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Medo e Delírio em São Paulo – a mudança

E lá estava eu, encostada no balcão da cozinha, esfregando os pulsos com um gel aparentemente ‘milagroso’ que comprei a quase dois meses em uma tentativa desesperada de apagar um pouco as cicatrizes que espantam olhos curiosos, e então, me peguei pensando em como vim parar aqui, o que tinha feito de errado, o que havia dito de errado, enfim, onde errei desde que cheguei.

Fiquei ali certo tempo parada olhando os braços cujas cicatrizes não sumiram, nem amenizaram com o gel, minhas veias, que geralmente ficam escondidas sob a pele desbotada estavam ali, pulsando num azul hipnotizante, elas pareciam dizer: contem-me!

No som do celular tocava Hypinose do System Of a Down, meu passo para o delírio já era eminente quando subitamente começa a tocar Seu Jorge, amém! Foi àquela música perdida na minha playlist que me tirou daquele momento pré-suicida. Pouco depois meus pensamentos se perderam novamente, fui lavar a pequena louça suja da janta mais solitária das ultimas semanas, pensando: “Deus, que patético, pareço uma solteirona clichê de filme B”. Tudo me soa como filme B. Às vezes me pego distraidamente pensando se minha vida não é uma ficção no estilo “show do Truman”, e as pessoas estão me assistindo, tropeçar, levantar, tropeçar, levantar, tropeçar, pensar em levantar e como todo reality, elas riem da desgraça alheia. Sem dúvida, quando repasso meus últimos dois meses, diria que seria uma comédia barata.

Às vezes tenho surtos de grandeza onde me acho o alvo predileto de Deus, uma marionete com a qual ele se diverte, rindo de toda confusão física e mental, mas deve ser só mais uma paranóia ou crise de mania, pois nessas mesmas horas me apego à religião como um tipo de salvação implorando pra Deus finalmente me enxergar aqui embaixo e dizer: Chegou sua hora! Mas sempre volto ao princípio da “teoria da conspiração” e acho que todos conspiram contra mim, incluindo, pessoas do meu convívio “familiar”, eu sei, parece absurdo, mas o pensamento é incontrolável, sempre me acho uma vítima de mandinga!

Eu sei, você não deve estar entendendo nada do que digo, é porque nas ultimas semanas, meus pensamentos atropelam as palavras, não consigo dizer o que penso, ou pensar antes de falar, simplesmente fluem. Então vou tentar resumir meu caminho até aqui.

Início de ano, pós-férias, morrendo de saudades da terapeuta (que eu confesso estar sentindo muita saudade), na primeira consulta do ano, fui animada contar minha idéia mirabolante.

“Então Poliana, como foi de férias?”, penso que ela se arrependeu da pergunta, falei tudo que pude lembrar, tudo que me incomodou, brigas que não estive presente, sobre o quanto me senti parte da família pela primeira vez e vários anos, blá, blá, blá… Falei compulsivamente, sem parar e então cheguei a decisão crucial da minha vida: “Quero me mudar pra São Paulo”. Contei todo meu plano arquitetado minuciosamente, depois do trauma da minha mudança não planejada para Curitiba (foi quando iniciei esse blog), eu não poderia ser mais impulsiva. Tudo parecia bem, eu estava medicada e confiante. Meus planos incluíam trabalhar em algo em que pudesse juntar dinheiro até meados de março ou abril para minha sobrevivência em São Paulo até estar trabalhando – coisa que eu imaginava que não fosse demorar a acontecer.

De longe eu olhava classificados, empregos, apartamentos… Os dias passavam, minha ansiedade aumentava, eu só sabia falar sobre partir, não me importava o que ocorresse nada me impediria de viver o “Sonho Brasileiro” (digo que é a paródia ao ‘Sonho Americano’ de Hunter S. Thompson). São Paulo… A Big Apple dos brasileiros, cidade grande, com pessoas dos mais diversos estilos, pensei “terra das oportunidades”, com duas faculdades, uma pequena considerável bagagem de experiência, cursos e mais cursos, eu não só achava como pensava e me sentia preparada para essa mudança, dizia a mim mesma e ao meu irmão, “não é possível que eu não arrume ao menos um ‘trampo’ como vendedora de shopping” (eu dizia shopping porque a mesma aventura em Curitiba me traumatizou, pois na época eu não tinha um ‘padrão’ de shopping, não era um tipo de modelo sem sucesso que fazia bico em lojas, não que eu esteja nos padrões ‘modelísticos’, mas estou numa versão melhorada do meu eu de 2008), mas a vontade é a ilusão dos loucos.

