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Tag Archives: medo

Quando a música nos toca

Há algumas semanas estava com uma idéia na cabeça, mas enrolava pra escrever, então vi em um programa de TV sobre música onde a atriz/cantora Demi Lovato, que saiu a pouco de uma clinica de reabilitação, que começou a se mutilar aos 11 anos, pois a dor era uma forma de se expressar. Se você buscar sobre o assunto no Google verá um grande numero de buscar pelo assunto.

E então você se pergunta: Mas o que isso tem haver com este site ou com música? – Saiba que muito!

Apesar de ser um ‘grito de dor silencioso’, quem pratica ‘cutting’ para alivio das pressões psicológicas quer ser ouvido, ou apenas contar ao mundo – mesmo que de maneira anônima – sobre sua perda, dor ou luta. E o que leva uma pessoa a fazer mal a si mesma? Bem inúmeros fatores, desde sua posição social a estar acima do peso e com isso, a mídia – seja ela qual for – tem forte influência para que essas pessoas – de diversas idades – continuem na dor ou não. Temas como o bullyng também estão no repertório.

Eu já admiti ser adepta deste ‘placebo’, não tenho vergonha de dizer novamente, mas é ai que entra a música. Quando você ama, você escuta música. Quando esta triste, quando se sente só, ou quando está super feliz, bem, quando se odeia ou sente sozinha, seja qual for o motivo, agente sempre escuta algo que nos liga a estes sentimentos. Muitos artistas, sabendo disso, usam a música para expressar ou mesmo para ganhar alguns novos seguidores. A cantora Pink sempre que possível trás em suas músicas a bandeira do “ser diferente não é ruim”, em diversas músicas por toda sua carreira e que ficou explicito em seu ultimo lançamento “Fuckin’ Perfect”, que fala do tema citado acima e em “Raise your glass” que fala sobre nossas diferenças e por nos aceitarmos assim.

Há algum tempo, algumas bandas brasileiras eram definidas por um novo som chamado de ‘rock terapia’ – não, nada tem haver com os emos, foi antes de estes existirem – algumas são, CPM22, Detonautas Roque Clube e para mim havia Choldra – uma banda do ABC (SP) que tocou em um festival na minha cidade e sem dúvida marcou uma fase da minha vida com suas letras.

O rapper Eminem trouxe ao seu ultimo CD ‘Recovery’, expressou suas dores, sobre sua queda no mundo das drogas, as pessoas falsas que o rodeavam e sobre sua nova vida, os hits “not afraid” e “no Love” deixa bem claro tudo que ele sente.

Hoje até está comum artistas pop abordarem esse tipo de tema em suas musicas. Lady Gaga deixou isso explicito em seu ultimo single “Born This Way”, a diva pop, sempre julgada por suas escolhas excêntricas diz na musica que “não há nada de errado em ser você, pois Deus não erra”, etc e tal. Katy Perry também trata das nossas ‘diferenças’ em “Firework”. Claro que cantar que ser diferente é normal e que você deve se aceitar assim, blá-blá-blá. Só quando se vive é que se sabe, mas seja como for, nada melhor que ouvir músicas para nos sentirmos melhores e expressarmos assim o que sentimos.

Aqui vai o Top 10 (que fazem parte da minha set list ‘para esquecer a dor’) de músicas que nos fazem lidar com a dor:

  1. Choldra – Fé
  2. Pink – Fuckin’ Perfect
  3. Katy Perry – Firework
  4. Eminem – Not afraid
  5. Lady Gaga – Born This Way
  6. Eminem – No Love
  7. Choldra – Enquanto os pés se movem
  8. Matanza – Tempo Ruim
  9. Johnny Cash – Hurt
  10. Slipknot – Vermillion

 

Automutilação – entre a fé e as lágrimas

Há meses eu luto contra meu eu, contra uma série de desejos, contra ideias que insistem em atormentar até meus sonhos, transformando-os em pesadelos.

Durante meses, eu fiz terapia com um intuito, mudar sem que a tal mudança me destruísse, hoje tudo parece vão. Todas àquelas horas no consultório, às vezes sorrindo, outras aos prantos. Havia dias que em que a confiança era tamanha, que nada no mundo poderia me derrubar, porém talvez, naquele mesmo dia, eu sentia todo o peso do mundo me derrubar.

Ao contrário de muitos que já encontrei pelas redes sociais, não sou Borderline, ao menos meus psiquiatras nunca chegaram a essa conclusão, para ser sincera, nunca chegaram de fato a alguma conclusão. Eu já fui diagnosticada como: paranoica, histérica e por ultimo Bipolar. Já tentei vários tratamentos, inclusive espiritual, por um tempo alguns ajudaram tanto medicamentos quanto o espiritual. Já disseram que era o “demônio que queria que eu me contasse”, que eu “só queria chamar a atenção”, mas hoje aqui, com tantos, mais tantos depoimentos sobre como se sentem em relação a isso, sei que sou só mais uma no meio de milhões.

