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Monthly Archives: Junho 2010

Efeito Primata – Tocando o terror no Acre

É meus caros, ao contrário do que muitos pensam, o Acre existe sim, e foi para lá que meu ônibus do terror parou. Parece uma ilusão, mas ainda por cima Rio Branco (a capital) é uma cidadezinha bonitinha, limpa, cheia de guardas, revitalizada, diferente de Porto Velho, mas nem da pra comparar em tamanho e a cidade tem um projeto chamado “Floresta Digital”, onde você se cadastra e entra na internet onde estiver direto do seu computador! (e você achando que ali era a ilha de Lost?!)

Bem, mas não da pra ser perfeito, apesar de ter um dos melhores festivais de musica da região norte, o Varadouro, Rio Branco deixou a desejar em uma série de outros quesitos, como por exemplo, a alimentação, além de cara, tudo é apimentado (minha gastrite ta quase uma ulcera) e cara, até em Curitiba eu gastei menos em alimentação e como melhor. A cidade possui Lei Seca, e os bares fecham às três horas da manha (antes era meia noite).

E foi nesse embalo de bares que fomos farrear e caímos no The Rock Bar, um lugar pequeno mas gostoso que fica na famosa “Gamelera” (não me perguntem o que significa por favor). O lugar não estava cheio, mas logo nossa comitiva se fez presente e lotamos o lugar. Outra coisa que devo dizer de Rio Branco (os acreanos que me perdoem) é que há muitas mulheres (ta isso só é uma reclamação para mim) e homossexuais (nada contra como todo munda sabe eu tenho vários amigos que são, mas sobre como é, eu sou mulher, e solteira, nada mais justo do que se tivessem homens).

O tratamento é excelente, e a cerveja vinha com veuzinho, mas eu não bebi, porém desta vez não bebi porque não podia. Várias cervejas, algumas doses de vodka e UMA garrafa de tequila!

Nunca em toda minha vida vi uma garrafa secar tão rápido, pelo que me recordo, em pouco mais de dez minutos não restava nada. Como muitos sabem, essa é uma bebida que martela a cabeça, então o resultado foi imediato, logo o grupo dos “coloridos” se multiplicou, e nem precisou tocar Lady Gaga pra descobrirmos isto.

Eu não consigo parar de analisar uma coisa, como regredimos ao beber, por que o álcool afeta tanto assim as pessoas? Eu bebo pra me soltar, mas há aqueles que bebem por que… Porque eu não sei! Claro que não sou santa, mas eu nunca vomitei num bar (só no banheiro ou fora dele próximo do carro). Outra coisa é que os instintos sexuais afloram, as pessoas se tornam “caça” ou “caçador”.

Se foi divertido? Demais, dancei, cantei, quando a banda começou, eu desanimei porque era muito parada, ficamos concentrados nos fundos do bar onde há um ruína toda grafitada, ali onde ouvi coisas absurdas, engraçadas, convites, transformações de identidade, tinha gente que já tinha medo de atravessar o arco que levava a ruína. Eu ri demais, nunca ri tanto em uma viajem, como nesta.

O mais legal era que precisávamos pular um muro par voltar pro alojamento que já estava traçado, mulheres de vestidos pulando muro para a alegria dos vigilantes do prédio da frente, polícia passando, foi pura emoção. Gostaria de ter permanecido acordada para ver como aqueles que tomaram a garrafa de tequila fizeram para pular, pelo que ouvi no café da manhã, alguns chegaram gritando, derrubando tudo, graças ao meu rivotril, eu não ouvi, pois já havia perdido a noite passada dentro do ônibus, não podia perder mais uma, afinal, eu fui pra um congresso, com palestras e cursos, tinha que ter ao menos um pouquinho de disposição.

O congresso acabou, mas eu não consegui deletar uma virgula do que aconteceu, hoje quando ando pela faculdade, nem ao menos vejo as pessoas com quem viajei, ou as vejo juntas, é como se nada tivesse acontecido, é como estar em Las Vegas, o que acontece ali, fila ali. Acho que nunca mais seremos esquecidos naquele lugar, realmente colocamos fogo no “puteiro” (no bom sentido da coisa claro). E mesmo sóbria meu lado Gloria Kalil entrou em ação.

Por favor, esquadrão da moda, vá conhecer Rio Branco!