Poderia resumir em curtas frases meu percurso desde que pousei em Guarulhos:

  • Chegar a Barueri;
  • Namorar;
  • Conhecer o Starburcks (porque essa coisa estúpida estava na minha lista de coisas que queria provar);
  • Ganhar camarote VIP do show do Soufly (então risquei mais algo da minha “lista de coisas para fazer” que seria ir num show gringo, bem coisa de interiorana);
  • Preparar currículo;
  • Espalhar currículos;
  • Descobrir que meu currículo não tinha direção;
  • Corrigir currículo;
  • Encontrar da Danny;
  • Brigar com o namorado;
  • Planejar minha ida pra Santo André (afinal eu fiquei quase um mês na casa do namorado);
  • Fazer entrevistas;
  • Esperar o retorno que nunca é dado;
  • Entregar currículos e ouvir: “Nossa, mas você é muito qualificada pra vaga que temos”;
  • Sentir raiva;
  • Medicação no fim;
  • Depressão;
  • Aguardar 40 dias pra minha consulta no psiquiatra;
  • Brigar com namorado;
  • Procurar emprego;
  • Fazer várias novenas;
  • Procurar emprego;
  • Ir a missas;
  • Ir a mais entrevistas;
  • Ser uma péssima namorada;
  • Surtar;
  • Chorar;
  • Rir insanamente;
  • Filmes e mais filmes;
  • Namorar;
  • Brigar com namorado;
  • Chegar a Santo André;
  • Ficar esperando o resto da mudança (que meu pai não manda nunca);
  • Depressão;
  • Saudades de casa;
  • Saudades do meu quarto, livros, dvd’s, Sky;
  • Morrer e chorar de saudades dos meus sobrinhos;
  • Saber que meu pai não enviou a mudança porque tem esperança que eu volte;
  • Depressão;
  • Mau-humor;
  • Sair com amigos em Santo André;
  • Rir;
  • Enjoar do cabelo pseudo-loiro;
  • Ser péssima namorada;
  • Chorar por não conseguir aquele ‘trampo’ que queria na Paulista;
  • Ficar isolada;
  • Distribuir o currículo em todos os RH’s encontráveis de Santo André;
  • Sonhar acordada;
  • Ter cadastro em vários sites de empregos;
  • Depressão + mania;
  • Ter um distúrbio hormonal, sangramentos e espinhas;
  • Ficar emburrada e distante;
  • Terminar o namoro.

Bem, acho que resumidamente em tópicos seria mais ou menos isso. Então, de volta ao momento pré-paranóia, onde me vi sentada na beira da cama ensangüentada, por um segundo fiquei catatônica, foi só um susto, um pensamento, uma neurose, uma alucinação, às vezes sofro disto. Eu queria chorar, mas nenhuma misera lágrima escorreu, então sentei pra escrever e ver se me sinto menos lotada de pensamentos, menos solitária… Eu divido uma casinha com um amigo que quase não tenho visto. O tédio é tão grande que “Amélia” baixa em mim quase diariamente, eu limpo as casa, lavo a roupa, tento cozinhar e mal consigo comer (ainda bem né, se não daqui a pouco estaria uma bola).

O pior de tudo que essas coisas de dona de casa me distraem, meu corpo fica gastando as energias ali, na limpeza, mas quando termino e tomo o banho merecido, meu corpo ainda tem eletricidade, e mesmo cansado e dolorido, não consigo relaxar, as vezes nem com o as 2mg de alprazolan.

Comprei um livro há quase um mês que poderia ter terminado de ler a semanas, se eu não tivesse que reler muita das vezes a mesma página pra então perceber que já a li. O livro se chama “Uma mente inquieta”, recomendação da minha ex-terapeuta que dizia “Poliana, estou lendo um livro que parece que estou escutando você falar”, é apesar de épocas diferentes e surtos psicóticos pouco parecidos, resumindo, até são histórias parecidas…

Hoje sentada aqui sozinha, fico me perguntando o que fiz de errado, está certo que cheguei um pouco antes do tempo, não tinha tanto dinheiro quanto precisava, e pra piorar em uma das minhas crises de ‘mania’ gastei a metade do que tinha num tratamento estético que só consegui fazer duas das doze sessões (da qual espero mesmo assim obter os resultados finais), enfim, antes, em Curitiba, fiquei frustrada por ter uma faculdade iniciado a segunda e não conseguir nada além de olhares tortos e puro preconceito, mas sei que não estava preparada naquele momento, foi uma tentativa de fuga daquela vida em “família” que não era minha. Achava (como acho ainda hoje, que ficar longe daquele quase sanatório chamado “lar” me faria algum bem), e então hoje, com duas faculdades, estando relativamente preparada, adaptável ao mercado de trabalho, com sede de aprender e trabalhar, estou entrando no mesmo processo de frustração, mas agora por motivos contrários e quase desconhecidos, pois não enxergo o possível erro que me impede de estar no mercado de trabalho. Não satisfeita, me matriculei esta semana para uma pós-graduação em docência que começa no final do mês, como em um grito quase que desesperado de que ao me formar como docente possa dar aulas e ter dinheiro pro meu sustento (porque se tem algo que me deprime mais que ficar sem dinheiro, é ter que depender do meu pai pra isso, afinal, tenho 27 anos e não sou aleijada, posso muito bem e há muito tempo me sustentar, só não tive muitas chances).