Sim, infelizmente só tenho visto esses números crescerem. Esse blog já foi popular pelos textos que abordam sexualidade, hoje ele é o numero um quando se busca “automutilação” no Google. O que mais me deixa triste é o fato de que, ainda não encontrei programas de ajuda pra que sem automutila. Vi que no dia Primeiro de Março, foi o dia do combate mundial a autoflagelo. Inclusive, um dos meus depoimentos foi usado como base pra um site. Quando vi, não sabia se me sentia lisonjeada ou mais deprimida. No Brasil, infelizmente não encontrei um centro de apoio a isso, os EUA já promovem campanhas, em Portugal a um centro especializado. Falando sobre isso, sobre esta falta, ontem meu namorado me disse: Porque não escreve sobre isso, um livro, conte seus relatos. Meu único pensamento era como eu seria vista se fizesse isso. Histórias, batalhas, e muito mais coisas eu teria pra partilhar, inclusive a batalha, que hoje me parece eterna de não me mutilar, tentando usar aquelas frases que o AA usa: Um dia de cada vez. Eu controlo bem a expressão das pessoas quando veem as cicatrizes, o olhar de curiosidade e pena, são ciclos, às vezes me importo menos, em outras me importa muito, pois odeio o sentimento PENA.

Eu decidi me mudar, queria sair da cidade, sair daquele mundo, nunca me senti dali, achava que seria impossível me encontrar onde vivia. Eu odiava a cidade, passei a odiar mais da metade das pessoas que habitam nela, eu não queria mais sair, minha única alegria era cinema no domingo, e os encontros com a terapeuta. Então, depois de várias discussões com a terapeuta, tomando um novo medicamento, me senti confiante em mudar e disse a mim mesma: hoje começa minha verdadeira vida.

Confesso que só de me lembrar, de me ver dizendo isso enfrente ao espelho, eu começo a chorar. Depois de anos passei e ser sistemática, organização pra mim é importante, as coisas tinham que sair como eu planejava. Eu estudei muito, me empenhei muito, até mesmo agora acho que estudar e ler tanto me deixou mais chata, mais critica e menos tolerante, e isso é horrível, pois por mais que planejemos, por mais que tudo indique que será daquele jeito, não é. A vida não tem um curso certo, planos é apenas um roteiro para se guiar, não para seguir a risca.

Algumas horas de voo, muito cansaço, uma semana entediante, os nervos a flor da pele, as primeiras cobranças “você tá indo atrás de emprego”, “como estão às coisas ai?”, todas as perguntas me pressionaram o cérebro. Passei a descontar em quem só quis me ajudar, tentei explicar que certas coisas não controlo, sim, é verdade, não controlo quase nada, eu falo sem pensar, eu me preocupo de maneira exagerada e algumas vezes vago, perdida em meus pensamentos ora coloridos, ora obscuros.

Quando decidi me mudar, decidir ter um pouco mais de fé, eu tenho minhas crenças, mas não sou alienada em religião, se eu fosse indicar alguma a vocês, seria o espiritismo, pois nunca fui julgada ali, e tive muita luz. Continuando, fiz novenas, rezei, implorei e vim com a fé “inabalável” de que tudo correria bem. Que eu teria meu lugar, que acharia um lugar que valorizasse meus conhecimentos – apesar de muitos acharem que sou louca, modéstia a parte, sou inteligente e esforçada, se fosse louca, seria um gênio louco.

Nada foi como o planejado, até o voo que deveria ser calmo, foi desagradável do inicio ao fim. Eu tentei me manter firme, eu tento me manter firme, mas logo nas primeiras semanas (me mudei no dia 17 de fevereiro) eu achei que havia cometido um erro, mesmo lembrando que minha terapeuta havia dito que eu estava madura, que deveria ter confiança, a falta de consideração, aliais de valorização me fez descer o primeiro degrau. A saudade dos sobrinhos, o medo de falhar começou a me perseguir.

Todas as noites sonhando com a família que ficou, com minhas paixões que são meus sobrinhos, minha frustração de ter duas faculdades e nenhuma chance justa de emprego, em uma noite, não resisti e chorei. Foi como se estivessem me amputando os braços e pernas, a dor era insuportável, eu queria um cortezinho, mísero que fosse pra aliviar aquele peso, aquela pressão no peito. Na minha cabeça um filme de terror, diversas saídas e uma única solução eu só me via dando um tiro na cabeça – a cerca de 6 anos tive essa obsessão, de que morreria assim.

Chorei, solucei, não sei como o Téo me via (Téo é meu namorado, o coitado em quem desconto toda a raiva e descontrole), eu queria gritar, mas abafava o mesmo, meus punhos estavam serrados, meus dedos dos pés encolhidos, minha nuca latejava, chorei por um tempo, pareceu longo, na verdade nem sei ao certo, ele só me olhou, me abraçou, pediu pra ter forças, eu queria gritar, queria conversar, mas como sempre, as palavras travam, eu me sufoco, nada saía. Então ele perguntou: você quer voltar pra casa? Aquilo me partia mais ainda, eu não consigo voltar, e não sei se consigo seguir. Vez e outra, acordo achando que ”hoje será um ótimo dia”, mas nada acontece e a noite vem traiçoeira.

Não consegui ainda achar uma cena, ou algo que eu possa comparar este sentimento, o desespero, parece que tudo que digo, ou a que comparo doí menos do que essa maldita dor psicológica. É torturante.

Ainda me seguro na fé, fé de que Deus uma hora vai olhar e finalmente me enxergar e dizer: chegou sua vez. Eu não suportaria, não suporto pensar em falhar (já que não é a primeira vez que saio de casa com tais objetivos), uma noite eu jurei que viva não voltava, e essa maldita ideia ficção não some.

