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Tag Archives: dor

Quando a música nos toca

Há algumas semanas estava com uma idéia na cabeça, mas enrolava pra escrever, então vi em um programa de TV sobre música onde a atriz/cantora Demi Lovato, que saiu a pouco de uma clinica de reabilitação, que começou a se mutilar aos 11 anos, pois a dor era uma forma de se expressar. Se você buscar sobre o assunto no Google verá um grande numero de buscar pelo assunto.

E então você se pergunta: Mas o que isso tem haver com este site ou com música? – Saiba que muito!

Apesar de ser um ‘grito de dor silencioso’, quem pratica ‘cutting’ para alivio das pressões psicológicas quer ser ouvido, ou apenas contar ao mundo – mesmo que de maneira anônima – sobre sua perda, dor ou luta. E o que leva uma pessoa a fazer mal a si mesma? Bem inúmeros fatores, desde sua posição social a estar acima do peso e com isso, a mídia – seja ela qual for – tem forte influência para que essas pessoas – de diversas idades – continuem na dor ou não. Temas como o bullyng também estão no repertório.

Eu já admiti ser adepta deste ‘placebo’, não tenho vergonha de dizer novamente, mas é ai que entra a música. Quando você ama, você escuta música. Quando esta triste, quando se sente só, ou quando está super feliz, bem, quando se odeia ou sente sozinha, seja qual for o motivo, agente sempre escuta algo que nos liga a estes sentimentos. Muitos artistas, sabendo disso, usam a música para expressar ou mesmo para ganhar alguns novos seguidores. A cantora Pink sempre que possível trás em suas músicas a bandeira do “ser diferente não é ruim”, em diversas músicas por toda sua carreira e que ficou explicito em seu ultimo lançamento “Fuckin’ Perfect”, que fala do tema citado acima e em “Raise your glass” que fala sobre nossas diferenças e por nos aceitarmos assim.

Há algum tempo, algumas bandas brasileiras eram definidas por um novo som chamado de ‘rock terapia’ – não, nada tem haver com os emos, foi antes de estes existirem – algumas são, CPM22, Detonautas Roque Clube e para mim havia Choldra – uma banda do ABC (SP) que tocou em um festival na minha cidade e sem dúvida marcou uma fase da minha vida com suas letras.

O rapper Eminem trouxe ao seu ultimo CD ‘Recovery’, expressou suas dores, sobre sua queda no mundo das drogas, as pessoas falsas que o rodeavam e sobre sua nova vida, os hits “not afraid” e “no Love” deixa bem claro tudo que ele sente.

Hoje até está comum artistas pop abordarem esse tipo de tema em suas musicas. Lady Gaga deixou isso explicito em seu ultimo single “Born This Way”, a diva pop, sempre julgada por suas escolhas excêntricas diz na musica que “não há nada de errado em ser você, pois Deus não erra”, etc e tal. Katy Perry também trata das nossas ‘diferenças’ em “Firework”. Claro que cantar que ser diferente é normal e que você deve se aceitar assim, blá-blá-blá. Só quando se vive é que se sabe, mas seja como for, nada melhor que ouvir músicas para nos sentirmos melhores e expressarmos assim o que sentimos.

Aqui vai o Top 10 (que fazem parte da minha set list ‘para esquecer a dor’) de músicas que nos fazem lidar com a dor:

  1. Choldra – Fé
  2. Pink – Fuckin’ Perfect
  3. Katy Perry – Firework
  4. Eminem – Not afraid
  5. Lady Gaga – Born This Way
  6. Eminem – No Love
  7. Choldra – Enquanto os pés se movem
  8. Matanza – Tempo Ruim
  9. Johnny Cash – Hurt
  10. Slipknot – Vermillion

 

Automutilação – entre a fé e as lágrimas

Há meses eu luto contra meu eu, contra uma série de desejos, contra ideias que insistem em atormentar até meus sonhos, transformando-os em pesadelos.

Durante meses, eu fiz terapia com um intuito, mudar sem que a tal mudança me destruísse, hoje tudo parece vão. Todas àquelas horas no consultório, às vezes sorrindo, outras aos prantos. Havia dias que em que a confiança era tamanha, que nada no mundo poderia me derrubar, porém talvez, naquele mesmo dia, eu sentia todo o peso do mundo me derrubar.

Ao contrário de muitos que já encontrei pelas redes sociais, não sou Borderline, ao menos meus psiquiatras nunca chegaram a essa conclusão, para ser sincera, nunca chegaram de fato a alguma conclusão. Eu já fui diagnosticada como: paranoica, histérica e por ultimo Bipolar. Já tentei vários tratamentos, inclusive espiritual, por um tempo alguns ajudaram tanto medicamentos quanto o espiritual. Já disseram que era o “demônio que queria que eu me contasse”, que eu “só queria chamar a atenção”, mas hoje aqui, com tantos, mais tantos depoimentos sobre como se sentem em relação a isso, sei que sou só mais uma no meio de milhões.

Sim, infelizmente só tenho visto esses números crescerem. Esse blog já foi popular pelos textos que abordam sexualidade, hoje ele é o numero um quando se busca “automutilação” no Google. O que mais me deixa triste é o fato de que, ainda não encontrei programas de ajuda pra que sem automutila. Vi que no dia Primeiro de Março, foi o dia do combate mundial a autoflagelo. Inclusive, um dos meus depoimentos foi usado como base pra um site. Quando vi, não sabia se me sentia lisonjeada ou mais deprimida. No Brasil, infelizmente não encontrei um centro de apoio a isso, os EUA já promovem campanhas, em Portugal a um centro especializado. Falando sobre isso, sobre esta falta, ontem meu namorado me disse: Porque não escreve sobre isso, um livro, conte seus relatos. Meu único pensamento era como eu seria vista se fizesse isso. Histórias, batalhas, e muito mais coisas eu teria pra partilhar, inclusive a batalha, que hoje me parece eterna de não me mutilar, tentando usar aquelas frases que o AA usa: Um dia de cada vez. Eu controlo bem a expressão das pessoas quando veem as cicatrizes, o olhar de curiosidade e pena, são ciclos, às vezes me importo menos, em outras me importa muito, pois odeio o sentimento PENA.

Eu decidi me mudar, queria sair da cidade, sair daquele mundo, nunca me senti dali, achava que seria impossível me encontrar onde vivia. Eu odiava a cidade, passei a odiar mais da metade das pessoas que habitam nela, eu não queria mais sair, minha única alegria era cinema no domingo, e os encontros com a terapeuta. Então, depois de várias discussões com a terapeuta, tomando um novo medicamento, me senti confiante em mudar e disse a mim mesma: hoje começa minha verdadeira vida.

