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Monthly Archives: Abril 2012

Medo e Delírio em São Paulo – a mudança

E lá estava eu, encostada no balcão da cozinha, esfregando os pulsos com um gel aparentemente ‘milagroso’ que comprei a quase dois meses em uma tentativa desesperada de apagar um pouco as cicatrizes que espantam olhos curiosos, e então, me peguei pensando em como vim parar aqui, o que tinha feito de errado, o que havia dito de errado, enfim, onde errei desde que cheguei.

Fiquei ali certo tempo parada olhando os braços cujas cicatrizes não sumiram, nem amenizaram com o gel, minhas veias, que geralmente ficam escondidas sob a pele desbotada estavam ali, pulsando num azul hipnotizante, elas pareciam dizer: contem-me!

No som do celular tocava Hypinose do System Of a Down, meu passo para o delírio já era eminente quando subitamente começa a tocar Seu Jorge, amém! Foi àquela música perdida na minha playlist que me tirou daquele momento pré-suicida. Pouco depois meus pensamentos se perderam novamente, fui lavar a pequena louça suja da janta mais solitária das ultimas semanas, pensando: “Deus, que patético, pareço uma solteirona clichê de filme B”. Tudo me soa como filme B. Às vezes me pego distraidamente pensando se minha vida não é uma ficção no estilo “show do Truman”, e as pessoas estão me assistindo, tropeçar, levantar, tropeçar, levantar, tropeçar, pensar em levantar e como todo reality, elas riem da desgraça alheia. Sem dúvida, quando repasso meus últimos dois meses, diria que seria uma comédia barata.

Às vezes tenho surtos de grandeza onde me acho o alvo predileto de Deus, uma marionete com a qual ele se diverte, rindo de toda confusão física e mental, mas deve ser só mais uma paranóia ou crise de mania, pois nessas mesmas horas me apego à religião como um tipo de salvação implorando pra Deus finalmente me enxergar aqui embaixo e dizer: Chegou sua hora! Mas sempre volto ao princípio da “teoria da conspiração” e acho que todos conspiram contra mim, incluindo, pessoas do meu convívio “familiar”, eu sei, parece absurdo, mas o pensamento é incontrolável, sempre me acho uma vítima de mandinga!

Eu sei, você não deve estar entendendo nada do que digo, é porque nas ultimas semanas, meus pensamentos atropelam as palavras, não consigo dizer o que penso, ou pensar antes de falar, simplesmente fluem. Então vou tentar resumir meu caminho até aqui.

Início de ano, pós-férias, morrendo de saudades da terapeuta (que eu confesso estar sentindo muita saudade), na primeira consulta do ano, fui animada contar minha idéia mirabolante.

“Então Poliana, como foi de férias?”, penso que ela se arrependeu da pergunta, falei tudo que pude lembrar, tudo que me incomodou, brigas que não estive presente, sobre o quanto me senti parte da família pela primeira vez e vários anos, blá, blá, blá… Falei compulsivamente, sem parar e então cheguei a decisão crucial da minha vida: “Quero me mudar pra São Paulo”. Contei todo meu plano arquitetado minuciosamente, depois do trauma da minha mudança não planejada para Curitiba (foi quando iniciei esse blog), eu não poderia ser mais impulsiva. Tudo parecia bem, eu estava medicada e confiante. Meus planos incluíam trabalhar em algo em que pudesse juntar dinheiro até meados de março ou abril para minha sobrevivência em São Paulo até estar trabalhando – coisa que eu imaginava que não fosse demorar a acontecer.

De longe eu olhava classificados, empregos, apartamentos… Os dias passavam, minha ansiedade aumentava, eu só sabia falar sobre partir, não me importava o que ocorresse nada me impediria de viver o “Sonho Brasileiro” (digo que é a paródia ao ‘Sonho Americano’ de Hunter S. Thompson). São Paulo… A Big Apple dos brasileiros, cidade grande, com pessoas dos mais diversos estilos, pensei “terra das oportunidades”, com duas faculdades, uma pequena considerável bagagem de experiência, cursos e mais cursos, eu não só achava como pensava e me sentia preparada para essa mudança, dizia a mim mesma e ao meu irmão, “não é possível que eu não arrume ao menos um ‘trampo’ como vendedora de shopping” (eu dizia shopping porque a mesma aventura em Curitiba me traumatizou, pois na época eu não tinha um ‘padrão’ de shopping, não era um tipo de modelo sem sucesso que fazia bico em lojas, não que eu esteja nos padrões ‘modelísticos’, mas estou numa versão melhorada do meu eu de 2008), mas a vontade é a ilusão dos loucos.

