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Tag Archives: pesadelo

Automutilação – entre a fé e as lágrimas

Há meses eu luto contra meu eu, contra uma série de desejos, contra ideias que insistem em atormentar até meus sonhos, transformando-os em pesadelos.

Durante meses, eu fiz terapia com um intuito, mudar sem que a tal mudança me destruísse, hoje tudo parece vão. Todas àquelas horas no consultório, às vezes sorrindo, outras aos prantos. Havia dias que em que a confiança era tamanha, que nada no mundo poderia me derrubar, porém talvez, naquele mesmo dia, eu sentia todo o peso do mundo me derrubar.

Ao contrário de muitos que já encontrei pelas redes sociais, não sou Borderline, ao menos meus psiquiatras nunca chegaram a essa conclusão, para ser sincera, nunca chegaram de fato a alguma conclusão. Eu já fui diagnosticada como: paranoica, histérica e por ultimo Bipolar. Já tentei vários tratamentos, inclusive espiritual, por um tempo alguns ajudaram tanto medicamentos quanto o espiritual. Já disseram que era o “demônio que queria que eu me contasse”, que eu “só queria chamar a atenção”, mas hoje aqui, com tantos, mais tantos depoimentos sobre como se sentem em relação a isso, sei que sou só mais uma no meio de milhões.

Sim, infelizmente só tenho visto esses números crescerem. Esse blog já foi popular pelos textos que abordam sexualidade, hoje ele é o numero um quando se busca “automutilação” no Google. O que mais me deixa triste é o fato de que, ainda não encontrei programas de ajuda pra que sem automutila. Vi que no dia Primeiro de Março, foi o dia do combate mundial a autoflagelo. Inclusive, um dos meus depoimentos foi usado como base pra um site. Quando vi, não sabia se me sentia lisonjeada ou mais deprimida. No Brasil, infelizmente não encontrei um centro de apoio a isso, os EUA já promovem campanhas, em Portugal a um centro especializado. Falando sobre isso, sobre esta falta, ontem meu namorado me disse: Porque não escreve sobre isso, um livro, conte seus relatos. Meu único pensamento era como eu seria vista se fizesse isso. Histórias, batalhas, e muito mais coisas eu teria pra partilhar, inclusive a batalha, que hoje me parece eterna de não me mutilar, tentando usar aquelas frases que o AA usa: Um dia de cada vez. Eu controlo bem a expressão das pessoas quando veem as cicatrizes, o olhar de curiosidade e pena, são ciclos, às vezes me importo menos, em outras me importa muito, pois odeio o sentimento PENA.

Eu decidi me mudar, queria sair da cidade, sair daquele mundo, nunca me senti dali, achava que seria impossível me encontrar onde vivia. Eu odiava a cidade, passei a odiar mais da metade das pessoas que habitam nela, eu não queria mais sair, minha única alegria era cinema no domingo, e os encontros com a terapeuta. Então, depois de várias discussões com a terapeuta, tomando um novo medicamento, me senti confiante em mudar e disse a mim mesma: hoje começa minha verdadeira vida.

Confesso que só de me lembrar, de me ver dizendo isso enfrente ao espelho, eu começo a chorar. Depois de anos passei e ser sistemática, organização pra mim é importante, as coisas tinham que sair como eu planejava. Eu estudei muito, me empenhei muito, até mesmo agora acho que estudar e ler tanto me deixou mais chata, mais critica e menos tolerante, e isso é horrível, pois por mais que planejemos, por mais que tudo indique que será daquele jeito, não é. A vida não tem um curso certo, planos é apenas um roteiro para se guiar, não para seguir a risca.

Algumas horas de voo, muito cansaço, uma semana entediante, os nervos a flor da pele, as primeiras cobranças “você tá indo atrás de emprego”, “como estão às coisas ai?”, todas as perguntas me pressionaram o cérebro. Passei a descontar em quem só quis me ajudar, tentei explicar que certas coisas não controlo, sim, é verdade, não controlo quase nada, eu falo sem pensar, eu me preocupo de maneira exagerada e algumas vezes vago, perdida em meus pensamentos ora coloridos, ora obscuros.

Quando decidi me mudar, decidir ter um pouco mais de fé, eu tenho minhas crenças, mas não sou alienada em religião, se eu fosse indicar alguma a vocês, seria o espiritismo, pois nunca fui julgada ali, e tive muita luz. Continuando, fiz novenas, rezei, implorei e vim com a fé “inabalável” de que tudo correria bem. Que eu teria meu lugar, que acharia um lugar que valorizasse meus conhecimentos – apesar de muitos acharem que sou louca, modéstia a parte, sou inteligente e esforçada, se fosse louca, seria um gênio louco.

Nada foi como o planejado, até o voo que deveria ser calmo, foi desagradável do inicio ao fim. Eu tentei me manter firme, eu tento me manter firme, mas logo nas primeiras semanas (me mudei no dia 17 de fevereiro) eu achei que havia cometido um erro, mesmo lembrando que minha terapeuta havia dito que eu estava madura, que deveria ter confiança, a falta de consideração, aliais de valorização me fez descer o primeiro degrau. A saudade dos sobrinhos, o medo de falhar começou a me perseguir.

Todas as noites sonhando com a família que ficou, com minhas paixões que são meus sobrinhos, minha frustração de ter duas faculdades e nenhuma chance justa de emprego, em uma noite, não resisti e chorei. Foi como se estivessem me amputando os braços e pernas, a dor era insuportável, eu queria um cortezinho, mísero que fosse pra aliviar aquele peso, aquela pressão no peito. Na minha cabeça um filme de terror, diversas saídas e uma única solução eu só me via dando um tiro na cabeça – a cerca de 6 anos tive essa obsessão, de que morreria assim.

Chorei, solucei, não sei como o Téo me via (Téo é meu namorado, o coitado em quem desconto toda a raiva e descontrole), eu queria gritar, mas abafava o mesmo, meus punhos estavam serrados, meus dedos dos pés encolhidos, minha nuca latejava, chorei por um tempo, pareceu longo, na verdade nem sei ao certo, ele só me olhou, me abraçou, pediu pra ter forças, eu queria gritar, queria conversar, mas como sempre, as palavras travam, eu me sufoco, nada saía. Então ele perguntou: você quer voltar pra casa? Aquilo me partia mais ainda, eu não consigo voltar, e não sei se consigo seguir. Vez e outra, acordo achando que ”hoje será um ótimo dia”, mas nada acontece e a noite vem traiçoeira.

Não consegui ainda achar uma cena, ou algo que eu possa comparar este sentimento, o desespero, parece que tudo que digo, ou a que comparo doí menos do que essa maldita dor psicológica. É torturante.

Ainda me seguro na fé, fé de que Deus uma hora vai olhar e finalmente me enxergar e dizer: chegou sua vez. Eu não suportaria, não suporto pensar em falhar (já que não é a primeira vez que saio de casa com tais objetivos), uma noite eu jurei que viva não voltava, e essa maldita ideia ficção não some.

Os remédios acabaram, falta um mês pra conseguir uma consulta com um psiquiatra nessa terra da garoa, ouvi uma vez do médico: não te transformarei em uma garota feliz e sorridente, só lhe darei algo pra aliviar e aprender a lidar com isso tudo… Mas pensando bem, às vezes desejo esse remédio que diz que vai deixar tudo “maravilhoso”, mesmo que uma falsa felicidade, conviver com essa dor, viver em guerra, tentar não cair totalmente, só quem luta sabe.

