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Justine – Terremoto na Rotina (parte I)

Justine nunca pensara que a vida a dois pudesse ser tão monótona, não quando era com ela, agora sua vida era como de seus pais.

 – Que saco! – exclamou Justine para Amanda.

 – O que houve mulher? – perguntou Amanda.

 – Essa vidinha de dona de casa ta me matando, sabe, ver o Lucas só na hora do jantar, não temos mais sexo todos os dias, muito menos na quantidade que tínhamos, ela só fala de trabalho e mais trabalho, isso ta me deixando…. BROCHA!

 – Ui! Bate na madeira – dizia Amanda enquanto dava três batidinhas na mesa de centro da sala – Ju, mulher, acho que precisa sair mais, sei lá, tirar um dia de folga desse “casamento”, vamos enfiar o pé na jaca, o que acha?

Para Amanda isso era fácil, ela vivia longe dos pais, estudava de manha e estagiava de tarde três vezes por semana, tinha dinheiro e era solteira, além de ser muito bonita, as duas ficaram amigas em um encontro com Marcela para papear, Amanda era sua prima do interior, que agora havia colocado as garrinhas de fora.

 – É, mas sair sem o Lucas nem dá. Oh Deus, o negocio já ta ruim e eu nem casei ainda.

– Melhor cedo, antes que seja tarde pra voltar atrás.

– Mas eu amo o Lucas Mandita.

– Mas também já amou a Marcela e superou não foi?

– Fico sem graça de falar sobre ela contigo – cochichou Justine com a face rubra.

 – Sai fora, eu nem ligo pra essas coisas não, você sabe que eu não sou chegada, mas não tenho nada contra.

 – Ta certo…

– Bem, eu vou indo, tenho um encontro com um gatinho da internet – disse Amanda entre um sorriso malicioso.

– Mandita, olha lá, esse lance de internet é furada.

– Dá nada, eu já conheço um amigo dele, vamos a um barzinho rocker e tal.

– E você lá gosta disso menina?

– Gostos de homens maus, disso que eu gosto!

– Eu também gostava…. – disse Justine desanimada.

– Animo mulher! ANIMO!

Elas se despediram e Justine foi preparar o jantar. Tudo estava na mesa quando Lucas chegou, calado, ele foi até o quarto se trocar, em seguida voltou esquisito, sentou-se a mesa e finalmente falou.

– Justine, precisamos conversar.

As pernas de Justine balançaram e ela jogou o corpo sobre a cadeira e com as mãos apoiando o crânio começou a refletir no que poderia ter feito.

– Você esta bem amor?

– To… To sim, por quê?

– Ficou pálida, parecendo um morto.

Ele aproximou a cadeira da dela, e a abraçou.

 – Calma amor, bem, eu tenho uma noticia meio chata… Mas nada sério.

– O que foi?

– Tenho que ir para o Canadá resolver um problema, um dos meus clientes, se meteu numa fria, e tenho que ir lá defendê-lo, e como a firma tem uma filial em Toronto, me mandaram para lá.

 – Quando?

– Amanha!

– Já? Mas, e quanto tempo ficará?

– Não sei querida, isso pode levar dias, ou semanas.

– O caso é serio?

– É, mas prefiro não comentar nada agora.

– Tudo bem…. Se você tem que ir, quem sou eu pra dizer algo.

– Amor, sei que estou muito ausente, que não tenho te dado atenção, mas pode até ser bom, sabe, ficarmos longe um tempinho, a saudade vai bater e tudo pode voltar a ser como era.

Justine ficou meio desconfiada com aquelas palavras, mas decidiu não perguntar nada. Os dois jantaram, ela lavou a louça enquanto ele arrumava as malas. Ela foi para o quarto logo em seguida arrumar a cama.

Enquanto ambos escovavam os dentes, Lucas perguntou.

 – E então, vai querer transar hoje…?

Justine ficou catatônica, esquecera até como se escovava os dentes e quase engoliu a pasta.

– Justine, você me ouviu?

– É… Se você quiser, tudo bem.

– Eu to meio cansado e a viajem é longa, se você não se importar.

Com a escova na boca ela sorriu friamente e disse:

– Tudo bem, pode dormir.

Lucas beijou-lhe a testa e foi para cama. Justine estava pasma ainda com a pergunta. E começou a resmungar para si mesma.

– Como assim se eu quero transar? É obvio que eu quero, você vai ficar longe babaca! E como assim, perguntar se eu quero transar? E aquele papinho de vai ser bom? A mais isso não vai ficar assim não, ele vai viajar, eu vou é pra esbórnia.

Justine voltou para cama e nem se quer eu o beijinho de boa noite em Lucas, virou para o outro lado e tentou fingir que estava dormindo, enquanto sua cabeça não parava de maquinar aquelas ultimas frases dele.

 

Continua…

Justine – O Baile de Mascaras (Parte final)

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Justine ligou para Marcela e as duas foram a caça de um vestido perfeito, afinal, ela seria apresentada como noiva de Lucas a todos seus sócios, não podia parecer vulgar, mas também não queria perder sua identidade.

Depois de rodarem horas e horas de loja em loja, quando Justine estava perto de desistir passou enfrente a uma simples loja, e na vitrine uma bela vestido de cetim preto longo de alcinhas com um belo decote na costa.

– Será que fica muito vulgar, parece uma camisola? – perguntou para Marcela.

– Ele é lindo, simples e lindo, e não é camisola, ta na etiqueta, és vestido! Eu acho que não, você é jovem e tem um belo corpo, por acaso vai querer usar o que? Um terninho?

– Claro que não… Mas sei lá, não sei como são as mulheres dos outros advogados…

– E desde quando você ligou pra isso?

– É importante pra ele… Só isso!

– Bem, vamos entrar, experimentar e daí agente analisa. Ok?

– Certo!

O vestido caiu como uma luva. Ficou perfeito, era realmente o que procurava, como não havia muito decote na frente e com  o de trás sendo grande, o vestido não ficaria vulgar.

– Falta apenas os acessórios certos! – disse Marcela.

– Você acha?

– Claro. Sabe aquela coleira de brilhantes que o Lucas te deu mês passado?

– Sei…

– Ela vai ficar perfeita! Não vai mais precisar de nada. Só ele e essa aliança gigante ai já bastam. Agora falta a mascara. Mas sei onde tem umas fantásticas, daquelas de cinema.

– Ok! Você me convenceu, vou ficar com ele, afinal, ele é a minha cara!

As duas foram para a loja de mascaras, realmente era uma mais linda que a outra Justine ficou em duvida de qual levar, depois de muito vasculhar, eis que lá estava, a mascara perfeita, era simples, sem muitos adereços, mas era sedutora, imitação de couro repleta de furos para a visão cobria somente a região dos olhos.

– Perfeita! Vou levar esta! – exclamou Justine.

– Não ta muito simples?

– Eu adorei!

– Ok, então vamos, se não você não conseguirá se arrumar a tempo.

Ao chegar em casa tudo estava escuro, Lucas não estava lá. Encima da mesa da cozinha havia o convite e um bilhete.

“Querida Justine, desculpe mas tive algumas coisas de ultima hora para resolver, aqui está o convite e o dinheiro para o táxi. Estarei lhe esperando lá.

Te amo…

Lucas”

– Não acredito que ele me deixou aqui pra ir sozinha a um lugar desconhecido.

– Ah Ju! Da nada, eu te deixo lá, vá tomar um banho que eu vou te ajudar a se preparar pra grande noite! – risos.

– Porque esta rindo sua boba!? – indagou a furiosa Justine.

– Ah, é que achei bonitinho isso tudo, você ta a típica moça de família… Fico pensando “cadê a puta da Justine? Onde ela se perdeu?”.

– Cala a boca!

Marcela se abre em risos.

Justine foi para o banho e Marcela colocou tudo que ela precisava sob a cama. O vestido negro, a coleira de brilhantes que tem como detalhe uma correntinha caída e uma gota de brilhante na ponta, sandália de salto preta com pequenos detalhes em pedraria, Marcela achava aquela sandália um fetiche absurdo. E por fim a mascara.

Marcela maquiou a amiga, olhos mais leves, bochechas rosadas e boca marcante. Cabelos preso com um coque para não esconder o decote. Ela estava incrivelmente linda. Até Marcela ficou espantada.

– Como você cresceu! – suspirou Marcela.

– Para de ser boba, você ta me deixando nervosa.

– É serio amiga, você mudou, está mais madura e mais bonita ainda.

– Obrigada… E valeu pela ajuda, não teria conseguido sem você.

– Capaz! Bem, vamos nessa, se não sua carruagem vira abóbora!

Ao chegarem ao endereço, as pernas de Justine estremeceram, tudo estava deslumbrante, as pessoas chegando, parecia entrega do oscar.