Poderia resumir em curtas frases meu percurso desde que pousei em Guarulhos:

  • Chegar a Barueri;
  • Namorar;
  • Conhecer o Starburcks (porque essa coisa estúpida estava na minha lista de coisas que queria provar);
  • Ganhar camarote VIP do show do Soufly (então risquei mais algo da minha “lista de coisas para fazer” que seria ir num show gringo, bem coisa de interiorana);
  • Preparar currículo;
  • Espalhar currículos;
  • Descobrir que meu currículo não tinha direção;
  • Corrigir currículo;
  • Encontrar da Danny;
  • Brigar com o namorado;
  • Planejar minha ida pra Santo André (afinal eu fiquei quase um mês na casa do namorado);
  • Fazer entrevistas;
  • Esperar o retorno que nunca é dado;
  • Entregar currículos e ouvir: “Nossa, mas você é muito qualificada pra vaga que temos”;
  • Sentir raiva;
  • Medicação no fim;
  • Depressão;
  • Aguardar 40 dias pra minha consulta no psiquiatra;
  • Brigar com namorado;
  • Procurar emprego;
  • Fazer várias novenas;
  • Procurar emprego;
  • Ir a missas;
  • Ir a mais entrevistas;
  • Ser uma péssima namorada;
  • Surtar;
  • Chorar;
  • Rir insanamente;
  • Filmes e mais filmes;
  • Namorar;
  • Brigar com namorado;
  • Chegar a Santo André;
  • Ficar esperando o resto da mudança (que meu pai não manda nunca);
  • Depressão;
  • Saudades de casa;
  • Saudades do meu quarto, livros, dvd’s, Sky;
  • Morrer e chorar de saudades dos meus sobrinhos;
  • Saber que meu pai não enviou a mudança porque tem esperança que eu volte;
  • Depressão;
  • Mau-humor;
  • Sair com amigos em Santo André;
  • Rir;
  • Enjoar do cabelo pseudo-loiro;
  • Ser péssima namorada;
  • Chorar por não conseguir aquele ‘trampo’ que queria na Paulista;
  • Ficar isolada;
  • Distribuir o currículo em todos os RH’s encontráveis de Santo André;
  • Sonhar acordada;
  • Ter cadastro em vários sites de empregos;
  • Depressão + mania;
  • Ter um distúrbio hormonal, sangramentos e espinhas;
  • Ficar emburrada e distante;
  • Terminar o namoro.

Bem, acho que resumidamente em tópicos seria mais ou menos isso. Então, de volta ao momento pré-paranóia, onde me vi sentada na beira da cama ensangüentada, por um segundo fiquei catatônica, foi só um susto, um pensamento, uma neurose, uma alucinação, às vezes sofro disto. Eu queria chorar, mas nenhuma misera lágrima escorreu, então sentei pra escrever e ver se me sinto menos lotada de pensamentos, menos solitária… Eu divido uma casinha com um amigo que quase não tenho visto. O tédio é tão grande que “Amélia” baixa em mim quase diariamente, eu limpo as casa, lavo a roupa, tento cozinhar e mal consigo comer (ainda bem né, se não daqui a pouco estaria uma bola).

O pior de tudo que essas coisas de dona de casa me distraem, meu corpo fica gastando as energias ali, na limpeza, mas quando termino e tomo o banho merecido, meu corpo ainda tem eletricidade, e mesmo cansado e dolorido, não consigo relaxar, as vezes nem com o as 2mg de alprazolan.