Os remédios acabaram, falta um mês pra conseguir uma consulta com um psiquiatra nessa terra da garoa, ouvi uma vez do médico: não te transformarei em uma garota feliz e sorridente, só lhe darei algo pra aliviar e aprender a lidar com isso tudo… Mas pensando bem, às vezes desejo esse remédio que diz que vai deixar tudo “maravilhoso”, mesmo que uma falsa felicidade, conviver com essa dor, viver em guerra, tentar não cair totalmente, só quem luta sabe.

Pra quem chegou até aqui nesse texto meio sem nexo, se você é border, bipolar, neurótico, psicótico, seja o que for, não desista, mesmo que a duras penas, eu queria ter escrito um texto feliz, sobre como estou conseguindo me manter firme no meu projeto “sem cortes”, até “Cicatricure” comprei na esperança de elas sumirem um pouquinho que seja. Eu às vezes entro no banheiro, vejo algo cintilante, aquela vontade, aquele desejo me dividi, então entro debaixo do chuveiro e choro mais ainda. É um dia de cada vez. Uma cruz que se leva, eu até perco a cabeça, mas não vou perder aquilo que ainda me mantem “limpa” a vários meses.

Busque ajuda, não tenha medo, a pior violência é se permitir a temer, somos julgados diariamente, pressionados por toda vida. Gostaria que aqueles que apenas passeiam os olhos aqui porque conhece alguém que tem este problema lhes peço, tenha paciência. Sei que paremos egoístas, mas muitas vezes infelizmente é só uma característica da doença (quando digo doença, é porque de fato somos doentes, porém não incapazes).

Veja o vídeo da campanha: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=Q7HXhyOofNU

Busque ajuda médica, mesmo em caminho de pedras, podemos sobreviver a isso. E não se sinto sozinho, nem uma aberração, há mais pessoas que sofrem disto no mundo do que imaginamos:

Demi Lovatto: http://www.youtube.com/watch?v=mu6ZC-FqkDg

Tipos de Self Harm: http://www.youtube.com/watch?v=uWJTDG1SWC8

Pais estejam mais alertas: http://www.youtube.com/watch?v=gPxj86oOifg&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=yMVhX1FlfXI&feature=related

Um dia também quero cantar “VEJA COMO ESTOU HOJE BEM!!”

*Link comentado: http://luciaureakaha.wordpress.com/2012/02/28/1o-de-marco-dia-da-consciencia-sobre-a-automutilacao/

Há meses eu luto contra meu eu, contra uma série de desejos, contra ideias que insistem em atormentar até meus sonhos, transformando-os em pesadelos.

Durante meses, eu fiz terapia com um intuito, mudar sem que a tal mudança me destruísse, hoje tudo parece vão. Todas àquelas horas no consultório, às vezes sorrindo, outras aos prantos. Havia dias que em que a confiança era tamanha, que nada no mundo poderia me derrubar, porém talvez, naquele mesmo dia, eu sentia todo o peso do mundo me derrubar.

Ao contrário de muitos que já encontrei pelas redes sociais, não sou Borderline, ao menos meus psiquiatras nunca chegaram a essa conclusão, para ser sincera, nunca chegaram de fato a alguma conclusão. Eu já fui diagnosticada como: paranoica, histérica e por ultimo Bipolar. Já tentei vários tratamentos, inclusive espiritual, por um tempo alguns ajudaram tanto medicamentos quanto o espiritual. Já disseram que era o “demônio que queria que eu me contasse”, que eu “só queria chamar a atenção”, mas hoje aqui, com tantos, mais tantos depoimentos sobre como se sentem em relação a isso, sei que sou só mais uma no meio de milhões.

Sim, infelizmente só tenho visto esses números crescerem. Esse blog já foi popular pelos textos que abordam sexualidade, hoje ele é o numero um quando se busca “automutilação” no Google. O que mais me deixa triste é o fato de que, ainda não encontrei programas de ajuda pra que sem automutila. Vi que no dia Primeiro de Março, foi o dia do combate mundial a autoflagelo. Inclusive, um dos meus depoimentos foi usado como base pra um site. Quando vi, não sabia se me sentia lisonjeada ou mais deprimida. No Brasil, infelizmente não encontrei um centro de apoio a isso, os EUA já promovem campanhas, em Portugal a um centro especializado. Falando sobre isso, sobre esta falta, ontem meu namorado me disse: Porque não escreve sobre isso, um livro, conte seus relatos. Meu único pensamento era como eu seria vista se fizesse isso. Histórias, batalhas, e muito mais coisas eu teria pra partilhar, inclusive a batalha, que hoje me parece eterna de não me mutilar, tentando usar aquelas frases que o AA usa: Um dia de cada vez. Eu controlo bem a expressão das pessoas quando veem as cicatrizes, o olhar de curiosidade e pena, são ciclos, às vezes me importo menos, em outras me importa muito, pois odeio o sentimento PENA.

Eu decidi me mudar, queria sair da cidade, sair daquele mundo, nunca me senti dali, achava que seria impossível me encontrar onde vivia. Eu odiava a cidade, passei a odiar mais da metade das pessoas que habitam nela, eu não queria mais sair, minha única alegria era cinema no domingo, e os encontros com a terapeuta. Então, depois de várias discussões com a terapeuta, tomando um novo medicamento, me senti confiante em mudar e disse a mim mesma: hoje começa minha verdadeira vida.

