”, e não agüento mais ouvi-la sem ao menos ser compreendida. Você esta em guerra consigo mesma e é obrigada a ouvir que “há pessoas com muito mais problemas que você”, “você não é a única que sofre”, “você pelo menos tem saúde”… Blá-blá-blá! Como se não bastasse você ainda é intitulada de EGOÍSTA!

               Perdem-se amigos, perdem-se amores e deixa a família em alerta 24 horas quando entra no estágio depressivo ou de irritação.

               Outra coisa que ninguém compreende é que não se tem controle dos sentimentos, das ações, que claro desencadeiam uma série de reações.

               A revista Viva Saúde número 95 publicou uma pequenina matéria sobre as “Cinco verdades sobre o transtorno bipolar”, então vejamos quais são:

  • A doença provoca diversas funções psíquicas instáveis, principalmente a flutuação do humor. Assim, é comum a pessoa apresentar fases de depressão e outras de euforia ou irritação.
  • Pode proporcionar idéias de morte e suicídio. Na fase eufórica, denominada de mania, ocorre uma sensação de muita energia, além da fala rápida e uso de roupas mais coloridas (isso explica porque fico às vezes tagarela que até enrolo a língua no meio das palavras e meu guarda-roupa anda instável).
  • É comum períodos de ausência de libido e outros de hipersexualidade. O descontrole também afeta o nível de gastos, o que provoca uma enorme contração de dívidas.
  • A principal causa conhecida é genética. Além dela, a doença pode ter início após estressores muito intensos. Esses podem ser situações traumáticas, estresse crônico ou doenças clínicas.
  • Existem inúmeros medicamentos tanto para as fases agudas como para a prevenção. Apesar de não ter cura, seu controle é possível. Procure um psiquiatra para fazer o diagnóstico e definir o tratamento.

Essa doença também possui três fases:

  • Depressão, que pode ser de intensidade leve, moderada ou grave, e algumas de suas características é: humor melancólico; desinteresse por coisas que gostava; aparência melancólica, chorosa; Inquietação ou irritabilidade; perda ou aumento de apetite; excesso de sono ou incapacidade de dormir; agitado demais ou lento; fadiga; pessimismo ou falta de esperança; dificuldade de concentração, tomar decisão ou de lembrar-se das coisas; planejamento ou pensamento de suicídio.
  • Mania, também conhecido como euforia, possui sintomas como: alegria exagerada, animação excessiva; impaciência; agitação física e mental; aumento de energia iniciando várias atividades ao mesmo tempo sem conseguir terminá-las; otimismo e confiança exagerada; incapacidade de discernir; idéias grandiosas; incapacidade de se concentrar; comportamento agressivo, inadequado, provocador ou violento; desinibição; aumento de impulso sexual; aumento da agressividade física ou verbal; insônia; uso de drogas como álcool, cigarros, soníferos e até mesmo cocaína.
  • Mista, esta fase, como o próprio nome já diz alterna os sintomas de depressão e mania no mesmo dia (é o que mais me identifico, já que no meu diagnóstico não foi dito qual seria meu ‘tipo’).

             Cada estado tem um tempo médio de duração que variam entre dias, semanas e meses. Há também outras formas de manifestação da doença, como a hipomania, sendo menos prejudicial no circulo social e no trabalho. Pra resumir esta parte teórica, somente um psiquiatra poderá diagnosticar a doença em uma série de testes e somente ele poderá lhe medicar.

                   Questões clínicas aparte, é que estudo nenhum sabe o quanto é só a vida de um bipolar, tendo ou não amigos, família ou um relacionamento, nada parece durar, pois ninguém suporta tempo o suficiente (a não ser seus parentes, apesar de que já quiseram me interar), pois você só será vista como egoísta, mimada, descontrolada, instável, todos terão medo de você, de que tente suicídio, que caia nas drogas, que enlouqueça, ninguém o vê como um ser humano que só precisa às vezes de um colo pra chorar, um abraço, carinho e mais que tudo ser ouvido. É uma tarefa chata? Claro! Sei que é difícil para meus pais, para meu irmão… Bem, pra quem ainda convive comigo (o que parece ter reduzido ainda mais neste final de semana).