Confesso que só de me lembrar, de me ver dizendo isso enfrente ao espelho, eu começo a chorar. Depois de anos passei e ser sistemática, organização pra mim é importante, as coisas tinham que sair como eu planejava. Eu estudei muito, me empenhei muito, até mesmo agora acho que estudar e ler tanto me deixou mais chata, mais critica e menos tolerante, e isso é horrível, pois por mais que planejemos, por mais que tudo indique que será daquele jeito, não é. A vida não tem um curso certo, planos é apenas um roteiro para se guiar, não para seguir a risca.

Algumas horas de voo, muito cansaço, uma semana entediante, os nervos a flor da pele, as primeiras cobranças “você tá indo atrás de emprego”, “como estão às coisas ai?”, todas as perguntas me pressionaram o cérebro. Passei a descontar em quem só quis me ajudar, tentei explicar que certas coisas não controlo, sim, é verdade, não controlo quase nada, eu falo sem pensar, eu me preocupo de maneira exagerada e algumas vezes vago, perdida em meus pensamentos ora coloridos, ora obscuros.

Quando decidi me mudar, decidir ter um pouco mais de fé, eu tenho minhas crenças, mas não sou alienada em religião, se eu fosse indicar alguma a vocês, seria o espiritismo, pois nunca fui julgada ali, e tive muita luz. Continuando, fiz novenas, rezei, implorei e vim com a fé “inabalável” de que tudo correria bem. Que eu teria meu lugar, que acharia um lugar que valorizasse meus conhecimentos – apesar de muitos acharem que sou louca, modéstia a parte, sou inteligente e esforçada, se fosse louca, seria um gênio louco.

Nada foi como o planejado, até o voo que deveria ser calmo, foi desagradável do inicio ao fim. Eu tentei me manter firme, eu tento me manter firme, mas logo nas primeiras semanas (me mudei no dia 17 de fevereiro) eu achei que havia cometido um erro, mesmo lembrando que minha terapeuta havia dito que eu estava madura, que deveria ter confiança, a falta de consideração, aliais de valorização me fez descer o primeiro degrau. A saudade dos sobrinhos, o medo de falhar começou a me perseguir.

Todas as noites sonhando com a família que ficou, com minhas paixões que são meus sobrinhos, minha frustração de ter duas faculdades e nenhuma chance justa de emprego, em uma noite, não resisti e chorei. Foi como se estivessem me amputando os braços e pernas, a dor era insuportável, eu queria um cortezinho, mísero que fosse pra aliviar aquele peso, aquela pressão no peito. Na minha cabeça um filme de terror, diversas saídas e uma única solução eu só me via dando um tiro na cabeça – a cerca de 6 anos tive essa obsessão, de que morreria assim.

Chorei, solucei, não sei como o Téo me via (Téo é meu namorado, o coitado em quem desconto toda a raiva e descontrole), eu queria gritar, mas abafava o mesmo, meus punhos estavam serrados, meus dedos dos pés encolhidos, minha nuca latejava, chorei por um tempo, pareceu longo, na verdade nem sei ao certo, ele só me olhou, me abraçou, pediu pra ter forças, eu queria gritar, queria conversar, mas como sempre, as palavras travam, eu me sufoco, nada saía. Então ele perguntou: você quer voltar pra casa? Aquilo me partia mais ainda, eu não consigo voltar, e não sei se consigo seguir. Vez e outra, acordo achando que ”hoje será um ótimo dia”, mas nada acontece e a noite vem traiçoeira.

Não consegui ainda achar uma cena, ou algo que eu possa comparar este sentimento, o desespero, parece que tudo que digo, ou a que comparo doí menos do que essa maldita dor psicológica. É torturante.

Ainda me seguro na fé, fé de que Deus uma hora vai olhar e finalmente me enxergar e dizer: chegou sua vez. Eu não suportaria, não suporto pensar em falhar (já que não é a primeira vez que saio de casa com tais objetivos), uma noite eu jurei que viva não voltava, e essa maldita ideia ficção não some.

Os remédios acabaram, falta um mês pra conseguir uma consulta com um psiquiatra nessa terra da garoa, ouvi uma vez do médico: não te transformarei em uma garota feliz e sorridente, só lhe darei algo pra aliviar e aprender a lidar com isso tudo… Mas pensando bem, às vezes desejo esse remédio que diz que vai deixar tudo “maravilhoso”, mesmo que uma falsa felicidade, conviver com essa dor, viver em guerra, tentar não cair totalmente, só quem luta sabe.

Pra quem chegou até aqui nesse texto meio sem nexo, se você é border, bipolar, neurótico, psicótico, seja o que for, não desista, mesmo que a duras penas, eu queria ter escrito um texto feliz, sobre como estou conseguindo me manter firme no meu projeto “sem cortes”, até “Cicatricure” comprei na esperança de elas sumirem um pouquinho que seja. Eu às vezes entro no banheiro, vejo algo cintilante, aquela vontade, aquele desejo me dividi, então entro debaixo do chuveiro e choro mais ainda. É um dia de cada vez. Uma cruz que se leva, eu até perco a cabeça, mas não vou perder aquilo que ainda me mantem “limpa” a vários meses.

Busque ajuda, não tenha medo, a pior violência é se permitir a temer, somos julgados diariamente, pressionados por toda vida. Gostaria que aqueles que apenas passeiam os olhos aqui porque conhece alguém que tem este problema lhes peço, tenha paciência. Sei que paremos egoístas, mas muitas vezes infelizmente é só uma característica da doença (quando digo doença, é porque de fato somos doentes, porém não incapazes).

Veja o vídeo da campanha: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=Q7HXhyOofNU

Busque ajuda médica, mesmo em caminho de pedras, podemos sobreviver a isso. E não se sinto sozinho, nem uma aberração, há mais pessoas que sofrem disto no mundo do que imaginamos:

Demi Lovatto: http://www.youtube.com/watch?v=mu6ZC-FqkDg

Tipos de Self Harm: http://www.youtube.com/watch?v=uWJTDG1SWC8

Pais estejam mais alertas: http://www.youtube.com/watch?v=gPxj86oOifg&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=yMVhX1FlfXI&feature=related

Um dia também quero cantar “VEJA COMO ESTOU HOJE BEM!!”

*Link comentado: http://luciaureakaha.wordpress.com/2012/02/28/1o-de-marco-dia-da-consciencia-sobre-a-automutilacao/

Há meses eu luto contra meu eu, contra uma série de desejos, contra ideias que insistem em atormentar até meus sonhos, transformando-os em pesadelos.