Comprei um livro há quase um mês que poderia ter terminado de ler a semanas, se eu não tivesse que reler muita das vezes a mesma página pra então perceber que já a li. O livro se chama “Uma mente inquieta”, recomendação da minha ex-terapeuta que dizia “Poliana, estou lendo um livro que parece que estou escutando você falar”, é apesar de épocas diferentes e surtos psicóticos pouco parecidos, resumindo, até são histórias parecidas…

Hoje sentada aqui sozinha, fico me perguntando o que fiz de errado, está certo que cheguei um pouco antes do tempo, não tinha tanto dinheiro quanto precisava, e pra piorar em uma das minhas crises de ‘mania’ gastei a metade do que tinha num tratamento estético que só consegui fazer duas das doze sessões (da qual espero mesmo assim obter os resultados finais), enfim, antes, em Curitiba, fiquei frustrada por ter uma faculdade iniciado a segunda e não conseguir nada além de olhares tortos e puro preconceito, mas sei que não estava preparada naquele momento, foi uma tentativa de fuga daquela vida em “família” que não era minha. Achava (como acho ainda hoje, que ficar longe daquele quase sanatório chamado “lar” me faria algum bem), e então hoje, com duas faculdades, estando relativamente preparada, adaptável ao mercado de trabalho, com sede de aprender e trabalhar, estou entrando no mesmo processo de frustração, mas agora por motivos contrários e quase desconhecidos, pois não enxergo o possível erro que me impede de estar no mercado de trabalho. Não satisfeita, me matriculei esta semana para uma pós-graduação em docência que começa no final do mês, como em um grito quase que desesperado de que ao me formar como docente possa dar aulas e ter dinheiro pro meu sustento (porque se tem algo que me deprime mais que ficar sem dinheiro, é ter que depender do meu pai pra isso, afinal, tenho 27 anos e não sou aleijada, posso muito bem e há muito tempo me sustentar, só não tive muitas chances).

Desistir? Pensei algumas vezes nisso, mas junto a este pensamento me vem à promessa de que não voltaria viva pra casa. Eu sei, é dramático e exagerado, mas já não consigo pensar em voltar, sem pensar em qualquer outra loucura do gênero suicida. No celular agora toca “make me wanna die” (The Pretty Reckless), música que escuto sempre em minhas crises de depressão, afinal é um desejo mesmo que temporária, morrer, como se de alguma forma fosse aliviar tudo o que sinto.

Enfim hoje, daqui a poucas horas é minha consulta com o Psiquiatra, é como se ele fosse resolver meus problemas (o que não irá acontecer), mas o fato de voltar a tomar a medicação, seja ela qual for me soa como um alívio, voltar a raciocinar melhor, a conseguir me concentrar, não ter crises pseudo-disléxica, só de imaginar que meu cérebro vai desacelerar e vou conseguir enfim estudar pra aquele concurso da PF que queria tanto passar, ou mesmo que eu consiga me dedicar a pós, ou ao menos que eu consigo dar continuidade ao meu projeto com ‘Justine’ (é aquela mesma do conto que alguns de vocês lêem aqui). É como se uma simples pílula pudesse me ajudar a encontrar as respostas do que questionei no início do texto, sei que soa um tanto tolo, até porque remédio não é resposta pra bosta nenhuma, mas me da esperança de amenizar essa bagunça cerebral.

Sem namorado, sem emprego, sem dinheiro, mas com um pouco de dignidade sigo aqui de Santo André, ‘devaneando’ para os corajosos que ainda me lêem.

*Desabafo: se eu me candidatei à vaga disponível, independente do meu currículo, quero dizer que eu li o maldito anúncio, sei o que significa e pra que é a vaga, não preciso que me digam se sou muito qualificada ou não pra aquilo, não sou superior a outros ou pior, como a maioria, sou só alguém buscando uma oportunidade. Acho um absurdo você ser “rejeitado” por ter “estudado demais”. Enfim, é assim que me sinto.

Música, Fetiches e Tabus

Não é de hoje que sinto vontade de escrever sobre tal tema, porém, agora, podemos vê-los cada vez mais explícito em vídeo clipes o erotismo, o fetiche e a quebra de alguns tabus. Também não é de hoje que isso vem acontecendo.

Minha primeira relação com a musica e o fetiche foi nos vídeos da banda que mistura punk com rockabilly  “The Cramps”, o primeiro vídeo que assisti foi “Naked Girl Falling Down The Stairs”, onde Lux Interior aparece trajando um ‘catsuit’ em látex vermelho e scarpin, remetendo facilmente ao fetiche S&M, podolatria, além de temas explicitamente sexuais, vistos também no vídeo “Like a bad girl Should” que além de falar de ‘bundas’, mostra Poison Ive calçando as meias 7/8 e scarpin, além da pegada Domme que ela exerce no vídeo. O que era ousadíssimo para a época, hoje seria fichinha comparada aos delírios de Lady Gaga.