Desistir? Pensei algumas vezes nisso, mas junto a este pensamento me vem à promessa de que não voltaria viva pra casa. Eu sei, é dramático e exagerado, mas já não consigo pensar em voltar, sem pensar em qualquer outra loucura do gênero suicida. No celular agora toca “make me wanna die” (The Pretty Reckless), música que escuto sempre em minhas crises de depressão, afinal é um desejo mesmo que temporária, morrer, como se de alguma forma fosse aliviar tudo o que sinto.

Enfim hoje, daqui a poucas horas é minha consulta com o Psiquiatra, é como se ele fosse resolver meus problemas (o que não irá acontecer), mas o fato de voltar a tomar a medicação, seja ela qual for me soa como um alívio, voltar a raciocinar melhor, a conseguir me concentrar, não ter crises pseudo-disléxica, só de imaginar que meu cérebro vai desacelerar e vou conseguir enfim estudar pra aquele concurso da PF que queria tanto passar, ou mesmo que eu consiga me dedicar a pós, ou ao menos que eu consigo dar continuidade ao meu projeto com ‘Justine’ (é aquela mesma do conto que alguns de vocês lêem aqui). É como se uma simples pílula pudesse me ajudar a encontrar as respostas do que questionei no início do texto, sei que soa um tanto tolo, até porque remédio não é resposta pra bosta nenhuma, mas me da esperança de amenizar essa bagunça cerebral.

Sem namorado, sem emprego, sem dinheiro, mas com um pouco de dignidade sigo aqui de Santo André, ‘devaneando’ para os corajosos que ainda me lêem.

*Desabafo: se eu me candidatei à vaga disponível, independente do meu currículo, quero dizer que eu li o maldito anúncio, sei o que significa e pra que é a vaga, não preciso que me digam se sou muito qualificada ou não pra aquilo, não sou superior a outros ou pior, como a maioria, sou só alguém buscando uma oportunidade. Acho um absurdo você ser “rejeitado” por ter “estudado demais”. Enfim, é assim que me sinto.

Romance à démodé?

Toda mulher prega a liberdade, a independência, querem ser livres para escolher, porém, quando o assunto é relacionamento, as coisas realmente se tornam confusas, até mesmo para mim, que sou mulher.

Hoje, ouvimos muito falar de “dividir a conta”, “cada um paga a sua”, e algumas ainda reclamam do romantismo ou excesso de cavalheirismo, mas será que na pratica é isto mesmo? Eu me coloquei a prova em vários encontros para saber como as relações andam hoje e transcrevi em uma espécie de estudo de caso, que não estão em ordem cronológica e em alguns casos a pessoa pode ser a mesma.

Primeiro caso: Um convite para sair com o namorado (que agora é ex).

Era começo de namoro, tudo estava bem, desde nosso primeiro encontro que foi um cinema, eu havia pagado o meu e ele o dele, até porque quando vou ao cinema com alguém chego e compro logo a minha, pois me sinto envergonhada em esperar que ele pague (pois vai que ele não se habilita, imagina o mico), então um dia, planejávamos ir a um pub badalado da cidade, curtir um som e beber, porém na ultima hora eu fiquei sem dinheiro, em uma conversa por telefone, falando de outra festa, eu disse que estava sem dinheiro e sabe o que ouvi de volta? “então como você quer sair amanhã?” minha cara caiu no chão, eu fiquei muda ao telefone e depois disso tive um colapso de memória, não lembrando dos fatos seguintes. Sei que não esperava aquela frase, é obvio que eu esperava algo “eu você está saindo comigo, eu pago”, ou qualquer coisa do gênero, tento em vista que meu namorado anterior não me deixava pagar nem uma bala. Depois daquele dia foi como “brochar”, toda vez que falávamos em sair eu ficava sem vontade, ou quando saiamos, ele pagava o cinema, mas não pagava o jantar (ao menos o meu), ele queria transar, mas nunca se prontificou em pagar o motel (eu já paguei motel pra homem, e também já dividi, mas de namorado eu não aceitaria jamais, nem dividir), no ultimo suspiro da nossa relação ele se propôs a passarmos a noite em um hotel, e ele pagaria, enfim, ele era um bom rapaz e me pagou alguns almoços na padaria da esquina.