Confesso que só de me lembrar, de me ver dizendo isso enfrente ao espelho, eu começo a chorar. Depois de anos passei e ser sistemática, organização pra mim é importante, as coisas tinham que sair como eu planejava. Eu estudei muito, me empenhei muito, até mesmo agora acho que estudar e ler tanto me deixou mais chata, mais critica e menos tolerante, e isso é horrível, pois por mais que planejemos, por mais que tudo indique que será daquele jeito, não é. A vida não tem um curso certo, planos é apenas um roteiro para se guiar, não para seguir a risca.

Algumas horas de voo, muito cansaço, uma semana entediante, os nervos a flor da pele, as primeiras cobranças “você tá indo atrás de emprego”, “como estão às coisas ai?”, todas as perguntas me pressionaram o cérebro. Passei a descontar em quem só quis me ajudar, tentei explicar que certas coisas não controlo, sim, é verdade, não controlo quase nada, eu falo sem pensar, eu me preocupo de maneira exagerada e algumas vezes vago, perdida em meus pensamentos ora coloridos, ora obscuros.

Quando decidi me mudar, decidir ter um pouco mais de fé, eu tenho minhas crenças, mas não sou alienada em religião, se eu fosse indicar alguma a vocês, seria o espiritismo, pois nunca fui julgada ali, e tive muita luz. Continuando, fiz novenas, rezei, implorei e vim com a fé “inabalável” de que tudo correria bem. Que eu teria meu lugar, que acharia um lugar que valorizasse meus conhecimentos – apesar de muitos acharem que sou louca, modéstia a parte, sou inteligente e esforçada, se fosse louca, seria um gênio louco.

Nada foi como o planejado, até o voo que deveria ser calmo, foi desagradável do inicio ao fim. Eu tentei me manter firme, eu tento me manter firme, mas logo nas primeiras semanas (me mudei no dia 17 de fevereiro) eu achei que havia cometido um erro, mesmo lembrando que minha terapeuta havia dito que eu estava madura, que deveria ter confiança, a falta de consideração, aliais de valorização me fez descer o primeiro degrau. A saudade dos sobrinhos, o medo de falhar começou a me perseguir.

Todas as noites sonhando com a família que ficou, com minhas paixões que são meus sobrinhos, minha frustração de ter duas faculdades e nenhuma chance justa de emprego, em uma noite, não resisti e chorei. Foi como se estivessem me amputando os braços e pernas, a dor era insuportável, eu queria um cortezinho, mísero que fosse pra aliviar aquele peso, aquela pressão no peito. Na minha cabeça um filme de terror, diversas saídas e uma única solução eu só me via dando um tiro na cabeça – a cerca de 6 anos tive essa obsessão, de que morreria assim.

Chorei, solucei, não sei como o Téo me via (Téo é meu namorado, o coitado em quem desconto toda a raiva e descontrole), eu queria gritar, mas abafava o mesmo, meus punhos estavam serrados, meus dedos dos pés encolhidos, minha nuca latejava, chorei por um tempo, pareceu longo, na verdade nem sei ao certo, ele só me olhou, me abraçou, pediu pra ter forças, eu queria gritar, queria conversar, mas como sempre, as palavras travam, eu me sufoco, nada saía. Então ele perguntou: você quer voltar pra casa? Aquilo me partia mais ainda, eu não consigo voltar, e não sei se consigo seguir. Vez e outra, acordo achando que ”hoje será um ótimo dia”, mas nada acontece e a noite vem traiçoeira.

Não consegui ainda achar uma cena, ou algo que eu possa comparar este sentimento, o desespero, parece que tudo que digo, ou a que comparo doí menos do que essa maldita dor psicológica. É torturante.

Ainda me seguro na fé, fé de que Deus uma hora vai olhar e finalmente me enxergar e dizer: chegou sua vez. Eu não suportaria, não suporto pensar em falhar (já que não é a primeira vez que saio de casa com tais objetivos), uma noite eu jurei que viva não voltava, e essa maldita ideia ficção não some.

Os remédios acabaram, falta um mês pra conseguir uma consulta com um psiquiatra nessa terra da garoa, ouvi uma vez do médico: não te transformarei em uma garota feliz e sorridente, só lhe darei algo pra aliviar e aprender a lidar com isso tudo… Mas pensando bem, às vezes desejo esse remédio que diz que vai deixar tudo “maravilhoso”, mesmo que uma falsa felicidade, conviver com essa dor, viver em guerra, tentar não cair totalmente, só quem luta sabe.

Pra quem chegou até aqui nesse texto meio sem nexo, se você é border, bipolar, neurótico, psicótico, seja o que for, não desista, mesmo que a duras penas, eu queria ter escrito um texto feliz, sobre como estou conseguindo me manter firme no meu projeto “sem cortes”, até “Cicatricure” comprei na esperança de elas sumirem um pouquinho que seja. Eu às vezes entro no banheiro, vejo algo cintilante, aquela vontade, aquele desejo me dividi, então entro debaixo do chuveiro e choro mais ainda. É um dia de cada vez. Uma cruz que se leva, eu até perco a cabeça, mas não vou perder aquilo que ainda me mantem “limpa” a vários meses.

