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Alto-flagelo – Como ajudar

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Não sei se posso dizer que me sinto triste ou feliz pelos diversos comentários e procura pelos artigos publicados aqui sobre auto-flagelo. É bom saber que muitos de vocês leitores se sentiram a vontade e se abriram com outras pessoas que sofrem do mesmo problema, ou ver que há pessoas que se importam.

Muitos me perguntaram sobre como se ajudar ou como ajudar um conhecido. Bem, desde já aviso que não sou médica, mas busquei informações e até mesmo, novamente coloco meu problema em questão (e não tenho medo ou vergonha de me expor com isto, sei que estou ajudando muitos e me ajudando).

Primeiramente, quem realmente deseja parar com isso, terá de ter muita força de vontade. Saiba que isto não se vence sozinho, busque ajuda nos familiares ou em alguém que seja próximo que você possa contar realmente, pois você irá necessitar.

Tratamento psicológico é à base de antidepressivos e terapia comportamental. Mas saiba que não há melhor remédio que a amizade, pois na hora que o nervosismo bater e a vontade surgir, você terá de buscar companhia. Evite ao maximo ficar sozinho em meio a crises. Busque desviar o pensamento, eu sei o quanto é difícil, mas não se pode desistir na primeira recaída.

Eu estou “limpa” a cerca de 2 meses e estou feliz por isso, a ultima recaída não foi tão violenta e eu não irei desistir. Quando estou mau, vejo TV, leio, entro na internet, converso com pessoas, mas não me tranco em meu quarto, pois sei que sozinha corro riscos.

Pra começar, jogue fora seu “kit flagelo” (todos que sofrem disto têm ao menos alguma navalha guardada em casa e até mesmo curativo).

Sejam fortes e resistam às tentações. Não tomem remédios por conta própria, busque um psiquiatra, ele lhe indicará o melhor tratamento.

Se quiser saber mais sobre o assunto, ouça o podcast abaixo:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/podcasts/ult10065u503798.shtml

Tenham força, há coisas na vida que não valem a pena nos martirizar!

Freak Butterfly

Auto-Flagelo – Relatos de uma viciada

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Se muitos buscam nas drogas ilícitas uma fuga para suas dores psicológicas, eu infelizmente, busquei outras dores para “tentar” se distanciar daquilo que me afligia.

Resolvi escrever, pois tenho visto que a cada dia que passa, encontro mais pessoas com o mesmo problema, o auto-flagelo, visto na psicologia como “mania”.

É estranho estar aqui e colocar minha cara a tapas, mas como muitos de nós somos julgados, em conseqüência de uma modinha estúpida intitulada “emo”, as pessoas acabam nos tachando como estes, e não enxergando o verdadeiro problema que há por trás.

Sei que muitos não tentando fazer isso para provocar suas mortes, mas há casos de pessoas que mesmo sem desejar, veio a óbito.

Neste exato momento em que me encontro em meio a uma crise voraz, vi como o melhor momento para escrever e transcrever melhor o que realmente se passa em alguém que se mutila.014087964-gdq00

As vezes somos tão egoístas pois não vemos que além de provocar nosso próprio sofrimento, atingimos pessoas que realmente nos querem bem, como nossos familiares. Hoje pela manha, quando não consegui acordar para trabalhar, pois tomei havia tomado uma cartela de cloroadizepam na esperança de ao menos provocar um coma e assim me desligar verdadeiramente do mundo (já que ainda sou covarde demais para tirar minha vida, mesmo conhecendo varias formas de fazê-la) ou meu irmão dizer, “você se cortou outra vez?”, sem responder, sem ao menos conseguir me mover, já que os medicamentos me fizeram ficar “chapada” pude sentir o pesar em sua voz ao concluir enquanto saí do meu quarto, “este inferno vai começar novamente”.

Realmente, a vida de nossos familiares se tornam um inferno. Com medo sempre de que possamos fazer o pior a nos mesmos, passamos a ser vigiados e até mau interpretados. Muitos conseguem esconder de sua família e amigos o que acontece, eu sinceramente, moro em uma cidade quente o ano inteiro, e não poderia usar manga longa pra disfarçar as cicatrizes, mas muitos ao meu redor já sabem, e sei de a maioria dos muitos me acham idiota e estúpida por fazer algo assim.