                 Eu nunca fiz o tipo de chata, chiclete, ou coisas assim, mas nessa ultima crise que estou passando, tive uns “ataques de pelanca”, eu não gosto, odeio não controlar algumas das minhas atitudes, odeio não poder ser eu mesma às vezes. Mas eu ainda me cuido, quase desisti de tudo nesse final de semana que se passou, pois em um mês, minha vida se tornou um castelo de cartas cuja uma por uma foram se desabando dia-pós-dia, e só fui julgada, criticada e tachada, tudo, menos compreendida, porque as pessoas acham que é desculpa, claro, como o ditado “desculpa do aleijado não é a muleta”, a minha não poderá sempre ser “sou bipolar”, mas não faço o tipo de quem da essa desculpa à toa, quando eu sinto eu digo, eu sou sincera doa o ouvido que doer.

                     É uma jornada longa? Claro, pois não há ainda cura pra bipolaridade, só tratamentos que amenizam os sintomas e terapia pra te ajudar a conviver com isso. Muitas pessoas, até celebridades já se declararam bipolar e estão ai, com famílias, amigos e trabalhando.

                   O bipolar não é um ser de outro planeta, mas pode ser confuso e de fases muitas vezes, o que me resta? Aceitar que posso viver só, que posso achar novos amigos, que posso superar isso tudo e quem sabe um dia, encontrar mais pessoas que consigam conviver com minha ‘inconstante instabilidade’.

 

*Fontes: Revista Viva saúde Número 95, pág. 14, 2011;

Site: http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?419

Leia também: http://virtualpsy.locaweb.com.br/index.php?art=367&sec=26

Comunidade para bipolares: http://www.bipolarbrasil.net/

http://www.ceapesq.org.br/ceapesq/grupoDePesquisa.php?FhIdGrupo=15

*Imagens: Google Imagens

Justine – Dividida em sentimentos

Mais que um coração divido, Justine tinha a cabeça cortada em pedacinhos, seu cérebro estava a mil. Lucas, Pépe. Pépe e Lucas. O que fazer quando não se sabe amar apenas um? Depois de ter passado sua relação turbulenta entre Lucas e Marcela, Justine pensava que nunca mais teria problemas com esse tipo de relação.

– Deus? O que fazer? – disse Justine para si mesma no espelho.

Em poucas horas o avião de Lucas pousaria, e ela ainda estava na casa do Pépe.

– Algum problema? – perguntou Pépe no chuveiro.

– Não, nada… Aliais… Bem, tem uns parentes meus chegando hoje, e vou ficar ausente por uns dias.

Pepe saiu do banho e com o corpo ainda molhado e nu abraçou Justine, os dois se olharam no espelho por alguns minutos. Pela regata branca do Pépe que ela usava para dormir, podia se ver os mamilos rijos. Justine soltou um sorriso malicioso.

– No que pesou? Perguntou Pépe.

– Segredo – respondeu Justine virando-se para beijá-lo – quer tomar outro banho?

– hum… acho que sou um garoto ‘sujo’ e realmente preciso de um outro banho.

Ela sorriu o empurrando de volta para o boxe. Ligou o chuveiro e a água morna molhou a regata revelando seu corpo arrepiado. Pépe a colocou contra a parede e enquanto a beijava delizou uma das mãos por entre as coxas chegando logo onde o interessava, seu grelo rijo, quente e pulsante. Ela gemeu.

– Vou sentir saudades safadinha, esses dias sem você serão um martírio.

– Shiiiiiiiiii… – Justine interrompeu o que Pépe iria falar, e começou a beijar seus lábios, queixo, pescoço, percorrendo o peitoral, se ajoelhou segurando o membro rijo e começou a sugá-lo como quem não se alimenta a tempo.

– Pequena… Ah! Você além de gostosa me deixa incrivelmente louco… Ah! Isso puta safada, chupa gostoso.

Ela adorava o que fazia, e fazia como nenhuma outra, seus lábios quentes deixaram qualquer um apaixonado, seja homem ou mulher, Justine não media esforços e amava sugar, sugar, sugar, ia cada vez mais fundo, até mesmo suas engasgadinhas eram encantadoras.