– Não sei, estou nervosa. Será que estou bem?

– Claro, você está ótima, no maximo causará inveja a essas velhas caídas.

– Vou ligar para o Lucas pra ele me encontrar na porta.

– Oi amor – atendeu Lucas.

– Onde você esta?

– Eu estou no escritório assinando uma papelada.

– Droga Lucas! Eu estou aqui na frente. Anda, eu não vou entrar sem você.

– Entra amor, logo eu chego e te encontro lá dentro. Está muito frio ai fora.

Realmente aquela era uma noite gélida. E suas roupas não eram tão apropriadas para se manter aquecida, mesmo com o sobre tudo que vestia.

– Ok! Você me deve muito viu! Odeio você.

– O Lucas me paga!

– Vai lá e arrasa. Me liga amanha pra conta como foi.

– Te amo Má!

– Eu também Jú.

As duas deram um selinho e Justine saiu enfim do carro. Já com a mascara caminhou até a portaria rapidamente, entregou o convite, recebeu um sorriso de boa noite e entrou no hall. Tudo estava impecável. As pessoas estavam lindas, as mulheres pareciam de revista. Ela ficou parada por alguns instantes sem conseguir tirar o casaco, então repetiu para si mesma silenciosamente: “Pare de ser boba, vá lá e seja você mesma. Arrase!”.

Ela foi até a chapelaria para deixar o casaco.

– Boa noite senhora! Está acompanhada de quem?

– Boa noite, estou com o senhor Lucas Vittorelli.

O chapeleiro fez sinal para pegar o casaco de Justine, ela então respirou fundo e o tirou para entregá-lo, rapidamente, ela pode sentir os olhares do salão vindo em sua direção.

– Aqui esta senhorita, seu cartão para retirar o casaco. Tenha uma ótima festa!

– Obrigada – disse ao se retirar para o salão principal.

Onde ela passava as pessoas a olhavam, os homens de desejo e as mulheres de inveja. Foi como Marcela havia previsto. Ela pensou consigo mesma que precisaria de uma bebida e foi para o bar.

– O que a senhorita deseja?

– Champagne – disse um cavalheiro ao lado.

Justine olhou esperando que fosse Lucas, mas não parecia.

– Obrigada, mas prefiro um whisky – disse olhando para o garçom.

– A senhora está sozinha? – insistiu o cavalheiro.

– Não, estou esperando meu noivo.

– Que cavalheiro de sorte! Pois a senhorita é a que mais brilhará neste salão – ele segurou a mão de Justine, beijou-a e partiu para a multidão.

Seu coração estremeceu, as pernas ficaram bambas, ela tornou a dose de whisky e fez sinal pedindo outra.

– Noite difícil senhorita?

– Acho que será! – ela sorriu e se retirou.

O celular não tocava e nem sinal do Lucas, afinal com tantos rostos escondidos, como ela saberia quem ele seria de fato. Resolveu ficar parada próxima a entrada. Depois de alguns minutos a angustia bateu em seu peito, o que ela deveria fazer? Ir embora e depois matar o Lucas em casa? Relaxar e aproveitar a festa? Então ela sentiu alguém a observá-la. Lá estava um rapaz parado, a poucos metros olhando-a fixamente. Ele estava de smoking preto e uma mascara branca que cobria toda a face. Depois de alguns minutos de olhar fixo, Justine se sentiu mal e começou a andar, logo o homem misterioso começou a segui-la. Justine deu a volta pela pista de dança tentando encontrar um rosto familiar e nada. Então resolveu seguir até o banheiro.

Para chegar lá tinha de atravessar um corredor imenso com luzes ambiente e decorado em tecidos e mascaras. Por sorte ou azar, o corredor estava deserto. Justine apressou o passo e o cavalheiro misterioso fez o mesmo. Então ela correu até o banheiro. Ao fechar a porta seu coração havia disparado. Ela se olhou no espelho e pela primeira vez na noite viu o quanto estava encantadora, abriu a pequena bolsa e tentou ligar para Lucas, mas não obteve sucesso. Ela se sentou em um puf e decidiu esperar até que alguém aparecesse.

Cerca de 15 minutos depois uma bela senhora entrou no banheiro.

– Oh! O que faz aqui minha jovem? Você está bem?

– Só fiquei um pouco enjoada.

– Animo, é uma festa linda, deve aproveita-la!

– Sim, obrigada senhora – disse Justine ao se levantar.

– Qual o seu nome mocinha? É filha de alguém aqui?

– Não, não. Meu nome é Justine sou noiva do Lucas Vittorelli.

– Oh! O Lucas, ótima rapaz! Meus parabéns, será que posso felicitá-la?

– Claro – disse Justine sem graça ao aceitar o abraço.

– Parece que o pequeno Lucas também é um rapaz de sorte, você é uma mocinha encantadora. Meu nome é Lurdes Maria Ramos, meu marido trabalho com ele.

– Ah o senhor Ramos! Já ouvi falar dele.

– Espero que bem – disse a sorridente senhora.

– Sempre! – concluiu Justine com um sorriso.

– Vá querida, vá encontrar Lucas, eu ainda não o vi hoje.

– Senhora? Quando entrou aqui, viu alguém pelo corredor?

– Não, não, estava vazio.

– Ah, obrigada! Vou procurar por Lucas. Foi um enorme prazer Senhora Ramos.

– O prazer foi todo meu, mas pode me chamar de Lurdes querida.

– Obrigada Lurdes – disse Justine acenando positivamente com a cabeça.

Ao abrir a porta, ela ainda estava desconfiada, verificou o corredor e nada viu. Suspirou e saiu andando normalmente.

– É, parece que o maluco enfim me deixou em paz.

Quando passou por algo que parecia uma cortina, sentiu uma mão envolver sua boca e um braço por sua cintura. Ela tentou gritar, mas não conseguiu, ela se debateu, mas o estranho era mais forte e a puxou para trás da cortina. Era uma sala vazia, escura, com várias tralhas, ele a soltou, e ficou admirando sua face de espanto.

– Quem é você o que você quer? – disse Justine desesperada.

– Shhhhhh – disse o cavalheiro misterioso fazendo sinal de silêncio com a mão.

– Olha, se você não disser o que quer agora, eu vou gritar.

O cavalheiro nada respondeu, apenas se aproximou dela acariciando sua fria face.

– Me deixe ir…

O cavalheiro fez sinal de que ela poderia partir. Quando Justine levantou, ela a puxou com força e a jogou contra a parede, tapou sua boca e tocou em sua costa. Com seu corpo imprensado ao dela ele livrou uma mão para puxar o vestido para sina até que pudesse tocar sua bunda. Que sorte, era uma pena calcinha para não marcar o vestido. Justine tentava escapar e gritar, mas não conseguia. E novamente o cavalheiro fez “shhhh” para que ela relaxasse.

Ele tocou sua buceta por cima da calcinha e a sentiu molhada, essa era Justine, até entre esses joguinhos ela ficava excitada. Ele baixou o zíper, ela ouviu a calça cair. Afastou a calcinha e ela travou as pernas. Ele começou a acariciá-la, a tocava, até que não resistindo cedeu. Empinou o rabo para abrir passagem ao estranho, ao sentir ser penetrada, percebeu que aquele pau, aquele jeito era familiar. Na primeira estocada, o cavalheiro soltou os lábios de Justine e a puxou pela corrente da coleira se aproximou até o ouvido dela e sussurrou.

– Eu te amo puta gostosa!

Era Lucas! Justine então se entregou de vez ao prazer, encostada da parede ela a estocou com força segurando-a pela coleira de brilhantes. Ela queria gemer alto, se soltar, a tempos não tinha essa sensação de perigo, de que alguém pudesse chegar, de que aquele fosse um estranho, de que depois dali, ela voltaria ao salão esporeada. Ela empinava o rabo caba vez mais, e teve direito até a uns tapinhas. Logo ambos gozaram. Tudo foi tão intenso que a porra de Lucas misturada a de Justine escorreu por entre as coxas. Preocupada em sujar seu longo vestido negro, ela o puxou até a cintura delicadamente para não amassar.

Lucas levantou um pouco a mascara e agachado percorreu a língua pelo mel que descia, depois retirou um lenço do bolso e limpou as coxas da amada.

– Pronto querida, pode baixar o vestido.

– Você me assustou – disse Justine ao dar um tapinha no braço de Lucas.

– Eu sei que você gostou safadinha.

Justine deu um sorrisinho sacana e arrumou o vestido.

– Está tudo certo?

– Linda! Nossa você esta belíssima, adorei, tudo o vestido, a mascara e a minha coleirinha!

– Vou ao banheiro retocar a maquiagem.