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Porque fazer isto? Eu comecei aos 13 anos quando meus pais se separaram (não os culpo por isto, o divorcio não influenciou, mas a falta de dialogo pode ter acarretado isto em mim), eu sentia raiva de mim mesma, se ser o patinho feio do colégio, de ser a menina mais zoada do meu condomínio, entre varias outras coisas que ocorrem nesta fase de adolescência e descobertas, por isto o único conselho que um posso dar no momento é: seja amigo de seus filhos, ouça-os. Julgar não os levará a lugar algum.

Nesta mesma fase juvenil, eu comecei a me punir por ser quem eu era. Nunca vou me esquecer de estar no canto da dispensa procurando algo pontiagudo para me machucar, e tudo que achei foram pisca-pisca de natal e grampos de cabelo. Eu me arrisquei nos dois, nem sem ao menos pensar no risco do tétano. Quando minha mãe viu os arranhões, que ainda eram bobos, culpei meu gato, já falecido.

Os anos se passaram, e isso me perseguiu, pode ser sadomasoquismo, mas a sensação da dor física anulava toda e qualquer dor sentimental, e ainda era como uma punição pelas coisas erradas, que na grande maioria das vezes não era eu que cometia.

O tempo passa, as cicatrizes aumentam e tem uma hora que alguém vai te pegar no flagra, e foi o que me aconteceu. Meus pais sabem do meu problema, eu já busquei diversos tratamentos, tomei uma lista variada de remédios para controlar a tal mania, ouvi centenas de diagnósticos, mas uma mania sempre leva a outras, hoje eu tenho outra mania (quando digo mania, não são aquelas bobas que todos pensam, são distúrbios, conhecidos também como TOC), como sacolejar a perna e uma das mais agoniantes, tirar a pele dos lábios sempre, todo dia o dia todo.

Parece idiotice, mas isso afasta muitas pessoas de nós. O problema que é algo incontrolável, bem eu confesso que tento, conto até 10, tomo um calmante, tento me distrair com a TV, mas se aquela dor, aquele martírio não para de martelar em nossa mente, não tem outra forma se não a dor maior.

Sei que muitos como eu, sofrem calados, às vezes até mesmo eu prefiro assim. Mas a melhor saída é conversar, colocar pra fora, chorar, espernear, pois de nada adianta de flagelar, logo a ferida fecha e os sentimentos permanecem. Eu sei que o que faço é errado, eu sei de todos meus problemas e acima de tudo sei que devo parar, mas infelizmente, não posso chegar aqui e dizer a vocês, queridos leitores (que sofrem ou não deste maldito distúrbio) que eu tenho a formula pra cura disto, ou que vocês vão superar, quando eu mesma não consigo.

Eu já passei meses sem me infligir à dor física, mas quando menos percebo, lá estou eu no fundo do “poço”, magoando novamente as pessoas que mais amo.

Como um leitor comentou no artigo que escrevi sobre, muitos de nós temos até instrumentos para o corte, para o curativo e truques de disfarces.

Isso não é moda, isso não é absurdo, isso é dor, é sofrimento, é um martírio, é um grito de socorro que poucos ouvem ou fingem não escutar. Uma coisa é certa, sozinho você não irá se curar ou amenizar este conflito, então busque ajuda, desabafe, tente se controlar, pois um dia, a dor é tanta que perdemos a noção do ferimento que nos causamos e podemos terminar como tantos outros jovens que perderam suas vidas prematuramente.

Fiquem atentos, pois quem se auto-flagela não escolhe um lugar do corpo especifico, podem chegar a ser pernas, tórax, ou qualquer outro lugar que se torne “invisível”, alguns casos as pessoas chegam a “tirar” pedaços se seus corpos.

É difícil, é doloroso, mas não impossível, e sei que muitos de vocês conseguirão vencer, assim como eu tenho fé que posso controlar um dia isto que causo a mim mesma. Não sei se meu objetivo foi claro, até porque eu ainda estou sob efeito de sedativos, mas quero que realmente entendam que não é moda, não é forma de chamar a atenção, é um grito de socorro, a nos mesmos.

 

Freak Butterfly (Poliana Zanini)

 

*Imagens retirada do google imagens.