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Medo e Delírio em São Paulo – a mudança

E lá estava eu, encostada no balcão da cozinha, esfregando os pulsos com um gel aparentemente ‘milagroso’ que comprei a quase dois meses em uma tentativa desesperada de apagar um pouco as cicatrizes que espantam olhos curiosos, e então, me peguei pensando em como vim parar aqui, o que tinha feito de errado, o que havia dito de errado, enfim, onde errei desde que cheguei.

Fiquei ali certo tempo parada olhando os braços cujas cicatrizes não sumiram, nem amenizaram com o gel, minhas veias, que geralmente ficam escondidas sob a pele desbotada estavam ali, pulsando num azul hipnotizante, elas pareciam dizer: contem-me!

No som do celular tocava Hypinose do System Of a Down, meu passo para o delírio já era eminente quando subitamente começa a tocar Seu Jorge, amém! Foi àquela música perdida na minha playlist que me tirou daquele momento pré-suicida. Pouco depois meus pensamentos se perderam novamente, fui lavar a pequena louça suja da janta mais solitária das ultimas semanas, pensando: “Deus, que patético, pareço uma solteirona clichê de filme B”. Tudo me soa como filme B. Às vezes me pego distraidamente pensando se minha vida não é uma ficção no estilo “show do Truman”, e as pessoas estão me assistindo, tropeçar, levantar, tropeçar, levantar, tropeçar, pensar em levantar e como todo reality, elas riem da desgraça alheia. Sem dúvida, quando repasso meus últimos dois meses, diria que seria uma comédia barata.

Às vezes tenho surtos de grandeza onde me acho o alvo predileto de Deus, uma marionete com a qual ele se diverte, rindo de toda confusão física e mental, mas deve ser só mais uma paranóia ou crise de mania, pois nessas mesmas horas me apego à religião como um tipo de salvação implorando pra Deus finalmente me enxergar aqui embaixo e dizer: Chegou sua hora! Mas sempre volto ao princípio da “teoria da conspiração” e acho que todos conspiram contra mim, incluindo, pessoas do meu convívio “familiar”, eu sei, parece absurdo, mas o pensamento é incontrolável, sempre me acho uma vítima de mandinga!

Eu sei, você não deve estar entendendo nada do que digo, é porque nas ultimas semanas, meus pensamentos atropelam as palavras, não consigo dizer o que penso, ou pensar antes de falar, simplesmente fluem. Então vou tentar resumir meu caminho até aqui.

Início de ano, pós-férias, morrendo de saudades da terapeuta (que eu confesso estar sentindo muita saudade), na primeira consulta do ano, fui animada contar minha idéia mirabolante.

“Então Poliana, como foi de férias?”, penso que ela se arrependeu da pergunta, falei tudo que pude lembrar, tudo que me incomodou, brigas que não estive presente, sobre o quanto me senti parte da família pela primeira vez e vários anos, blá, blá, blá… Falei compulsivamente, sem parar e então cheguei a decisão crucial da minha vida: “Quero me mudar pra São Paulo”. Contei todo meu plano arquitetado minuciosamente, depois do trauma da minha mudança não planejada para Curitiba (foi quando iniciei esse blog), eu não poderia ser mais impulsiva. Tudo parecia bem, eu estava medicada e confiante. Meus planos incluíam trabalhar em algo em que pudesse juntar dinheiro até meados de março ou abril para minha sobrevivência em São Paulo até estar trabalhando – coisa que eu imaginava que não fosse demorar a acontecer.

De longe eu olhava classificados, empregos, apartamentos… Os dias passavam, minha ansiedade aumentava, eu só sabia falar sobre partir, não me importava o que ocorresse nada me impediria de viver o “Sonho Brasileiro” (digo que é a paródia ao ‘Sonho Americano’ de Hunter S. Thompson). São Paulo… A Big Apple dos brasileiros, cidade grande, com pessoas dos mais diversos estilos, pensei “terra das oportunidades”, com duas faculdades, uma pequena considerável bagagem de experiência, cursos e mais cursos, eu não só achava como pensava e me sentia preparada para essa mudança, dizia a mim mesma e ao meu irmão, “não é possível que eu não arrume ao menos um ‘trampo’ como vendedora de shopping” (eu dizia shopping porque a mesma aventura em Curitiba me traumatizou, pois na época eu não tinha um ‘padrão’ de shopping, não era um tipo de modelo sem sucesso que fazia bico em lojas, não que eu esteja nos padrões ‘modelísticos’, mas estou numa versão melhorada do meu eu de 2008), mas a vontade é a ilusão dos loucos.