– Certo! Eu saio primeiro pra vê se há alguém no corredor.

Lucas abriu a cortina e olhou para os dois lados. Não havia ninguém, ele virou para Justine fez sinal de positivo.

– Vamos!

Os dois saíram como se nada tivesse acontecido, ela seguiu até o banheiro e ele a esperou no inicio do corredor. Ela voltou, impecável como antes, sorriu e foram para o bar.

– O que deseja beber querida?

– Whisky!

– Um whisky para minha bela dama e uma taça de vinho tinto seco para mim.

– Sim senhor! – respondeu o simpático garçom.

A noite seguiu maravilhosa, Justine reencontrou a Senhora Ramos, conheceu os sócios de Lucas e dançou com o amado a noite toda. Os dois voltaram para casa relaxados. Foi uma noite incrível.

E antes de dormir, Justine e Lucas transaram mais uma vez, ela de mascara, coleira e scarpin e Lucas apenas de mascara. Fora mais uma transa maravilhosa digna de dormirem lambuzados.

Freak Butterfly

Justine – O baile de máscaras Parte I

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Pela primeira vez em muito tempo, Justine se sentia bem consigo mesma. Depois do casamento de seu querido primo e tudo que aconteceu em meio aos festejos, incluindo fazer amor pela primeira vez, sua vida estava tranqüila.

O noivado estava bem, correndo o curso tranquilamente, sem pressões como imaginava que seria. Mas essa rotina a deixava em alguns dias inquieta. Lucas trabalhava mais do que nunca, estava em um grande caso, que poderia lhe render uma ótima promoção. Então ela ficava mais tempo na casa dele para ajudá-lo com a organização. Justine estava se tornando a perfeita dona de casa.

Em uma tarde de sábado, enquanto Lucas fazia serão no escritório, Justine convidou Marcela para colocarem as fofocas em dia.

– Que saudades! – exclamou Justine ao abraçar a amiga.

– Eu também, pensei até que havia esquecido de mim – respondeu fazendo bico.

– Nunquinha mesmo sua boba! Vamos, entre!

Marcela entrou lentamente observando tudo, ela só havia ido ali uma única vez e como na época não gostava de Lucas, ela nem havia prestado atenção no apartamento. Era moderno e ao mesmo tempo antiquado, com uma estante imensa cheia de livros, e outra com DVD.

– Caracas Ju! Quem diria que você iria se tornar uma dona de casa! – disse Marcela sorridente.

– Para com isso, eu não sou dona de casa. Só estou ajudando o Lucas, ele esta trabalhando demais.

– Imagine como será quando se casarem…

– Para Má, poxa, você veio zombar de mim?

– Claro que não – respondeu com um sorriso bobo – é só que você não parece você. E isso é estranho. Todos tem perguntado onde anda a fogosa Justine.

– Ué, eu to namorando.

– Eu também, mas o Gustavo não me impede a nada.

– Ok! Ok! Eu sei que to meio parada. Ok! Muito parada… Mas é que o Lucas não tem tido tempo pra nada.

– Parece que já se casaram né amiga?

– Pior! Parece que nos casamos há 10 anos. Quer beber algo?

– Vinho?

– Tenho um ótimo! Fique a vontade amiga que eu vou pegar o vinho e as taças.

– Ok! – disse Marcela se acomodando em uma confortável poltrona de couro.

As duas passaram horas bebendo e conversando sobre suas vidas. Justine havia sido demitida do emprego e aproveitou para relaxar vivendo com o seguro desemprego, mas Lucas dava tudo que ela precisava. Marcela estava batalhando e vivendo bem com Gustavo, os dois finalmente se encaixaram e já até planejavam morar juntos. Marcela contou das festas que foi, das farras que curtiu ao lado do namorado e Justine se sentiu um nada, uma simples dona de casa. Já haviam se passado horas e Marcela iria no bar encontrar o namorado.

– Bem amiga, foi ótimo conversar com você. Eu ainda te amo muito viu, se precisar de mim, é só gritar – disse Marcela em um abraço de despedida.

– Obrigada Má, nossa você hoje me fez um bem danado.

– Olha Ju, não deixe nunca de ser você, não perca a sua essência por nada.

Aquelas palavras soaram como uma martelada em sua cabeça. Realmente, no que ela estava se tornando? Em tudo que nunca havia desejado.

– Ok… – afirmou sem graça.

Depois que Marcela se foi, ela ficou sentada no sofá, o sol caiu por terra e ela nem se quer moveu os dedos. A porta se abriu lentamente, tudo estava escuro.

– Justine? – perguntou desconfiado Lucas ao entrar.

– Sim! – sussurrou no escuro.

Lucas então acendeu a luz da sala e encontrou Justine deitada no chão com as pernas encima do sofá.

– Querida, você está bem?

Justine permaneceu muda por alguns instantes.

– Jú!

– O que é? – respondeu irritada.

– Você ta bem menina!? – perguntou Lucas ao se aproximar da amada.

– Não, eu não to nada bem!

– O que você tem, está doente? O que esta sentindo?

– Vazio Lucas! Vazio!

– Mas por que meu amor, o que te falta?

– Fodas, boas e excitantes fodas.

– Mas agente faz amor todos os dias, bem, quase todos os dias, eu sei que estou meio ausente…

– O problema é este amor! Fazer amor! Lucas, essa não sou eu… Não o eu que você conheceu e amou. Essa coisa de fazer amorzinho… Ergh! Me da até agonia, é muito casalzinho de velhos, cadê nossas brincadeirinhas, nossas fantasias?

– Desculpe querida, eu sei que estou ausente, sei que sente falta porque eu também sinto.

– Essa não sou eu… Eu me sinto presa demais. Nunca gostei disso, eu gosto de me sentir livre.

– O que quer que eu faça?

– Seja você novamente. Cadê meu pervertido, meu garanhão? Quero minha putinha de volta! – disse emburrada.

– Eu sei amor, eu sei! Olha é só uma fase, uma péssima fase, essa droga de caso esta acabando e as coisas vão melhorar, podemos ir onde você quiser, eu tiro uns dias de folga e vamos pra casa no campo, ou pra praia, ou se quiser, vamos até em uma casa de swing.

– Isso vai demorar?

– Claro que não minha garotinha mimada – disse ele enquanto afagava seus cabelos.

Eles se beijaram e Justine se levantou para preparar o jantar. Depois de lavarem a louça, resolveram ver um filme pra relaxar.

– Já percebeu que é sábado a noite e estamos em casa sem nada pra fazer? – disse Justine.

– Sim. Você quer sair?

– Você quer?

– Confesso que estou com um pouco de sono… Mas se você quiser ir, eu vou, sem problemas, tudo pra colocar um sorrisinho neste rostinho lindo.

– Não tudo bem, não trouxe roupas de balada.

– Me perdoe querida se eu não tenho lhe satisfeito como merece…

– Ok, eu entendo, certo!? Logo vai acabar não é?

– Sim! E vamos a fora! E falando nisso, sábado que vem vamos a uma festa.

– Que festa?

– É da ordem dos advogados, será um baile de mascaras.

– E estará cheio de velhos barrigudos com suas esposinhas medíocres?

– Você acha que serei barrigudo ao lado de uma esposinha medíocre? – perguntou Lucas sarcasticamente.

– Nunca, não se a esposinha for eu! – respondeu presunçosa.

– Estão vá comprar esta semana um vestido bem elegante e uma bela mascara, quero minha futura esposinha tesuda e gostosinha ao meu lado neste evento, lá serei apresentado aos demais sócios. Por isso irei. Certo?

– Ok, ok! Vou chamar a Marcela pra me ajudar a escolher algo elegante.

– Te amo boneca! – disse e depois beijou-lhe ardorosamente.

– Eu também minha puta, estou com saudades deste rabinho – disse Justine maciosa.

Os dois voltaram a se beijar e se jogaram ao chão. Lucas levantou a camisola de Justine e começou a beijar-lhe a barriga, descendo até as coxas, e com os dedos firmes percorreu a xoxotinha que tanto apreciava. Justine logo se contorceu ao toque quente de Lucas, sua pele ardia e os pelos arrepiavam, ela gostava daquele sexo não planejado. Lucas se levantou e segurando a mão de justine disse:

– Se ajoelha cadelinha, quero que engula meu pau todinho, eu sei que você gosta.

Justine se ajoelhou e colocou lentamente o pau de Lucas até que seus lábios encostaram-se à base. Ele gemeu e ela, rapidamente tratou de colocar um dedinho na borda do rabinho dele. Seu pau latejou com mais força, mas ela não o deixaria gozar, depois de algumas chupadas, ela olhou para ele e disse:

– Mete em mim!