– Vou explodir pequena, vou explodir! – disse Pépe entre gemidos.

Ela não parava, não parava nunca, queria ver o leite derramar, mas como tesão a toda, ela interrompeu a função, se levantou, olhou-o nos olhos e sem dizer nada, apenas mordendo os lábios, tirou a regata molhada e começou a acariciar seu próprio corpo, suas mãos deslizavam entre seios e o sexo úmido, Pépe começou a se tocar, mas ela acenou com a cabeça que não.

– Não, não faça isso – sussurou.

Ele parou e ficou apenas admirando Justine se tocar. Seus gemidinhos ainda tímidos, quando a excitação já estava no auge, ela se virou contra a parede, abriu as pernas, empinou a bunda e disse.

– Vem!

Pepe não pensou e logo a penetrou, sua bucetinha estava lambuzada e muito quente, ela continuou a tocar o grelo, seus gemidos estavam mais altos e estridentes, ele não parava de meter segurando-a pelos cabelos.

– Eu acho que vou explodir pequena – disse Pépe enquanto metia mais rápido.

Ambos os corpos estremeceram e permaneceram juntos embaixo do chuveiro.

Depois de brincarem no banho Justine se arrumou, comeu algo e foi se despedir de Pépe que estava brincando com o violão.

– Vou sentir saudades… – disse ela manhosa.

– Eu também… Some não.

– Vou dar m jeitinho de vir lhe ver pena semana…

– Ju… Senta aqui – apontou ele para o colo.

– Diga!

– Sabe, já faz uns dois meses que estamos juntos – disse ele enquanto afagava os cabelos dela.

– Pois é, passou rápido não é?

– Sim, passou, e eu queria dizer que quero ficar mais tempo contigo, cada minuto que está longe, eu quero você aqui. Eu sei, é piegas nem eu esperava dizer isso mais a alguém, mas estou louco por ti garota!

– Acho que preciso ir – disse Justine espantada.

– Como? – perguntou incrédulo – Estou me declarando e você quer ir embora?

– Pépe, desculpe – disse ela levantando em direção da porta – Sabe, eu não esperava… Aliais, eu queria ouvir isso, mas… Não posso, Deus. Tchau!

Justine saiu sem olhar para trás, seu coração estava disparado, será que de fato ela sabia o que queria, ou achava que sabia? Ela desejava ficar só, mas Lucas estava para chegar então foi para o aeroporto.

O vôo iria atrasar meia hora, então ela foi tomar um café.

– Deus, não sei o que fazer – repetia para si mesma a todo momento.

Sentada só, ela sentia vários olhares direcionados a si, tudo lhe deixava mais confusa, enfim o vôo chegou, ela pagou o café e foi para o saguão de desembarque. Muitas pessoas, diversos de reencontros emocionantes, e o coração de Justine só conseguia sentir o medo da culpa que ultimamente lhe seguia até mesmo nos sonhos. Seu rosto corou quando viu Lucas acenando sorridente, ele apressou o passo ao seu encontro.

– Deus, finalmente cheguei, eu não agüentava mais de saudades – disse Lucas ao abraça-la.

Justine chorou, o abraçou apertado e simplesmente chorou.

– Não chora amor, eu to aqui! Caramba, como eu te amo Jú.

– Eu também te amo Lucas, muito, muito.

Realmente ela o amava, daquela forma estranha, mesmo assim ela o amava, foi ao lado dele que ela cresceu, amadureceu, viveu.

– Vamos pra casa? – disse ela enquanto o beijava.

– É o que mais quero.

Os dois foram andaram de mãos dados pelo estacionamento, ele colocou as malas no carro, e antes de justine entrar ele a beijou, prensada ao carro, no calor do reencontro, ele a beijava como se não a visse a anos, seu corpo ficou tomado pelo calor.

– Melhor correr-mos pra casa – disse ele animado.

No caminho, o pensamento de Justine voava. Ela que acabará de transar com seu amante, não sabia se conseguiria se entregar ao amado com tanto fervor.

– Você está bem? – perguntou Lucas desconfiado.