Durante meses, eu fiz terapia com um intuito, mudar sem que a tal mudança me destruísse, hoje tudo parece vão. Todas àquelas horas no consultório, às vezes sorrindo, outras aos prantos. Havia dias que em que a confiança era tamanha, que nada no mundo poderia me derrubar, porém talvez, naquele mesmo dia, eu sentia todo o peso do mundo me derrubar.

Ao contrário de muitos que já encontrei pelas redes sociais, não sou Borderline, ao menos meus psiquiatras nunca chegaram a essa conclusão, para ser sincera, nunca chegaram de fato a alguma conclusão. Eu já fui diagnosticada como: paranoica, histérica e por ultimo Bipolar. Já tentei vários tratamentos, inclusive espiritual, por um tempo alguns ajudaram tanto medicamentos quanto o espiritual. Já disseram que era o “demônio que queria que eu me contasse”, que eu “só queria chamar a atenção”, mas hoje aqui, com tantos, mais tantos depoimentos sobre como se sentem em relação a isso, sei que sou só mais uma no meio de milhões.

Sim, infelizmente só tenho visto esses números crescerem. Esse blog já foi popular pelos textos que abordam sexualidade, hoje ele é o numero um quando se busca “automutilação” no Google. O que mais me deixa triste é o fato de que, ainda não encontrei programas de ajuda pra que sem automutila. Vi que no dia Primeiro de Março, foi o dia do combate mundial a autoflagelo. Inclusive, um dos meus depoimentos foi usado como base pra um site. Quando vi, não sabia se me sentia lisonjeada ou mais deprimida. No Brasil, infelizmente não encontrei um centro de apoio a isso, os EUA já promovem campanhas, em Portugal a um centro especializado. Falando sobre isso, sobre esta falta, ontem meu namorado me disse: Porque não escreve sobre isso, um livro, conte seus relatos. Meu único pensamento era como eu seria vista se fizesse isso. Histórias, batalhas, e muito mais coisas eu teria pra partilhar, inclusive a batalha, que hoje me parece eterna de não me mutilar, tentando usar aquelas frases que o AA usa: Um dia de cada vez. Eu controlo bem a expressão das pessoas quando veem as cicatrizes, o olhar de curiosidade e pena, são ciclos, às vezes me importo menos, em outras me importa muito, pois odeio o sentimento PENA.

Eu decidi me mudar, queria sair da cidade, sair daquele mundo, nunca me senti dali, achava que seria impossível me encontrar onde vivia. Eu odiava a cidade, passei a odiar mais da metade das pessoas que habitam nela, eu não queria mais sair, minha única alegria era cinema no domingo, e os encontros com a terapeuta. Então, depois de várias discussões com a terapeuta, tomando um novo medicamento, me senti confiante em mudar e disse a mim mesma: hoje começa minha verdadeira vida.

Confesso que só de me lembrar, de me ver dizendo isso enfrente ao espelho, eu começo a chorar. Depois de anos passei e ser sistemática, organização pra mim é importante, as coisas tinham que sair como eu planejava. Eu estudei muito, me empenhei muito, até mesmo agora acho que estudar e ler tanto me deixou mais chata, mais critica e menos tolerante, e isso é horrível, pois por mais que planejemos, por mais que tudo indique que será daquele jeito, não é. A vida não tem um curso certo, planos é apenas um roteiro para se guiar, não para seguir a risca.

Algumas horas de voo, muito cansaço, uma semana entediante, os nervos a flor da pele, as primeiras cobranças “você tá indo atrás de emprego”, “como estão às coisas ai?”, todas as perguntas me pressionaram o cérebro. Passei a descontar em quem só quis me ajudar, tentei explicar que certas coisas não controlo, sim, é verdade, não controlo quase nada, eu falo sem pensar, eu me preocupo de maneira exagerada e algumas vezes vago, perdida em meus pensamentos ora coloridos, ora obscuros.

Quando decidi me mudar, decidir ter um pouco mais de fé, eu tenho minhas crenças, mas não sou alienada em religião, se eu fosse indicar alguma a vocês, seria o espiritismo, pois nunca fui julgada ali, e tive muita luz. Continuando, fiz novenas, rezei, implorei e vim com a fé “inabalável” de que tudo correria bem. Que eu teria meu lugar, que acharia um lugar que valorizasse meus conhecimentos – apesar de muitos acharem que sou louca, modéstia a parte, sou inteligente e esforçada, se fosse louca, seria um gênio louco.

Nada foi como o planejado, até o voo que deveria ser calmo, foi desagradável do inicio ao fim. Eu tentei me manter firme, eu tento me manter firme, mas logo nas primeiras semanas (me mudei no dia 17 de fevereiro) eu achei que havia cometido um erro, mesmo lembrando que minha terapeuta havia dito que eu estava madura, que deveria ter confiança, a falta de consideração, aliais de valorização me fez descer o primeiro degrau. A saudade dos sobrinhos, o medo de falhar começou a me perseguir.

Todas as noites sonhando com a família que ficou, com minhas paixões que são meus sobrinhos, minha frustração de ter duas faculdades e nenhuma chance justa de emprego, em uma noite, não resisti e chorei. Foi como se estivessem me amputando os braços e pernas, a dor era insuportável, eu queria um cortezinho, mísero que fosse pra aliviar aquele peso, aquela pressão no peito. Na minha cabeça um filme de terror, diversas saídas e uma única solução eu só me via dando um tiro na cabeça – a cerca de 6 anos tive essa obsessão, de que morreria assim.

Chorei, solucei, não sei como o Téo me via (Téo é meu namorado, o coitado em quem desconto toda a raiva e descontrole), eu queria gritar, mas abafava o mesmo, meus punhos estavam serrados, meus dedos dos pés encolhidos, minha nuca latejava, chorei por um tempo, pareceu longo, na verdade nem sei ao certo, ele só me olhou, me abraçou, pediu pra ter forças, eu queria gritar, queria conversar, mas como sempre, as palavras travam, eu me sufoco, nada saía. Então ele perguntou: você quer voltar pra casa? Aquilo me partia mais ainda, eu não consigo voltar, e não sei se consigo seguir. Vez e outra, acordo achando que ”hoje será um ótimo dia”, mas nada acontece e a noite vem traiçoeira.

Não consegui ainda achar uma cena, ou algo que eu possa comparar este sentimento, o desespero, parece que tudo que digo, ou a que comparo doí menos do que essa maldita dor psicológica. É torturante.

Ainda me seguro na fé, fé de que Deus uma hora vai olhar e finalmente me enxergar e dizer: chegou sua vez. Eu não suportaria, não suporto pensar em falhar (já que não é a primeira vez que saio de casa com tais objetivos), uma noite eu jurei que viva não voltava, e essa maldita ideia ficção não some.