De joelhos, ela apenas se debruçou no sofá, ele afastou as nádegas dela e admirou seu rabinho, deu uma lambida e começou a chupá-la, logo ela estremeceu, era sinal de que estava pronta. Ela a puxou para si encaixando seus corpos, Justine estava no vai e vem frenético.

– Está gostando cadelinha?

– Muito minha puta! Adoro foder contigo!

– Vai gozar gostoso no meu pau?

– Vou lambuzá-lo todinho.

Mais algumas fortes estocadas e os olhos de Justine brilharam, viraram e suas pernas tremeram. Em seguida Lucas gemeu e suspirou satisfeito. Os dois permaneceram sentados, ela no colo dele, sob sofá de couro, suados e cheirando a porra. Ela sorriu satisfeita.

Agora era se preparar para ser a dama perfeita no baile de mascaras.

Continua…

Freak Butterfly

Justine – De volta a realidade Parte Final

beijo

Justine decidiu tomar banho sozinha, vestiu suas roupas já secas, tomou um café puro e se despediu de Gustavo.

– É, está na hora de encarar a realidade.

– Tudo vai ficar bem, você verá!

– É… Obrigada pela noite, obrigada por tudo. Eu espero que… – Gustavo selou os lábios de Justine com um beijo não permitindo que ela terminasse a frase.

– Este é nosso segredo, vai ficar tudo bem.

Os dois se abraçaram como bons amigos, Justine suspirou e saiu porta a fora. Andou uma quadra até chegar ao carro, que não estava próximo caso Marcela aparecesse por lá.

No caminho para casa, seus pensamentos vagavam entre a noite maravilhosa e o que estava por enfrentar. Então começou a falar consigo mesma.

– E se eu realmente me enganei? Se realmente nada aconteceu entre o Lucas e a Marcela? E se o Lucas e ela souberem o que houve entre mim e Gustavo? Deus! O que foi que eu fiz? Porque não consigo controlar meus impulsos, porque não posso ser normal?

As lagrimas quentes e salgadas percorreram por sua face durante todo o caminho, pela primeira vez Justine sentiu a culpa pairar sob seus ombros. Lucas e Marcela eram seus maiores amores e ela os traiu sem dó nem piedade, ela nem se quer os ouviu, de certo para usar isso como desculpa para a traição, para não sentir a culpa, mas não teve como evitar. Quando ela ouvisse o que seria um tanto obvio a dor lhe tomaria o coração.

Ao dobrar a esquina de casa, já podia ver o carro de Lucas estacionado. Um calafrio percorreu seu corpo.

– Cacete! É agora! – disse assustada.

Ao entrar com o carro na garagem ela hesitou em descer do carro, sua vontade era fugir novamente, pois não queria ouvir que tudo fora apenas um engano.

Respirou fundo e fechou a porta, caminhou lentamente, até a porá ta frente da casa, como em um filme de terror, ela abriu a porta vagarosamente, e lá estavam Marcela, Lucas, Maria e Carlo, tomando café e conversando, quando notaram a presença de Justine, calaram-se imediatamente. Envergonhada, ela não abriu a boca. Então sua mãe se pronunciou.

– Carlo, vamos deixá-los conversar. Me ajude a ver o que vou fazer para o almoço querido.

– Claro amor! – ele virou para Justine e perguntou – Tudo bem filha?

Ela acenou positivamente ainda envergonhada. Podia ver nos olhos do pai a aflição do seu desaparecimento.

Ela caminhou até a poltrona que ficava enfrente ao sofá em que estavam Lucas e Marcela. Sem abrir a boca, olhou-os e esperou por respostas sem perguntas.

– Ju… – disse Marcela com um nó na garganta – eu queria lhe pedir desculpas pelo que ocorreu ontem, você não deveria ter visto o que viu. Não daquela forma. Sei que se sentiu traída em nos ver juntos, mas não é nada do que imaginou.

O estomago de Justine latejava em nervos.

– Ju… – prosseguiu Lucas – Marcela me ligou aflita, disse que precisava conversar comigo. Disse que não suportava mais vê-la tão triste por não saber que decisão tocar, ela soube do jantar que tive com seus pais, e também das minhas intenções de casamento. Mas também sabia que você não conseguiria deixa-la. Ela sabe o quanto à ama, e se sente feliz por isso… – Marcela já estava em prantos – mas acima de tudo, ela deseja sua felicidade. Ambos desejamos isso!

Após uma pausa silenciosa e torturante, Marcela voltou a falar.

– Eu só quero que tenha sua vida amor, eu sei que eu e você nunca seremos realidade, um fato. Eu e você somos apenas amigas que se amam demais, só que expressamos de uma forma nada convencional. Não quero que perca sua vida, e sei que nunca tomaria uma decisão então eu quis conversar com Lucas, pra dizer a ele que deixaria você em paz. Que não atrapalharia mais seus pensamentos. Me perdoe. Não queria que se sentisse traída.

Justine já chorava como uma criança que perderá os pais. Seus soluços deixaram Marcela e Lucas agoniados.

– Ju não chora! – disse Marcela ao se aproximar da amiga e seguiu sussurrando eu seu ouvido – eu te amo e nossa amizade nunca irá acabar.

– Eu também te amo Má! Me perdoe se pensei algo errado de você, me perdoe por tudo que te disse. Eu tava tendo uns pesadelos… E daí vi vocês… Eu… Eu não pude controlar… Eu fiquei louca… Me perdoe!

– Ju, se acalme, teus pais podem ouvir menina! – disse Marcela com um sorriso caloroso.

– Ju, nós só estávamos pensando no melhor pra você, em como lhe ajudar. Eu sei mais que tudo que você não consegue se decidir, não que quiséssemos decidir algo por você, mas queria-mos lhe ajudar a decidir, a saber o que você quer de verdade. E sei que você não queria magoar a Marcela com alguma decisão.

– Me perdoe amor, eu fui uma tola, uma idiota em pensar o que pensei de vocês. E… E… Vocês sempre pensando em mim, e eu egoísta! Egoísta! Uma idiota! – dizia ela quase histérica.

– Ju! Para menina, por favor, acalme-se, o que seus pais irão pensar daqui a pouco! – disse Marcela firmemente.

– Ok! Ok! – ela abaixou a face entre as mãos e disse baixinho – eu amo vocês. Amo muito!

– Agente sabe – disse Lucas sorridente.

– Vamos encerrar este papo, por favor! – disse Marcela em um tom de deboche – isto já estava parecendo novela mexicana. Porque você não se troca mocinha, afinal está com esta roupa desde ontem, banho percebi que tomou, ta de cabelos lavados, daí saímos os três, como bons amigos, para almoçar? E então? O que acham da minha fabulosa idéia? – perguntou sorridente.

– Ótima idéia Má! – concordou Lucas empolgado.

Justine olhou sem entender, e questionou consigo mesma se a partir de agora os três seriam amigos, do tipo que faz programas aos domingos, almoços, ou até programas de casais se Marcela se juntasse a Gustavo. Para ela seria um tanto estranho, como seria se os quatro saíssem juntos? No mínimo um tanto estranho, ao menos para ela.

– Tudo bem, eu não estou com tanta fome, mas será bom sair pra arejar a mente. Vou me trocar.

Justine foi para o quarto se trocar. Marcela e Lucas ficaram aliviados por resolverem o mal entendi tão fácil. Pelo temperamento explosivo de Justine, ambos imaginavam que seria mais complicado. Maria e Carlo voltaram para a sala.

– E então meninos? Tudo esclarecido? – disse Maria.

– Sim Dona Maria, tudo resolvido! – respondeu Lucas com um sorriso de satisfação.

– Se a senhora não se importa, chamamos Justine pra almoçar, pra conversar-mos um pouco mais – disse Marcela delicadamente.

– Claro querida! Sem problema algum, eu fico feliz que tudo esteja bem.

– Eu também, Justine tem uma sorte tremenda por tê-los! – exclamou Carlo.

– Não seu Carlo, nós que temos a maior sorte por ter Justine em nossas vidas, ela é um anjo – concluiu Lucas.

– Estou pronta! – disse Justine de prontidão na porta.

– Então vamos! – chamou Marcela sorridente.

Todos se despediram com beijinhos e abraços e foram para o carro de Lucas. Justine ainda andava meio desconfiada, sem se aproximar dos dois. Ela não conseguia entender como Marcela e Lucas se aproximaram tão rápido, como os dois riam e conversavam como se conhecessem há anos.

Os três entraram no carro e foram ao restaurante predileto de Justine, aquele seria um dia de paparicos, já podia sentir que seria tratada como uma princesa, como uma filinha do casal, cheia de mimos.