Segundo caso: Passeio de domingo.

Marquei de ir ao cinema com um “amigo”, para assistir um filme que a muito desejava ver, eu estava meio sem dinheiro, mas pensei “melhor eu ter ao menos o do cinema e do refrigerante”. No dia que nos conhecemos, se eu pedisse a lua, ele teria dado um jeito, no dia seguinte, fez todos os meus gostos, e mesmo depois de eu já ter “liberado” ele fazia de tudo pra me agradar, saímos para jantar e ele pagou o meu e o dele, com este histórico, eu nunca imaginava que na hora de comprar os ingressos ele comprasse somente o dele! Tudo bem, aquilo eu deixei passar, ele comprou a pipoca, mas eu quem comprou o refrigerante. Ok! Saímos do cinema e decidimos comer ali pelo shopping mesmo, eu escolhi o lugar para comer, na fila pensei “vou fazer um teste, se ele não disser o que você vai querer, eu fico na minha”, dito e feito, ele pediu dois lanches pagou, depois disse e você vai comer o que? Não, ele não estava me perguntando pra pagar, pois não seria idiota de passar o cartão duas vezes. Eu juro, meu sangue subiu pra cabeça e senti o rubor na minha face, para não demonstrar que estava chateada com a situação, eu disse que comeria em outro lugar, sentei com ele para esperar o pedido, enquanto fingia pensar no que comer, mas na verdade eu estava contando até 1000 para me acalmar, claro que ele não é bobo e notou minha mudança de humor na mesma hora, eu liguei pro meu irmão, que também estava no shopping e fui encontrá-lo, deixando o individuo sozinho. Contei a minha cunhada e ela achou o cumulo. Voltei, comprei comida em outro restaurante, e de tão irritada tive má digestão e nossa noite foi para o buraco. Exagero da minha parte? Foi o que me questionei a noite inteira. Nas próximas vezes que marcamos de sair, eu disse que estava sem dinheiro e ele nada falou.

Terceiro caso: Visita a um “amigo”

Era férias e fui visitar um “amigo”, fiquei três dias na casa dele, no dia em que cheguei, ele me levou para comer em uma confeitaria e pagou a conta, fomos ao mercado e perguntou o que eu desejava levar. No dia seguinte, fomos a uma balada que ele ia discotecar, paguei minha entrada ao ir lá fora fumar, pois nesta cidade a lei contra fumantes em ambientes fechados prevalece, quando voltei e ele ficou sabendo disso, fez o bar devolver meu dinheiro, pois eu era sua convidada, pagou a cerveja, perguntou durante toda a noite o que eu queria um cavalheiro a moda antiga. Eu me sentia mal em vê-lo “me bancar” e comprei algumas cervejas, na saída ainda fomos comer e mais uma vez ele pagou. No dia seguinte a mesma coisa ao irmos almoçar fora, eu ficava envergonhada, mas ele fazia questão, até mesmo o taxi da casa dele a rodoviária foi uma luta para eu pagar, afinal nada mais justo depois de tanta gentileza, inclusive da mãe dele.

Quarto caso: Cinema com um conhecido. Ambos queriam muito assistir o mesmo filme, ele novo na cidade, decidimos ir juntos. Eu não esperava absolutamente nada dele, afinal, havíamos nos visto duas vezes em reuniões de amigos, cheguei primeiro, comprei meu ingresso e fiquei esperando por ele. Quando chegou foi logo perguntando, “seu ingresso é meia ou inteira?”, eu disse que já havia comprado e ele disse “poxa”. Na hora da pipoca eu fui pra comprar a minha, mas ele se ofereceu, insistiu e eu aceitei, envergonhada novamente.

Quinto caso: Namorava um rapaz de longe, que se achava a ultima bolacha do pacotinho, mas como toda apaixonada eu tava cega, me mudei para mais próximo da cidade dele e um dia fui visitá-lo e passar uma semana na casa dele. Logo no primeiro passeio eu já vi como seria, machista, mas acomodado, tudo que ele me convidava eu que pagava, até o sorvete! E ele ainda falava em casamento… Espero que hoje ele tenha amadurecido, tendo em vista que está casado, no dia em que eu fui embora, peguei um taxi, além de pagar a ida, ainda tive que deixar o dinheiro pra ele voltar (de ônibus claro, porque eu não podia ser mais boba e a esta altura eu já não estava mais cegamente apaixonada), pra piorar ainda esqueci uma bota que eu adorava e cara na casa dele, que ele nunca enviou de volta, puro pão-durismo, afinal o PAC do correios nem é tão caro assim.

Sexto caso: Presente de natal.