– Sim, só estou um pouco cansada, não dormi bem, tive uns sonhos estranho – respondeu com um sorriso amarelo estampado no rosto.

– Pesadelos novamente?

– Pois é… hehe, esses sonhos tolos.

– Está com alguém problema? Você só tem esses pesadelos quando está em crise.

– Não, era só saudades, eu fico preocupada, nada demais.

– Bem, logo vamos matar essa saudade.

Ao chegar em casa, Lucas não se agüentava mais de tesão, ele jogou as malas na sala e começou a revirar a bolsa de mão.

– Querida, quero vê-la – disse ele sentado no sofá com um embrulho nas mãos.

– Mas você já está me vendo.

– Quero ver você inteira, nua, quero admirar seu corpo, tenho algo pra você, e quero que esteja nua.

Justine sem entender, começou a tirar a roupa, primeiro a calça, depois a blusa.

– Linda, continua linda, que saudade deste corpo, tire o resto.

Ela se despiu por completo ficando nua.

– Nessa mala ao seu lado tem uma surpresa, abre e pegue uma caixa para mim por favor.

Justine abriu a mala e pegou uma caixa de sapato.

– Venha até aqui querida – disse ele enquanto se ajoelhava.

Justine entregou a caixa a ele, que abriu e calçou belos sapatos de verniz preto altíssimos.

– Gostou?

– Sim, são lindíssimos.

– Feche os olhos, tenho outro presente para você.

Ela obedeceu, e curiosa sentiu algo gelado encostar em seu pescoço.

– Continue de olhos fechados e venha comigo.

Ele a segurou pela mão e a levou até o enorme espelho da sala.

– Abra os olhos querida.

– Deus! É linda – disse Justine com os olhos brilhando, ao admirar sua gargantilha de brilhantes.

– Você merece, merece isso e muito mais. Quando a vi na loja disse a mim mesmo: Foi feita para Justine!

– Obrigada amor, eu não mereço tantas coisas.

– Shiiiiiiiiii você merece tudo de bom – disse ele enquanto beijava as costas nuas da amada.

Ele a virou e começaram a se beijar caminhando até a cama. Ele a deitou e começou a beijar todo seu corpo, da cabeça aos pés, sem retirar o sapato. Ele abriu suas pernas e entre mãos e lábios acariciava-lhe a coxa até chegar ao grelo.

– Saudades deste doce – disse Lucas enquanto a acariciava.

Justine esqueceu todos os problemas e se entregou inteiramente, afinal ela o amava, ele a amava, nada mais justo que apagar tudo e ser apenas dele, aquele era seu momento.

Depois de horas de prazer, Justine adormeceu de salto e com a gargantilha de brilhantes. Lucas permaneceu acordado, acariciando suas costas e admirando cada pedacinho de Justine, ele só desejava tê-la para sempre.

 

Beijando sapos

Esta semana me deparei com minha agenda de 2000. Nela estão diversos poemas, frases, e todas essas coisas que as meninas de 15 anos da minha época faziam, ou ao menos eu acho que eram assim, sonhadoras como eu fui.

Desde nova eu já escrevia alguma coisa, não bem, mas tentava, adorava escrever poemas românticos e melosos, Deus, como minha mãe não viu os primeiros sinais de uma sonhadora. Sim, eu fui uma sonhadora, durante boa parte da minha vida, eu sonhava com um final feliz, com um príncipe encantado e todas essas coisas, que em algumas décadas atrás, as mães até incentivavam as filhas a pensar, não sei se para zelar por sua castidade, mas comigo até que funcionou.

Não culpo minha mãe pela serie de tragédias amorosas a seguir, pois até ela mesma talvez nunca tenha sido alertada, mas que sirvam de lição para quem está lendo isto neste exato momento, alertem suas filhas, abram seus olhos, em questões do coração, é melhor, muito melhor prevenir, pois há coisas que não há remédio. Mas até os 21 anos eu sofri, e muito pelas questões do coração.

Se você é mãe, tia, ou qualquer coisa assim, não façam de suas pequenas meninas criaturas doces e ingênuas, as preparem para o mundo real, onde sapos nunca serão príncipes, e onde os príncipes talvez gostem de outros príncipes (não que todo homem “perfeitinho” seja gay, mas a maioria é ou já estão casados, sejamos realistas).