Busque ajuda, não tenha medo, a pior violência é se permitir a temer, somos julgados diariamente, pressionados por toda vida. Gostaria que aqueles que apenas passeiam os olhos aqui porque conhece alguém que tem este problema lhes peço, tenha paciência. Sei que paremos egoístas, mas muitas vezes infelizmente é só uma característica da doença (quando digo doença, é porque de fato somos doentes, porém não incapazes).

Veja o vídeo da campanha: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=Q7HXhyOofNU

Busque ajuda médica, mesmo em caminho de pedras, podemos sobreviver a isso. E não se sinto sozinho, nem uma aberração, há mais pessoas que sofrem disto no mundo do que imaginamos:

Demi Lovatto: http://www.youtube.com/watch?v=mu6ZC-FqkDg

Tipos de Self Harm: http://www.youtube.com/watch?v=uWJTDG1SWC8

Pais estejam mais alertas: http://www.youtube.com/watch?v=gPxj86oOifg&feature=related

Um dia também quero cantar “VEJA COMO ESTOU HOJE BEM!!”

*Link comentado: http://luciaureakaha.wordpress.com/2012/02/28/1o-de-marco-dia-da-consciencia-sobre-a-automutilacao/

Automutilação: a desconfiança

Primeiramente, gostaria de iniciar este assunto agradecendo a todos que vem aqui, que dão apoio, que buscam ajuda para pessoas queridas, que desabafam, assim como eu fiz. Nunca pensei que um desabafo em meio à dor fosse gerar tantos comentários, que eu fosse descobrir que não estou sozinha, já que a solidão causa ainda mais pânico, mais medo em mim.

               Eu já estou sem me ‘punir’ a cerca de três meses, o que parece muito e ao mesmo tempo pouco, se levar e conta que há muita vida pela frente – bem eu acho que há, mas confesso que por muitas e muitas vezes penso em terminar com tudo de uma vez por todas, ou que não vou suportar certas decepções que nem ao menos aconteceu, ainda sou um tanto pragmática e pessimista e sofro às vezes por um possível futuro, o que é errado e tento me policiar, mas ainda é difícil.

               Meu maior problema no momento é a desconfiança! Tenho tido conflitos internos e externos por isso, e um deles é amizades, o medo de me sentir só, às vezes me faz aceitar o errado, porém, posso dizer que a terapia tem me ajudado a ver que o “antes só que mal acompanhado é muito mais válido”. – parem de achar que fala de alguém específico, se penso que é sobre você, é porque a carapuça serviu – Eu tenho ficado só, há um mês não saio de casa para ter uma vida social agitada, e quer saber, não sinto falta, pela primeira vez não entro em pânico por ficar só, até gosto, porém, tenho visto o medo no meu pai.

               Sempre que começo a ficar mais tempo no meu quarto ouvindo músicas, filmes ou lendo, o que para mim é reconfortante, incomoda meu pai – com quem eu vivo, visto que meus pais são divorciados – para ele é sinal de que estou em depressão e me “cortando novamente”, como ele mesmo diz, vejo nítido em seus olhos o temor de passar por tudo outra vez. Sei que fiz meu pai, mãe e irmão sofrerem comigo. As demais pessoas que moram nessa casa, falam por ai, que eu só quero é chamar atenção, mas já superei esses comentários, que por alguém tempo me afetaram, e sei que o que faço, faço muitas vezes involuntariamente.

               Outra coisa que já consegui superar é a palavra “louca”, pois pessoas que considerei muito nessa vida, que amei e até meu próprio pai, disse que eu era louca, ou pessoas que se diziam amigas comentavam, “a louca lá deu pití outra vez”. Agora que vejo tudo mais nítido e menos vermelho, noto o quão desorientado e sem informação são.

               A desconfiança é algo que dói, e quando escuto a pergunta como “o que aconteceu?”, ou “você está bem?”, vejo isso como uma pergunta retórica, no final das contas ninguém quer saber a verdade, muitas vezes eu engulo o choro e digo “não é nada, está tudo bem”, mesmo que por dentro algo esteja me dilacerando.

               Dizer que estou livre desta maldição, ainda não posso, acho que como qualquer pessoa em tratamento, está propensa a recaídas. E como qualquer outra pessoa que se livra de uma dependência, busca outras formas de fuga, como já li e também já busquei, por exemplo no álcool, em sexo, em qualquer coisa que o faça sofrer de alguma forma ou apagar aquilo que era tão dolorido.

               Quando estou nervosa, ainda arranco pedacinhos dos lábios, sabe aqueles descascadinhos? Então, tiro-os até sangrarem, ou quando não tem mexo até que haja uma misera pontinha pra puxar, a princípio não percebia o motivo, hoje é mais claro, tirar cutícula também se tornou uma mania, e vivo com os dedos machucados, em crises mais severas, hoje, pra me controlar, eu quero coisas – o que também não é saudável, visto que meu guarda-roupa esta ‘mutilado’ e despencando, mas, antes um objeto do que eu.

               Então, comprei um saco de boxe, é bem, ajuda a extravasar, você chora e soca, soca e soca até seus braços não suportarem. Eu havia buscado o Muay-Tai para me ajudar a descarregar a violência interna, mas por uma lesão no ligamento do tornozelo – não, eu não o provoquei, no virei o pé em um degrau terrivelmente alto.