Ainda em minha jornada musical, me deparo com o trio inglês Placebo, com Brian Molko nos vocais, nitidamente andrógeno, atraindo os olhares de homens e mulheres. Entre as melodias melancólicas e sensuais, surgem clipes como “Nancy Boy”, em um clima sádico, o excêntrico diretor Howard Greenhalgh, passou a fazer outros vídeos da banda como “Bruise Pristine”, que é um pouco mais fetichista que o anterior citado, no DVD da banda, Brian Molko diz adorar a ousadia do diretor, mas temia que os clipes não passassem pela censura para ir ao ar. Um vídeo polêmico envolvendo a banda seria “Protege Moi”, onde a câmera passeia pelo que seria uma festa de swing. Mas estes seriam apenas alguns dos clipes com pegada fetichista e também envolvendo tabus como a homossexualidade (sim, pode não acreditar, mas isto ainda é um tabu).

Antes das cantoras de música pop dizer que beijaram meninas e gostaram, Madonna já tinha doutorado no assunto, sempre envolvida em performances polêmicas e vídeos ousados. O que mais poderia falar de Madonna depois de assistir “Like a prayer” (1989) cruzes pegam fogo e ela faz amor com um santo negro, quer romper mais Tabu do que isso??? Mesmo sendo criticada pela igreja, ela não se abalou e seguiu sua carreira linda e poderosa. “Like a virgen” é ainda um dos seus maiores e mais popular hit, rompendo novamente outro tabu, o da virgindade e ainda simulando uma cena de sexo com os famosos ‘sutien cone’, popular hoje entre as cantoras em suas mais variadas formas. Em “Justify my Love”, Madonna visita um bordel sadomasoquista e ainda beija uma moça travestida de homem (e por sinal esta moça era uma modelo brasileira, seria um fetiche da diva modelos(as) brasileiros(as)?). Bem, não caberiam aqui todas as extravagâncias desta diva pop que sem duvida deu o pontapé para outras moças ousarem.

Britney Spears tirou suspiros em seu primeiro CD “Baby one more time” com clipe no mesmo nome, onde trajava uniforme colegial (um tanto ousado), sendo este um dos grandes fetiches da marmanjada, sem contar o culto à virtude. Em pouco tempo Britney já estava na boca do povo no dilema “é virgem ou não é”. Viajando na fantasia dos homens, logo ela ficou louco e decidiu ser a próxima Madonna (o que nunca vai acontecer, afinal cada uma é uma) e foi no clipe “Slave 4 U” que ela mostrou as garrinhas no meio de um monte de homem. O que hoje é mais comum em vídeos do que nunca, é a cantora no meio de uma surruba, até Miley Cyrus já o fez (sim, aquela Hannah Montana que as criancinhas assistem). Ela beijou a diva Madonna e depois de “perder” os cabelos e surtar várias vezes, ela voltou com tudo usando meia arrastão, couro, dançando pole dancing, dizendo que a 3 é mais gostoso, em festas com homens e mulheres e mostrando que todos tem dois lados. E assim segue Britney.

Saindo do Clube do Mickey (assim como Britney) Christina Aguilera levou os marmanjos ao delírio em seu CD “Back to Basic” onde renasceu (já que sua carreira a muito estava adormecida) uma pin up. Meias 7/8, ligas, cílios bem marcados, boca escarlate e sapatos em destaque foi sua marca, até meados de 2008, quando sumiu, retornando em 2010 mais nunca com o single “Not Myself Tonight”, coberta de látex, ballet heels e até mesmo um arreio (deslumbrante). De doce e virtuosa a um furacão sexual.