Os remédios acabaram, falta um mês pra conseguir uma consulta com um psiquiatra nessa terra da garoa, ouvi uma vez do médico: não te transformarei em uma garota feliz e sorridente, só lhe darei algo pra aliviar e aprender a lidar com isso tudo… Mas pensando bem, às vezes desejo esse remédio que diz que vai deixar tudo “maravilhoso”, mesmo que uma falsa felicidade, conviver com essa dor, viver em guerra, tentar não cair totalmente, só quem luta sabe.

Pra quem chegou até aqui nesse texto meio sem nexo, se você é border, bipolar, neurótico, psicótico, seja o que for, não desista, mesmo que a duras penas, eu queria ter escrito um texto feliz, sobre como estou conseguindo me manter firme no meu projeto “sem cortes”, até “Cicatricure” comprei na esperança de elas sumirem um pouquinho que seja. Eu às vezes entro no banheiro, vejo algo cintilante, aquela vontade, aquele desejo me dividi, então entro debaixo do chuveiro e choro mais ainda. É um dia de cada vez. Uma cruz que se leva, eu até perco a cabeça, mas não vou perder aquilo que ainda me mantem “limpa” a vários meses.

Busque ajuda, não tenha medo, a pior violência é se permitir a temer, somos julgados diariamente, pressionados por toda vida. Gostaria que aqueles que apenas passeiam os olhos aqui porque conhece alguém que tem este problema lhes peço, tenha paciência. Sei que paremos egoístas, mas muitas vezes infelizmente é só uma característica da doença (quando digo doença, é porque de fato somos doentes, porém não incapazes).

Veja o vídeo da campanha: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=Q7HXhyOofNU

Busque ajuda médica, mesmo em caminho de pedras, podemos sobreviver a isso. E não se sinto sozinho, nem uma aberração, há mais pessoas que sofrem disto no mundo do que imaginamos:

Demi Lovatto: http://www.youtube.com/watch?v=mu6ZC-FqkDg

Tipos de Self Harm: http://www.youtube.com/watch?v=uWJTDG1SWC8

Pais estejam mais alertas: http://www.youtube.com/watch?v=gPxj86oOifg&feature=related

Um dia também quero cantar “VEJA COMO ESTOU HOJE BEM!!”

*Link comentado: http://luciaureakaha.wordpress.com/2012/02/28/1o-de-marco-dia-da-consciencia-sobre-a-automutilacao/

Automutilação: a desconfiança

Primeiramente, gostaria de iniciar este assunto agradecendo a todos que vem aqui, que dão apoio, que buscam ajuda para pessoas queridas, que desabafam, assim como eu fiz. Nunca pensei que um desabafo em meio à dor fosse gerar tantos comentários, que eu fosse descobrir que não estou sozinha, já que a solidão causa ainda mais pânico, mais medo em mim.

               Eu já estou sem me ‘punir’ a cerca de três meses, o que parece muito e ao mesmo tempo pouco, se levar e conta que há muita vida pela frente – bem eu acho que há, mas confesso que por muitas e muitas vezes penso em terminar com tudo de uma vez por todas, ou que não vou suportar certas decepções que nem ao menos aconteceu, ainda sou um tanto pragmática e pessimista e sofro às vezes por um possível futuro, o que é errado e tento me policiar, mas ainda é difícil.

               Meu maior problema no momento é a desconfiança! Tenho tido conflitos internos e externos por isso, e um deles é amizades, o medo de me sentir só, às vezes me faz aceitar o errado, porém, posso dizer que a terapia tem me ajudado a ver que o “antes só que mal acompanhado é muito mais válido”. – parem de achar que fala de alguém específico, se penso que é sobre você, é porque a carapuça serviu – Eu tenho ficado só, há um mês não saio de casa para ter uma vida social agitada, e quer saber, não sinto falta, pela primeira vez não entro em pânico por ficar só, até gosto, porém, tenho visto o medo no meu pai.

               Sempre que começo a ficar mais tempo no meu quarto ouvindo músicas, filmes ou lendo, o que para mim é reconfortante, incomoda meu pai – com quem eu vivo, visto que meus pais são divorciados – para ele é sinal de que estou em depressão e me “cortando novamente”, como ele mesmo diz, vejo nítido em seus olhos o temor de passar por tudo outra vez. Sei que fiz meu pai, mãe e irmão sofrerem comigo. As demais pessoas que moram nessa casa, falam por ai, que eu só quero é chamar atenção, mas já superei esses comentários, que por alguém tempo me afetaram, e sei que o que faço, faço muitas vezes involuntariamente.

               Outra coisa que já consegui superar é a palavra “louca”, pois pessoas que considerei muito nessa vida, que amei e até meu próprio pai, disse que eu era louca, ou pessoas que se diziam amigas comentavam, “a louca lá deu pití outra vez”. Agora que vejo tudo mais nítido e menos vermelho, noto o quão desorientado e sem informação são.

               A desconfiança é algo que dói, e quando escuto a pergunta como “o que aconteceu?”, ou “você está bem?”, vejo isso como uma pergunta retórica, no final das contas ninguém quer saber a verdade, muitas vezes eu engulo o choro e digo “não é nada, está tudo bem”, mesmo que por dentro algo esteja me dilacerando.

               Dizer que estou livre desta maldição, ainda não posso, acho que como qualquer pessoa em tratamento, está propensa a recaídas. E como qualquer outra pessoa que se livra de uma dependência, busca outras formas de fuga, como já li e também já busquei, por exemplo no álcool, em sexo, em qualquer coisa que o faça sofrer de alguma forma ou apagar aquilo que era tão dolorido.

               Quando estou nervosa, ainda arranco pedacinhos dos lábios, sabe aqueles descascadinhos? Então, tiro-os até sangrarem, ou quando não tem mexo até que haja uma misera pontinha pra puxar, a princípio não percebia o motivo, hoje é mais claro, tirar cutícula também se tornou uma mania, e vivo com os dedos machucados, em crises mais severas, hoje, pra me controlar, eu quero coisas – o que também não é saudável, visto que meu guarda-roupa esta ‘mutilado’ e despencando, mas, antes um objeto do que eu.

               Então, comprei um saco de boxe, é bem, ajuda a extravasar, você chora e soca, soca e soca até seus braços não suportarem. Eu havia buscado o Muay-Tai para me ajudar a descarregar a violência interna, mas por uma lesão no ligamento do tornozelo – não, eu não o provoquei, no virei o pé em um degrau terrivelmente alto.