Poderia resumir em curtas frases meu percurso desde que pousei em Guarulhos:

  • Chegar a Barueri;
  • Namorar;
  • Conhecer o Starburcks (porque essa coisa estúpida estava na minha lista de coisas que queria provar);
  • Ganhar camarote VIP do show do Soufly (então risquei mais algo da minha “lista de coisas para fazer” que seria ir num show gringo, bem coisa de interiorana);
  • Preparar currículo;
  • Espalhar currículos;
  • Descobrir que meu currículo não tinha direção;
  • Corrigir currículo;
  • Encontrar da Danny;
  • Brigar com o namorado;
  • Planejar minha ida pra Santo André (afinal eu fiquei quase um mês na casa do namorado);
  • Fazer entrevistas;
  • Esperar o retorno que nunca é dado;
  • Entregar currículos e ouvir: “Nossa, mas você é muito qualificada pra vaga que temos”;
  • Sentir raiva;
  • Medicação no fim;
  • Depressão;
  • Aguardar 40 dias pra minha consulta no psiquiatra;
  • Brigar com namorado;
  • Procurar emprego;
  • Fazer várias novenas;
  • Procurar emprego;
  • Ir a missas;
  • Ir a mais entrevistas;
  • Ser uma péssima namorada;
  • Surtar;
  • Chorar;
  • Rir insanamente;
  • Filmes e mais filmes;
  • Namorar;
  • Brigar com namorado;
  • Chegar a Santo André;
  • Ficar esperando o resto da mudança (que meu pai não manda nunca);
  • Depressão;
  • Saudades de casa;
  • Saudades do meu quarto, livros, dvd’s, Sky;
  • Morrer e chorar de saudades dos meus sobrinhos;
  • Saber que meu pai não enviou a mudança porque tem esperança que eu volte;
  • Depressão;
  • Mau-humor;
  • Sair com amigos em Santo André;
  • Rir;
  • Enjoar do cabelo pseudo-loiro;
  • Ser péssima namorada;
  • Chorar por não conseguir aquele ‘trampo’ que queria na Paulista;
  • Ficar isolada;
  • Distribuir o currículo em todos os RH’s encontráveis de Santo André;
  • Sonhar acordada;
  • Ter cadastro em vários sites de empregos;
  • Depressão + mania;
  • Ter um distúrbio hormonal, sangramentos e espinhas;
  • Ficar emburrada e distante;
  • Terminar o namoro.

Bem, acho que resumidamente em tópicos seria mais ou menos isso. Então, de volta ao momento pré-paranóia, onde me vi sentada na beira da cama ensangüentada, por um segundo fiquei catatônica, foi só um susto, um pensamento, uma neurose, uma alucinação, às vezes sofro disto. Eu queria chorar, mas nenhuma misera lágrima escorreu, então sentei pra escrever e ver se me sinto menos lotada de pensamentos, menos solitária… Eu divido uma casinha com um amigo que quase não tenho visto. O tédio é tão grande que “Amélia” baixa em mim quase diariamente, eu limpo as casa, lavo a roupa, tento cozinhar e mal consigo comer (ainda bem né, se não daqui a pouco estaria uma bola).

O pior de tudo que essas coisas de dona de casa me distraem, meu corpo fica gastando as energias ali, na limpeza, mas quando termino e tomo o banho merecido, meu corpo ainda tem eletricidade, e mesmo cansado e dolorido, não consigo relaxar, as vezes nem com o as 2mg de alprazolan.

Comprei um livro há quase um mês que poderia ter terminado de ler a semanas, se eu não tivesse que reler muita das vezes a mesma página pra então perceber que já a li. O livro se chama “Uma mente inquieta”, recomendação da minha ex-terapeuta que dizia “Poliana, estou lendo um livro que parece que estou escutando você falar”, é apesar de épocas diferentes e surtos psicóticos pouco parecidos, resumindo, até são histórias parecidas…