Era final de ano, apesar de não ser a namorada melosa que ele desejava eu era atenciosa, sempre o ouvia (por horas e horas e mais horas), éramos ótimos amigos acima de tudo. Aquele seria meu primeiro natal que trocaria presente com um namorado, então estava animada, comprei pra ele o kit de poker que ele tanto queria (ele ama poker), comprei também a revistinha em quadrinhos (que ele também ama) que ele tanto desejava e não quiseram vender pra ele, entre outras coisinhas, claro que se eu dei, eu quero receber. Como passaríamos as festas de final de ano separados, dei a ele os presentes antes de viajar, e o que eu ganhei em troca? Bem, primeiro eu quase que exigi um presente, depois ele me deu um sapato horrível que meus nervos saltaram, sentia que ele não tinha nenhuma consideração comigo, tendo em vista tudo o que fiz pra agradá-lo quando o presenteei, não consegui ser sínica e disse que havia odiado, fui trocar o sapato, mas na loja eu não sabia qual era o pior, então devolvi e disse pra trocar por algo pra ele. Era difícil uma pessoa que sempre saia comigo pra fazer compras não saber meu gosto. Até porque eu sempre passava pelas vitrines e jogava uns verdes pra ver se ele se tocava. Nas férias tudo que eu via me lembrava dele eu queria comprar, mas me controlei e só comprei duas lindíssimas calças, ele disse que compraria um presente pra mim também. No reencontro entreguei uma das calças a ele, e nada me veio em troca. Hoje a outra calça ta La em casa, acho que da pra usar como boyfriend…

Resumindo: é difícil nos entender? É sim! Escrevendo tudo isso eu tentei analisar e buscar uma resposta do porque somos assim, e se você leu isso tudo e pensou que sou interesseira, saiba que para todas as mulheres que contei essas historias todas, sem sobrar uma sentiram-se revoltadas. Como é possível nos sentirmos mal ao sermos bancadas, mas nos sentirmos pior ainda quando não somos? Seria vestígios ainda da criação que tivemos de nossos pais, que viveram em uma época onde a mulher era Amélia? Seria falso moralismo? Escola católica? O mundo que é machista demais ainda e nos faz pensar que as coisas devem ser assim ou será simplesmente que no fundo, nós mulheres ainda fantasiamos aquele romance démodé, onde os rapazes abrem a porta do carro, mandam flores em ocasiões especiais e pagam a conta?

Seja qual for a resposta, se é que há uma resposta para isso, as mulheres querem mesmo é ser paparicadas, mimadas e ao serem convidadas para algum programa que não precisem levar nada além da maquiagem para retocar, pois o cavalheiro pagará a conta (claro que para tudo há exceções, então que estas se manifestem se eu estiver absurdamente equivocada).

Freak Butterfly

Soundtrack: Bajulações Modéstia à Parte – Faichecleres

Não basta ser amante

Você já se deparou com aquela típica cena da TPM, onde sua parceira fica o cumulo da sensibilidade e até mesmo perde a razão das coisas? Ou quando ela está com problemas familiares e não sabe como resolvê-los, é uma série de coisas que afetam o dia-a-dia de várias mulheres, e com sua parceira não será diferente.

Às vezes uma amizade não basta, nem tudo que acontece, nós sentimos que dá pra contar aos amigos, mesmo os melhores, se você já conquistou o titulo de “melhor amante”, porque não ganhar o prêmio de melhor amigo?

Não basta você dar conta do recado na cama, tem que saber ouvir, aconselhar, dar colo e carinho (que não seja nas preliminares), muitos perguntam “como é o cara ideal”? Ideal nada nesta vida é, sempre poderá haver erros ou defeitos, mas o bom companheiro sabe escutar (ou ao menos sabe fingir), tudo o que uma mulher busca é compreensão. A TPM é um fato, os hormônios entram em ebulição, algumas ficam tão ruins que precisam de medicamento (que somente o ginecologista pode prescrever), assim como nós tentamos tornar o ambiente mais agradável ao nossos parceiros quando estão estressados, devemos receber o mesmo carinho e dedicação.

Lembre-se: uma relação vai além do sexo! (pelo menos para muitas mulheres) Então traga um pouco de luz a estes dias tempestuosos de sua parceira, ela se sentirá a mulher mais sortuda do mundo e pronta para retribuir.

Freak Butterfly

Homens: o mau “necessário”

casal

Depois das minhas ultimas experiências amorosas e de ouvir os reclames de algumas amigas, fiquei pensando comigo mesma. O que passa na cabeça dos homens? Porque em um minuto eles te desejam mais que tudo e no outro eles não queriam te iludir? Porque eles mentem? Isso é algo quem vem no gene? É uma necessidade?

Homens sempre reclamam que mulher não sabe distinguir quando o cara quer só sexo ou quando ele busca um romance, claro que como em tudo nesta vida há exceções, há umas e outras que ainda se iludem, mas a maioria já está “ligada”, por mais que ele procure romance, ficamos com o pé atrás achando que no final ele busca somente sexo.