Pra quem chegou até aqui nesse texto meio sem nexo, se você é border, bipolar, neurótico, psicótico, seja o que for, não desista, mesmo que a duras penas, eu queria ter escrito um texto feliz, sobre como estou conseguindo me manter firme no meu projeto “sem cortes”, até “Cicatricure” comprei na esperança de elas sumirem um pouquinho que seja. Eu às vezes entro no banheiro, vejo algo cintilante, aquela vontade, aquele desejo me dividi, então entro debaixo do chuveiro e choro mais ainda. É um dia de cada vez. Uma cruz que se leva, eu até perco a cabeça, mas não vou perder aquilo que ainda me mantem “limpa” a vários meses.

Busque ajuda, não tenha medo, a pior violência é se permitir a temer, somos julgados diariamente, pressionados por toda vida. Gostaria que aqueles que apenas passeiam os olhos aqui porque conhece alguém que tem este problema lhes peço, tenha paciência. Sei que paremos egoístas, mas muitas vezes infelizmente é só uma característica da doença (quando digo doença, é porque de fato somos doentes, porém não incapazes).

Veja o vídeo da campanha: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=Q7HXhyOofNU

Busque ajuda médica, mesmo em caminho de pedras, podemos sobreviver a isso. E não se sinto sozinho, nem uma aberração, há mais pessoas que sofrem disto no mundo do que imaginamos:

Demi Lovatto: http://www.youtube.com/watch?v=mu6ZC-FqkDg

Tipos de Self Harm: http://www.youtube.com/watch?v=uWJTDG1SWC8

Pais estejam mais alertas: http://www.youtube.com/watch?v=gPxj86oOifg&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=yMVhX1FlfXI&feature=related

Um dia também quero cantar “VEJA COMO ESTOU HOJE BEM!!”

*Link comentado: http://luciaureakaha.wordpress.com/2012/02/28/1o-de-marco-dia-da-consciencia-sobre-a-automutilacao/

Há meses eu luto contra meu eu, contra uma série de desejos, contra ideias que insistem em atormentar até meus sonhos, transformando-os em pesadelos.

Durante meses, eu fiz terapia com um intuito, mudar sem que a tal mudança me destruísse, hoje tudo parece vão. Todas àquelas horas no consultório, às vezes sorrindo, outras aos prantos. Havia dias que em que a confiança era tamanha, que nada no mundo poderia me derrubar, porém talvez, naquele mesmo dia, eu sentia todo o peso do mundo me derrubar.

Ao contrário de muitos que já encontrei pelas redes sociais, não sou Borderline, ao menos meus psiquiatras nunca chegaram a essa conclusão, para ser sincera, nunca chegaram de fato a alguma conclusão. Eu já fui diagnosticada como: paranoica, histérica e por ultimo Bipolar. Já tentei vários tratamentos, inclusive espiritual, por um tempo alguns ajudaram tanto medicamentos quanto o espiritual. Já disseram que era o “demônio que queria que eu me contasse”, que eu “só queria chamar a atenção”, mas hoje aqui, com tantos, mais tantos depoimentos sobre como se sentem em relação a isso, sei que sou só mais uma no meio de milhões.

Sim, infelizmente só tenho visto esses números crescerem. Esse blog já foi popular pelos textos que abordam sexualidade, hoje ele é o numero um quando se busca “automutilação” no Google. O que mais me deixa triste é o fato de que, ainda não encontrei programas de ajuda pra que sem automutila. Vi que no dia Primeiro de Março, foi o dia do combate mundial a autoflagelo. Inclusive, um dos meus depoimentos foi usado como base pra um site. Quando vi, não sabia se me sentia lisonjeada ou mais deprimida. No Brasil, infelizmente não encontrei um centro de apoio a isso, os EUA já promovem campanhas, em Portugal a um centro especializado. Falando sobre isso, sobre esta falta, ontem meu namorado me disse: Porque não escreve sobre isso, um livro, conte seus relatos. Meu único pensamento era como eu seria vista se fizesse isso. Histórias, batalhas, e muito mais coisas eu teria pra partilhar, inclusive a batalha, que hoje me parece eterna de não me mutilar, tentando usar aquelas frases que o AA usa: Um dia de cada vez. Eu controlo bem a expressão das pessoas quando veem as cicatrizes, o olhar de curiosidade e pena, são ciclos, às vezes me importo menos, em outras me importa muito, pois odeio o sentimento PENA.

Eu decidi me mudar, queria sair da cidade, sair daquele mundo, nunca me senti dali, achava que seria impossível me encontrar onde vivia. Eu odiava a cidade, passei a odiar mais da metade das pessoas que habitam nela, eu não queria mais sair, minha única alegria era cinema no domingo, e os encontros com a terapeuta. Então, depois de várias discussões com a terapeuta, tomando um novo medicamento, me senti confiante em mudar e disse a mim mesma: hoje começa minha verdadeira vida.

Confesso que só de me lembrar, de me ver dizendo isso enfrente ao espelho, eu começo a chorar. Depois de anos passei e ser sistemática, organização pra mim é importante, as coisas tinham que sair como eu planejava. Eu estudei muito, me empenhei muito, até mesmo agora acho que estudar e ler tanto me deixou mais chata, mais critica e menos tolerante, e isso é horrível, pois por mais que planejemos, por mais que tudo indique que será daquele jeito, não é. A vida não tem um curso certo, planos é apenas um roteiro para se guiar, não para seguir a risca.

Algumas horas de voo, muito cansaço, uma semana entediante, os nervos a flor da pele, as primeiras cobranças “você tá indo atrás de emprego”, “como estão às coisas ai?”, todas as perguntas me pressionaram o cérebro. Passei a descontar em quem só quis me ajudar, tentei explicar que certas coisas não controlo, sim, é verdade, não controlo quase nada, eu falo sem pensar, eu me preocupo de maneira exagerada e algumas vezes vago, perdida em meus pensamentos ora coloridos, ora obscuros.

Quando decidi me mudar, decidir ter um pouco mais de fé, eu tenho minhas crenças, mas não sou alienada em religião, se eu fosse indicar alguma a vocês, seria o espiritismo, pois nunca fui julgada ali, e tive muita luz. Continuando, fiz novenas, rezei, implorei e vim com a fé “inabalável” de que tudo correria bem. Que eu teria meu lugar, que acharia um lugar que valorizasse meus conhecimentos – apesar de muitos acharem que sou louca, modéstia a parte, sou inteligente e esforçada, se fosse louca, seria um gênio louco.

Nada foi como o planejado, até o voo que deveria ser calmo, foi desagradável do inicio ao fim. Eu tentei me manter firme, eu tento me manter firme, mas logo nas primeiras semanas (me mudei no dia 17 de fevereiro) eu achei que havia cometido um erro, mesmo lembrando que minha terapeuta havia dito que eu estava madura, que deveria ter confiança, a falta de consideração, aliais de valorização me fez descer o primeiro degrau. A saudade dos sobrinhos, o medo de falhar começou a me perseguir.

Todas as noites sonhando com a família que ficou, com minhas paixões que são meus sobrinhos, minha frustração de ter duas faculdades e nenhuma chance justa de emprego, em uma noite, não resisti e chorei. Foi como se estivessem me amputando os braços e pernas, a dor era insuportável, eu queria um cortezinho, mísero que fosse pra aliviar aquele peso, aquela pressão no peito. Na minha cabeça um filme de terror, diversas saídas e uma única solução eu só me via dando um tiro na cabeça – a cerca de 6 anos tive essa obsessão, de que morreria assim.