Hoje sentada aqui sozinha, fico me perguntando o que fiz de errado, está certo que cheguei um pouco antes do tempo, não tinha tanto dinheiro quanto precisava, e pra piorar em uma das minhas crises de ‘mania’ gastei a metade do que tinha num tratamento estético que só consegui fazer duas das doze sessões (da qual espero mesmo assim obter os resultados finais), enfim, antes, em Curitiba, fiquei frustrada por ter uma faculdade iniciado a segunda e não conseguir nada além de olhares tortos e puro preconceito, mas sei que não estava preparada naquele momento, foi uma tentativa de fuga daquela vida em “família” que não era minha. Achava (como acho ainda hoje, que ficar longe daquele quase sanatório chamado “lar” me faria algum bem), e então hoje, com duas faculdades, estando relativamente preparada, adaptável ao mercado de trabalho, com sede de aprender e trabalhar, estou entrando no mesmo processo de frustração, mas agora por motivos contrários e quase desconhecidos, pois não enxergo o possível erro que me impede de estar no mercado de trabalho. Não satisfeita, me matriculei esta semana para uma pós-graduação em docência que começa no final do mês, como em um grito quase que desesperado de que ao me formar como docente possa dar aulas e ter dinheiro pro meu sustento (porque se tem algo que me deprime mais que ficar sem dinheiro, é ter que depender do meu pai pra isso, afinal, tenho 27 anos e não sou aleijada, posso muito bem e há muito tempo me sustentar, só não tive muitas chances).

Desistir? Pensei algumas vezes nisso, mas junto a este pensamento me vem à promessa de que não voltaria viva pra casa. Eu sei, é dramático e exagerado, mas já não consigo pensar em voltar, sem pensar em qualquer outra loucura do gênero suicida. No celular agora toca “make me wanna die” (The Pretty Reckless), música que escuto sempre em minhas crises de depressão, afinal é um desejo mesmo que temporária, morrer, como se de alguma forma fosse aliviar tudo o que sinto.

Enfim hoje, daqui a poucas horas é minha consulta com o Psiquiatra, é como se ele fosse resolver meus problemas (o que não irá acontecer), mas o fato de voltar a tomar a medicação, seja ela qual for me soa como um alívio, voltar a raciocinar melhor, a conseguir me concentrar, não ter crises pseudo-disléxica, só de imaginar que meu cérebro vai desacelerar e vou conseguir enfim estudar pra aquele concurso da PF que queria tanto passar, ou mesmo que eu consiga me dedicar a pós, ou ao menos que eu consigo dar continuidade ao meu projeto com ‘Justine’ (é aquela mesma do conto que alguns de vocês lêem aqui). É como se uma simples pílula pudesse me ajudar a encontrar as respostas do que questionei no início do texto, sei que soa um tanto tolo, até porque remédio não é resposta pra bosta nenhuma, mas me da esperança de amenizar essa bagunça cerebral.

Sem namorado, sem emprego, sem dinheiro, mas com um pouco de dignidade sigo aqui de Santo André, ‘devaneando’ para os corajosos que ainda me lêem.

*Desabafo: se eu me candidatei à vaga disponível, independente do meu currículo, quero dizer que eu li o maldito anúncio, sei o que significa e pra que é a vaga, não preciso que me digam se sou muito qualificada ou não pra aquilo, não sou superior a outros ou pior, como a maioria, sou só alguém buscando uma oportunidade. Acho um absurdo você ser “rejeitado” por ter “estudado demais”. Enfim, é assim que me sinto.

Justine: delírio

 

Realmente aquele homem era um ser único, e não só pelo olhar enigmático, mas porque aqueles dedos a guiaram para o prazer quase que instantâneo.

                – Meu Deus! – suspirou ela junto a um orgasmo.

                – Estou longe de sê-lo querida. Foi um prazer, mas preciso ir.

                – Mas já?!

                – Sim, preciso viajar ainda hoje, passei aqui só pra tomar uma.

                – Pena… – Justine se levantou fingindo não dar importância pelo desconhecido que estava para partir.

               Ela se levantou e logo cambaleou, as pernas estavam bambas, sentiu o riso em sua nuca.

                – Ficou fraca querida?

                – Estou bem. Tchau! – seguiu sem olhar para trás.

               Darling estava radiante correndo em direção a sua protetora, ela a abraçou e beijou intensamente.

                – A senhora conheceu o Fernando, nem acredito!

                – Ah, então este é o nome dele…

                – É, mas ele não gosta muito de falar sobre, ele gosta de manter esse ar de mistério, isso enlouquece as meninas, todas dariam para ele de graça por horas, e fariam o que ele quisesse sem pensar!

                – Você já fez?

               – A senhora, eu o conheci a algumas semanas. A senhora e o Lucas estavam curtindo a vida de casal, então uma noite ele veio, mas me pagou, muito bem até.

                – E o que ele lhe pediu pra fazer?

               – Bem, ele queria me ver de saltos, salto altíssimos, parecido com aqueles sapatos vermelhos que a senhora tem que nem sei anda neles, mas o dele era preto.