Mas a bomba sexual do momento é a atômica Lady Gaga, sempre com figurinos excêntricos e polêmicos, Gaga conquistou milhões com seus vídeos que exalam o fetiche. Latex já é uma marca registrada nos clipes da moça, que inspirada no glam rock, sempre ousa nas produções e nos saltos, que levam os submissos e podólatras ao delírio. Logo de cara em “Poker Face”, a mocinha sai da piscina vestida com o que parece ser um ‘catsuit’ preto e salto altíssimo. Mas o clipe que me chamou a atenção para a pegada fetiche sem dúvida foi “Paparazzi” (que está mais para um curta metragem que um vídeo clipe), bastou ela cair da sacada e voltar com aquele corset de aço que lembra um cinto de castidade, um suporte para o pescoço também em aço (me parece aço ou inox, algo do tipo) e imagens intercaladas a esta onde a moça aparece com uma roupa de vinil, eu vidrei. Sempre com sapatos lindíssimos e salto agulha (que são sonho de consumo), acabou cativando também os fãs do BDSM, seguindo a linha ousada de “Alejandro” repleto de látex, homens de salto alto, inversão de papeis, e apelação religiosa (assim como Christina Aguilera no clipe de ‘Not Myself Tonight’, o que parece ser moda entre as cantoras pop), no vídeo de “Telephone” onde brincou com o boato de que era hermafrodita e fez par com a musa Beyoncé (que agora anda mais ousada que nunca), e agora em seu mais novo trabalho “Born this Way”, que por sinal, acabei de assistir, é uma produção magnífica e repleta de mensagens subliminares altamente sexual que fizeram minha mente viajar e delirar.

Como em todos seus videos, o fetiche está cada vez mais presente, os tabus cada vez mais despedaçados, e sem dar a mínima para o que os outros falam ou julgam, ela segue, ousada e cada vez mais poderosa (sim, e seguira mais forte que nunca mesmo com uma série de vídeos com estudos sobre as mensagens subliminares satanistas que diz haver no vídeo).

Voltando ao rock ‘n roll, uma banda que me surpreendeu e seduziu foi 30 seconds to mars com o clipe “Hurricane” (na versão não exibida pela TV, sem censuras e sem cortes, que agora também foi proibido no Brasil em diversos sites, pois nesse país só se pode ver sexo e todo tipo de ‘putaria’ nas edições do BBB), apesar da letra um tanto melodramática, as imagens que compõem o clipe são maravilhosas, ali uma combinação dos mais variados fetiches, apesar de muitas criticas, este ainda é um dos meus vídeos prediletos.

Não sei os motivos que levaram a Rihanna da moça com jeito de “praia” para a louca mutante de cabelos e com pouca noção de moda (porém, continua linda), em vários clipes ela já demonstra algumas marcas do fetichismo – pois nunca se viu tanto látex assim na mídia como vemos hoje – agora explicito em seu novo clipe “S&M” (que eu achei até um pouquinho ‘brega’ se tratando de S&M), será que preciso falar mais? A música simplesmente fala que ela adora ser uma menina má, pois assim é mais divertido e que no amor tudo vale quando se tem criatividade. Bem, e coloca criatividade nisso. Saindo da linha noir que se tem visto até então no BDSM, Rihanna aparece com roupas em látex colorido, amarrações de bondage (que eu achei muito fake) também em cordas coloridas, usando chibata, entre outros apetrechos popular entre os amantes do BDSM.

Bem, poderia escrever a noite inteira relembrando cada clipe que assisti de várias bandas e músicos pop que levam o fetiche mais explicitamente do que nunca a publico e não tem medo de dilacerar os tabus ainda resistentes na sociedade (tão tolos como a sexualidade), e mesmo assim não conseguiria terminar a lista. Os citados são apenas uns dos milhares que transbordam sexualidade em suas musicas e vídeos, que invadem a fantasia e o desejo de muitos.

Quando a música nos toca

Há algumas semanas estava com uma idéia na cabeça, mas enrolava pra escrever, então vi em um programa de TV sobre música onde a atriz/cantora Demi Lovato, que saiu a pouco de uma clinica de reabilitação, que começou a se mutilar aos 11 anos, pois a dor era uma forma de se expressar. Se você buscar sobre o assunto no Google verá um grande numero de buscar pelo assunto.

E então você se pergunta: Mas o que isso tem haver com este site ou com música? – Saiba que muito!

Apesar de ser um ‘grito de dor silencioso’, quem pratica ‘cutting’ para alivio das pressões psicológicas quer ser ouvido, ou apenas contar ao mundo – mesmo que de maneira anônima – sobre sua perda, dor ou luta. E o que leva uma pessoa a fazer mal a si mesma? Bem inúmeros fatores, desde sua posição social a estar acima do peso e com isso, a mídia – seja ela qual for – tem forte influência para que essas pessoas – de diversas idades – continuem na dor ou não. Temas como o bullyng também estão no repertório.