Chorei, solucei, não sei como o Téo me via (Téo é meu namorado, o coitado em quem desconto toda a raiva e descontrole), eu queria gritar, mas abafava o mesmo, meus punhos estavam serrados, meus dedos dos pés encolhidos, minha nuca latejava, chorei por um tempo, pareceu longo, na verdade nem sei ao certo, ele só me olhou, me abraçou, pediu pra ter forças, eu queria gritar, queria conversar, mas como sempre, as palavras travam, eu me sufoco, nada saía. Então ele perguntou: você quer voltar pra casa? Aquilo me partia mais ainda, eu não consigo voltar, e não sei se consigo seguir. Vez e outra, acordo achando que ”hoje será um ótimo dia”, mas nada acontece e a noite vem traiçoeira.

Não consegui ainda achar uma cena, ou algo que eu possa comparar este sentimento, o desespero, parece que tudo que digo, ou a que comparo doí menos do que essa maldita dor psicológica. É torturante.

Ainda me seguro na fé, fé de que Deus uma hora vai olhar e finalmente me enxergar e dizer: chegou sua vez. Eu não suportaria, não suporto pensar em falhar (já que não é a primeira vez que saio de casa com tais objetivos), uma noite eu jurei que viva não voltava, e essa maldita ideia ficção não some.

Os remédios acabaram, falta um mês pra conseguir uma consulta com um psiquiatra nessa terra da garoa, ouvi uma vez do médico: não te transformarei em uma garota feliz e sorridente, só lhe darei algo pra aliviar e aprender a lidar com isso tudo… Mas pensando bem, às vezes desejo esse remédio que diz que vai deixar tudo “maravilhoso”, mesmo que uma falsa felicidade, conviver com essa dor, viver em guerra, tentar não cair totalmente, só quem luta sabe.

Pra quem chegou até aqui nesse texto meio sem nexo, se você é border, bipolar, neurótico, psicótico, seja o que for, não desista, mesmo que a duras penas, eu queria ter escrito um texto feliz, sobre como estou conseguindo me manter firme no meu projeto “sem cortes”, até “Cicatricure” comprei na esperança de elas sumirem um pouquinho que seja. Eu às vezes entro no banheiro, vejo algo cintilante, aquela vontade, aquele desejo me dividi, então entro debaixo do chuveiro e choro mais ainda. É um dia de cada vez. Uma cruz que se leva, eu até perco a cabeça, mas não vou perder aquilo que ainda me mantem “limpa” a vários meses.

Busque ajuda, não tenha medo, a pior violência é se permitir a temer, somos julgados diariamente, pressionados por toda vida. Gostaria que aqueles que apenas passeiam os olhos aqui porque conhece alguém que tem este problema lhes peço, tenha paciência. Sei que paremos egoístas, mas muitas vezes infelizmente é só uma característica da doença (quando digo doença, é porque de fato somos doentes, porém não incapazes).

Veja o vídeo da campanha: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=Q7HXhyOofNU

Busque ajuda médica, mesmo em caminho de pedras, podemos sobreviver a isso. E não se sinto sozinho, nem uma aberração, há mais pessoas que sofrem disto no mundo do que imaginamos:

Demi Lovatto: http://www.youtube.com/watch?v=mu6ZC-FqkDg

Tipos de Self Harm: http://www.youtube.com/watch?v=uWJTDG1SWC8

Pais estejam mais alertas: http://www.youtube.com/watch?v=gPxj86oOifg&feature=related

Um dia também quero cantar “VEJA COMO ESTOU HOJE BEM!!”

*Link comentado: http://luciaureakaha.wordpress.com/2012/02/28/1o-de-marco-dia-da-consciencia-sobre-a-automutilacao/

Justine – À volta

Tudo estava escuro, só o que se ouvia eram as respirações aceleradas, a luz fraca do abajur se acende, lá está Justine, nua na cama em meio a vários homens, todos a desejam, almejam seu corpo, ela está sorrindo, satisfeita. Uma porta se abre, uma luz forte revela Lucas, parado, decepcionado.

Ela grita, esperneia, tenta sair do ninho de machos, mas não consegue, ela continua gritando, mas a voz não sai, com a mão estendida, vê Lucas partir, sua aliança cai e o brilhante se espatifa, finalmente sua voz sai, ela acorda assustada e ofegante.

– LUCAS!

– Pêpe, prazer – responde sorrindo.

– Ah, meu Deus, desculpe, é que eu tive um… Um sonho horrível…

– Não precisa explicar não, tenho pesadelos sempre, normal.

– O que você faz ai sentado?

Pépe estava sentado em uma cadeira próximo a cama, olhando Justine com cara de bobo.

– Estava te admirando boneca.

– Credo, que coisa de loco!

Pépe ri.

– Ah Ju, nossos encontros estão pior do que cliente e puta, é sempre rapidinho, em qualquer lugar, fiquei feliz por você finalmente ter dormido aqui.

Justine se senta na beira da cama, procurando o chinelo com os pés, ela espreguiça os braços.

– Veja que grande coisa, conseguiu me ver descabelada e com remela nos olhos.

– Eu gosto do que vejo.

– O que é aquilo na mesinha?

– Seu café madame!

– Uia! Você cozinha é? Eu não conhecia esse seu dote!

– Tenho muitos outros que você não conhece – piscou para Justine e se levantou para pegar a bandeija.

– Conheço o maior e mais gostoso – da um sorriso sacana.

– Safada!

– Eu sei, é por isso que gosta de mim – ela se levanta e vai atrás de Pépe e o abraça.

– Sabe, eu tava aqui pensando, eu nem to com tanta fome ainda, e você caprichou no café, então porque agente não vai pra cama e você me ajuda a abrir o apetite?

Pépe se vira sorrindo e a beija, os dois ainda se beijando, caminham até a cama. Ele desliza os dedos sob os mamilos que começaram a aparecer por baixa da camiseta. Ela o prende entre as penas, beija a orelha, percorre o pescoço, aperta as costas nua com suas unhas e escorrega uma mão até o bumbum delicioso de Pépe. Ela o acaricia e sente o pau rijo e quente tocar sua coxa.

Ele começa a beijar seu pescoço enquanto levanta a camiseta deixando-a só de calcinha.

– Molhadinha!

– Como não ficaria.

Ele desliza a língua nos mamilos e os suga delicadamente, uma das mãos desde até a bucetinha molhada, quente e pulsante. Os dedos escorregam naquela piscininha.

– Você é tão gostosa, beibe. Não agüento, quero te comer agora!

– Porque a pressa? – Justine se vira e monta em cima de Pépe – devagar vai ser mais gostoso.

Ela começa a beijá-lo novamente e desce por seu peito, até chegar no garotão, ela coloca-o pra fora da samba-canção, ele parece ter vida própria de tanto que pulsa, ela começa a brincar com a língua, envolvendo a cabecinha molhada, e aos poucos coloca-o dentro da boca. Sobre-desce-sobe-desce, ele geme.

– Assim eu na agüento!

– Ué não queria me dar café da manhã? Agente pode começar pelo leite… Adoro leitinho – e volta a chupá-lo.

– Você é louca, maluquinha, meu Deus mulher, você não tem dente não? Como é que faz isso?

Ela continua a chupá-lo, engole e tira, engole e tira, acaricia-o com a língua quente, ele geme cada vez mais, ela sente a pulsação aumentar.

– Ah, eu não vou agüentar! Não vou mais agüentar!

Ela não da bola e segue a felação, ele jorra direto na garganta dela, seu corpo estremece, ela engole e olha-o satisfeita.

– Maluquinha… Meu Deus, que loucura menina!