               Mas no final o que tem me ajudado mesmo de verdade, é a terapia cognitiva, com uma terapeuta. Sozinho penso que o caminho das pedras fica ainda mais tortuoso, porém, não envolvo mais familiares ou amigos nisso, às vezes desabafo com um, mas estou tentando buscar em mim e por mim. Pois além da desconfiança, meu conflito agora é outro, procurar o sabotador dentro de mim, já que observei que estou me sabotando em vários aspectos e projetos importantes para dar segmento a minha vida e poder dizer enfim que cresci.

               Para aqueles que querem um canto para conversar como outras pessoas com o mesmo problema ou similar ao seu, me foi recomendado uma página do facebook: http://www.facebook.com/groups/274357359264475/?notif_t=group_activity

               E lembre-se: se cair, levanta-te!

*imagem por Beethoven Delano

Auto-Flagelo: Pequenos Deslizes

Nada é tão fácil quanto parecer ser, nem eu vir aqui e falar pra cada um de vocês buscar ajuda, pois nem sempre a ajuda virá, ou ao menos não virá de onde esperamos, como a família.

Ser chamada de louca ou ser olhada com desconfiança não era o que eu buscava quando meus pais descobriram deste meu “pequeno” problema, bem, minha mãe ainda é compreensível, mas meu pai gritou aos quatro ventos que eu era louca.

Não é fácil, mas se não temos ajuda, o negócio e nos auto-ajudar, afinal, porque só podemos nos auto-flagelar? Porque não nos auto-ajudar?

Eu achava que estava tudo bem, que eu estava “livre” deste problema, pensava que podia controlar, até que um dia, senti aquele desespero bater, as lagrimas correr e o desejo surgir, me sentia um vulcão prestes a entrar em erupção, eu parei, tentei pensar, queria me controlar, mas como qualquer outro viciado disse a mim mesma: “só um pouquinho não vai fazer mal”, minha maratona começou, procurar algo que fio pra me aliviar.

Revirei o quarto e nada, então fui até a cozinha… Bem, digamos que foi meu dia de sorte, a faca que eu considerava mais afiada estava sem fio, bem, sem muito fio, foram apenas dois risquinhos, então eu me vi naquela cena decadente e desisti, fui pro quarto, chorei mais um pouco e dormi.

Nem sempre vai ser fácil, nem sempre teremos sorte, nem sempre agente vai conseguir manter o controle, mas não custa nada tentar, como sempre digo, que seja sempre por nós! Devemos nos colocar em primeiro lugar, tirar essa idéia de loucos da cabeça, não somos loucos, temos sim problemas, mas nada que não tenha cura ou alívio.

Talvez seja a hora de buscar ajuda espiritual, eu não to falando pra vocês irem à fogueira santa, nem aquela papagaiada que vêem na tv por favor, busque ajuda em Deus, e não em uma instituição que utiliza o nome dele em vão. Eu recomendo tratamento espiritual no centro espírita kardecistas, mas isso vai de cada um.

Tenha força!

 

Auto-Flagelo: superação

Não é fácil estar só na calada da noite e sentir um desejo descontrolado de ver o sangue correr, aquela tristeza, aquela solidão, aquele desespero. Muitos vem aqui pedir ajuda pra amigos, namoradas(os), você tem sorte de ter alguém que se preocupam com vocês.

Geralmente eu levo bronca, e olhares de desconfiança sempre me perseguem, usar um estilete pra cortar uma cordinha foi o motivo do meu pai me olhar torto mais de uma semana, só porque ele o encontrou na janela do banheiro.

Há algum tempo não me corto, tenho resistido as tentações, e apesar de ser difícil, é melhor assim, eu cansei das marcas, vocês não?

As pessoas me perguntam sempre: o que fazer?

Eu, bem, eu não sei, não sou psicóloga, sou apenas mais um de vocês, mas que buscou ajuda, e penso que devam fazer o mesmo, se manter fortes e se não houver motivos pra continuar, seja você seu próprio motivo, procure algo pra fazer, se distraia, corra das tentações!

E se você acha que é o único no mundo e que tem motivos de sobra, hoje li sobre a cantora pop Demi Lovato, que foi internada em uma clinica de reabilitação para tratar de distúrbios alimentares e automultilação. E ela parece ter motivos para isso? Eu pensava que não.

Há ainda outros tipos de auto-flagelo, não somente aqueles que vimos até agora, mas também, o próprio distúrbio alimentar, o masoquismo, auto-piedade, entre outras formas que podem até mesmo não ser provocadas por dor física, são consideradas auto-flagelo.

Bem, só me resta dizer: sejamos fortes!

 

Auto-Flagelo: Se cair, levante-se

Já diziam os antigos, “mente vazia, oficina do diabo”, e estavam certos. Depois de meses sem ao menos penar em me ferir, ontem, eis que o ‘diabo’ me tentou.

É difícil… Desviar o pensamento da dor é, pra quem luta diariamente para não ter recaídas, uma verdadeira tortura. Mas nem todos iriam entender, somente quem está lutando pra abandonar um ‘vício’ pode saber do que estou falando.

Eu luto! Dia a pós dia, entre a depressão e euforia, eu sigo, mesmo que nem sempre esteja de cabeça erguida, eu sigo.

Vejo aqui tantos outros como eu e penso: porque este assunto não é abordado pelas mídias de maneira mais aberta, assim como os viciados em drogas, os compulsivos, nós também precisamos de atenção, precisamos que nossas famílias saibam que isso não é uma ‘manha’ uma tolice, precisam saber como lidar com isso, afinal somos viciados compulsivos em dor!

Tantos outros que vêm aqui me pedir ajuda, comecei a pensar: quem sou eu pra ajudar, dar minha opinião se ainda estou na ‘reabilitação’? Mas sabe, só de poder falar, de me abrir com alguém… Se essas pessoas sentem o que eu sinto quando desabafam, então, de certa forma, sou útil!

A queda nem sempre tem um motivo drástico, uma simples discussão pode alavanca um erupção emocional, eu mesma, ontem, uma discussão com meu pai, pelos mesmos motivos de sempre (família, aliais essa família que não é minha), não poder falar, não colocar pra fora aquilo que está me sufocando simplesmente porque ele não sabe lidar com isso, acha que vou surta, ficar louca, me ferir ou sei lá mais o que, esse simples fato de não ouvir, de “deixa pra lá”, isso que faz não só eu, mas muitos outros se sentir um nada e assim, nossa força despenca novamente.