Eu passei por todas as fases que uma menina poderia passar, logo aos 13 anos sofri do meu primeiro amor. Platonicamente, calada, por alguém bem mais velho que eu. E bota sofrimento e humilhação nisso, com direito a cartas de amor e até uma carta quilométrica, daquelas que se mandam pra gente famosa, sim, eu era brega. E com isso fui humilhada. Depois caí em uma roubada atrás da outra, um sapo atrás do outro, inclusive na minha primeira vez, que foi mais por curiosidade do que as amigas falavam que pelo tal amor, enfim nada saiu como eu planejei durante esses anos.

Precisei sofrer severamente para acordar e ver que o amor de filmes só existiria em filmes. Não meus caros, isso não é dor de cotovelo, nem algo do gênero, se venho escrever, seja sobre o que for, de forma que me exponha, é sempre para lhes alertar ou tentar ensinar algo com minha vivencia, que neste caso é: acordem suas meninas!

Não há necessidade de ser fria e contar tudo desde pequena, mas explicar certas realidades, é melhor assim (vai por mim). Não que todo homem seja lobo mau, mas mostrar a elas, que sonhar faz bem, mas estar com o pé no chão é melhor ainda. Prepara-las para o mundo real não é crueldade, e sim, evitar que sejam estraçalhadas tarde demais pela crueldade lá de fora.

O príncipe encantado não existe, há homens que nunca saíram do posto de sapo. Alertar suas meninas de que devem ser fortes e independentes, devem ser “rainhas” por si só. Se eu tivesse acordado do meu sonho rosa antes dos 21 como foi, eu teria vivido mais, curtido mais, e estado preparada pra tudo e todos que fossem me fazer sofrer, pois não estamos livres disso, nem as mais preparadas estão, mas é melhor saber logo a verdade, estar consciente dos riscos, do que estar despreparada.

Contos de fadas são apenas contos, e fadas uma ilusão. A verdade é dolorosa, mas o que nesta vida não é? Não quero passar a impressão de mau amada ou mulher sofredora, afinal eu também não fui santa o tempo todo, também não desejo criar mulheres frias, nem nada do tipo, só que sonhar faz bem, mas viver no sonho não é saudável, não para a mente.

Freak Butterfly (Poliana Zanini)

Justine – Um coração para tanto amor

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Depois daquele final de semana bárbaro junto a seus dois amores, Justine se sentia presenteada pelos Deuses, por ter duas pessoas que a amavam e desejavam tanto, que fossem capaz de fazer o que ela pedisse, custasse o que for, realmente, ela era abençoada.

Algumas semanas se passaram entre um apartamento e outro, entre um corpo e outro, às vezes, ainda que raramente em dois corpos ao mesmo tempo, isto quando Marcela estava de bom humor, pois ela ainda não conseguia controlar seu ciúme. Lucas ao contrario estava feliz com qualquer coisa que sua deusa lhe desse, fosse um carinho, um tapa e até mesmo tarefas sujas. Ele apenas se sentia feliz e a desejava ainda mais a cada dia que passavam juntos.

Já fazia um mês desde aquele joguinho surpresa que ela preparou para ele, um mês de sexo intenso e selvagem, um mês a mais para saber que era ela a mulher da vida dele. Sem demora ele ligou para a amada.

– Alo! Jú, nossa, eu tava aqui no trabalho e de repente lembrei de você, de nós dois juntos… – ele falava ofegante, atropelando as palavras quando Justine o interrompeu.

– Oi cachorrinho, respira e fale pausadamente. O que quer?

– Eu não só quero, como preciso de você! Casa comigo?

Justine ficou pasma, sem conseguir pronunciar uma palavra se quer. Por quê? Pensava ela consigo mesma, porque naquele momento? Porque agora que as coisas estavam como ela desejava, que ela enfim se sentia completa, por quê?

– L u c a s – gaguejou Justine – Eu… Eu não sei… Porque isso Lucas! ?