Ela sorri, se levanta, ainda só de calcinha, vai até a mesinha e pega a bandeja e volta pra cama.

– Quer comer comigo?

– To morto!

– Dou na boquinha – diz maliciosamente.

– Oh meu Deus, onde vamos chegar!?

– Espero que fiquemos na cama ainda por um bom tempo.

Ela toma um pouco do café. A bandeja está caprichada, morangos, torradas, geléia de uva, suco, café, leite e queijo enroladinho.

– O que você vai querer?

– Você!

– Ué, já se recuperou?

– Não, mas ver essa geléia me deu uma vontade de Justine com geléia.

– Hum, será que Justine com geléia é gostoso?

– Justine sem nada já é uma delicia, com um docinho então.

Os dois riem, ela apóia a bandeja sob a cadeira ao lado, pega o potinho com geléia, coloca o dedo e depois o leva a boca.

– Tem razão, pode ser delicioso – ela coloca três dedos dentro do potinho retira uma quantidade maior e começa a espalhar a geléia nos mamilos, descendo pela barriga até chegar ao monte de Vênus – quer provar?

Pépe devora cada milímetro temperado pelo doce, guloso chega logo onde mais desejava, ela pega mais geléia e espalha por toda a bucetinha ele fica louco, a suga, a devora, tenta se controlar pra não perder o ritmo que lhe agrada, Justine geme, contorce o pescoço para trás, ele coloca o dedinho no rabinho dela e começa a acariciar as nervurinhas da entrada.

– Ah, agora eu que não vou agüentar!

Ele continua a chupá-la.

– Eu quero, quero jorrar na sua boca, mas também quero sentir teu pau em mim, ah delicia!!!!

Ele continua e desta vez, coloca o dedo dentro do rabinho e começa a mexer, fora-dentro-fora-dentro, ela geme mais alto e coloca o travesseiro sob o rosto. Ele decide colocar o outro dedo dentro da bucetinha lambuzada dela, ela delira.

– Eu vou explodir, vou explodir!

As pernas estremecem e solta um gritinho e tentar tirá-lo dali.

– Ai, para, para pelo amor de Deus que to morrendo de sensível.

Pépe deita ao lado dela, ela se vira de bruços e se aninha próximo a ele. Ela adora ficar deitada assim, só relaxando, recebendo carinhos. Os dois adormecem.

O telefone não para de tocar, Justine o procura dentro da bolsa, com os olhos embaçados, ela vê no visor “Marcela”.

– Caracas!

– Que foi? É o Ricardão – brincou Pépe.

– Não, não é a Má, depois te explico.

Pépe se levantou e foi pro banheiro e Justine enfim atendeu.

– Alô!

– Jú? É Você?

– Sim, sou. Má?

– Caralio Justine sumida, que saudades!

– Ah eu também amor, eu também.

– Preciso te ver, vamos tomar café logo mais?

– Porque não almoço?

– Tá em que estado mulher, já passou a hora do almoço – Marcela ri.

– Deus, eu nem vi o horário.

– Você ta onde?

– Depois te explico… no mesmo café?

– Sim! Às 16 ta bom pra você?

– Tá sim!

– Te vejo lá amor, tenho novidades, to loca de saudades.

– Beijos, te mais.

– Caracas! – Justine ainda surpresa pela ligação se levantou e foi para o banheiro, Pépe já estava no banho – Nem me esperou!

– Desculpa, você tava tão animada que eu não sabia se ia demorar, eu não me agüentava mais com esse doce todo – risos – vem cá beibe, vem que vou te dar um banho gostosinho.

Ela entrou no chuveiro e o abraçou.

– Hum, banho de língua – disse maliciosa.

– Você não cansa?

– Depois de tudo que dormirmos, já passou até o horário de almoço.

Pépe pegou o sabonete e começou a ensaboá-la.

– Pelo menos não teve mais pesadelos né?

– Não, eu nem dormi, eu desmaiei! Me passa o shampoo?

Pépe saiu primeiro do banho enquanto Justine terminava de lavar os cabelos, ele pegou uma toalha limpa para ela e foi se trocar.

Justine terminou, secou-se e foi para o quarto enrolada na toalha. Lá estava Pépe, lindo como sempre, seus olhos nem acreditavam no que via, ele era encantador, exótico, tinha estilo, e cada desenho naquele corpo era um pecado. Ele estava de calça e regata, descalço.

– Você tem pés lindos! – disse Justine enquanto ‘babava’ por Pépe.

– Eu hem, você tem cada gosto beibe.

– Ah, eu curto, bem ainda bem que eu trouxe roupa extra, minha calcinha ta toda suja – risos.

Pépe se aproximou, com o corpo fresco, abraçou Justine ainda nua e lhe beijou.

– Sabe garota, você me surpreende cada dia mais – ele sorriu enquanto afagava seus cabelos, lhe deu outro beijo.

– To com fome!

– Mas também, você só tomou café puro!

– E leitinho, não se esqueça – disse com ar sacana.

– Melhor eu ir pra cozinha fazer algo se não agente não sai deste quarto e acabaremos desmaiando de fome – e foi pra cozinha.

Justine se vestia, e lembrava do sonho.

– Ai, o que será isso, odeio quando esses pesadelos começam. “Deve ser consciência pesada” – algo disse em sua cabeça, ela sacudiu-a tentando mandar o pensamento pra longe.

Ela colocou um vestido leve, calçou os chinelos e foi para a cozinha.

– Hum… que aroma delicioso, o que esta fazendo?

– Nada demais, macarrão com molho de queijo, gosta?

– Adoro queijo! – respondeu enquanto sentava à mesa.

– Então, o que sua amiga queria.

– Pois é, não a vejo a muito tempo, ela já foi minha melhor amiga, agora não posso dizer isso, já que a vejo raramente, mas ela disse que tem novidades.

– Vai encontrá-la?

– Sim, logo mais. To super curiosa.

O estomago de Justine roncou tão alto que até o Pépe ouviu.

– Bem, parece que temos uma criança faminta.

Justine riu, e ficou ali, esperando o macarrão, e com o pensamento confuso, entre o sonho e a realidade que estava a viver.

Justine – De volta a realidade Parte I

Euteamo

Era dia, estava frio, porém o sol que entrava pela janela tocava a costa nua de Justine a acarinhando. A noite fora longa e a preguiça lhe tomava o corpo, ela sentiu o cheirinho doce do café, mas não conseguia abrir os olhos. Fora tudo tão bom, tão perfeito, que ela não queria despertar para a realidade. Foi quando sentiu o toque dos dedos másculos de Gustavo percorrendo sua espinha.

– Bom dia flor do dia! Hora do café!

Justine de espreguiçou enquanto resmungava.

– To com sono ainda…

– É, eu sei linda, mas já te ligaram milhões de vezes, inclusive seus pais.

– MEU DEUS! – disse apavorada.

Ela havia esquecido completamente deles em seu surto histérico. Ela deveria ter ligado e avisado onde estava, pois deveria imaginar que Lucas e Marcela ligariam lá atrás dela.

– Meu Deus, como pude esquecer deles? – ela se levantou abruptamente e colocou a camiseta que estava no chão ao lado da cama.

Correu para a sala e pegou o celular que estava na mesa, haviam mais de 50 chamadas não atendidas.

– Meu Deus! To morta!

Ela verificou quem ligou quantas vezes, haviam 13 chamadas de sua casa, 6 do celular de seu pai, 3 do celular de sua mãe, 15 da casa de Marcela, 10 do celular de Lucas, 2 do celular de Marcela e uma de um numero desconhecido.