Eu chorei, solucei, me isolei por segundos no banheiro, e ao olhar meus olhos vermelhos no espelho, vi um vestidinho pink da minha sobrinha pendurado, ela se sujou, eu a troquei e ele ficou ali. Fui lavar roupa! Era eu, o tanque e água por todo lado, quando do nada, aquele pensamento maldito me martelou, uma dorzinha, apenas uma dorzinha só pra aliviar. Eu sacudi a cabeça tentando fazer o pensamento sumir, fui ao varal e lá estava aquele anjinho de cabelos dourados e bagunçados me dizendo, “ou titia”. Pega-la no colo e sentir aqueles bracinhos pequenos envolvendo meu pescoço me fez seguir em frente, não podia, não queria parecer fraca na frente dela. Tantas vezes ela me viu mal, e perguntava, “titia você ta dodói?”, aquilo me partia ainda mais o coração, se eu não era exemplo pra uma sobrinha, imagina pra um filho? Sinceramente, não sou apta a ser mãe, mas isso é um outro caso.

Não vale, não vale a pena, eu já tenho tantas marcas que me afastaram tantas pessoas, pessoas boas. No meu convívio social posso dizer que sou só. Bem, ainda me sobraram alguns amigos, alguns que eu acho que me compreendem (compreensão não é o mesmo que apoiar, amigo que é amigo não apóia atitudes insanas), já outras pessoas, me acham louca, e quando o assunto é afetivo… Ai danou-se! Estou só mesmo, é raro uma pessoa que consiga ficar ao lado de gente como nós (isso soou preconceituosamente, mas sim, como minoria, somos digamos, diferentes, em alguns aspectos), mas não condeno ninguém, afinal não quero ser um peso, mais do que já sou a mim.

Uma coisa positiva que tenho visto são pessoa que vem atrás de ajuda para ajudar quem sofre desse vicio maldito. Eu gostaria de saber como ajudar, mas são sei, pra mim, ajuda quem me escuta, para os demais, penso que isso também será um bom começo.

É um dia de cada vez, um pé enfrente ao outro. Se cair e se ralar, chore o que tiver pra chorar, mas siga enfrente, não desista.

Não quero tentar induzir ninguém a ir a uma igreja, templo, ou seita, sei lá, mas a fé ajuda, seja de onde ela venha. Eu não sou espírita, sou católica, mas acredito nos ensinamentos espíritas, e se eu pudesse indicar uma leitura, leia “Nosso Lar” que hoje estréia nos cinemas, isso fará você repensar quando frases como “melhor morrer do que viver assim”, “lá não deve ser pior que aqui”, entre outros pensamentos suicidas, pois, já ouvi milhares de vezes que “não me corto com a intenção de morrer”, porém, o auto-flagelo pode levar a morta como qualquer outro vício. “Nosso Lar” mostra um pouquinho e explica o que é o suicida. Vale a pena ao menos para refletir.

Haverão dias que você não irá resistir porque está muito mal, em outros sentirá falta (isso mesmo, você poderá sem motivo algum, sentir saudades da sensação que ver o sangue correr nós dá). O auto-flagelo é uma droga, não se cale, não se isole, busque ajuda!

Auto-Flagelo: Uma luta de cada vez

Dói tanto… E a vontade de me machucar volta. Parada no escuro do quarto, ouvindo Matanza em alto e bom som, as lágrimas percorrem sem cessar.

Me sinto tão só, parece paranóia, neurose minha, mas não é, a solidão é nítida.

Só quem sente esta sensação sabe o grito de desespero que pulsa no corpo. O coração não bate, ele martela a alma… O peito dói!

Eu começo a questionar se sangrar não me aliviaria, aí me lembro de todos vocês, que sempre lêem meus relatos e digo a mim mesma “não posso fraquejar, não posso decepciona-los”, e é quando me recordo que não sou feita só de palavras, que sou humana e erro como qualquer outro.

As lagrimas passam, ops, voltam. Parece besteira mas tudo começou com hoje (sábado) com uma revolta, amanha é aniversário do meu irmão e meu pai dará a ele qualquer coisa (se é que dará) sem muito gosto, enquanto pra enteada presenteou com um notbook novinho (e nem eu ganhei um assim, o meu foi de segunda mão e meu irmão, quando precisou pra faculdade, teve que comprar), mas o que me revolta nisso tudo de fato é:ela nem gosta dele, todo mundo me fala que ela “atura” ele, não tenho motivos pra ficar triste, afinal tenho um pai trouxa!

Isso… A TPM… É meus caros eu remôo o passado sempre e sempre, só quem sabe meu histórico de vida pra entender o que eu sinto e porque eu sinto!

Agora talvez a coisa mais banal, ligar para alguém (já que mais ninguém me liga, ao menos não que morem aqui) e o telefone só tocar… No pós-namoro percebi que não me restaram amigos, nem os de balada, eu acabei me afastando de todos, e o pior, não por amor, mas por depressão, e hoje pago, pois estou sozinha, aflita, escrevendo ou falando com as paredes.

Escrever as vezes me faz desviar o foco “corte”, gostaria de não cair novamente nos braços da lamina fria, mas pelo visto talvez seja inevitável, o problema é que não agüento mais as marcas, essas malditas marcas que eu sinto, são elas que me afastam as pessoas, pois ao invés de tentarem compreender, elas simplesmente fogem, afinal, não é problema delas! Eu sei disso, pois até quem disse que me amou um dia com tanto fervor, acabou se distanciando de mim por medo, o medo da loucura…

Não creio que eu seja louca, aliais, estou sempre consciente desses erros, só que é mais forte que eu, a dor que sinto é tão intensa, que muitas vezes não resisto, mas vou com cautela.

Pensar pode levar a morte… Porque se você analisar, quando paramos para refletir sobre a vida, uma analise profunda… Nossa, ao menos a minha parece mais assustador que um filme de Hitchcock. E ao fazer isso hoje percebi que tenho vivido só pra esperar o dia de morrer.

Hoje (sábado), mais uma vez acho que não irei sair, não vou viver, devo dormir, o que é triste, pois não vivemos (de fato) quando estamos “vegetando”.

Minha maior vontade no momento é socar o mundo, me meter em um briga do melhor estilo hooligans, quem sabe assim essa dor e angustia passariam… Mas como sempre, seria temporário, quando eu acordasse pra vida, os problemas ainda estariam lá.

Então não adianta tentar “ferrar” a própria vida, nada vai mudar, tudo ainda vai estar lá, no final só nos resta encarar os problemas, mas isso é outra página.

Frase: A única forma de me livrar de meus medos é fazer filmes sobre eles. [ Alfred Hitchcock ]

Assim como Hitchcock encontrou uma forma se lidar com seus medos, nós encontraremos uma de lidar com os nossos.