Sexo! Sexo! Sexo! Claro que o sexo é importante, mas ele não chega a ser 100%, pois hoje em dia, sexo é igual comida de solteiro, basta ir ao “mercado” e escolher o que quer “comer”. Agora, carinho, atenção, colo, isto esta escasso.

O mundo se tornou prático, on-line, e o sexo também, as relações também. Por isso as rapidinhas se tornaram rotina, e inicio de namoros mais rápidos que nunca, conhecer o parceiro não é mais necessário, hoje você diz sim (pois, com a concorrência crescendo cada dia mais, não podemos perder tempo), hoje você beija, amanha você transa e em pouco tempo já estão namorando.

Pedir em casamento também é algo muito fácil, é mais fácil do que pedir um prato no restaurante, o cara chega e diz: “Casa comigo?”, e a grande maioria, ainda cai na conversa do individuo.

Mas isto tudo não é um mau somente masculino, há mulheres que só buscam sexo, mas o problema é que o cara só “dá” quando ele ta afim (eu sei é raro homem recusar, mas existe), pois depois do segundo encontro sexual, se você quer encontrar o cara novamente, ele já pensa que você quer namoro, e te diz: “desculpe se eu não sinto o que você sente por mim?”.

Será que quando gozamos nossas vaginas gritam: “CASA COMIGO, EU TE AMO!”?

Eu gostaria de saber, isso ainda é um mistério pra mim. Digamos, um cara pode pentelhar pra te comer varias vezes no mês, mas se você liga pra ele varias vezes neste mês querendo sexo, ele pensa que você quer algo serio. Uma moça não tem direito de ter apenas um “P.A.” (sigla que uso com amigas para definir o “Pau Amigo”)

Outra coisa que esta cada vez mais comum é: hoje ficamos, temos algo em comum e amanha estamos namorando.

Lembrem-se: Antes só que um mau namoro. Isso pode estragar tudo que poderia realmente acontecer de bom entre vocês. É terrível descobrir que vocês tem um gosto musical em comum, mas não freqüentam os mesmo lugares, não gostam das mesmas comidas, odeiam algum amigo(a) dele(a) (alerta, nunca fale mau dos melhores amigos, isso estraga tudo, pois amores vem e vão, mas os amigos estão lá, principalmente quando os mesmo te dão um fora), claro que não dá pra parecer em tudo, mas há diferenças que estragam qualquer relacionamento.

Mas o que eu queria dizer realmente com este texto? Talvez nada, talvez tudo. Não sou feminista, muito mesmo uma Riot Girl, não vejo vantagens alguma nisto, mulher é dependente sim, é carente, tem TPM, gosta de carinho, mas no meio do desespero, não tome decisões precipitadas, procure um amigo, ele pode te dar tudo isso, até o sexo.

Namoro também é marketing, onde se utiliza a melhor estratégia, o “boca-em-boca”. Se pisar na bola é bomba na certa!

Então vamos com cuidado e deixemos tudo as claras. Doa a quem doer, ainda é a melhor opção.

Freak Butterfly.

* Imagem: Leo Fontoura

Justine: Um coração para dois amores (parte 1)

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Depois daquela noite com Marcela, Justine estava se sentindo nas nuvens. Agora ela tinha Fabiano e também Marcela. Quando não estava com um, estava com outro.

Fabiano não sentia ciúmes, já Marcela não gostava de ouvir o nome do outro que havia entre elas.

Com o passar das semanas e o romance no ar, Marcela tomou uma decisão, ela só poderia ter Gustavo como amigo, e nada mais, seu coração pertencia a Justine, e ninguém mais. Então ela decidiu ir conversar com ele.

– Gu, tudo bem? – perguntou Marcela ao chegar ao bar durante a tarde, quando ainda estavam fechados.

– Oi linda, eu to bem! Confesso que estou cansado, ontem a noite foi agitada… E você? Está preocupada com algo? – disse segurando o queixo dela.

– Gu… É meio complicado o que quero lhe dizer, mas necessário. – ela vira a face já cheia de lagrimas.

– O que houve Má? Porque está chorando?

Ele sai de trás do balcão e vai atrás de Marcela que caminha até uma mesa e se senta.

– Gu, não posso mais lhe ver ou lhe enganar…

– Como assim?

– Eu amo outra pessoa.

– Deus! Não acredito, eu pensei que não passasse de uma fase de vocês… Você e Justine? É isso?

Envergonhada ela acena positivamente com a cabeça e olha para o cinzeiro. Abre a bolsa, tira um cigarro e o acende.

– Não pude evitar… Me perdoe.