– Calma Ju, depois de 20 chamadas da Marcela, eu resolvi que era melhor atender.

– Você disse que eu estava aqui? – disse desolada.

– Não, eu só disse que você havia me ligado e que estava bem, que estava em um hotel, mas não queria me dizer onde.

– Ela acreditou?

– Sim! Pedi que avisassem seus pais, pois percebi o que deveriam estar desesperados em meio a tantas ligações.

– Realmente, vou ligar para eles agora… – disse amargurada – coitado do meu pai.

– Eu disse a ela que você só queria pensar. Por isso não atenderia o celular.

– Obrigada! Você foi um grande amigo.

Ele sorriu gentilmente e lhe propôs tomarem o café.

Os dois sentaram na bancada que dividia a cozinha da sala, ele havia feito café, comprado pão, suco e queijo. Os dois não falaram nada, apenas se olharam durante todo o café. Ele satisfeito, e ela com desejos, ao percorrer cada detalhe do seu peito nu, de cada toque, cada beijo, sem duvida ele era mais quente que o Fabiano na cama. Mas nada superava o que acontecia entre ela e Lucas, os lençóis pegavam fogo literalmente. Era como se ambos precisassem realmente um do outro para sobreviver. Mas logo a imagem de Lucas e Marcela sentados, ele segurando as mãos da sua amante, lhe invadiu os pensamentos e sua expressão amargurada voltou a face.

– Melhor eu ligar agora pros meus pais.

Gustavo sorriu e assentiu com a cabeça.

Justine respirou fundo e disse a si mesma.

– Bem! Prepare os ouvidos garota.

Discou para o celular da mãe, mesmo sendo mais histérica que seu pai seria, Justine sabia que a dureza na voz do pai, lhe partiria ainda mais o coração.

– JUSTINE! CADE VOCÊ MENINA? – disse Maria em meio à histeria.

– Oi mãe… – sussurrou ao celular – eu to bem, não se preocupe ta?

– Então porque estava sussurrando? Você foi seqüestrada? Se foi, de um sinal, uma tosse! Ande menina me diga algo.

– Calma mãe! Que coisa, você ta loca? – logo percebeu que sua mãe andava vendo TV demais – Olha, eu to bem ta legal, só precisei de um tempo. Briguei com o Lucas e foi isso. Marcela não te avisou que eu estava em um hotel e só queria paz?

– Sim, mas ela estava desesperada, eles ligavam sem parar para ter noticias, na esperança de que você nos desse noticia. Menina! Você quase enfarou seu pai de tanta preocupação.

Aquela palavra lhe atravessou o peito como um punhal, em meio à raiva ela havia esquecido completamente de avisar os pais.

– Me desculpe mãe… Olha, logo eu volto pra casa, vou tomar um banho, respirar fundo e volto pra casa, certo?

– Qual hotel você esta?

– A senhora jura que vou contar né? Nada pela senhora mãe, mas sei que vai ligar correndo pro Lucas, e por hora não desejo vê-lo.

– Volte logo. Vou falar com seu pai que você ligou. Ele ainda está dormindo, tivemos de dar calmante.

Aquilo parecia uma tragédia grega. Ela desligou o celular e não saiu do sofá.

– Você esta bem pequena?

– Estou, é só que esqueci dos meus pais cara, como eu pude não avisa-los?

– Marcela não os avisou?

– Sim, mas a minha mãe… Ai! E o meu pai… Sabe, eu devia ter ligado.

– Relaxa – disse ele ao se sentar ao lado dela – tudo vai se explicar, você deve conversar com Marcela e com o Lucas, acho que o que você viu foi tudo um mau entendido.

– Será?

– Pelo que ela me contou, certeza!

Então ela havia traído seus dois amores sem motivos, e ainda pior, traídos com o melhor amigo de Marcela. Que tipo de pessoa era ela? Sua cabeça girava em um turbilhão de pensamentos. Como ela era fraca e covarde. Como ela era egoísta e só queria usar daquele momento uma desculpa para satisfazer seus impulsos. Em meio à lagrimas ela disse.

– Por favor, quero que fique só entre nós o que aconteceu esta noite. Sei que você não esconde nada da Marcela, mas isso a mataria.

– Calma pequena. Não fique nervosa novamente, eu não sou o tipo de cara que sai por ai contando quem comeu ou deixou de comer. Não sou do tipo que conta vantagem nem coisa do tipo. Os calados comem mais – resumiu com um sorriso presunçoso.

– Isso é… Obrigada mais uma vez, por tudo!

– Capaz! Eu que lhe agradeço, afinal, tive uma noite de folga, ao lado de uma mulher maravilhosa.

Justine sorriu sem graça com as bochechas coradas.

– Não acredito! A senhorita envergonhada?

– Ah! Não é porque eu sou meio porra louca que não sinto vergonha de ouvir elogios.

– Então, já que você vai conversar com o Lucas e a Má, e eu sei que tudo vai voltar ao normal entre vocês. Tipo, já que pecou e a penitencia é a mesma… Que tal um banho a dois?

Justine abriu um sorriso sacana e pulou em cima dele no sofá, os dois começaram a se beijar e ele tirou a camiseta que ela usava sob o corpo nu. Ele baixou a calça de moletom e seu pau já estava rijo sentindo a buceta de Justine lambuza-lo. Sem pensar muito, ele a segurou pelo quadril, a levantou um pouco e encaixou seu pau no buraquinho lambuzado, ela inclinou a cabeça para trás e gemeu.

 

De joelhos ela se movimentava como se cavalgasse, o sobe e desce, os calor dos corpos, os gemidos baixos de Gustavo, e excitavam mais, ela queria muito mais. Então de virou de costa para ele, sentada em seu pau, ela começou a se movimentar cuidadosamente, Gustavo logo ocupou as mãos, uma para massagear o seio esquerdo a outra para massagear o clitóris. Aquela era uma sensação maravilhosa, suas pernas mau a agüentava, tremiam tanto que ela sabia, iria explodir em gozo.

Logo ele também gozou, e seus copos ficaram imóveis no sofá como estatuas, o cheiro do sexo pairava pelo ar. Agora era hora de enfrentar a realidade.

(Continua)

Freak Butterfly.

Justine – O desejo do desconhecido I

pés

Que Justine amava Lucas isso era fato, mas que ela amava Marcela também, e que estava confusa era visível. Estes pesadelos só poderia ser resultado de uma confusão mental dos pensamentos que andava tendo, para se tranqüilizar em suas suposições, ela foi procurar Gustavo.

Gustavo era uma espécie de psicólogo de botequim, ele havia estudado dois anos de psicologia, mas por problemas familiares e o descontentamento com o curso o fizeram parar de estudar. Sem alternativas no momento, Justine resolveu ligar pro amiga e marcar um lugar para que conversassem a sós.

 – Alô!? Gú?

– Sim, sou eu Jú. Como está?

– Não muito bem… – em sua havia o toque do pesar.

– O que houve pequena?

– Preciso muito conversar Gú, podemos nos ver hoje?

– Acho que sim, se for antes do trabalho, tudo bem.

– Claro, quanto antes melhor!

– Que horas?

– A hora que você achar melhor.

– Quer almoçar comigo?

– Mas já não quase 3 horas da tarde.

– Bem, eu trabalho na noite, que horas você acha que eu almoço.

– Bem… É que eu estou no trabalho, mas vou falar com minha chefe, ver se ela me da uma horinha ao menos pra resolver isso logo. Já eu te retorno.

– Ok, eu vou almoçar aqui próximo de casa, em um restaurante chinês, sabe qual é?