Musica: Tempo Ruim (Matanza)

Freak Butterfly

Auto-Flagelo: Sobrevivendo entre as recaídas

Nunca imaginei que um texto de desabafo fosse gerar tanta repercussão, também não podia imaginar que tantas outras pessoas, independente do status, idade e sexo, fossem sofrer de tal problema.

Espero que cada vez que venho escrever, ou respondo seus comentários, os ajude, como ler seus desabafos me ajudam também.

Tomar a decisão de parar é difícil, é como alguém que decide parar com as drogas, temos que estar sempre alertas, nos vigiando a cada decepção ou ataque de nervos. Li um comentário que terminou em “ter fé”, confesso que ando afastada de tais coisas relacionadas a fé, sou católica, mas ir à missas sempre me deixa deprimida em meio a tantos sermões, não gosto do exagero de muitas igrejas evangélicas, e o candomblé só piorou um pouco mais o que eu pensei que fosse ajudar. Tentei o centro espírita kardecista, confesso, se vocês crêem em Deus, se arrisquem a ir a algumas palestras, são legais e ali não há julgamentos ou preconceitos, eles te acolhem de braços abertos.

Como todo “viciado” quando pensei estar “curada” parei de freqüentar, foi um erro, tentei voltar atrás, mas estava tão deprimida que não encontrava sentido pra nada. Sou como todos vocês, tenho sonhos e desejos que muitos tentam apagar, mas sinto que EU não posso desistir de mim.

Passei muito tempo sem me ferir, somente na tentação, mas fui forte, até levar um “tapa” na cara (literalmente) do meu pai, aquilo me enfureceu, pra não me cortar, espremi meu braço entre os dedos e unhas com toda força possível, nada aconteceu, alguns hematomas e uma dorzinha inferior ao meu ódio momentâneo, então peguei um isqueiro e comecei a esquentar, queimei varias vezes, e por sorte não ficou nenhuma bolha (pois tenho uma cicatriz, pequena, mas feia, no braço, feita por isqueiro), eu não queria ficar marcada, eu só busquei a dor, então depois disso, os dias passaram em meio a discussões onde tentava me consolar na dor. Nada adiantou, nada mudou, e eu disse a mim mesma: “você é melhor que tudo isso, melhor que todos eles, um dia vão precisar de você. Tudo isso vai passar”.

Dizer que é fácil, ou dar lição de moral, não posso, mas o que eu afirmo é que não precisamos de ninguém além de nós e nossas crenças, seja qual for o motivo, nada disso irá mudar ou melhorar com tais atitudes. Se você tem filhos, pense neles, se tem alguém que te ama muito como um pai ou mãe, faça deles sua razão pra seguir em frente, e só dependa de você para parar e alcançar quaisquer objetivo na vida.

E se precisar de alguém, busque um amigo, um verdadeiro amigo, ou aqui mesmo, deixem contatos, mesmo que anônimos, para que outros se comuniquem, um grupo que sabe o quão difícil são as coisas, pode se auto-ajudar.

Vamos dizer não ao auto-flagelo.

Auto-flagelo: Seguindo em frente sempre

Depois de muito tempo sem atualizar, gostaria de pedir desculpas por tais falhas, pois andei muito ocupada e dizer que sempre entro para ler os comentários que deixam aqui, e sempre que posso respondo-os.

Tendo em vista que há muitas pessoas na mesma situação da qual estive (ou estou, pois ainda não sei), resolvi me abrir mais uma vez para contar sobre minha difícil jornada em busca da “cura” (se é que há uma cura pra isto).

Já faz algum tempo, cerca de 5 meses que eu estou “limpa”, e digo mais, não é fácil permanecer assim, porém a vontade de parar tem sido maior que a vontade de me cortar.

Sei que muitos de vocês vêm aqui para desabafar e fico muito feliz com isso, é como se de alguma forma me expor pudesse tê-los ajudado de alguma maneira, mesmo que não tenham parado (ainda). Tudo o que disseram, todas as histórias que me contaram, acredite, eu passei por tudo isso, a reprovação da família, a gozação das pessoas, a vergonha, o medo e a vontade de ir mais além. Eu cheguei a ser vista como louca pelo meu pai a ponto de ouvir que seria internada. Foi quando eu estava no fundo do poço, quando eu pensei que não teria mais chances de parar, que logo eu terminaria com tudo, foi quando encontrei um fio de esperança e palavras que me fizeram acordar pra vida e ver que viver, mesmo em tempos ruins, é melhor do que o que possa nos aguardar do outro lado da vida.

Não, eu não me converti, nem fiquei louca, mas sim, eu creio no que o espiritismo prega e sim, eu penso que ao me matar irei sofrer o dobro até reencarnar. Eu confesso que até ajuda pela cura espiritual eu já busquei, e sim, por um tempo resolveu, mas nada realmente da certo de não partir do principio de que NÓS queremos, e PODEMOS!

Primeiro eu me abri com minha família, pedi ajuda mesmo, busquei ajuda psiquiátrica, mas nem sempre os remédios acalmam certas dores. Fiz terapia, mas o melhor remédio estava no ombro dos amigos, nos verdadeiros amigos que te escutam sem criticar e te dão força para não cair mais, e mesmo que caia, ele não irá te crucificar e sim te dar a mão para seguir em frente sempre.

O auto-flagelo é como uma droga, como qualquer outro vicio, você fica dependente da dor física pra aliviar o sofrimento mental, mas no final, como qualquer outra droga, logo o efeito passa e você vê que ao invés das coisas melhorarem, elas piorarão.

Eu sei que é difícil, e às vezes chega parecer impossível, mas não é! Primeiro temos de aceitar que precisamos de ajuda, sozinho é difícil, posso dizer por experiência própria. Quando me sinto mal, quando a dor bate, e a vontade aperta, quando a tentação é maior do que minhas forças, eu corro atrás de alguém, se estou sozinha, ligo pra alguma amiga e busco conversar, tentar tirar o pensamento do caminho. Distrair o cérebro é a forma que tenho encontrado para desviar os pensamentos sabotadores.

Sempre que estou péssima, busco me distrair, ver um filme, ler um livro, conversar mesmo que bobagens com outras pessoas, ou até mesmo chorar. Sim! Chorar, isso parece (ao menos pra mim) aliviar as angustias. E quando penso em fazer, eu tento na mesma hora pensar no ‘porquês’ de eu querer parar.

Nada nesta vida vale a pena! Nada vale nosso sangue e dor! Sei que é clichê, mas devemos ser mais fortes e não ter vergonha de buscar ajuda quando necessária, ou de recomeçar quando cair.