Durante o almoço Justine ainda estava confusa, era como estar na série de TV “Além da Imaginação”, como duas pessoas que se odiavam agora se tornaram tão bons amigos? Seu estomago revirou e Justine praticamente vomitou as seguintes palavras: CHEGA!

Os dois olharam para ela estáticos. Já irritada ela prosseguiu.

– Que foi em? Eu perdi algo? Eu entrei em como e fiquei fora muito tempo?

– Como assim Ju? – perguntou Marcela sem entender nada.

– Como assim digo eu! Eu sumo um dia e os dois, que mal se olhavam, praticamente se odiavam, agora são os melhores amigos? O que houve? O que eu perdi?

– Bem Justine, não é bem assim. – disse Lucas – Nunca odiei a Marcela. Eu simplesmente tinha ciúmes, muito ciúmes, porque sei que antes de mim, você amou somente ela. E ela pode lhe dar coisas que eu não lhe dou.

– Ju, eu apenas amadureci. Os dias que fiquei longe de você, foram dolorosos para mim, e quando soube do jantar, bem, antes que pergunte, liguei na sua casa no dia do jantar, e sua mãe me contou, não a culpe, ela estava animada por finalmente conhecer um namorado seu, e pelo fato do Lucas ter lhe pedido em casamento.

– Não acho que isso seja desculpa – Justine revirava os olhos enquanto falava.

– Bem, se eu puder concluir – disse sorridente – ENTÃO, depois de chorar barris de água salgada e conversar horas sem fim com Gustavo, decidi que se eu te amo, se eu amo de verdade, vou deixá-la partir. Sei que terei sempre sua amizade, seu que não deixarei de lhe ver. Então falei com o Lucas que eu a deixaria em paz, só pra ele, mas que se um dia eu a visse chorar, derramar uma gotinha se quer por causa dele, eu o mataria – concluiu com um enorme sorriso de satisfação.

– Ou vocês são loucos, ou eu que… Eu que não quero entender – disse Justine cabisbaixa.

– Você que não quer entender porque Marcela não será mais sua amante e sim sua amiga, e quem sabe sua madrinha de casamento – disse Lucas se divertindo com a idéia.

Justine arregalou os olhos e viu como num mini-video cenas do seu casamento e Marcela no altar como sua madrinha de honra, foi pavoroso se ver em um vestido branco tradicional, com véu e grinalda, ela soltou uma gemido.

– O que houve? Você esta bem? – perguntou Lucas preocupado.

– Estou é só que, hurg! Eu de véu e grinalda!

Marcela e Lucas não resistiram a gargalhadas.

– Só você mesmo Ju! – disse Marcela ainda com o riso estampado.

Depois do almoço fora passear no shopping, Justine comprou uma linda lingerie com a ajuda de Marcela, sem Lucas ver, seria uma surpresa para ele esta noite. Marcela tentava esconder o ciúmes tagarelando sobre o Gustavo, Justine tentava disfarçar o maximo para não dar nenhum bola fora, confirmando algo que ela dizia.

– E então meninas, querem fazer algo mais? – perguntou Lucas.

– Eu não Lucas, pra mim já basta, estou cansada e marquei com o Gustavo no bar mais tarde, vamos ver se nos reconciliamos – disse a sorridente Marcela.

– Te desejo toda a sorte amiga, ele é um bom rapaz – disse Justine com um sorriso amarelo.

– Pensei que não gostasse muito dele…

– Como o Lucas disse, era só ciúmes.

AS duas se abraçaram e Lucas acenou para irem para o carro. Elas caminharam juntas até o estacionamento, entraram no carro e Lucas deixou Marcela em casa.

– Obrigada por tudo Marcela! – disse Justine com um tom de tristeza.

– Eu que agradeço, e nunca se esqueça de mim, vamos marcar algo, não quero perder o contato – Marcela se aproximou da janela aberta do carro e deu um beijo em Justine – eu te amo, e quero vê-la feliz! – concluiu com um sorriso – Tchau Lucas, tome conta da minha boneca!

Marcela se virou, ainda sorridente, olhou mais uma vez para trás, mandou um beijo pelo ar, acenou adeus. Mais uma lagrima percorreu a face de Justine morrendo em seus lábios. Esta foi mais amarga do que nunca, aquele beijo fora de adeus, ela estava “livre” para ser somente de Lucas, mas sentiu que um pedaço de si se foi junto ao peito latejante de Marcela.

Lucas segurou sua face entre as mãos carinhosamente, olhou-a nos olhos e disse:

– Tudo vai ficar bem, eu sempre vou estar contigo, eu te amo! – ele a beijou de tal forma que a face de Justine ardeu.

Os dois foram para casa, Justine estava ansiosa para lhe mostrar o presentinho que havia comprado para eles.

 

Freak Butterfly.

Justine – Desafiando o desconhecido

desejos

Depois daquela noite os pesadelos de Justine não foram mais os mesmos, agora eles se revezavam com entre Lucas e Gustavo, e algumas vezes, ao invés de Lucas e Marcela no centro da orgia era ela e Gustavo.

Justine passou a desmembrar cenas de seu pesadelo para descobrir o que Gustavo lhe falou, ela poderia ver mais medos e desejos envolvidos ali. O maior medo era Lucas e Marcela se apaixonarem e assim ela perderia os dois de uma só vez. Seu maior desejo ultimamente era transar com Gustavo, por isso ele aparecia tanto agora, mas ele poderia não deseja-la e sim querer somente Marcela. E seu maior desejo e medo: a orgia!

Ela sempre desejou ir a casas de swing, ver e ser vista transando, dar para quantos desconhecidos pudesse agüentar, mas ela tinha medo. Medo de ser descoberta, medo de que algo desse errado, medo de não ser desejada, não ser o centro das atenções e pintos.

Isso latejava em sua mente, em suas veias, durante todo o resto da semana, ela não via a hora de chegar sexta e ir encontrar com Marcela. Elas precisavam conversar, e Justine tinha de descobrir como terminar com aquilo sem magoá-la, mas como se até ela sofreria? O bom seria que Marcela se apoiaria em Gustavo, e o ruim é que logo os dois voltariam a namorar, e ela nunca mais teria a oportunidade de tê-lo, de senti-lo.

Mil possibilidades passaram por sua cabecinha louca. Insinuar um ménege à trois com ela, Marcela e Gustavo. Mas achava que Lucas não ficaria feliz em estar de fora, ele sempre disse que ao menos teria de estar presente. Ela pensou em ir encontrá-lo e seduzi-lo sem que nenhum dos outros soubessem, mas por quanto tempo ela conseguiria esconder a traição de seus amados?

Então chegou sexta. Justine saiu do trabalho e foi direto para casa de Marcela, sem avisar. Ela decidiu comprar o vinho predileto da amiga, chocolates e entrar de surpresa, já que tinha a chave do apartamento dela.

Ao entrar sorridente, uma nuvem atravessou sua mente. Seu maior pesadelo parecia se realizar, Marcela e Lucas juntos, sentados no sofá, ele afagando as mãos dela, ela com um meio sorriso bobo.

– Justine! – disse Marcela em um pulo.

– Oi amor – falou Lucas calmamente.

Os olhos de Justine se encheram de lágrimas, a raiva estampada em seu rosto deixou Lucas apreensivo.

– Amor, o que houve?

– ENTÃO É ISSO SEUS FILHOS DA PUTA?! HÁ QUANTO TEMPO ESTÃO ME ENGANANDO? – gritava Justine totalmente descontrolada.

– Não é nada disso que você estava pensando flor – falou Marcela carinhosamente tentando acalma-la.

– Amor? Querida? Calma, eu só vim aqui ajudar Marcela… – e foi interrompido pelo grito de Justine.

– HAAAAAAAA, VOCÂ ACHA QUE CAIO NESSA, AS DUAS PESSOAS QUE MAIS SE ODEIAM SE AJUDANDO?!!! ACHAM QUE SOU IDIOTA?

– Justine, acalme-se, pare de gritar, eu tenho vizinhos sabia?

– QUE SE FODA SUA LESBICA ENRRUSTIDA. E VOCÊ TAMBÉM SEU VIADO. ODEIO VOCÊS.

Justine saiu correndo e ninguém conseguiu sair do lugar, Marcela caiu aos prantos no chão atingida pelas duras palavras da amiga. Lucas sem saber o que fazer, tentou ajudar Marcela em seu pânico, ele esperava que Justine fosse pra casa e então se acalmaria e os dois pudessem conversar. Mas Justine não tinha intenção alguma de ser encontrada, dentro do carro e totalmente sem rumo, ela só queria ir para onde ninguém a achasse.

 – Gustavo!

Ela pegou o ruma da casa de Gustavo, porém provavelmente ela o encontraria em casa. Como que por sorte ela o pegou na saída do prédio. Sem dizer nada ela saiu correndo do carro em sua direção e o abraçou.

