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Medo e delírio em São Paulo

Foram apenas nove dias naquela cidade caótica, com trânsito infernal, trens e metros lotados, clima instável e uma diversidade tão grande de pessoas e estilos, que no fim, você só aprende a amar. E foi assim que eu me re-apaixonei e senti vontade de viver novamente, eu percebi, aliais eu senti que, apesar de soar piegas ou como um clichê barato, eu nasci para viver ali.

Em todas as minhas experiências, de um mês certa vez, foi enlouquecedora, eu pensava “será que dou conta?”, mas sabe quando você chega em casa e sente que aquele não é seu lugar? Foi assim, quando desci do avião no aeroporto de Porto Velho, a tristeza me tomou a alma novamente.

Não venho aqui para criticar minha própria cidade, sim, sou uma BERADEIRA, nascida na beira do Rio Madeira, onde o por do sol ainda é o mais lindo, onde as estações do ano só se dividem em duas, onde as pessoas o acolhem como filhos da terra, cujo ditado é “quem bebe desta água sempre volta”, mas não é pra mim.

Quando voltei a ‘Sampa’, depois de um ano sem estar lá, sem ver alguns poucos amigos, o frio me congelou a espinha, e não era o frio qualquer, nem a garoa que caía, depois de anos, eu viria a conhecer dois amigos com quem conversei, chorei, magoei, e tudo que a distância nos proporcionava.

É tão emocionante o perigo que chega a ser excitante! E em nove dias, aprendi coisas, conheci pessoas, vi lugares, fui acolhida. Minha intenção não era escrever nada disto que estou ‘tagarelando’ até o momento, eu apenas queria contar minha louca aventura de nove dias em uma cidade que não se apaga. Uma viajem que me estimulou a ser alguém diferente, a lutar pelo que quero, a ser, simplesmente eu, sem medo de ser julgada e condenada, e apesar de sempre ouvir que SP é um lugar de pessoas frias, fui muito bem acolhida. Ri, chorei, acho até que chorei mais do que ri. Mas, como só eu sei fazer, ou seja, mudar a conversa bruscamente vejamos coisas que aprendi no meu, digamos, “retiro espiritual”, ou de uma folga de mim Rondoniense:

  • Você pode se abrir, chorar, falar de seu passado com os amigos, por mais que a terapeuta lhe pareça uma boa idéia, ela é paga pra te ouvir, e receber um abraço quente depois de mil lágrimas, quando só o que se desejava era sorrir, não tem preço;
  • Ser abraçada por uma doce senhora que mal lhe conhece e te acolhe como uma espécie de filha, foi um dos carinhos mais sinceros que tive durante este ano;
  • Ouvir elogios de você para outra pessoa que não você, não estimula o ego, e sim acalenta a alma e te faz pensar “caramba, de certo sou boa em algo mesmo”;
  • Que eu posso ser amável, e não no sentido de delicada e sim no sentido de que alguém possa me amar, mesmo quando o magôo ou falo asneiras, ou mostro vídeos sem graça (pra ele) da internet;
  • Que a Augusta sempre será um mito, mesmo infestada de ‘moderninhos’ paga pau, ela tem seus encantos;
  • Que slogan de puteiro é genial: “cervejinha e putaria! Cervejinha e putaria à vontade, vamos entrar” e claro o melhor “mesa pra casais, mesa pra casais! Hoje uma galinha irá comer três minhocas com uma bicada só!” – eu deveria ter visto isso, deveria, também não sei porque mas senti imensa vontade de abrir um puteiro no bairro Liberdade… E criar slogans para o mesmo (risos);
  • Aprendi dentro de um puteiro qual o melhor tipo de sapato para você andar, pode ser salto 7 ou 15, desde que a meia pata da frente seja reta, ele será super confortável, disse Carol, uma moça que estava a trabalho;
  • Também aprendi com a Carol que aquelas bolsinhas pequenas de pulso e cigarros de caixinha não dão certos, o melhor é maço, só assim eles irão ficar bem guardados na bolsinha, ela também nós ensinou (sim claro, porque não sou maluca de entrar num puteiro desacompanhada) que mulher, seja puta ou não, gosta de ser bem tratada, odeia ouvir “nossa, olha aquela gostosa”, acha cantada de pedreiro nojenta, e que o melhor jeito de conquistar é ser cortejada;
  • Finalmente aprendi que Velhas Virgens é uma banda do caralio, e que a música ‘Madrugada e meia de amor’ é minha cara (risadas);
  • Que Serra Malte é uma cerveja muito ruim;
  • Que hostel é uma opção barata e divertida, onde você aprende a conviver com diversas culturas, apesar das amizades rápidas, você aprende coisas pra vida toda;
  • No hostel também percebi que devo urgentemente voltar a estudar línguas estrangeiras, apesar de ver que muitos estrangeiros não fazem a mínima questão de aprender a nossa;
  • Também aprendi a nunca deixar meu shampoo caro no banheiro do hostel, não se pode ser tão confiante em um lugar cheio de desconhecidos, mesmo que os que trabalhem lá sejam super legais;
  • Aprendi o quanto é importante uma vez na vida ir ver seu time jogar em um estádio, o grito e calor da torcida te contagia, é algo que te faz amar com mais afinco ou odiar de vez futebol;
  • Aprendi que não se negocia com as chinesas (ou japonesas ou coreanas, seja o que for que trabalhem no shopping 25 de Março), elas são dura na queda, odeiam quem pechincha com os homens você já consegue, mas com elas… Ainda quando você vira e não leva nada, falam mal de você, mesmo que agente não entenda, agente sente!
  • Que mesmo você avisando TODOS seus amigos e conhecidos eles sempre aparecem no ultimo dia dizendo: mas porque não me avisou que tava aqui?
  • Enfim, aprendi a esquecer tudo o que me arrancou lágrimas antes de viajar e ainda nos primeiros dias e a derramar lágrimas de saudades, de pessoas novas, de coisas novas, de uma pequena parte nova de mim.

Enfim, você conhece pessoas, concretiza amizades, planejar, re-vê amigos (bem, só revi a Dani e o Rafa) e de alguma forma, conhece pessoas que se tornam anjos na sua vida, que se preocupam e que cuidam de você, que sorri ou elogiam sem desejar nada em troca. E mesmo que seja apenas nove dias (você deve pensar “essa mina ta viajando, nove dias não é nada comparados a vida toda”), são suficientes pra dizer: é lá que quero ‘sonhar’.