Meio desorientada ainda, já que havia ido apenas uma vez na casa de Gustavo, ela apenas disse que sim e já lhe retornaria.

– Ok! Até mais, pequena.

– Até!

Depois que uma cena de novela mexicana, Justine convenceu a chefe de que não estava bem. Desde pequena Justine tinha um dom para persuadi as pessoas a acreditar que estava com problemas ou doente. Sua mãe sempre dizia que ela estava perdendo a chance de ser uma grande atriz.

Enquanto corria para o carro ela ligou para Gustavo que lhe passou as coordenadas mais fáceis para que ela chegasse ao restaurante sem problemas.

Cerca de 40 minutos dentro de um engarrafamento, onde seus miolos fervilharam em meio a vários pensamentos, ela finalmente chegou ao tal restaurante, onde o amigo lhe esperava na porta fumando um cigarro.

Olhando daquele ângulo Gustavo era um rapaz incrivelmente charmoso, seu jeito despojado e básico fazia seu olhar se destacar ainda mais naquele emaranhado de cabelo no rosto. Antes de descer do carro Justine não conteve em analisá-lo de cima abaixo e disse a si mesma.

– Como pode Marcela não se sentir extremamente atraída por ele!

Logo em seguida se assustou com o súbito comentário. Imediatamente, desceu do carro, antes que demais pensamentos lhe corresse novamente.

– Pequena! – disse Gustavo feliz ao vê-la.

– Oi Gú – respondeu Justine apressando o passo para encontrá-lo mais rápido.

Os dois se enroscaram em um abraço apertado, o que não era tão comum assim entre eles, visto que Gustavo sentia ciúmes de Justine com Marcela, a amizade dos dois vivia abalada entre brigas.

– Nossa! Quanto tempo não te vejo baby, você está belíssima, diferente da época que andava pelo bar.

– É, o que o “amadurecimento” não nos faz – e os dois explodiram em risos.

– Vamos nos sentar lá dentro. Eu já almocei, mas se você quiser beber algo, eu lhe acompanho.

– Claro, vamos!

Os dois entraram e buscaram por uma mesa mais reservada onde pudessem conversar melhor. Sentaram-se em um canto afastado dos olhos de todos que entrassem ali. Meio apreensiva, ela não parava de estalar os dedos.

– Então. O que houve Ju?

– A Gú, eu não ando nada bem… Ao menos durante o sono não. Parece estranho, mas é que agente conversava tanto quando eu namorava o Fabiano, você é bom nisso, nunca deveria ter desistido da carreira de psicólogo.

– Rá Justine, você é uma piada mesmo, vamos me diga, o que está acontecendo?

– Bem… – disse ela enquanto baixava a cabeça envergonhada – você sabe que eu e Marcela ainda nos vemos não é?

– Sim claro, ela me liga quase que diariamente.

– Serio?! – perguntou espantada.

– Sim, claro. Sempre me pergunta o que fazer pra te esquecer.

Justine agora estava parecida com o tomate maduro, seu rosto queimava com o sangue que lhe pregou a face. Como Marcela pudera pensar assim quase que todos os dias. Como se ele tivesse ouvido seu pensamento Gustavo lhe respondeu.

– Ju, tu sabes que ela te ama demais e tudo mais, eu não sei que mel tu tens ai menina, mas Marcela é viciada em você. Porém, seu namoro com o Lucas a faz mal e ela sabe o quanto lhe faz mal também,então ela tenta diariamente encontrar uma solução para a sua felicidade.

Justine começou a relembrar as ultimas atitudes de Marcela, depois do que houve no campo, Marcela nunca mais fora a mesma, ela deu mais espaço a amiga, e seu ciúmes já não era tão obvio assim.

– Então é isso – sussurrou para si mesma.

– O que disse?

– Nada.

– Então, qual o problema?

– Pesadelos!

Gustavo pode ver o temos escorrendo pelos olhos de Justine, realmente aquilo era algo que a aterrorisava.

– Olha Gustavo, eu vou lhe ser muito sincera, talvez até mais do que deveria. Não sei se Marcela lhe disse o que aconteceu entre mim, Lucas e ela.

– Sim – disse ele com um meio sorriso sarcástico – eu nunca tive tanta inveja do Lucas como tenho agora. As duas garotas mais formidáveis que conheci só pra ele – disse a ultima palavra em um quase suspiro.

Envergonhada ela seguiu em frente.

– Olha Gú, você pode nem acreditar pelas atitudes que eu tomo, mas eu amo demais a Marcela, mas também preciso do Lucas como preciso do ar para respirar. Antes mesmo, quando ainda o que ocorreu eram só planos, eu comecei a ter um pesadelo horrível. A Principio, ele seria até excitante, mas esta cada vez mais intenso.

– Me fale sobre o pesadelo.

– Primeiro era eu em um corredor escuro, onde só podia se ouvir gritos e gemidos, quando consegui atravessar a escuridão e alcançar o quarto iluminado, era como se eu entrasse no filme 120 de Sodoma.

– Hum… Mas isto seria bom… – disse ele ainda com o meio sorriso estampado.

– Ta Gustavo, até seria, se Marcela e Lucas não fosse o centro da orgia. Se eles não estivessem transando e nem se quer notar minha presença. Eu tentei gritar, durante todo sonho, mas minha voz só saiu quando eu despertei. Desde então quase que todas as noites eu tenho este pesadelo, o mesmo corredor escuro, às vezes eu posso ouvir os gemidos e gritos em outras eu só sigo o ponto de luz, e sempre, como um ato sagrado, os dois estão se deliciando um nos braços do outro.

Depois de um longo silencio, Gustavo decidiu interromper os pensamentos aterrorizantes da amiga.

– Bem isto é meio claro, você esta com medo de ser trocada, de não ser mais o centro das atenções. Claro que pode haver uma serie de outros fatores, como desejos escondidos, seus medos, anseio, e a pressão do dia-a-dia. Pesadelos contínuos são para nos lembrar disso tudo, para nos possamos resolver o que nos atormenta.

– Não sei o que fazer – disse já entre lagrimas.

– Olha linda, não chore, são só sonhos. Mas é claro que está na hora de você tomar uma decisão. Marcela é uma pessoa incrível e não pode viver para sempre ao seu lado como um brinquedinho que você ama e não consegue largar, mesmo com um brinquedo novo.

– Ela não é um brinquedinho! – sibilou Justine.

– É um modo de tentar te explicar, eu sei que você a ama, é estranho, mas todos nós temos algo estranho então não vou te julgar pequena. Mas pense no que realmente quer, se não por você, por Marcela, a liberte. Pois ela nunca terá coragem de lhe dizer “adeus”. Compreende?

Aquelas palavras invadiram o pensamento de Justine como um Tsunami. Ela se sentia mais culpada do que nunca de “usar” Marcela daquela forma. Como uma criança, ela abaixou a cabeça na mesa e começou a chorar. Por instinto, Gustavo começou a afagar seus cabelos.

Depois de um longo tempo, os dois saíram de lá e foram caminhando até uma pracinha. Sentaram-se em um banquinho distante e apenas admiraram o sol que já desejava se esconder da lua. Como um casal de namorados, ela já em seus braços ainda em soluços.

– Nossa Gustavo, há tempos eu não me sentia assim… Não sei, é como se você me dizendo aquilo tudo, me desse uma cruz para carregar, mas eu poderia decidir até onde a levaria.

– Pequena, eu não queria lhe deixar mal, nunca quis isso, mesmo em meio a tantas brigas nossas por causa da Marcela, eu gosto das duas – ele riu – claro que não da mesma forma como você consegue gostar da Marcela e do Lucas – você ainda é uma incógnita para mim.