– Porque eu te amo! Simples assim, porque eu não paro de pensar em você, porque tudo que eu faço é pensando em nós, porque você é tão perfeita, tão maravilhosa…

– Chega! Pode parar, tu sabes que não sou nada disso!

– Que papo é este Ju, tu sempre se achou tudo isso e mais um pouco!

– Ta querendo dizer que eu me ‘acho’ é? – perguntou zangada.

– Claro que não amor, não entenda mal, quer ir jantar comigo, ou melhor, vamos pedir algo lá em casa, passar um tempo a sós.

Realmente passar um tempo a sós naquele ultimo mês estava ficando complicado. Se de um lado ela amava Lucas, por outro lado ela amava Marcela também.

– Lucas, eu fiquei de jantar com a Marcela, hoje é nosso aniversário… – respondeu sem graça.

– ANIVERSÁRIO! ?

– Da primeira vez que nós ficamos juntas… Olha Lucas eu preciso pensar, eu amei a proposta e tudo o mais, mas você me conhece, sabe como sou, você sabe como amo, e quem amo – dizia ela já soluçando – é difícil demais ser quem sou, mas estou completamente dividida, eu te amo demais, porém amo Marcela. Mesmo sabendo que é mais fácil construir um futuro ao teu lado, não posso magoá-la, isso a mataria, e parte de mim morreria também.

– Não fica triste meu amor, tudo bem, eu entendo o quanto deve ser difícil pra você, juro que entendo. Só não sei até quando você vai ficar nesse triangulo.

– Lucas é que – e ele a interrompeu.

– Olha eu te amo! Não desisto de você nem que implore, pode ir curtir seu jantar com a Marcela, eu estarei sempre lá pra você.

Aquelas palavras partiram seu coração, pela primeira vez em muito tempo Justine não se sentia tão arrasada, com o coração tão destruído.

– Te ligo depois Ju, te amo!

– Também te amo!

Justine não sentia mais seu corpo, e se atirou a cama e desesperadamente começou a chorar, suas lagrimas não escorriam, gritavam, e sua mãe bateu na porta para descobrir o que acontecia.

– JU! FILHA? O QUE ESTA HAVENDO? ABRE A PORTA E DEIXA A MÃE ENTRAR.

Justine sabia que sua mãe não entenderia da missa a metade, e nem poderia falar de Marcela, mas sabia que um colo de mãe a faria pensar melhor. Ela se levantou soluçando e abriu a porta. Sua mãe assustada ao ver a situação que a filha estava, a abraçou apertado.

As duas ficaram horas no quarto, Justine deitada no colo da mãe que afagava seus cabelos, isso a fazia lembrar de quando era criança e tinha pesadelos, sua mãe ficava ali, até que adormecesse novamente para a ‘proteger’ dos monstros.

– E então filha, quer falar?

– Lucas me pediu em casamento…

– Sério! ? Mas minha filha, isso não é bom? Não é o que você quer? Porque esta assim?

Como explicaria aquela situação a sua mãe sem contar toda a verdade ou varias mentiras? Melhor seria apenas ocultar certas verdades.

– Sim mãe, é sim, mas… Acontece, que eu amo outra pessoa.

– Como assim outra pessoa?

– Eu amo outra pessoa também! E apesar de saber que meu futuro estaria ao lado do Lucas, não quero, não posso de forma alguma magoar este outro alguém.

– Ainda aquele menino tatuado Justine?

Justine ficou muda, não sabia se começava a mentir agora ou mais tarde, pelo sim, pelo não, ela acenou positivamente com a cabeça.

– Mas menina, com ele você não tem futuro, e sabe disso. O Lucas é um rapaz, pelo pouco que conheci, respeitável, honesto, trabalhador e lhe trata como rainha!

– Eu sei mamãe, mas é algo que não controlo, sabe, é um sentimento mais forte que eu, é uma coisa, é como se eu fosse duas.

– A minha filha, eu te entendo… Mas agente tem que pensar no que é melhor pra nós, pensar no futuro, você não será jovem para sempre, e um dia vai querer, sentir necessidades de ter tua própria família.