Eu já admiti ser adepta deste ‘placebo’, não tenho vergonha de dizer novamente, mas é ai que entra a música. Quando você ama, você escuta música. Quando esta triste, quando se sente só, ou quando está super feliz, bem, quando se odeia ou sente sozinha, seja qual for o motivo, agente sempre escuta algo que nos liga a estes sentimentos. Muitos artistas, sabendo disso, usam a música para expressar ou mesmo para ganhar alguns novos seguidores. A cantora Pink sempre que possível trás em suas músicas a bandeira do “ser diferente não é ruim”, em diversas músicas por toda sua carreira e que ficou explicito em seu ultimo lançamento “Fuckin’ Perfect”, que fala do tema citado acima e em “Raise your glass” que fala sobre nossas diferenças e por nos aceitarmos assim.

Há algum tempo, algumas bandas brasileiras eram definidas por um novo som chamado de ‘rock terapia’ – não, nada tem haver com os emos, foi antes de estes existirem – algumas são, CPM22, Detonautas Roque Clube e para mim havia Choldra – uma banda do ABC (SP) que tocou em um festival na minha cidade e sem dúvida marcou uma fase da minha vida com suas letras.

O rapper Eminem trouxe ao seu ultimo CD ‘Recovery’, expressou suas dores, sobre sua queda no mundo das drogas, as pessoas falsas que o rodeavam e sobre sua nova vida, os hits “not afraid” e “no Love” deixa bem claro tudo que ele sente.

Hoje até está comum artistas pop abordarem esse tipo de tema em suas musicas. Lady Gaga deixou isso explicito em seu ultimo single “Born This Way”, a diva pop, sempre julgada por suas escolhas excêntricas diz na musica que “não há nada de errado em ser você, pois Deus não erra”, etc e tal. Katy Perry também trata das nossas ‘diferenças’ em “Firework”. Claro que cantar que ser diferente é normal e que você deve se aceitar assim, blá-blá-blá. Só quando se vive é que se sabe, mas seja como for, nada melhor que ouvir músicas para nos sentirmos melhores e expressarmos assim o que sentimos.

Aqui vai o Top 10 (que fazem parte da minha set list ‘para esquecer a dor’) de músicas que nos fazem lidar com a dor:

  1. Choldra – Fé
  2. Pink – Fuckin’ Perfect
  3. Katy Perry – Firework
  4. Eminem – Not afraid
  5. Lady Gaga – Born This Way
  6. Eminem – No Love
  7. Choldra – Enquanto os pés se movem
  8. Matanza – Tempo Ruim
  9. Johnny Cash – Hurt
  10. Slipknot – Vermillion

 

O novo Girl Power

A nova tribo de “girls Power” não veio no estilo punk rock como nos anos 80, ela se infiltrou lentamente no meio musical considerado mais machista e da depredação da imagem feminina, o hip-hop – hoje, tudo relacionado à Black music americana é intitulado hip-hop.

As coroadas rainhas desse novo movimento são Beyoncé e Rihanna. Beyoncé, que recebeu este ano o consagrado prêmio da Billboard, ‘ Millenium Awards’ e ainda lançou seu single ‘Run the Word (girls)’ na premiação, que se pode dizer que é um hino do ‘girl power’. A excêntrica Rihanna, que levou o prêmio de ‘Top Female Artist’ e ‘Top Radio Artist’ pelo Billboard Music deste ano. Ainda no quesito hip-hop, Nicki Minaj já está entre as queridinhas, sempre ousada e irreverente, essa garota cheia de curvas diz que ainda tem muito a conquistar.

Outras artista que deixam claro em suas músicas o poder feminino são Lady Gaga e Ke$ha – mesmo não tendo seus estilos considerados como hip-hop e sim dance, não poderiam faltar esses dois nomes na lista. Outra cantora que colocou as garrinhas de fora em seus dois últimos CDs foi a ‘caliente’ e metamórfica Shakira – vencedora do premio “Top Female Latin’. Até mesmo a queridinha do Black Eyed Peas, Fergie, cantou sobre seu poder em um projeto paralelo ao quarteto.

A mais nova no hall das ‘girls power’ é Jessie J., com um porte de top model, jeito de moleca, e comparada a Katy Perry, ela mostra que é mais macho que muito macho em seu novo hit ‘Do it a like a dude’.