Justine não teve outro impulso se não sorrir calorosamente ao comentário do amigo. Ela se aninhou confortavelmente nos braços dele e olhou o céu que já era laranja com lilás. Ele confuso, beijou-lhe os cabeços e retornou a afagá-los. Sem duvida aquilo era a coisa mais estranho que lhe acontecerá nestes últimos tempos. Mas ambos não poderiam ser “inimigos”, eles teriam de ser mais amigos do que nunca para tentar ajudar aquela que tanto amam.

A Lua cheia já remetia sua luz nas estrelas quando Gustavo viu que estava atrasado para ir trabalhar. Justine então lhe ofereceu uma carona, era o mínimo que ela poderia fazer a ele, depois do apoio que lhe dera a tarde toda.

– Vamos á em casa então, vou trocar de roupa, pegar minhas coisas e aviso o Fabiano que estou indo.

– Por favor, só não diga a ele que estava comigo. Ele pode dizer a Marcela, ela pode distorcer tudo e não osso mais magoá-la.

– Fica tranqüila, ele me deve algumas. Vou manter sigilo do que eu estava fazendo, e quando ele começar a especular, digo que estava com uma garota que conheci semana atrás no bar.

– Obrigada – disse ela em um terno sorriso.

(Continua)

Freak Butterfly.

Justine – Pesadelo em Sodoma

ventre

Depois daquela noite de sexo selvagem entre Justine e Lucas as coisas nunca voltaram a ser as mesmas. O papel de dominadora de Justine, agora, se revezava com Lucas. Passaram-se duas semanas e a cama ainda pegava fogo, porém Justine se sentia na angústia da decisão: casar ou não casar?

Uma noite, ao chegar em casa, Justine se depara com um envelope encima da cama. Não era um envelope comum, ele era grande, marfim, com detalhes em dourado. Ela o pegou e sentiu um choque percorrer suas veias ao ler o nome de Mario.

“Para Carlo e Família”

Era um convite de casamento. Durante esta vida maluco em que estava, ela até havia se esquecido por instantes de seu primo Mario, que a cerca de um ano estivera em sua casa e os dois tiveram um pequeno caso.

 – Caraba! O Marinho já vai se casar… Que disperdício! Bonito daquele jeito, seria mais feliz solteiro… Ou não né, quem sou eu pra dizer algo.

 – Justine! – chama a mãe na porta.

– Entra mãe!

Ela ficou parada na porta e viu o envelope na mão da filha.

– Ah! Já está sabendo então, vim aqui te contar a novidade. Quem diria, Marinho vai pro altar.

– Entra mãe, eu não vou morder.

Ela entrou e se sentou na poltroninha de canto.

– Eu queria mesmo falar com você.

– Pode falar mãe.

– E então filha, você pensou sobre o pedido de Lucas?

– Estou pensando… – disse ela meio desconfiada – Por quê?

– Bem, filha, seu pai ficaria feliz com isso. Ele anda preocupado com você.

– Como é!? – perguntou Justine com os olhos arregalados.

– Ué filha, eu não podia falar pro seu pai?

– Mãe eu não queria! Eu não sei ainda o que vou fazer, daí a senhora vai e fala pra ele, o coitado vai ficar cheio de esperanças.

– Filha, isso fez bem a ele. Nos últimos meses, antes de estar com Lucas, você estava estranha, chegava tarde, e bêbada, quando não estava com aquele namorado esquisito lá do bar. Você nem tem mais amigos filha, só a Marcela, se bem que é bom, seus amigos eram mais estranhos ainda e a Marcela é uma boa menina.

 – Olha mãe… Isso… Isso é algo que eu que tenho de decidir.

 – Eu sei, mas acho que chegou a hora de você repensar sua vida, e planejar seu futuro. O tempo voa menina, e Lucas me parece um rapaz bom.

– Eu sei mãe… – disse cabisbaixa.

– Quero que ele venha jantar conosco amanha!

– Amanha? Mas… Mas como? Nem sei se ele pode!

– Ligue pra ele, o convide, me diga qual o prato preferido dele e farei. Simples, não tem mistério e eu e seu pai não mordemos – disse enquanto saia pela porta.

– Ta bom…

Ao fechar a porta Justine se remoeu de raiva. Se antes ficou indecisa, agora mais ainda. O que faria? Afinal o que a mãe lhe disse tinha sentido, Lucas era um bom rapaz, fazia tudo o que Justine desejava, e além disso, o sexo entre eles era ótimo, mas será que isso era motivo para casar? E Marcela? Ela morreria de desgosto. A cabeça de Justine deu um giro de 360° e seu estomago se embrulhou, ela correu ate o banheiro e vomitou. Ao terminar sentou no chão enfrente do vaso. Seus nervos doíam e as lagrimas já escoriam.

 – Puta que pariu! Porque eu não consigo me decidir!? Por que!?

Em meio ás lagrimas e lamentos, seu celular começou a tocar. Era Marcela. Ela respirou fundo e atendeu.

 – Oi Má.

– Você ta bem?

– To por quê?

– Eu te conheço muito bem! Voz de choro…

– Nada é só que eu tava conversando com minha mãe.

 – Brigaram?

– Discutimos… Mas não quero falar sobre isto.

– Ok! Bem, liguei pra saber se não quer passar por aqui e jantar comigo.

– Ai amor, me desculpe, mas estou enjoada demais hoje. E também, tenho que ver uma viagem.

– Viagem? Pra onde?

– Meu primo vai se casar!

– Aquele que você teve um caso!?

– É… Este mesmo…

 – Quem diria!

Justine achava engraçado ouvir isto novamente, o que Mario tinha que seria espantoso o casamento, afinal ele já era noivo a tanto tempo, já era de se esperar.

– É, um dia agente tem que casar né?

– Se for com você eu caso amanha!

Aquilo foi uma facada no peito de Justine, mais uma lagrima lhe percorreu a face morrendo nos lábios.

– É… É… Meio difícil né!? Tipo – Justine começou a enrolar a língua nas palavras – Ah Marcela… Marcela, assim você me deixa sem graça!

 – Eu sei, agente já conversou sobre isso.

– Desculpe!

– Tudo bem, eu tenho de me acostumar. Bem se você não vem, vou chamar o Gustavo, to meio angustiada hoje, não quero ficar só.

– Isso! Ótima idéia, convide ele.

– Você não ta brava?

– Não claro que não, eu já te disse, não vou empatar tua vida meu amor. E além do mais, ele é ótima companhia e te ama.

– Hum… Ta certo. Então ta!

– Beijos amor, ótimo jantar e juízo.

– Você também.

Aquilo seria mais difícil do que parecia, mas após ouvir o nome de Gustavo, uma lâmpada se acendeu na cabecinha de Justine. Talvez Gustavo fosse sua salvação, talvez a amiga se apaixonasse por ele, seria doloroso perder Marcela, mas tendo em vista as circunstâncias que sua vida estava, ela não poderia arriscar mais, ela teria de tomar uma decisão em breve.

Depois de um banho quente, ainda enjoada Justine foi olhar os e-mails. Lembrou da primeira vez que viu o recado de Lucas, os e-mails carinhosos que ele a envia quase todos os dias como um rito sagrado, nem que seja para dizer que esta com saudades ou que a noite foi maravilhosa.

Havia várias fotos, inclusive fotos da sua primeira viagem, quando Marcela também fora, ela nem acreditou quando encontrou uma foto dos três sorridentes a beira da lareira. Ela perguntava a si mesma, como não poderiam ser felizes os três juntos?

