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Medo e Delírio no Texas

Já tem algum tempo que quero escrever essa minha desventura de final de noite, mas antes tarde do que nunca, afinal rir é bom em qualquer momento, então vamos lá.

Nunca pensei que em um sábado eu pude estar no paraíso e do nada cair no inferno. Eu e minha melhor amiga, fomos a um pub ver outra amiga nossa cantar, dançamos, curtimos, e como e não podia beber, haja energético na cabeça. Mas essas energias enlatadas nunca funcionaram bem comigo, o sono tomava meu corpo, re antigos amigos, conversei e reclamei horas do fumódromo improvisado que o pub nos cedeu. E então retorno ao meu antigo discurso: fumante é um bosta mesmo!

Agente paga um imposto altíssimo – que irá subir ainda mais – e ainda é jogado nos piores buracos da balada, isso quando você não tem que sair do lugar pra fumar, o que nos leva e entrar na fila do caixa, pagar a conta pra poder sair, porque além de tudo somos ‘bandidos’, ao menos é o que transparece. Enfim, quem fuma sabe todos os problemas, sei que as demais pessoas – as que não fumam – não são obrigadas a fumar passivamente, sei que há a lei, mas se for criar um local para os fumantes, por favor que não parece um porão de fugitivos da segunda guerra, certeza que a vigilância nunca passou por ali.

Voltando a noite. Amigos, boa música, tudo estava ótimo, pessoas bonitas e divertidas, mas a noite ali acabou cedo – bem pra alguns 4 horas era cedo – dando brecha para a velha discussão, “e agora pra onde vamos?”. Várias sugestões e nenhum rumo certo.

Depois de rodarmos enfim um dos amigos liga e diz: “to aqui no Texas, vem pra cá”. Nunca entrei naquele lugar, nem minha amiga havia se aventurado, então decidimos arriscar, ninguém queria ir pra casa – exceto eu a única sóbria.

Na entrada achamos um fumódromo digno, com um bom espaço e ar condicionado – coisa essencial aqui no norte – e foi então que abrimos a porta dos desesperados. Nunca vi tanta gente feia, mal encarada e com péssimo gosto para moda na minha vida reunidas em um só lugar! Nossa sorte são que certos ‘coletes’ abrem portas, e para nós foi aberto o camarote VIP – que de VIP só tinha nome.

Foi ali que meu nível de irritação atingiu o ápice!  Sabe quando você esta morrendo de fome e vê uma torta saborosa, sabe aquele olhar? Então, eu me sentia a torta. Se você acha que me senti maravilhosa, não viu a concorrência do lugar, tem olhares que incomodam, e muito. Dancei um pouco, tentei me divertir, mas o rei momo que estava próximo cortou meu barato rapidamente com uma cantada pedreira.

O camarote era como um aquário, uma caixa de vidro que dava pra ver todos da pista, o lugar estava cheio, a música mais ou menos, mas a dança… Bem, eu pensei que havia entrado em uma boate e não em um bordel.

Menos de uma hora lá dentro e fomos convidadas a nos retirar do camarote, pois as funções ali estavam se encerrando.

“Vamos pra pista!” disse alguém. Foi ali que eu pedi pra morrer. O chão estava grudando, garras e latas por todo lugar, as mulheres com saltos altíssimos e vestidos drapeados envolvendo seus corpos longe de um padrão ‘panicat’, dançavam empinando a bunda para o alto, onde se poderia realizar um exame de colonoscopia. O cheiro de cerveja podre do chão parecia se misturar com todos aqueles rabos ali, e posso me arriscar em dizer que no meio daquele aroma que me provocou ânsia havia até mesmo porra. Por um instante pensei que tinha aberto o cubo da ‘configurações do lamento’ e me transportado para ‘Hellraiser’.

Eu fiquei perdida sem saber se ria ou chorava, meus olhos lacrimejaram e o estomago anunciava “lá vem a janta!”, então falei “Deus que horror, quero sair daqui”. Todos concordaram e saímos rapidamente. O alivio de voltar a respirar só veio quando sai da boate.

As imagens daquelas bundas me atormentavam a mente, não consigo entender o que leva uma mulher a se desvalorizar daquela forma, não fazia mais sentido, eu só queria ir pra casa e desejava nunca ter entrado ali.

Tudo que eu consegui tirar de proveito desta noite é: nunca mais ir a lugares desconhecidos com procedência suspeita. Quando uma cidade está em crescimento, passando por mudanças e repleta de trabalhadores que passam a semana sem ver mulheres em campos de obra e só vê a cidade nos finais de semana, você não pode se arriscar a entrar em qualquer lugar, nunca se sabe que portal ou dimensão você estará entrando.

 

 

 

 

 

 

Imagem retirada do http://www.humordaterra.com/2011/10/25/anatomia-de-uma-piriguete/