Realmente seria difícil aquela situação. Mas ela sabia que em uma coisa sua mãe tinha razão, ela não seria jovem para sempre, ao menos não fisicamente.

– É mãe, eu vou pensar muito nisso. Vou jantar na Marcela e depois vou pro Lucas.

– Vai sim, uma amiga é a melhor coisa nestas horas.

Mau sabia mãe que esta amiga era o motivo de tanto choro.

Já soariam 18 horas quando ela saiu com a mochila nas costas, entrou no carro e foi para Marcela como planejado. No caminho as palavras de Lucas martelavam em sua cabeça: “… eu não vou desistir…”, se transformaria aquilo em uma guerra entre os dois? Logo agora que enfim a paz reinava em seu pequeno mundinho devasso?

Em um pequeno congestionamento, uma vida inteira se passou sobre seus olhos, como seria viver ao lado de Lucas, construir uma família, e como seria viver com Lucas e Marcela até que um enjoasse dela. Será que com o passar dos anos Lucas seria o mesmo? Ela pensou que ainda tinha seus vinte e poucos anos, que o mundo dizia que a vida começava aos 30 e que ela ainda teria tempo pra viver um pouco mais, então se Lucas a amasse de verdade, a deixaria livre para continuar este triangulo, se não ele que pegasse seu rumo, por mais que doesse nela, ela, agora, não abriria mão da vida que queria ter.

Ao chegar à casa de Marcela, seu sorriso se abriu, ela nem pensou no jantar, jogou a amante no chão e começou a beija-a por todo o corpo, ali naquela sala, onde muito ocorreu, as duas se amaram como duas gatas no cio, Justine era insaciável, a beijava, a penetrava com a língua, se lambuzava com o gozo que jorrava da buceta de Marcela que estava loucamente excitada.

Enquanto Justine sugava o grelinho duro, penetrava-a com os dedos a fim de tocar seu ponto G, Marcela delirava, gemia de forma que não poderia mais segurar o gozo, e com as pernas tremulas, ela espirrou seu doce meu na face de Justine orgulhosa e satisfeita.

Exausta, Marcela ficou imóvel no chão enquanto Justine a beijava suavemente até alcançar seus lábios carnudos. Ela pensava: “Ah Marcela, minha ruiva ardente!”

A amante sem nada entender, ficou feliz com a atitude louca de Justine, então as duas, sem falar nada, foram para a mesa de jantar, com direito a velas, vinho e flores. Elas comeram, e depois se atiram pela casa até chegar ao quarto onde o segundo round estava por começar, Marcela queria retribuir o prazer que havia sentido antes e começou a acariciar seus seios, ela sabia o quanto aquilo a dava prazer, sugava-os lentamente, mordiscando o biquinho, e com uma das mãos ela masturbava a buceta sempre molhada de Justine. Aquilo era sempre uma piscininha, e ela queria se afogar.

O sobe e desce da língua, o penetrar dos dedos, o penetrar do vibrador, a forma com que Marcela a sugava, era incrível, ela parecia não se cansar de ficar ali, entre as pernas de Justine, era como se pudesse ficar por horas com um bebe recém nascido cheio de fome ‘mamando’ sem parar. Justine logo se contorcia e gozava, foram três seguidas, mesmo sensível, Marcela não cessava, a amante podia implorar o que for, que ela não pararia, pois sabia que o próximo seria mais intenso. Depois do terceiro, Justine fechou as pernas tremulas e fracas, suadas, as duas ficaram na cama olhando uma para a outra. Segundos caladas Justine diz:

– Te amo Marcela!

– eu também te amo muito mais que tudo nessa vida Ju!

As duas se abraçaram e com lagrimas aos olhos Justine se levantou para tomar banho.

– Já vai? – perguntou Marcela.

– Hoje eu tenho que ir, me desculpa!

– Tudo bem amor, estas horas me valeram a noite, dormirei como um anjo.

– Você é um anjo! – Justine falou seguindo para o banheiro.

Tomada banho e vestida, ela beijou a amante e desta vez pegou rumo à casa de Lucas, onde algumas horas de prazer começariam.

Freak Butterfly (Poliana Zanini)

*Foto por Poliana Zanni editada por João Lenjob