Pouco depois de colocar um pijama o celular tocou, era Lucas, então ela se lembrou do “convite” exigente de sua mãe para um jantar.

– Oi amor! – disse Justine ao atender.

– Oi linda! Tudo bem?

– Enjoada!

– Oh tadinha da minha gostosa. Já tomou remedinho?

– Não… Logo passa.

– Hum… Será que vem um bebê pra gente?

Aquela parecia a noite das apunhaladas, uma faca atravessou seu estomago e o enjôo aumentou.

– VOCÊ TA LOCO! – girou ela espantada.

– Calma Ju, eu falei brincando. Eu sei que você toma pílula, só acho que não da pra confiar nisso sempre. Eu ficaria feliz! – disse ele em tom de voz brando e agradável.

– Não, não, nem quero pensar, ta muito cedo pra isso.

– Ta você quem sabe!

– Ah! Antes que eu me esqueça, minha mãe te convidou pra jantar.

– Serio!

– Sim.

– Finalmente vou conhecer seus pais. Que maravilha amor!

– Há, mês que vem vamos viajar.

– Vamos? Pra onde.

– Ah, é casamento do meu primo, ele convidou a família e você irá junto. Tudo bem?

– Seu desejo é uma ordem, mas tenho que saber a data, pra deixar tudo certo.

– É só um final de semana, e eles moram perto daqui… Por favor, você não pode me deixar sozinha nessa.

– Calma, nossa parece que vai ao enterro e não ao casamento!

– É que eu não sei se te disse, mas havia dito a minha mãe sobre o seu pedido… E agora ela contou ao meu pai que ta todo feliz, e este casamento seu que será um falatório da minha mãe na minha cabeça de que eu também deveria me casar, etc, etc, etc…

– Por isso eu acho que você deveria aceitar, eu falo com eles amanha.

– NÃO! Deus, não eu não sei… Eu to confusa. Meu Deus. Me perdoa amor… Não sei como não enjoa de mim.

– Eu te amo… Simples assim.

– Também te amo.

– To com saudades gostosa. Porque não me aceita logo, assim teria você todo dia. Não agüento o vazio que fica na cama sem você.

– Também fico com saudades do teu corpo entrelaçado no meu. Mas hoje não dá, amanhã tenho que mil coisas no trabalho.

– Vou ter que me masturbar então, se não eu não durmo. To viciado em ti cadela.

– Não fala assim que eu me arrepio putinha.

Justine se levantou da cama e foi trancar a porta do quarto. Ela voltou e subiu a camisola na altura do umbigo e tirou a calcinha.

– Meu pau ta tão duro e quente… Ele pulsa teu nome cadelinha.

– Minha bucetinha da lambuzada, meu grelo pulsa pelo teu pau nele.

Ela percorreu a mão por toda a buceta depilada, lisinha, melada, quente, ela sentia seu coração batendo ali ao invés de estar no peito, ela suspirou quando colocou o dedinho lá.

– Você me deixa louca amor, me deixa sem ar. Eu to zonzinha já de tanto tesão.

-Eu também, e queria meter ele bem fundo em ti, te sentir quentinha e lambuzada como sempre. E meter meu dedinho do teu rabo… Ah que delicia!

– Hum… Isso é bom! Mete então, mete bem gostoso na minha buceta.

Ambos ficaram apenas gemidos ao celular, os corpos podiam estar distantes, mas a mente sempre se interligava. Não havia um dia se quer que eles fiquem apenas na vontade. Mesmo distante, os dois sempre davam um jeitinho de se realizarem.

– Acho que eu vou gozar! – disse ela entre os gemidos.

– Então gozo contigo gostosa.

E os dois explodiram de prazer. Exausta Justine virou para o lado toda lambuzada ela não conseguia se mover para nada.

– Eu te amo putinha!

– Eu te amo mais ainda minha cadelinha.

– Amanha ás 20 horas?

– Sim, estarei ai.

– Boa noite.

– Esta noite já esta ótima.

Eles desligaram e ela adormeceu assim. Semi-nua em meio ao aroma do seu próprio gozo.

Mais uma vez aquele corredor, escuro frio, mas desta vez tudo estava em silencio. Angustiada, Justine começou a tatear as paredes até a luz fraca que vinha por debaixo da cortina. Pela primeira vez, tudo estava em silencio, sem gritos ou gemidos, ela só escutava sua respiração ofegante. Ela não sabia o que era mais apavorante, o barulho ou o silencio.

Ao conseguir passar pela cortina, uma luz forte lhe cegou os olhos. Quando pode enxergar, viu que havia varias pessoas, sentadas em um enorme circulo, ela, ainda de fora do círculo viu que todos a olhavam. Ao se olhar notou que estava nua, com uma imensa barriga. No centro do circulo estavam Marcela e Lucas, como se ela não existisse para eles, ambos continuaram a fornicar. Parecia uma aula de Kama Sutra. Justine ficou imóvel, não conseguia mexer nem um fio de cabelo. As lagrimas e corriam rapidamente a face, ela queria gritar mas não conseguiu, tentou passar por meio a multidão, mas é como se ela estivesse impedida de atravessar o circulo. Marcela e Lucas desta vez não estavam apenas transando, eles estavam se amando. Algo sem sua barriga começou a se mover. Sem entender, mais uma vez ela tentou atravessar o circulo, sem sucesso e desesperada, com uma dor que crescia mais e mais, ela correi de volta ao corredor, no escuro ela se jogou ao chão, e um grito sufocado lhe escapou.

– NÃOOOOOOOOOOOOOOOO! NÃO PODE! NÃO PODE!

Ela acordou suava ao ouvir sua mãe gritando do outro lado da porta. Ela rapidamente, arrumou a camisola, se levantou para abrir.

– Justine! Filha o que ouve!?

– Nada – dizia ela em prantos – foi só um pesadelo… Um pesadelo horrível!

– Filha você tem certeza, não se feriu?

– Porque mãe? – ainda aos soluços.

– Porque você está cheia de sangue.

Ela virou para olhar a cama e percebeu que o lençol estava ensangüentado.

– Droga! Eu devo ter menstruado mãe. Não se preocupe.

– Vá tomar um banho filha, eu vou pegar um lençol limpinho pra você.

A mãe lhe beijou na testa e saiu para pegar roupa de cama limpa. Ela foi soluçando para o banheiro, sentou no vazo e confirmou o que já parecia obvio, ela estava menstruada. Mas porque aquele sonho estranho? Porque o barrigão? E porque Lucas e Marcela sempre se amando? Seriam seus maiores medos? Ela não parava de se questionar.

A água quente que escorria pelo seu corpo a fez se sentir mais segura.

 – Amanhã eu vou ter que resolver isso… Não agüento mais este pesadelo em Sodoma, não agüento mais.

Depois do banho voltou ao quarto, sua cama limpinha novamente, ela vestiu um pijama mais quentinho, e se deitou. Sua mãe lhe beijou a testa e docemente lhe disse:

– Tudo vai ficar bem!

Logo Justine estava dormindo, e desta vez ela não teve o louco pesadelo, e sim sonhou com a noite que teve junto ao primo Mario.

 

Freak Butterfly.

 

 

*Quer saber como tudo começou? Leia também os primeiros três contos da série:

https://freakbutterfly.wordpress.com/2008/09/11/justine-o-comeco/

https://freakbutterfly.wordpress.com/2008/09/13/justine-–-a-segunda-vez-pode-ser-melhor-ainda/

https://freakbutterfly.wordpress.com/2008/09/16/justine-–-amor-fraternal/