– O que houve? – perguntou a ela assustado.

– Estão me traindo! Estão juntos nisso! – dizia em prantos.

– Vamos entrar – ele a segurou pelos braços e os dois entraram.

Sentados no sofá ela lhe contou o que virá.

– Ju, eu acho que você esta enganada, não é possível isso, talvez ele o quisesse ajudar mesmo.

– Porque ele Gú, ela tem a você. Eles nem se gostam, como ela pediria ajuda a ele.

– Simples, porque não foi racional e deixou que eles falassem antes de fazer escândalo e sair correndo?

– Não pude, eu me senti no meio do meu pesadelo, foi horrível a sensação que eu tive.

O celular de Gustavo começou a tocar, era Marcela.

– Por favor, Gú, eu te imploro, não atenda, não diga que estou aqui, não quero vê-los.

Receoso, ele não atendeu.

– Olha, daqui a pouco tudo vai acalmar e então vocês conversam. Ok?

Justine não conseguiu responder.

– Gú, posso te pedir um favor?

– Claro flor, o que é?

– Falta o trabalho hoje? Por favor!

– Mas hoje lá é um inferno.

– Por favor, diz pro Fabiano que você tem uma emergência, que não pode ir, afinal ele não te deve? Chama alguém pra ficar no teu lugar. Por favor!!!

Ele respirou fundo, pensou por um momento, olhou o estado em que Justine estava e decidiu.

– Ok! Agora você quem me deve uma.

Ela sorriu envergonhada e assentiu com a cabeça.

Os dois conversaram por horas, evitando qualquer assunto que lhe magoasse, Justine pegou o vinho no carro e logo os dois tomaram toda a garrafa. Gustavo abriu um que havia ganhado de Marcela, e os dois beberam mais uma garrafa. Justine sentiu seu estomago virar.

– Você está bem?

– Eu não comi nada… Acho que o vinho me caiu mal.

Quando percebeu que ela estava para vomitar, ele a colocou no colo e correu para o banheiro, como bar man por tanto tento ela já havia aprendido quando isso aconteceria.

Justine encostou a cabeça no vaso depois de vomitar, sem graça ela deixou correr algumas lagrimas. Gustavo não sabia o que dizer então foi buscar uma toalha.

– Tome um banho linda, isso a fará se sentir melhor, enquanto isso eu preparo algo pra você comer.

– Ok… Me ajuda a levantar?

Ele a segurou por de baixo dos braços e a puxo para cima, para junto de seu corpo. Depois, quando sentiu que ela havia se equilibrado, abriu o chuveiro. Ao olhar para o lado ela já estava sem as roupas tentando desabotoar o sutien. Seu olhos se arregalaram. Ela era linda, não de beleza comum, ela não tinha um corpo de modelo de biquínis, mas era cheia de curvas, ele admirou cada detalhe, os seios fartos, a bunda, a barriguinha um pouco saliente que ela tinha e até sua celulite ele se deliciou. Ao sentir algo lhe queimar ele perdeu o rumo e tentou sair do banheiro como se nada tivesse acontecido.

– Gu!

– Oi? O que? O que houve?

– Nada, só me ajuda a soltar essa droga de sutien que não consigo.

Ele soltou, e foi para a cozinha.

Minutos depois lá estava ela, cabelos molhados enrolada na toalha pequena.

– Desculpe, é que minha roupa esta vomitada – disse envergonhada.

– Ah! Espere vou buscar algo pra vestir, mas é de menino – disse ele com um sorriso bobo.

– Tudo bem, está ótimo.

– Ah! A sopinha ta pronta, fiz algo leve pra você não piorar, pode se servir mocinha – disse ele enquanto estava no quarto.

Justine foi até o fogão para se servir, apesar do estomago lhe doer ainda, ela sabia que a falta de alimento lhe estragara a noite. Tomou o equivalente a uma coxa, tempo em que Gustavo lhe trouxe uma samba-canção e uma camiseta.

– Me desculpe flor, mas isso é tudo o que tenho, tentei encontrar algo da Marcela, mas ela nunca deixa nada.

Automaticamente, Justine baixou a cabeça e a tristeza pairou em sua face novamente.

– Me desculpe… Ju, desculpe, não queria… A vem cá – disse Gustavo enquanto lhe dava um abraço – Não fica assim, é tudo um mal entendido, você vai ver linda, é só coisa da tua cabeça, é por causa dos pesadelos. Tudo vai ficar bem.

– Você não tem porque se desculpar, afinal você não fez nada além de ser um bom amigo.

Um calafrio percorreu seu corpo, e os pelos dos braços se arrepiaram.

– Você vai congelar menina, vá no meu quarto e se troque antes que fique gripada.

Ela pegou as peças de roupa e se trocou rapidamente, voltando para a sala, onde Gustavo estava sentado ligando a TV.

– Que beleza! – exclamou admirado ou vê-la tão natural.

– Ah é! Estou belíssima! – disse estampando um sorriso debochado.

– Quer ver um filme? Quer alguma coisa? Quem sabe um edredom, está meio frio hoje.

– Que tal um colo. Se não for pedir muito claro.

– Meu colo é sei colo – e fez sinal que ela podia deitar sua cabeça ali.

O perfume de Gustavo era maravilhoso, ela podia sentir através de sua calça jeans, suas mãos afagando os cabelos, aquilo era demais para ela. Tudo que desejava estava a poucos dedos, bastava ela se virar, baixar o zíper e cair de boca. Cada toque era um arrepio exposto na pele.

– Você está com frio? Quer deitar um pouco na cama? – perguntou preocupado.

– Não, está tudo bem.

Ela começou a lhe acariciar a cocha, distraída, como quem não quer nada. Visto que ele não se incomodou ela continuou a fazê-lo. Ela deletou por alguns instantes, Marcela e Lucas de sua mente, aquela cena que os vira lhe deu forças para desafiar o desconhecido, aquela seria sua única oportunidade de tê-lo sem culpa alguma. Mesmo que tudo tenha sido apenas uma confusão de sua cabeça. Era agora ou nunca. Então rapidamente arquitetou um plano para ter o que desejava. Afinal seu lema sempre fora: melhor dormir arrependida, que acordar com vontade.

Então foi a hora de dar o primeiro passo.

– É realmente ta meio frio aqui… Será que aquele convite do edredom é valido?

– Claro! Que tal se agente for pro quarto, agente se enrola e assiste um filminho, assim você se distrai.

– Perfeito! – exclamou sorridente, era o que ela queria ouvir. Cama, enroladinhos, filme, seria a ocasião perfeita.

Os dois se levantaram e foram até o quarto, ele arrumou os travesseiros na cama, pegou o edredom grosso e macio e colocou sob ela.

– Se não se importa, vou trocar de roupa.

– Claro, fique a vontade.

Quando Gustavo voltou do banheiro, ainda havia roupa demais, uma calça de moletom e camiseta. Mas ela não precisava ser nenhum super-herói pra ver aquele peito torneado por debaixo da camiseta surrada.

– Bem, o que quer assistir? – perguntou animado.

– Qualquer coisa, menos drama e romance.

– Comédia?

– Ótimo!

Ele foi para sala e em poucos minutos voltou com dois DVD’s nas mãos.

– Qual prefere? Curtindo a vida a doidado ou Débi e Lóide?

– Você ta de gozação! Você tem realmente Débi e Lóide?

– Claro meu bem, é um clássico!!!

– Então… Vamos ao clássico! – exclamou sorridente.

Ele colocou o filme e se jogou na cama ao lado de Justine. Já havia se passado meia hora de filme e nada demais tinha acontecido, o maximo que ela conseguiu foi ficar nos braços dele. Então começou a pensar que se ele realmente não a via somente como amiga, ou se ele era tão apaixonado por Marcela que não via a mulher ao seu lado?

Entre tantos pensamentos, Justine adormeceu. Desta vez seu pesadelo tomara outro rumo. Ela chegava à mesma saleta de sempre e ao invés de ver Lucas e Marcela transando, ela viu os dois muito próximos, entrelaçados, como se fossem apenas um, seus olhares eram de puro sarcasmo, Marcela estava com uma enorme barriga, e Lucas a acariciava. Quando as primeiras lágrimas de Justine começaram a rolar, os dois gargalhavam sem parar e a apontavam, era como em um filme de terror.

Calafrios, suor, Justine começou a se debater na cama, as lagrimas corriam em sua face sem cessar, que pesadelo, ela não conseguia sair, não conseguia voltar a si. Foi quando lá no fundo ouviu seu nome, era uma voz confortante, quente, foi seguindo a voz de Gustavo que ela conseguiu despertar.

– Ju! Ju! Abra os olhos, o que houve menina?