               – Vamos sentar um pouco… Quero saber mais sobre isso.

               As duas foram para a mesa do canto, Fernando já tinha ido embora, o escuro lhe davam privacidade. Justine acenou para uma das meninas e pediu um wisky e Martini para Darling.

                – Vamos querida, continue!

                – Bem senhora, agente foi num quarto barato, em um destes hotéis que tem aqui na rua, ele estava de mochila, sempre muito sério, pediu para que eu ficasse pelada e colocar as botas, eram lindas, como as suas. Eu fiz o que ele pediu, ele mandou eu levantar, mas a senhora sabe que eu não consigo me equilibrar, então falei pra ele.

                – E ele?

                – Ficou bravo, pediu pra me levantar, disse que eu deveria me comportar. Como a senhora já sabe as cena, me segurei na beira da cama, tentando me aproximar da parede, ele pediu que eu caminhasse até ele, mas caí, espatifada.

                – Você se machucou?

                – Um pouco, bati o dente nos lábios e abriu um talho, saiu um pouco de sangue, ele veio até mim, perguntando se eu estava bem, um sorriso diabólico estampava aquele rosto. Ele viu que eu estava sangrando, então ele se afastou, sentou numa cadeira e me chamou.

                – O que ele disse?

                – “Vem minha cadelinha!”

                – Que delícia! – Justine afastou as pernas de Darling para ver se ela estava excitada.

               Bingo! Molhadinha.

                – Quer que eu continue senhora?

                – Claro, claro! Não pare.

                – Eu me arrastei até ele, o chão de madeira antigo esfolou meus joelhos, me ajoelhei na frente dele e apenas o olhei. Ele sorriu, mas dessa vez foi doce, me beijou a testa e mexeu nos meus cabelos e disse que eu era uma boa menina. Me disse que se eu continuasse a obedecer ele me daria um prazer que nunca senti. Eu já tinha ouvido algumas meninas comentar dele sabe. Então fiquei curiosa.

                – O que você? – perguntou Justine ainda a tocando.

               Um breve gemido, Darling tentou fechar as pernas. Justine as afastou novamente.

                – Ai senhora… Que delícia…

                – Cale a boca menina e me conte!

               Entre gemidos, suspiros, Darling tentou prosseguir com a história.

                – Ele pediu para que eu tentasse caminhar novamente. Eu tive medo, ele fico de pé, me deu a mão e me ajudou a levantar, me senti uma criança aprendendo a andar, ele me segurou, mas não da forma segura, só consegui me apoiar, daí dei alguns passos e do nada ele tirou a mão, mais um passo e eu me espatifei na beira da cama. Ai eu soltei uma lagrima, porque bati meu braço, eu já estava pra tirar aquele sapato maldito e sair correndo dali, quando ele me puxou pra cama. Ele me deitou e pediu pra eu ficar quietinha. Repetiu que eu era uma boa garotinha por ter tentado, e não deveria chorar quando caísse, que eu tinha que ser forte.

                – E?

                – Acho que vou gozar… – respondeu Darling se contorcendo.

               Darling gozou e virou o Martini deixando a cabeça cair para trás.

                – Ah senhora… Depois que me deitei, foi uma loucura, ele começou a acariciar meu corpo, meus seios, brincou com os mamilos, mordiscou eles e depois passou a língua, suas mãos desceram até minha buceta, nossa eu tava pegando fogo já, ele começou a me tocar, me tocar, de forma tão diferente, como a senhora faz comigo, deslizando o dedo envolta do meu grelinho? Bem assim, então seus lábios beijaram minhas coxas, a virilha, e ele caiu de boca, me desculpe senhora, mas foi o MELHOR sexo oral da minha vida, não sei explicar, enquanto ele me sugava, os dedos dele entravam e saiam, até no meu rabinho ele meteu os dedinhos, eu estava tão, tão… Sei lá que palavra usar, foi como morrer por alguns segundos e cair no paraíso.

                – Que sortuda hem! Eu só tive os dedos… – disse Justine em um tom enciumado.

                – Bem Darling, preciso ir, o Lucas vai viajar manhã e tenho que estar em casa. Adorei a historinha.

               Elas se beijaram, cada vez que partia, Justine via nos olhinhos de menina de Darling o aperto no peito. Se era amor ou devoção, não se sabia, mas Justine sentia em Darling aquele calorzinho que tinha quando estava nos braços de Marcela. Ela pegou o casaco e saiu pela porta lateral do bar, o carro estava ali perto, ao sair seu coração estremeceu com um estranho vulto parado no meio do beco, encostado na parede, ela ouviu.