               Mas no final o que tem me ajudado mesmo de verdade, é a terapia cognitiva, com uma terapeuta. Sozinho penso que o caminho das pedras fica ainda mais tortuoso, porém, não envolvo mais familiares ou amigos nisso, às vezes desabafo com um, mas estou tentando buscar em mim e por mim. Pois além da desconfiança, meu conflito agora é outro, procurar o sabotador dentro de mim, já que observei que estou me sabotando em vários aspectos e projetos importantes para dar segmento a minha vida e poder dizer enfim que cresci.

               Para aqueles que querem um canto para conversar como outras pessoas com o mesmo problema ou similar ao seu, me foi recomendado uma página do facebook: http://www.facebook.com/groups/274357359264475/?notif_t=group_activity

               E lembre-se: se cair, levanta-te!

*imagem por Beethoven Delano

Medo e Delírio no Texas

Já tem algum tempo que quero escrever essa minha desventura de final de noite, mas antes tarde do que nunca, afinal rir é bom em qualquer momento, então vamos lá.

Nunca pensei que em um sábado eu pude estar no paraíso e do nada cair no inferno. Eu e minha melhor amiga, fomos a um pub ver outra amiga nossa cantar, dançamos, curtimos, e como e não podia beber, haja energético na cabeça. Mas essas energias enlatadas nunca funcionaram bem comigo, o sono tomava meu corpo, re antigos amigos, conversei e reclamei horas do fumódromo improvisado que o pub nos cedeu. E então retorno ao meu antigo discurso: fumante é um bosta mesmo!

Agente paga um imposto altíssimo – que irá subir ainda mais – e ainda é jogado nos piores buracos da balada, isso quando você não tem que sair do lugar pra fumar, o que nos leva e entrar na fila do caixa, pagar a conta pra poder sair, porque além de tudo somos ‘bandidos’, ao menos é o que transparece. Enfim, quem fuma sabe todos os problemas, sei que as demais pessoas – as que não fumam – não são obrigadas a fumar passivamente, sei que há a lei, mas se for criar um local para os fumantes, por favor que não parece um porão de fugitivos da segunda guerra, certeza que a vigilância nunca passou por ali.

Voltando a noite. Amigos, boa música, tudo estava ótimo, pessoas bonitas e divertidas, mas a noite ali acabou cedo – bem pra alguns 4 horas era cedo – dando brecha para a velha discussão, “e agora pra onde vamos?”. Várias sugestões e nenhum rumo certo.

Depois de rodarmos enfim um dos amigos liga e diz: “to aqui no Texas, vem pra cá”. Nunca entrei naquele lugar, nem minha amiga havia se aventurado, então decidimos arriscar, ninguém queria ir pra casa – exceto eu a única sóbria.

Na entrada achamos um fumódromo digno, com um bom espaço e ar condicionado – coisa essencial aqui no norte – e foi então que abrimos a porta dos desesperados. Nunca vi tanta gente feia, mal encarada e com péssimo gosto para moda na minha vida reunidas em um só lugar! Nossa sorte são que certos ‘coletes’ abrem portas, e para nós foi aberto o camarote VIP – que de VIP só tinha nome.

Foi ali que meu nível de irritação atingiu o ápice!  Sabe quando você esta morrendo de fome e vê uma torta saborosa, sabe aquele olhar? Então, eu me sentia a torta. Se você acha que me senti maravilhosa, não viu a concorrência do lugar, tem olhares que incomodam, e muito. Dancei um pouco, tentei me divertir, mas o rei momo que estava próximo cortou meu barato rapidamente com uma cantada pedreira.

O camarote era como um aquário, uma caixa de vidro que dava pra ver todos da pista, o lugar estava cheio, a música mais ou menos, mas a dança… Bem, eu pensei que havia entrado em uma boate e não em um bordel.

Menos de uma hora lá dentro e fomos convidadas a nos retirar do camarote, pois as funções ali estavam se encerrando.

“Vamos pra pista!” disse alguém. Foi ali que eu pedi pra morrer. O chão estava grudando, garras e latas por todo lugar, as mulheres com saltos altíssimos e vestidos drapeados envolvendo seus corpos longe de um padrão ‘panicat’, dançavam empinando a bunda para o alto, onde se poderia realizar um exame de colonoscopia. O cheiro de cerveja podre do chão parecia se misturar com todos aqueles rabos ali, e posso me arriscar em dizer que no meio daquele aroma que me provocou ânsia havia até mesmo porra. Por um instante pensei que tinha aberto o cubo da ‘configurações do lamento’ e me transportado para ‘Hellraiser’.

Eu fiquei perdida sem saber se ria ou chorava, meus olhos lacrimejaram e o estomago anunciava “lá vem a janta!”, então falei “Deus que horror, quero sair daqui”. Todos concordaram e saímos rapidamente. O alivio de voltar a respirar só veio quando sai da boate.

As imagens daquelas bundas me atormentavam a mente, não consigo entender o que leva uma mulher a se desvalorizar daquela forma, não fazia mais sentido, eu só queria ir pra casa e desejava nunca ter entrado ali.

Tudo que eu consegui tirar de proveito desta noite é: nunca mais ir a lugares desconhecidos com procedência suspeita. Quando uma cidade está em crescimento, passando por mudanças e repleta de trabalhadores que passam a semana sem ver mulheres em campos de obra e só vê a cidade nos finais de semana, você não pode se arriscar a entrar em qualquer lugar, nunca se sabe que portal ou dimensão você estará entrando.