Seja pela relevância de algumas ou pelo poder através de status, esta pode ser considerada a nova geração de ‘garotas poderosas’, ricas, bem sucedidas, até mesmo mais que muito marmanjo que adora canta sobre quantas garotas ‘pegou’ e ter em seus videoclipes garotas seminuas rebolando, dentes com brilhantes e carros onde só uma roda dele valer mais que minha casa.

Essas mulheres ainda são ícones, inspirando muitas garotas que buscam se enquadrar em um padrão de beleza, cheias de curvas, excêntricas, ousadas e cheia de atitude.

Uma coisa que ainda não está claro na pista é se as garotas compreendem o poder da musica que as fazem balançar, ou se percebem a mensagem que estas cantoras, que apesar de jovens já são milionárias, e estão dando um grito de “ei rapaz, sou eu quem manda aqui, não preciso de você, pois posso ser melhor que você”.

Não é uma questão de feminismo, é uma questão de sobrevivência. Agora é a vez do gangstâ girl.

Veja o Top 10 das canções Girl Power dos últimos tempos (difícil foi decidir só 10):

  1. Beyoncé – Diva: http://www.youtube.com/watch?v=31WUv5NRRPk&feature=related
  2. Rihanna feat David Guetta – Who’s that chick: http://www.youtube.com/watch?v=UuB-3D1_m2g
  3. Beyoncé – Single Ladies – http://www.youtube.com/watch?v=2dJnfRJebPQ&cc=1
  4. Shakira – Loba: http://www.youtube.com/watch?v=C7ssrLSheg4&feature=related
  5. Ke$ha – We r Who whe r: http://www.youtube.com/watch?v=mXvmSaE0JXA
  6. Lady Gaga – Born this way: http://www.youtube.com/watch?v=wV1FrqwZyKw
  7. Nicki Minaj – Super Bass:  http://www.youtube.com/watch?v=4JipHEz53sU
  8. Jessie J. – Do it a like a dude: http://www.youtube.com/watch?v=pOf3kYtwASo
  9. Shakira – Rabiosa: http://www.youtube.com/watch?v=8OO1pOqRJkA&feature=relmfu
  10. Beyoncé – Run the Word (girls): http://www.youtube.com/watch?v=_htqec0M3_8&feature=related

 

Lil Wayne e seu jeito hip rock

O rapper americano Lil Wayne tem uma longa trajetória, ainda jovem, aos nove anos se juntou Cash Money Records, se tornando o rapper mais jovem a assinar com essa gravadora, fã de 2Pac, Eminem, Jay-Z entre outros, causou polêmica ao quase morrer por um tiro no peito quando mexia com a arma do seu padrasto.

Ele já fez parte de grupos de rapper, mas preferiu seguir carreira solo, entre altos e baixos, uma prisão por porte ilegal de armas que lhe rendeu um disco lançado da prisão em 2007, o polêmico rapper (por suas tatuagens que marcam até mesmo a face), voltou mais forte em 2010 mostrando uma hip hop diferenciado por guitarras pesadas e pegadas de bateria. Além de trabalhar melhor nas letras das músicas que se baseiam mais em problemas sociais do que na vulgarização da mulher (mas claro que isso não foge de seu disco).

Algumas dessas pegadas podem ser ouvidas em músicas como ‘Knockout’ em parceria com Nicki Minaj; em ‘Get A Life’ e agora em parceria com Travis Barker (Blink 182) que está participando de sua nova turnê, com a música ‘Can A Drummer Get Some?’, aliais, Travis se declarou fã de hip hop e já fez músicas com Eminen, Drake e The Game.

Um dos rappers mais ricos, ele pode ser considerado como ‘gangsta do bem’, sempre apoando causas humanitárias. Será isso uma nova tendência no mundo do hip-hop? Ou Lil Wayne está engajado a ditar uma nova tendência ‘hip-rock’. Só podemos esperar um próximo cd para analisar.

Far East Movement e seu eletro-hop

Engraçado como uma pessoa que curte rockabilly tem escrito tanto sobre hip-hop, mas tá ai uma coisa que eu às vezes ouço, principalmente pra dançar – afinal sou filha de Deus e mereço ‘bater cabelo’ de vez enquanto – além do que, vejo muito os canais de música americanos, e comecei a analisar o quarteto Far East Movement (que quer dizer movimento extremo oriente, usando a sigla FM).