– Não se trata de perdoar… É que… O Fabiano sabe disto?

– Ela não vai deixá-lo, ela o ama…

– E você? Como fica nisso tudo?

– Como fiquei até agora – ela da uma tragada profunda, solta a fumaça e cai mais uma lagrima.

– Má… Não fique assim… – ele se senta na frente dela e a abraça – Olha, eu sempre serei seu amigo, sabe disso. Só acho que você não pode viver de migalhas, você merece muito mais.

Ela desabafa em lagrimas no ombro do amigo, sem dizer uma palavra se quer, ele sente a dor que ela esta sentindo por tudo aquilo.

– Hey! Não fique assim, olha converse com a Jú. E se precisar de um amigo, estarei aqui pra você. Eu gosto muito de você, sempre irei gostar.

Os dois ficaram abraçados por muito tempo. À noite ela foi se encontrar com Justine na área VIP do bar, decidida a conversar.

– Jú, eu preciso conversar contigo.

– Diga amor, o que houve? Está com os olhos inchados.

– Eu terminei hoje com o Gustavo.

– Espero que não seja por mim! – disse Justine em um tom sarcástico.

Marcela se põe a chorar desesperada com as mãos na face.

– Marcela? O que houve? Foi por mim?

Ainda com as mãos na face ela acena que sim com a cabeça.

– Deus! Por quê?

– Eu te amo porra! Você não notou?! Em?! Você é cega?

– Mas Marcela, você sabe que eu não vou terminar com o Fabiano.

– Eu sei, mesmo assim… Eu não tenho como ficar com outro amando você. Mesmo que só me de migalhas do seu amor.

Justine abraça a amiga bem forte e diz.

– Má nunca daria somente migalhas, eu te amo Má, eu te amo!

– Então porque está com ele? – ela questiona enquanto empurra Justine.

– Calma! Eu amo o Fabiano também oras.

– Como? Como pode amar duas pessoas? Você só me tem como amiga é isso?

– Claro que não, eu te amo boba, já lhe disse. Olhe nos meus olhos.

E ela olha.

– Está vendo? Eu te amo! – e as duas se beijam.

– Como pode me amar assim, e também a ele?

– Eu não sei Marcela, eu só sei que amo e não consigo viver sem os dois. Todos os dias eu me pergunto, “Como? Como pode amar duas pessoas do mesmo jeito?”, mas nunca encontrei a resposta, só sei o que sinto, e é o que importa! É como uma mãe de dois filhos, ela não tem favoritos, ela ama os dois da mesma forma.

– Sei… Mas não compreendo bem. Dói tanto te dividir com ele… Me sinto a outra.

– Não deveria! Não tenho outra mulher na minha vida, só você. Então não tem como ser a outra. Certo!?

Marcela abre um sorrisinho sem graça, mas concorda com Justine.

– Você é louca garota! E eu mais ainda de tomar parte desta relação maluca.

– Mas você é minha gatinha. Não posso mais viver sem minha gatinha! Vem aqui vem!

As duas se grudam e não desgrudam mais! Ficam horas se agarrando. Até que aparece Fabiano.

– As duas estão no cio?

Marcela empurra Justine como num susto.

– Calma amor! – diz Justine para Marcela.

Ela se levanta e abraça Fabiano.

– Oi cadelinha linda!

– Oi cachorrinho – ela o beija – Como está?

– Bem, e então. Vão dormir aqui hoje?

– Não posso amor. Amanha tenho que trabalhar cedo.

– Mas isto nunca foi problema pra você.

Então Justine se aproxima do ouvido dele e sussurra.

– Amor, é que Marcela não ta legal, ela e Gustavo terminaram, vou levá-la para casa e nada mais.

– Sei! – ele solta Justine e olha para Marcela – E daí, se ta legal Má?

Irritada com a presença da pessoa que lhe rouba o amor completo de Justine, ela diz que não sem olhar para ele.

– Bem amor – diz Fabiano para Justine – tu quem sabes.

Ela o beija de maneira voraz.

– Te amo cachorrinho.

Ele da um tapa na bunda dela e sai.

– Porque não falou com ele Marcela? – questiona Justine com um tom de voz irritado.

– Não gosto dele e sabe disso.

– Olha, pode parar. Não quero briga entre vocês certo? Eu deixei de passar a noite aqui pra ficar contigo.

– Serio?! – Marcela olha para a amada com um doce sorriso.

– Sim amor. Esta noite serei só tua.

– Vamos agora?

– Ok! Deixe-me pegar as coisas e vamos.

(continua)

Freak Butterfly.

Pergunte, eu te escuto!

Às vezes há coisas que temos vergonha de perguntar ou desabafar até para a melhor amiga, tenho recebido vários comentários e alguns questionamentos, dentre eles, estou aqui disposta a responder alguns.