                – Você demorou, pensei que não fosse mais sair.

               Justine parou, as pernas estremeceram, a voz era familiar, mas sentiu que deveria perguntar mesmo assim.

                – Quem tá ai?

                – Sou eu minha querida, seu demônio!

               Justine soltou a respiração presa e continuou a caminhar como se não desse importância para quem fosse, mesmo sentindo seu grelo palpitar mais que o coração, ela procurou as chaves do carro na bolsa sem olhar pra ele, quando passou fingindo não se importar com sua presença, ele a segurou pela braço e a jogou contra a parede.

                – O que é isso? Tá maluco!?

                – Não, só fiquei com seu cheiro nos meus dedos, e senti vontade de provar seu gosto, seu perfume é tão inebriante sabia – disse ele se aproximando cada vez mais dela – Você gosta disso não gosta? – continuou falando – Gosta desses joguinhos, gosta do perigo, eu sinto no seu suor.

               Justine não respondeu, se fez de durona e tentou se soltar.

                – Você não quer sair quer? Se quisesse já teria, você ficou curiosa com o que a Darling te disse não foi?

                – Somo sabe o que ela me disse?

                – Meninas contam as outras sempre, eu vi ela nos espionando atrás da cortininha do palco, ela me falou de você, bem não disse seu nome, mas pela descrição… Ela te admira muito sabia? Você é uma deusa pra ela, deve ser muito bom no que faz, gosta de dominar essas menininhas né?

                – Me solta? Tenho que ir pra casa.

                – Você tem, ou quer?

                – Para de rodeios e fala logo o que você quer Fernando. É este seu nome não é? Ou é o que fala pras menininhas daqui.

               Ele sorriu, baixou a cabeça, balançou e sorriu novamente.

                – Não disse, elas contam tudo. E sim, este é meu nome mesmo. Sabe, cansei de conversa, eu to com pressa e só fiquei aqui porque não poderia viajar sem ter esse seu perfume inebriante espalhado no meu rosto.

                – Você é louco!

                Ele a prendeu com seu corpo e com uma das mãos tentou afastar as pernas. Depois de pouca insistência ele a tocou, estava quente e lúbrica, já podia sentir o grelo pulsar, ele aproximou os lábios do dela, e então Justine se entregou, deixou a bolsa cair, entrelaçando os braços em seus cabelos longos. O beijo era voraz, ele puxou o cabelo dela impulsionando a cabeça para trás, beijou-a o pescoço, seios, e se ajoelhou, levantando a saia ficou maravilhado com aquela boceta de menina, lisinha, branquinha, de lábios pequenos e avermelhados, era suculenta, ele levantou uma das pernas apoiando-a em seu ombro e invadiu o paraíso.

               Justine queria uivar, seu peito doía, ela pensou que fosse enfartar. O calor subia rápido, a sensação era tão deliciosa, que ela não sabia se gozava ou segurava um pouco mais. Ele deslizava os dedos melados entre os pequenos e os pequenos grandes lábios, abria e a penetrava com a língua, sugava-a, e voltava a penetrá-la com os dedos, os lábios eram tão macios, Darling estava certa, era como se fosse morrer. Céu ou inferno, pouco importava, ela não podia mais esperar, então relaxou e sentiu a explosão, de olhos fechados ela pode ver centenas de cores, ela não podia respirar, por um segundo ela morreu. As penas balançaram, ela pensou que fosse cair, quando ela abriu os olhos ele estava sorridente olhando para ela.

                – Você é doce! Incrível como realmente é doce, é como um mel, valeu esperar, mas não posso me atrasar.

               Justine escorregou o corpo pela parede, tentava recuperar o ar, ele beijou-a na testa e agradeceu. Ela não conseguia se mexer, nem pensar nem se quer ao menos falar. Ela ficou ali, escorada na parede vendo um doce demônio partir. Quando ele dobrou o beco, ela se esforçou para se levantar, fechou o casaco, vasculhou a bolsa, pegou as chaves e em silêncio entrou no carro deixando um rastro de gozo para trás.

 

Medo e Delírio no Texas

Já tem algum tempo que quero escrever essa minha desventura de final de noite, mas antes tarde do que nunca, afinal rir é bom em qualquer momento, então vamos lá.