Este quarteto que representa quadro países asiático – Japão, China, Coréia e Filipinas, apesar de serem de Los Angeles – lançou seu primeiro álbum em 2005 – Audio bio – depois disto lançaram mais dois CDs e um EP, ficando conhecido somente em 2009 com ‘Animal’, e estourando pelo mundo com o single ‘Like a G6’ (2010) do cd ‘Free Wired’, que acabou se tornando um dilema para a banda, definido pelo estilo de vida, moda e tecnologia.

Sempre bem vestidos, os integrantes – que gostam de ser chamados por ‘agentes’ – Prohgress, Kevnish, J-SPLIF e DJ Virman, além de possuírem grandes parcerias musicais como de Snoop Dog, Ryan Tedder, O Cataracs e Dev, também faz parceria com a excêntrica arte de Robert Vargas.

Seus videoclipes sempre muito bem produzidos, tipicamente na linha hip-hop ‘gângsta’, que faz qualquer um desejar viver como um ‘G6’ ou no melhor estilo ‘Free Wired’.

Mais uma vez, os ‘branquelos’ – neste caso, amarelos (sem racismo) – invadem o universo do hip-hop, o FM, a meu ver, é uma quase copia dos Beastie Boys, você pode notar até pelo estilo de seus videoclipes. Em suma, o som tem boa qualidade, e pra quem curte dançar é uma boa pedida pras pistas.

Quem quiser saber mais pode conferir o site oficial da banda que está sempre sendo atualizado por onde quer que eles estejam – e olha que a tour tem andado pelo mundo todo, mas sem previsão de vinda ao Brasil.

Fiquem com o novo clipe da banda So What?:

http://www.youtube.com/watch?v=H-WySwkYnGs

A garota da capa vermelha

Quando era criança, vi um pedacinho de um filme na madrugada de uma TV aberta cujo nome era “Histórias que nossas babás não contavam”, uma versão erótica de contos de fadas, durante muitos anos, martelou em minha mente o que aquele filme queria dizer – afinal não me deixaram ver o tal filme, só o que vi foi Branca de Neve tomando banho e os anões espionando – até entrar na adolescência e ouvir histórias sobre as historias que ouvia no disquinho quando criança.

Adolescente adora inventar historia de terror – ao menos na minha época, quando adolescentes ainda pareciam normais e menos flúor – entre elas uma cruel a cruel Gata Borralheira (Cinderella), João e Maria e claro, Chapeuzinho Vermelho. Curiosa como sempre fui, tratei de procurar mais sobre o que seria verdade e o que não tinha de real.

Na idade média, as pessoas se reuniam envolta da fogueira, e contavam histórias, o que a burguesia francesa intitulou de “contos de fadas” com a chegada dos Irmãos Grimm – que para mim, estragaram as histórias com sua fantasia e romantismo.

Sempre ansiei por algum filme que se inspirasse nestes tais contos antes da ‘geração fada’, até que alguns produtores ousaram em filmes como “No cair da noite” (Jonathan Liebesman, 2003) – um filme até que ‘legalzinho’ – e “Lenda Maldita” (Chuck Bowman, 2006) – até o trailer eu achei meia boca – , ambos inspirados no conto da Fada do Dente. Branca de Neve também ganhou um versão para fazer criança chorar por Caroline Thompson (2001). Mas na semana passada ao ir no cinema, eis que então me deparo com o trailer de “A garota da capa vermelha”. Meus olinhos brilharam ainda ao ver o stand up de Amanda Seyfried com o capuz vermelho em sangue no saguão do cinema e disse a mim mesma “não creio!”. Claro que ainda não é como eu imaginava, até porque, seria muito chocante e ousado, até mesmo para os dias atuais.

Por quê? Simplesmente porque a chapeuzinho original é enganada pelo lobo, degusta a carne e o sangue da vovozinha, se despe e ainda urina no lobo, precisa saber mais?

Sexo, sangue, violência e rock ‘n roll é o que o trailer trouxe para meu deleite, porém trailer é algo que engana e espero ansiosamente para degustar deste conto nas telonas – até porque só a Amanda Seyfried já vale a pena, depois de Garota Infernal ela me conquistou com aqueles olhos imensos e que transmitem horror, e é o que espero deste triler.