Então, vamos por partes:

Juliana (21/09/2008): “EU ADORO USAR LENÇOS NO PESCOÇO TENHO VÁRIAS CORES E TAMANHOS, MAS NÃO SEI DIREITO COMO COLOCAR NA MODA CERTA NO PESCOÇO, GOSTARIA MUITO DE UMA DICA.”

Então querida outra leitora também me pediu a mesma dica, e aqui mesmo neste blog, foi posto algumas, veja em: https://freakbutterfly.wordpress.com/2008/08/17/duvidas-lenco-no-pescocoduvidas-lenco-no-pescoco/

Aninha (29/09/2008): “e quais os tipos de tratamento?”

Bem querida, sobre auto-flagelo é muito complicado, isso primeiramente tem de começar de você querer parar de se punir, depois você reflete o porquê de tal punição, e claro procura um psicólogo que mais a frente lhe encaminhará a um psiquiatra. Os tratamentos normalmente são dois. Primeiro a psicoterapia e segundo através de remédios controlados, assim que seu diagnostico foi dado. Normalmente este ato é conseqüência de uma outra síndrome chamada de Mania que está presente em pessoas Bipolares. Então o que você pode fazer é procurar o mais rápido um psicólogo. Eu também sofro deste problema e sei que temos de achar outras formas de desabafo que não nos cortar-mos vivas. Eu repito, procure um médico, ele irá saber qual tratamento se enquadra no seu diagnostico.

Leia um relato neste site: http://www.hcnet.usp.br/ipq/revista/vol33/n5/272.html certas coisas podem nos fazer refletir.

Luana (25/09/2008): “Ola todo bem…. Tenho 24 anos e nunca senti o tal do orgasmo. Sinto muita dor na hora da penetração quando eu e meu namorado estamos juntos, mas depois não sinto nada é só na penetração mesmo. Tenho desejos, vontades a gente conversa mto ele fica louco pra eu chegar no climax como ele mas não consigo posso tar com mto tesão mas não consigo gozar. Ultimamente tenho me tocado mto qdo to só em casa as vezes acho que to quase lá mas não acontece. Será que vc pode me ajudar?

Abraço”

Um grande abraço pra você também querida! Então isto que você tem se chama ANORGASMIA, ou seja, uma difusão orgástica que se define com a ausência ou persistência do orgasmo. No seu caso Luana é a ausência. Há dois tipos de classificação, no seu caso seria secundária, quando, depois de um período em que era possível para a mulher atingir o orgasmo, isso deixa de acontecer, independente da forma da relação ou masturbação. Quanto à dor na hora da penetração, pode ser falta de estar realmente relaxada, pois excitada é uma coisa, relaxada é outra. Esta que vos escreve sente a mesma coisa, então não entre em pânico, você não é a única. Os motivos da dor na hora da penetração pode ser vários, como disse, por não estar totalmente relaxada, ou também por sua cavidade vaginal ser estreita, o que não é anormal. Procure usar lubrificantes, eles ajudam a diminuir a dor na penetração, agora se a dor também está presente durante o ato, isto é DISPAREUNIO. No caso da penetração pode ser também VAGINISMO, que é a contração involuntária da vagina ou anus. Preste atenção nos detalhes e procure um ginecologista.

Uma dica é: PARE DE ESPERAR O ORGASMO CHEGAR! Isto lhe deixa preocupada e não a deixa relaxar para senti-lo. Apenas relaxe, não fique na expectativa, quando menos esperar ele vem, diga o mesmo ao seu namorado, pois ele quer tanto lhe dar um orgasmo que muitas vezes sem querer, lhe pressiona e você mais uma vez fica tensa.

RELAXA E GOZA MINHA AMIGA!

Você consegue, tente com um vibrador, eles são mais rápidos que os dedos. Qualquer coisa tente umas praticas deste artigo: https://freakbutterfly.wordpress.com/2008/08/19/segredos-da-china/

Kaotik2003 (27/09/2008) achei muito válido você seu comentário sobre o artigo: https://freakbutterfly.wordpress.com/2008/07/27/relacionamentos-%E2%80%93-namoradas-problematicas/

Realmente, é incrível como há pessoas que queiram ser desta forma. Se você precisar de apoio pode contar. Bipolaridade é algo sério, e deve ser tratado como tal e não uma modinha adolescente.

Bem pessoal é isso ai, qualquer dúvida, qualquer pergunta, é só mandar que estou disposta ajudar no que estiver ao meu alcance. Meu e-mail: poliszanini@hotmail.com

Agradeço a todos que estão sempre aqui e me apóiam, sem vocês este blog não aconteceria. Esta semana fique ligado, muito mais há por vir.

Freak Butterfly.