Pense nisto, reflita! Não sinta vergonha, não pense que você é fraco ou covarde, pense no quão forte é por tentar, e que é tentando que irá chegar lá. E se você conhece alguém que precisa de ajuda, ajude-o.

Freak Butterfly.

*Imagem retirada do Google Imagens

Auto-Flagelo – Relatos de uma viciada

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Se muitos buscam nas drogas ilícitas uma fuga para suas dores psicológicas, eu infelizmente, busquei outras dores para “tentar” se distanciar daquilo que me afligia.

Resolvi escrever, pois tenho visto que a cada dia que passa, encontro mais pessoas com o mesmo problema, o auto-flagelo, visto na psicologia como “mania”.

É estranho estar aqui e colocar minha cara a tapas, mas como muitos de nós somos julgados, em conseqüência de uma modinha estúpida intitulada “emo”, as pessoas acabam nos tachando como estes, e não enxergando o verdadeiro problema que há por trás.

Sei que muitos não tentando fazer isso para provocar suas mortes, mas há casos de pessoas que mesmo sem desejar, veio a óbito.

Neste exato momento em que me encontro em meio a uma crise voraz, vi como o melhor momento para escrever e transcrever melhor o que realmente se passa em alguém que se mutila.014087964-gdq00

As vezes somos tão egoístas pois não vemos que além de provocar nosso próprio sofrimento, atingimos pessoas que realmente nos querem bem, como nossos familiares. Hoje pela manha, quando não consegui acordar para trabalhar, pois tomei havia tomado uma cartela de cloroadizepam na esperança de ao menos provocar um coma e assim me desligar verdadeiramente do mundo (já que ainda sou covarde demais para tirar minha vida, mesmo conhecendo varias formas de fazê-la) ou meu irmão dizer, “você se cortou outra vez?”, sem responder, sem ao menos conseguir me mover, já que os medicamentos me fizeram ficar “chapada” pude sentir o pesar em sua voz ao concluir enquanto saí do meu quarto, “este inferno vai começar novamente”.

Realmente, a vida de nossos familiares se tornam um inferno. Com medo sempre de que possamos fazer o pior a nos mesmos, passamos a ser vigiados e até mau interpretados. Muitos conseguem esconder de sua família e amigos o que acontece, eu sinceramente, moro em uma cidade quente o ano inteiro, e não poderia usar manga longa pra disfarçar as cicatrizes, mas muitos ao meu redor já sabem, e sei de a maioria dos muitos me acham idiota e estúpida por fazer algo assim.

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Porque fazer isto? Eu comecei aos 13 anos quando meus pais se separaram (não os culpo por isto, o divorcio não influenciou, mas a falta de dialogo pode ter acarretado isto em mim), eu sentia raiva de mim mesma, se ser o patinho feio do colégio, de ser a menina mais zoada do meu condomínio, entre varias outras coisas que ocorrem nesta fase de adolescência e descobertas, por isto o único conselho que um posso dar no momento é: seja amigo de seus filhos, ouça-os. Julgar não os levará a lugar algum.

Nesta mesma fase juvenil, eu comecei a me punir por ser quem eu era. Nunca vou me esquecer de estar no canto da dispensa procurando algo pontiagudo para me machucar, e tudo que achei foram pisca-pisca de natal e grampos de cabelo. Eu me arrisquei nos dois, nem sem ao menos pensar no risco do tétano. Quando minha mãe viu os arranhões, que ainda eram bobos, culpei meu gato, já falecido.

Os anos se passaram, e isso me perseguiu, pode ser sadomasoquismo, mas a sensação da dor física anulava toda e qualquer dor sentimental, e ainda era como uma punição pelas coisas erradas, que na grande maioria das vezes não era eu que cometia.

O tempo passa, as cicatrizes aumentam e tem uma hora que alguém vai te pegar no flagra, e foi o que me aconteceu. Meus pais sabem do meu problema, eu já busquei diversos tratamentos, tomei uma lista variada de remédios para controlar a tal mania, ouvi centenas de diagnósticos, mas uma mania sempre leva a outras, hoje eu tenho outra mania (quando digo mania, não são aquelas bobas que todos pensam, são distúrbios, conhecidos também como TOC), como sacolejar a perna e uma das mais agoniantes, tirar a pele dos lábios sempre, todo dia o dia todo.

Parece idiotice, mas isso afasta muitas pessoas de nós. O problema que é algo incontrolável, bem eu confesso que tento, conto até 10, tomo um calmante, tento me distrair com a TV, mas se aquela dor, aquele martírio não para de martelar em nossa mente, não tem outra forma se não a dor maior.

Sei que muitos como eu, sofrem calados, às vezes até mesmo eu prefiro assim. Mas a melhor saída é conversar, colocar pra fora, chorar, espernear, pois de nada adianta de flagelar, logo a ferida fecha e os sentimentos permanecem. Eu sei que o que faço é errado, eu sei de todos meus problemas e acima de tudo sei que devo parar, mas infelizmente, não posso chegar aqui e dizer a vocês, queridos leitores (que sofrem ou não deste maldito distúrbio) que eu tenho a formula pra cura disto, ou que vocês vão superar, quando eu mesma não consigo.

Eu já passei meses sem me infligir à dor física, mas quando menos percebo, lá estou eu no fundo do “poço”, magoando novamente as pessoas que mais amo.

Como um leitor comentou no artigo que escrevi sobre, muitos de nós temos até instrumentos para o corte, para o curativo e truques de disfarces.

Isso não é moda, isso não é absurdo, isso é dor, é sofrimento, é um martírio, é um grito de socorro que poucos ouvem ou fingem não escutar. Uma coisa é certa, sozinho você não irá se curar ou amenizar este conflito, então busque ajuda, desabafe, tente se controlar, pois um dia, a dor é tanta que perdemos a noção do ferimento que nos causamos e podemos terminar como tantos outros jovens que perderam suas vidas prematuramente.

Fiquem atentos, pois quem se auto-flagela não escolhe um lugar do corpo especifico, podem chegar a ser pernas, tórax, ou qualquer outro lugar que se torne “invisível”, alguns casos as pessoas chegam a “tirar” pedaços se seus corpos.

É difícil, é doloroso, mas não impossível, e sei que muitos de vocês conseguirão vencer, assim como eu tenho fé que posso controlar um dia isto que causo a mim mesma. Não sei se meu objetivo foi claro, até porque eu ainda estou sob efeito de sedativos, mas quero que realmente entendam que não é moda, não é forma de chamar a atenção, é um grito de socorro, a nos mesmos.

 

Freak Butterfly (Poliana Zanini)

 

*Imagens retirada do google imagens.