Mas as lágrimas não cessavam e o ódio lhe corria pelas veias, presa nos braços de Gustavo e com a cabeça mais confusa do que nunca, sem hesitar ela o beijou intensamente, como se todo seu ódio fosse retirado naquele beijo, como se aquilo fosse lhe aliviar a dor.

Suas mãos percorriam pelos cabelos dele, seus lábios quentes o devoram. Ela começou a tirar a camiseta dele, e depois se despiu rapidamente, antes que ele pudesse pensar ela já estava por cima, lhe beijando, lhe tocando, e claro em nenhum momento ele a rejeitou, pelo contrario, logo estavam os dois nus, um dentro do outro.

– Garota! Você é deliciosa demais… – suspiros – que buceta mais deliciosa é esta?

– Você também é uma delícia. Agora cala a boca e mete que nem homem.

Isso é uma afronta até para o homem mais afeminado que existe, ele começou a estocá-la com força, fundo, sem cessar, os gemidos dela aumentavam a cada estocada.

– ISSO! METE! VAI FUNDO! – suas unhas encravaram nas costas dele.

– AAAAAH! – uma mistura de grito e gemido explodiu dos lábios de Gustavo.

Em um movimento súbito ele a virou de bruços, abriu suas pernas o e meteu novamente enquanto a segurava pelos cabelos.

Gemidos, gritos, suspiros, espasmos, seu coração parou por um instante e seus pulmões se negaram a trabalhar. Sem duvida alguma, aquele fora um de seus melhores orgasmos.

Caídos pela cama Gustavo acendeu um cigarro.

– Quer um? – perguntou a ela.

– Estou tentando tomar fôlego! – respondeu em um meio sorriso.

Ele sorriu satisfeito.

– Nossa, acho que por um segundo, morri fui ao inferno e voltei! – disse ela tentando ainda respirar.

– Poxa, pro inferno? Não poderia ter ido ao céu comigo?

– Relaxa querido, é que pelo que dizem, o inferno parece mais divertido, o céu seria muito… Certinho!

Os dois começaram a rir, e Justine acendeu um cigarro, depois de muito tempo.

– Nossa! Eu nem sabia mais o que era fumar.

– Seu namorado não gosta?

– Não muito… – o semblante de Justine mudou radicalmente do prazer para a tristeza profunda.

– Desculpe pequena!

– Tudo bem…

– Então? O que sonhou desta vez.

– Marcela grávida com Lucas zombando da minha cara… Gú porque estes pesadelos são tão confusos e reais? Porque nunca consigo acordar quando quero?

– Bem, eu não sou medico pra lhe dizer, mas suponho que foi a agitação do seu dia. Você tem estes medos, e não discute com nenhuma das partes, então eles vêem em forma de pesadelo, pra você saber que os medos estão lá, e devem ser resolvidos.

– Só não sei como… Agora que não sei mesmo.

– Bem, ao menos esta vingada em relação ao sonho.

– Desculpe, foi impulsivo.

– Adoro impulsos, ainda mais assim.

Por um momento Justine ficou encabulada, mas logo o desejo tomou conta do seu corpo, pensou consigo mesma: “Amanha, seja o que for que aconteceu, será um novo dia, e eu resolvo estes problemas. Hoje eu só quero me divertir.”

Ela sorriu com este pensamento, e pulou pra cima do Gustavo, recomeçando tudo novamente, essa seria uma longa madrugada.

 

Freak Butterfly.

Justine – O desejo do desconhecido II

desejo

Os dois foram andando até o apartamento do Gustavo, como estavam muito próximos, não valia a pena ela pegar o carro. Ela um lugar pequeno, mas aconchegante, era até difícil acreditar que um homem morava só ali. Tudo estava impecável, havia uma estante cheia de livros de psicologia e DVD de filmes e bandas.

– Fique a vontade, serei rápido.

– Obrigada.

Logo que ele saiu ela já podia ouvir o barulho do chuveiro ligando. Ao olhar o relógio seu desespero bateu. Ela havia esquecido completamente do jantar que seus pais dariam ao Lucas, faltava menos de uma hora, ela pegou o celular na bolsa e ligou para casa.

– Mãe – disse num sussurro.

– JUSTINE! – respondeu em um grito ensurdecedor – Onde você esta menina! Esqueceu do jantar ou esta com Lucas.

– Olha mãe – seguia ela no sussurro – surgiu um probleminha e eu vou me atrasar um pouquinho, mas já irei avisar o Lucas. Não se preocupe, eu chego logo. Vou aproveitar e comprar o vinho preferido dele.

– Menina, menina! Porque sussurra?

– É que eu to numa reunião – disse se zangando – olha tenho que desligar, logo eu chego.

– Mas Justine…

Foi tudo que a mãe conseguiu dizer ao ouvir o telefone mudo.

Logo em seguida ela ligou para Lucas.

– Oi amor! Estou atrasado?

– Não, não, na verdade, eu que estou – continuava a sussurrar para que Gustavo não a ouvisse – Você pode se atrasar meia horinha amor?

– O que houve? Porque sussurra? – perguntou com o tom desconfiado.

– Eu estou em uma reunião…

– Aé? Onde se liguei no seu trabalho e você saiu cedo.

– Olha amor, eu juro, te explico depois, surgiu um problema e estou resolvendo. Preciso desligar. Te vejo logo. Beijos.

Sem que Lucas pudesse responder ela já havia desligado o celular. Ao olhar para o lado pra ver se Gustavo estava por ali, ela viu pela porta entre aberta Gustavo passar todo molhando enrolado em uma toalha. Era como olhar um Deus grego passar, ela se perguntava como nunca havia notado os dotes de Gustavo. Seu corpo era escultural. Logo seus pensamentos se perderam em uma sensação nova, um desejo novo, o desejo de desbravar o que lhe era desconhecido. Poucos minutos ele estava na frente dela, apenas de calça jeans, sem a camisa secando os cabelos.

– Juro! Eu juro que já, já estarei pronto. Só vim buscar uma camisa – disse enquanto andava até a lavanderia.

– Deveria andar sem ela – disse a si mesma.

– O que foi?

Envergonhada por notar que poderia ter pensado alto demais, disse gaguejando.

– É… É… Na-nada! – e abriu um sorriso amarelado.

Gustavo disparou uma olhar desconfiado, foi até a pilha de roupas passadas e pegou uma camiseta preta com detalhes de caveira. Sentou-se na poltrona que ficava enfrente do sofá onde ela estava sentada, e começou a calçar os tênis, ela não podia desviar seu olhar dele, visualizou cada detalhe, inclusive os pés, uma paixão em particular.

Ele tinha um pé de beleza singular, unhas tratadas, mostrava que apesar de despojado deveria ser vaidoso. Ele bagunçou os cabelos, deu uma leve arrumada com os dedos e se levantou.

– Estou pronto! Vamos?

Ela se levantou em um pulo, mas seus olhos não conseguiam acompanhar o corpo.

– É… Claro! Vamos.

Ela pegou a bolsa e foi até a porta. Ao se aproximar dele sentiu seu perfume delicioso. Mas deveria ser só desodorante ou o aroma do corpo quente que estava ao seu lado.

Enquanto ele trancava a porta, ela só tinha uma pensamento: a cama!

Rápido os dois já estavam no carro chegando ao bar do antigo namorado.

– Obrigado Ju.

– Não, não. Eu que lhe agradeço, foi uma tarde maravilhosa. Obrigada por abrir meus olhos, farei o melhor para Marcela a partir de agora.

– Que bom pequena, eu fico feliz. Se precisar de mim, pode ligar, seja para o que for.

Será que ele estaria disposto para uma noite de sexo e mais sexo? Era a pergunta que latejava na mente de Justine.

– Obrigada!

No beijo de despedida ambos se perderam e por muito, mas muito pouco não se beijaram nos lábios. Ela sem graça e ele com o mesmo meio sorriso, agora já malicioso, se despediram.

– Tchau pequena! Apareça.

– Valeu Gú, até mais.

Em poucos minutos ela estava em casa, com a mente atordoada esquecendo-se até do vinho de Lucas. A mãe já zangada prestes a trovejar, foi interrompida pelo soar da campainha. Lucas estava com vinho. Aquilo foi um alivio para os ouvidos de Justine.

 – Mãe, pai, este é Lucas! Lucas, este são meus pais, Carlo e Maria.

– É um enorme prazer finalmente conhece-los.

– O prazer é todo nosso – disse Maria indo cumprimentá-lo – Justine fala maravilhas de você.

– Serio? – disse espantado tendo em vista que Justine pouco se referiam aos pais – Ela também fala muito de vocês.

– Não creio, mas agradeço mesmo assim – disse Carlo tentando quebrar o leve constrangimento que se estampara na face de Lucas.