 

 

 

 

 

 

Imagem retirada do http://www.humordaterra.com/2011/10/25/anatomia-de-uma-piriguete/

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Auto-Flagelo: Se cair, levante-se

Já diziam os antigos, “mente vazia, oficina do diabo”, e estavam certos. Depois de meses sem ao menos penar em me ferir, ontem, eis que o ‘diabo’ me tentou.

É difícil… Desviar o pensamento da dor é, pra quem luta diariamente para não ter recaídas, uma verdadeira tortura. Mas nem todos iriam entender, somente quem está lutando pra abandonar um ‘vício’ pode saber do que estou falando.

Eu luto! Dia a pós dia, entre a depressão e euforia, eu sigo, mesmo que nem sempre esteja de cabeça erguida, eu sigo.

Vejo aqui tantos outros como eu e penso: porque este assunto não é abordado pelas mídias de maneira mais aberta, assim como os viciados em drogas, os compulsivos, nós também precisamos de atenção, precisamos que nossas famílias saibam que isso não é uma ‘manha’ uma tolice, precisam saber como lidar com isso, afinal somos viciados compulsivos em dor!

Tantos outros que vêm aqui me pedir ajuda, comecei a pensar: quem sou eu pra ajudar, dar minha opinião se ainda estou na ‘reabilitação’? Mas sabe, só de poder falar, de me abrir com alguém… Se essas pessoas sentem o que eu sinto quando desabafam, então, de certa forma, sou útil!

A queda nem sempre tem um motivo drástico, uma simples discussão pode alavanca um erupção emocional, eu mesma, ontem, uma discussão com meu pai, pelos mesmos motivos de sempre (família, aliais essa família que não é minha), não poder falar, não colocar pra fora aquilo que está me sufocando simplesmente porque ele não sabe lidar com isso, acha que vou surta, ficar louca, me ferir ou sei lá mais o que, esse simples fato de não ouvir, de “deixa pra lá”, isso que faz não só eu, mas muitos outros se sentir um nada e assim, nossa força despenca novamente.

Eu chorei, solucei, me isolei por segundos no banheiro, e ao olhar meus olhos vermelhos no espelho, vi um vestidinho pink da minha sobrinha pendurado, ela se sujou, eu a troquei e ele ficou ali. Fui lavar roupa! Era eu, o tanque e água por todo lado, quando do nada, aquele pensamento maldito me martelou, uma dorzinha, apenas uma dorzinha só pra aliviar. Eu sacudi a cabeça tentando fazer o pensamento sumir, fui ao varal e lá estava aquele anjinho de cabelos dourados e bagunçados me dizendo, “ou titia”. Pega-la no colo e sentir aqueles bracinhos pequenos envolvendo meu pescoço me fez seguir em frente, não podia, não queria parecer fraca na frente dela. Tantas vezes ela me viu mal, e perguntava, “titia você ta dodói?”, aquilo me partia ainda mais o coração, se eu não era exemplo pra uma sobrinha, imagina pra um filho? Sinceramente, não sou apta a ser mãe, mas isso é um outro caso.

Não vale, não vale a pena, eu já tenho tantas marcas que me afastaram tantas pessoas, pessoas boas. No meu convívio social posso dizer que sou só. Bem, ainda me sobraram alguns amigos, alguns que eu acho que me compreendem (compreensão não é o mesmo que apoiar, amigo que é amigo não apóia atitudes insanas), já outras pessoas, me acham louca, e quando o assunto é afetivo… Ai danou-se! Estou só mesmo, é raro uma pessoa que consiga ficar ao lado de gente como nós (isso soou preconceituosamente, mas sim, como minoria, somos digamos, diferentes, em alguns aspectos), mas não condeno ninguém, afinal não quero ser um peso, mais do que já sou a mim.

Uma coisa positiva que tenho visto são pessoa que vem atrás de ajuda para ajudar quem sofre desse vicio maldito. Eu gostaria de saber como ajudar, mas são sei, pra mim, ajuda quem me escuta, para os demais, penso que isso também será um bom começo.

É um dia de cada vez, um pé enfrente ao outro. Se cair e se ralar, chore o que tiver pra chorar, mas siga enfrente, não desista.

Não quero tentar induzir ninguém a ir a uma igreja, templo, ou seita, sei lá, mas a fé ajuda, seja de onde ela venha. Eu não sou espírita, sou católica, mas acredito nos ensinamentos espíritas, e se eu pudesse indicar uma leitura, leia “Nosso Lar” que hoje estréia nos cinemas, isso fará você repensar quando frases como “melhor morrer do que viver assim”, “lá não deve ser pior que aqui”, entre outros pensamentos suicidas, pois, já ouvi milhares de vezes que “não me corto com a intenção de morrer”, porém, o auto-flagelo pode levar a morta como qualquer outro vício. “Nosso Lar” mostra um pouquinho e explica o que é o suicida. Vale a pena ao menos para refletir.

Haverão dias que você não irá resistir porque está muito mal, em outros sentirá falta (isso mesmo, você poderá sem motivo algum, sentir saudades da sensação que ver o sangue correr nós dá). O auto-flagelo é uma droga, não se cale, não se isole, busque ajuda!

Um, dois, três

Há muito tempo eu venho enrolando pra escrever sobre uma musica, sei que vão achar estranho, mas é falo da música intitulada “3” da cantora norte americana Britney Spears. Toda vez que to de bobeira fico vendo clipes na TV a cabo, e nesses programas de tradução, um dia vi a letra, vindo dela eu nem me espantei, mas comecei a fazer uma analise (adoro ficar analisando coisas sem nexo).