Nunca pensei que em um sábado eu pude estar no paraíso e do nada cair no inferno. Eu e minha melhor amiga, fomos a um pub ver outra amiga nossa cantar, dançamos, curtimos, e como e não podia beber, haja energético na cabeça. Mas essas energias enlatadas nunca funcionaram bem comigo, o sono tomava meu corpo, re antigos amigos, conversei e reclamei horas do fumódromo improvisado que o pub nos cedeu. E então retorno ao meu antigo discurso: fumante é um bosta mesmo!

Agente paga um imposto altíssimo – que irá subir ainda mais – e ainda é jogado nos piores buracos da balada, isso quando você não tem que sair do lugar pra fumar, o que nos leva e entrar na fila do caixa, pagar a conta pra poder sair, porque além de tudo somos ‘bandidos’, ao menos é o que transparece. Enfim, quem fuma sabe todos os problemas, sei que as demais pessoas – as que não fumam – não são obrigadas a fumar passivamente, sei que há a lei, mas se for criar um local para os fumantes, por favor que não parece um porão de fugitivos da segunda guerra, certeza que a vigilância nunca passou por ali.

Voltando a noite. Amigos, boa música, tudo estava ótimo, pessoas bonitas e divertidas, mas a noite ali acabou cedo – bem pra alguns 4 horas era cedo – dando brecha para a velha discussão, “e agora pra onde vamos?”. Várias sugestões e nenhum rumo certo.

Depois de rodarmos enfim um dos amigos liga e diz: “to aqui no Texas, vem pra cá”. Nunca entrei naquele lugar, nem minha amiga havia se aventurado, então decidimos arriscar, ninguém queria ir pra casa – exceto eu a única sóbria.

Na entrada achamos um fumódromo digno, com um bom espaço e ar condicionado – coisa essencial aqui no norte – e foi então que abrimos a porta dos desesperados. Nunca vi tanta gente feia, mal encarada e com péssimo gosto para moda na minha vida reunidas em um só lugar! Nossa sorte são que certos ‘coletes’ abrem portas, e para nós foi aberto o camarote VIP – que de VIP só tinha nome.

Foi ali que meu nível de irritação atingiu o ápice!  Sabe quando você esta morrendo de fome e vê uma torta saborosa, sabe aquele olhar? Então, eu me sentia a torta. Se você acha que me senti maravilhosa, não viu a concorrência do lugar, tem olhares que incomodam, e muito. Dancei um pouco, tentei me divertir, mas o rei momo que estava próximo cortou meu barato rapidamente com uma cantada pedreira.

O camarote era como um aquário, uma caixa de vidro que dava pra ver todos da pista, o lugar estava cheio, a música mais ou menos, mas a dança… Bem, eu pensei que havia entrado em uma boate e não em um bordel.

Menos de uma hora lá dentro e fomos convidadas a nos retirar do camarote, pois as funções ali estavam se encerrando.

“Vamos pra pista!” disse alguém. Foi ali que eu pedi pra morrer. O chão estava grudando, garras e latas por todo lugar, as mulheres com saltos altíssimos e vestidos drapeados envolvendo seus corpos longe de um padrão ‘panicat’, dançavam empinando a bunda para o alto, onde se poderia realizar um exame de colonoscopia. O cheiro de cerveja podre do chão parecia se misturar com todos aqueles rabos ali, e posso me arriscar em dizer que no meio daquele aroma que me provocou ânsia havia até mesmo porra. Por um instante pensei que tinha aberto o cubo da ‘configurações do lamento’ e me transportado para ‘Hellraiser’.

Eu fiquei perdida sem saber se ria ou chorava, meus olhos lacrimejaram e o estomago anunciava “lá vem a janta!”, então falei “Deus que horror, quero sair daqui”. Todos concordaram e saímos rapidamente. O alivio de voltar a respirar só veio quando sai da boate.

As imagens daquelas bundas me atormentavam a mente, não consigo entender o que leva uma mulher a se desvalorizar daquela forma, não fazia mais sentido, eu só queria ir pra casa e desejava nunca ter entrado ali.

Tudo que eu consegui tirar de proveito desta noite é: nunca mais ir a lugares desconhecidos com procedência suspeita. Quando uma cidade está em crescimento, passando por mudanças e repleta de trabalhadores que passam a semana sem ver mulheres em campos de obra e só vê a cidade nos finais de semana, você não pode se arriscar a entrar em qualquer lugar, nunca se sabe que portal ou dimensão você estará entrando.

 

 

 

 

 

 

Imagem retirada do http://www.humordaterra.com/2011/10/25/anatomia-de-uma-piriguete/