Freak Butterlfy

  • · P.S.: Quero deixar claro que não quis, de forma alguma ofender nem denegrir a imagem de nada nem ninguém.

Efeito Primata – Uma viajem infernal

Nunca esperei tanto por algo “educacional” como esperava pelo congresso de comunicação, passagem paga, alojamento confirmado e malas prontas, lá estava eu na faculdade, depois de uma prova sobre o “o manual de redação do Estado”, da qual me saí razoavelmente bem, levando em conta que não havia estudado nada.

Fiquei cerca de 3 horas esperando o horário da partida, o coração disparado (coisas de pessoas ansiosas) e várias pessoas estranhas. Pouco depois das 22 horas, o ônibus chega, tudo indicava que as coisas seriam um tanto conturbadas logo na “organização” para embarcarmos, primeiro vi algumas garrafas de vodka, segundo, o rapaz que havia locado o ônibus (precário diga-se de passagem) não conseguia obter a atenção de ninguém que estava presente (exceto a minha, que já pensei logo na saída “isso vai dar uma historia”).

Não darei nome aos “burros”, mas nunca imaginei que estudantes de comunicação social tivessem tanto problemas para se comunicar. Aquilo era pior que o maternal, até minha sobrinha que tem 2 anos e 5 meses sabe ouvir, já os adultos, estavam entrando no estado de euforia, com uma caixa de isopor e algumas latas de cervejas, muitos pedidos de “dois minutinhos, pessoal”, o ônibus saiu.

Primeira parada: 20 minutos depois paramos em um posto de gasolina pra comprar mais bebida (medo).

O pedido era que apenas se bebesse enquanto o ônibus estava andando, para não corrermos o rico de ir para o “xadrez”, alguém gritou: “NINGUÉM AQUI VAI DORMIR!”, este não me conhecia, eu dormiria nem que matasse um. Minha companheira de viajem já estava desmaiada num sono profundo de dar inveja… Já eu, rezava para que o ônibus fosse parado no posto da Polícia Federal, musicas horríveis, cheiro de cerveja e até de cigarro… (eu sou fumante, mas tenho respeito, e não fumo num lugar fechado que só tem ar condicionado, a não ser baladas que me permitam a isso).

Logo tudo começa a se transformar, o efeito alcoólico de fato transforma as pessoas de tal maneira que até as mais santas mostram suas garras. E foi assim, eu, mesmo com o mp3 ligado ouvindo matanza e com um dramim e rivotril na cabeça não conseguia apagar, já estava entrando em estado de desespero, pois a bebida que caia no chão, logo “apodrecia” e o cheiro de azedo pairava pelo ar, começaram com Skol e Orloff, terminaram com Sol e skayloff (uma vodka do ‘cão’ feita em uma indústria ‘fofatoba’ daqui).

Eu passei horas ouvindo as coisas mais insanas, pessoas declarando seu amor platônico, alguns que começaram a gerar dúvida se faziam parte da tribo dos “coloridos”, assedio e cantadas. Os ‘feromônios’ estavam no ar, mas poucos desejam alguém que estivesse ali. Eu via mato e mais mato pela janela, e foi depois de duas pessoas “maravilhosas” vomitarem e dar o toque de podridão ao interior do ônibus, que todos começaram a acalmar e dormir, as uma e pouco da manha eu consegui cochilar, quando deram duas, fui acordada para sair do ônibus para atravessar o rio na balsa.

Meu medo era de que todos ali despertassem, mas graças ao bom Deus isso não ocorreu. Eu e dois colegas fumamos um cigarro pra relaxar, eu consegui linda como tava (de olheiras e cara amassada) levar cantada de caminhoneiro (risos) “Colei chiclete na cruz! Colei chiclete na cruz!”, era o que meu cérebro gritava e logo a travessia chegou ao fim, só assim, eu dormi, pouco, mas dormi.

Ao chegar lá, só o que se via eram óculos escuros pra esconder a ressaca guerra que muitos estavam tendo. Eu não bebi e penso que foi melhor assim, palavras ditas não voltam mesmo, atitudes tomadas quando se está bêbado marcam, ao menos alguns que não beberam como eu.

Realmente, quando se bebe se regride, é o tal efeito primata, mas penso que até os macacos conseguiriam se comunicar melhor do que nós naquela viajem “infernal”, não digo o que digo para ofender, mas quem sabe pra minha auto-reflexão.

Freak Butterfly