Simplesmente a musica fala de um ménage à trois, onde ela chama seu parceiro pra curtir uma noite a três, ou até mais (que safadinha), porém uma realidade nua e crua, por mais que você não aceite, isso é o fascínio, é a fantasia, para não generalizar, de quase todos os homens.

O maior problema é o medo que a mulher sente, o fato de se relacionar com outra pessoa do mesmo sexo (na grande parte da fantasia, homens imaginam suas mulheres com outra mulheres, são raros os que fantasiam vê-las com outros homens), e também o ciúmes.

Outro caso engraçado que aborda o tema, foi o filme “Os Normais 2”, onde para salvar o relacionamento Vani propõe a Rui que façam um ménage à trois (que por sinal não da certo). O filme é divertido pra analisar várias situações, como por exemplo, a mudança na relação que este passo possa dar. Nada forçado da certo, nem sacrificar-se por sua relação ou parceiro, como diz meu ginecologista “é muito bonito e romântico satisfazer o parceiro mesmo que não a satisfaça, mas é um erro só seu”. Se você se sente a vontade para dar este novo passo, siga em frente sem medo, se há duvidas, converse antes com alguém, há pessoas que você nem imagina que já fez ou sente o mesmo desejo. Como diz a musica “ O que fazemos é inocente, só por diversão, sem outras intenções (…) todo mundo ama a três”.

Seja qual for sua escolha, sua opção e decisão, faça somente o que lhe da prazer, isso sim vem acima de tudo!

Freak Butterfly

Auto-Flagelo: Uma luta de cada vez

Dói tanto… E a vontade de me machucar volta. Parada no escuro do quarto, ouvindo Matanza em alto e bom som, as lágrimas percorrem sem cessar.

Me sinto tão só, parece paranóia, neurose minha, mas não é, a solidão é nítida.

Só quem sente esta sensação sabe o grito de desespero que pulsa no corpo. O coração não bate, ele martela a alma… O peito dói!

Eu começo a questionar se sangrar não me aliviaria, aí me lembro de todos vocês, que sempre lêem meus relatos e digo a mim mesma “não posso fraquejar, não posso decepciona-los”, e é quando me recordo que não sou feita só de palavras, que sou humana e erro como qualquer outro.

As lagrimas passam, ops, voltam. Parece besteira mas tudo começou com hoje (sábado) com uma revolta, amanha é aniversário do meu irmão e meu pai dará a ele qualquer coisa (se é que dará) sem muito gosto, enquanto pra enteada presenteou com um notbook novinho (e nem eu ganhei um assim, o meu foi de segunda mão e meu irmão, quando precisou pra faculdade, teve que comprar), mas o que me revolta nisso tudo de fato é:ela nem gosta dele, todo mundo me fala que ela “atura” ele, não tenho motivos pra ficar triste, afinal tenho um pai trouxa!

Isso… A TPM… É meus caros eu remôo o passado sempre e sempre, só quem sabe meu histórico de vida pra entender o que eu sinto e porque eu sinto!

Agora talvez a coisa mais banal, ligar para alguém (já que mais ninguém me liga, ao menos não que morem aqui) e o telefone só tocar… No pós-namoro percebi que não me restaram amigos, nem os de balada, eu acabei me afastando de todos, e o pior, não por amor, mas por depressão, e hoje pago, pois estou sozinha, aflita, escrevendo ou falando com as paredes.

Escrever as vezes me faz desviar o foco “corte”, gostaria de não cair novamente nos braços da lamina fria, mas pelo visto talvez seja inevitável, o problema é que não agüento mais as marcas, essas malditas marcas que eu sinto, são elas que me afastam as pessoas, pois ao invés de tentarem compreender, elas simplesmente fogem, afinal, não é problema delas! Eu sei disso, pois até quem disse que me amou um dia com tanto fervor, acabou se distanciando de mim por medo, o medo da loucura…

Não creio que eu seja louca, aliais, estou sempre consciente desses erros, só que é mais forte que eu, a dor que sinto é tão intensa, que muitas vezes não resisto, mas vou com cautela.

Pensar pode levar a morte… Porque se você analisar, quando paramos para refletir sobre a vida, uma analise profunda… Nossa, ao menos a minha parece mais assustador que um filme de Hitchcock. E ao fazer isso hoje percebi que tenho vivido só pra esperar o dia de morrer.

Hoje (sábado), mais uma vez acho que não irei sair, não vou viver, devo dormir, o que é triste, pois não vivemos (de fato) quando estamos “vegetando”.

Minha maior vontade no momento é socar o mundo, me meter em um briga do melhor estilo hooligans, quem sabe assim essa dor e angustia passariam… Mas como sempre, seria temporário, quando eu acordasse pra vida, os problemas ainda estariam lá.

Então não adianta tentar “ferrar” a própria vida, nada vai mudar, tudo ainda vai estar lá, no final só nos resta encarar os problemas, mas isso é outra página.

Frase: A única forma de me livrar de meus medos é fazer filmes sobre eles. [ Alfred Hitchcock ]

Assim como Hitchcock encontrou uma forma se lidar com seus medos, nós encontraremos uma de lidar com os nossos.

Musica: Tempo Ruim (Matanza)

Freak Butterfly