Justine sorriu sem graça e pegou o vinho das mãos do namorado.

– Bem, é melhor eu servi-lo. Você já deseja jantar meu amor?

Antes que pudesse pensar a mãe de Justine disse:

– Claro que ele deve querer, afinal já esta ficando tarde e a comida vai esfriar.

– Vamos rapaz! – disse Carlo com um sorriso reconfortante.

– Venha querido – falou Justine ao puxá-lo pela não.

Tudo estava impecável. Lucas pode ver o quanto dona Maria era organizada, a mesa de jantar estava impecável. A família de Justine era simples, mas não abriam mão das etiquetas e bons costumes.

Justine se sentou ao lado do pai, que estava na cabeceira da mesa como nas famílias tradicionais, Lucas ao lado da amada e na frente de Justine se sentaria a mão, que no momento havia ido buscar o suculento jantar.

Tudo foi tranqüilo e delicioso, o prato predileto de Lucas, uma lasanha a bolonhesa, estava divina, fazendo-o repetir o prato. Durante o jantar eles conversaram sobre o trabalho dele, sua vida, sua família e planos futuros. Tudo estava maravilhoso, exceto Justine que estava terrivelmente longe com seus pensamentos.

 – Aceita um cafezinho querido? – perguntou Maria a Lucas.

– Não, estou satisfeito, o jantar estava divino Dona Maria! – respondeu com um sorriso largo de satisfação.

– Vamos para a sala meu rapaz. Lá poderemos conversar um pouco mais, se não estiver cansado, claro – disse Carlo.

– Não, eu estou ótimo. Podemos continuar a conversa numa boa – e os dois saíram para a sala.

Justine estava ajudando a mãe a tirar a mesa. Seu olhar era distante, ela parecia um robô em modo automático.

– Filha, você esta bem?

– Claro mãe, eu só estou cansada, tive uma tarde e tanto. É só uma dorzinha de cabeça, logo passa.

A mãe lhe olhou desconfiada mas decidiu mudar de assunto.

– E então o jantar estava bom?

– Perfeito! – respondeu com um meio sorriso.

– Seu namorado é perfeito minha filha. Agora mais do que nunca penso que você deveria repensar a proposta dele.

– Mãe! – Justine balançou a cabeça com um ar de reprovação ao comentário que a mãe lhe fizera – Se me da licença, vou pra sala.

Ela se sentou no sofá ao lado do namorado, e começou a observar ele e o pai conversando, os dois pareciam amigos de longa data, entre brincadeirinhas e sorrisos, era como se eles fossem pai e filho. Aquilo lhe contou o coração, o pai ficará tão feliz com o seu namorado perfeito. Lucas foi o verdadeiro cavalheiro a noite toda e tudo que ela pensava era em como Gustavo era terrivelmente atraente agora aos olhos dela.

Quando lembrou dos momentos que tiveram a tarde, quando lembrou dele apenas de toalha, com o corpo molhado, seu grelo pulsou e um rubor diferente tomou sua face, logo Lucas notou algo diferente.

– Você esta bem amor? – sussurrou ele para a amada.

– Estou, é só… Cansaço, nada mais – sussurrou de volta.

Lucas então voltou a conversar com Carlo e a mente de Justine viajou no tempo. Ela voltou no exato momento em que ela passou pela porta quando saia do apartamento de Gustavo, mas ao invés de sair, ele a empurrou contra a parede em um forte beijo, suas mãos grandes se entrelaçou nos longos cabelos de Justine, puxando a cabeça um pouco para trás liberando o pescoço para novos beijos e mordidas. Suas pernas automaticamente se enroscaram na cintura dele, ela podia sentir algo crescendo entre as pernas, e o calor do peito dele exalar pela camiseta. Logo os dois estavam na cama, semi-nus com os corpos enroscados em beijos e caricias. O corpo dela parecia pegar fogo, e o desejo crescia mais e mais enquanto ela imaginava tudo que poderia acontecer naquela cama. Logo a vergonha tomou lugar do desejo quando Lucas apertou sua mão.

Ela o olhou, ele com olhos estranhos querendo entender o que acontecia. Lucas e Justine tinham uma ligação que não havia explicação. Ele sabia exatamente como ela se sentia, e naquele momento, ele sentiu o desejo exalar pela pele da amada, e sabia que não era ele em seus pensamentos.

Já era tarde e Lucas se despediu de todos. Justine disse que iria até o carro conversar com ele. Esperançosa ela disse que não havia problema algum, se quisesse ela e o marido os deixaria a sós na sala. Porém o carro era o lugar mais seguro aos ouvidos curiosos naquele momento.

Os dois foram silenciosamente até o carro, Lucas parecia triste e não quis falar sobre. Ao entrar, o coração de Justine disparou, o nervo tomou conta do seu corpo.

– Lucas… – disse cabisbaixa sem que nenhuma outra palavra conseguisse sair de seus lábios.

– Onde foi à tarde? Foi encontrar Marcela?

– Não. Eu só precisava ficar só, eu precisava mais do que nunca pensar, inclusive em Marcela, pensar no mau que estou fazendo a ela.

Seu olhar era terrivelmente triste, Lucas nunca havia a visto daquele jeito. Ele a abraçou e a beijou carinhosamente.

– É só isso?

– Só isso? Isso já é muito Lucas, não entende? Me sinto um monstro.

– Ju, para de se culpar, de se sentir a única errada nisso tudo. Marcela é adulta, ela quem escolheu.

– Mas eu já a conhecia antes de ter você.

– E isto lhe da créditos então?

– Não, mas ela foi minha melhor amiga, ela sempre este ao meu lado.

– Você não vê o que fala querida? Ela sempre foi sua “melhor amiga”, talvez você possa parar de relacionar este amor que sente por ela com a atração sexual. Se acha que tudo isso a faz mal, porque não conversa com ela e tenta seguir com a amizade.

– É tão complicado…

– É talvez seja, ou talvez você que esteja complicando tudo. Você me ama?

– Demais, muito mesmo!

– Você me deseja?

– Todos os dias!

– Eu sinto o mesmo por você querida, e posso afirmar que em dobro. Nunca senti na minha vida o que sinto por você, é como se fosse uma parte de mim perdida que eu encontrei. Eu preciso de você, necessito você pra me completar, entende?

Aquelas palavras doeram seu coração mais uma vez. Como as coisas poderiam ter mudado tanto na sua vida? O que ela fez de bom pra merecer pessoas como Marcela e Lucas. E porque em meio a tudo aquilo tudo que ela desejava no momento era tirar as calças de Gustavo e chupa-lo até a ultima gotinha.

– Mas me diga Justine, em quem pensava na sala?

– Como assim?

– Primeiro, eu te conheço mais do que imagina pequena, você estava ardendo de tesão. Segundo, eu sei que não era comigo, eu podia ver nos teus olhos distantes.

– Lucas… – Justine começou a olhar para a maçaneta da porta, e desejou abri-la e correr, mas tudo que conseguiu foi ficar paralisada pelo medo do que Lucas pensaria então ela caiu no choro.

– Não chore amor – ele dizia a ela em um abraço quente e aconchegante – Olha tudo bem, me diz só o que aconteceu. Você viu alguém, esteve com alguém?

Ela afundou a face contra o peito perfumado dele. Doía demais a hipótese de traição. Ela o amava tanto, mas não consegui controlar seus desejos, seus instintos, era como se o desejo não dependesse do amor. Ela não sabia se contava que esteve com Gustavo, mas que nada havia acontecido, provavelmente ele não acreditaria. Ou se ela apenas o vira e seu fogo se acendeu.

– Eu to com tesão por outro alguém! – disse ela rapidamente de forma que as palavras foram atropeladas.

Envergonhada não teve coragem de olhar seu amado.

Depois de um curto silêncio, ele riu. A reação dele foi de louco, Justine ficou catatônica olhando seu riso.

– Jú, é por isso?

– Como assim por isso? Você não ouviu não o que eu disse? – aquilo a enfurecerá, era como se o que ela sentisse não lhe fosse mais importante.

– Ouvi, você ta com tesão em outro… Homem eu espero – e prosseguiu com uma gargalhada.

– Você esta louco, você é viado é? Como assim por outro homem. Quer dar teu rabo pra ele também? – trovejava bicuda com os braços cruzados.

– Menina… – ele respirou fundo para lhe tomar o fôlego das risadas e seguiu – Justine minha menininha. Você sabe que eu não tenho ciúmes disso, confesso ter medo das mulheres, me parecem atraí-la com mais facilidade, e você se apaixona fácil por elas.

– CALA A BOCA SUA BIXA! – gritou em um estouro – É assim que você me ama é? Você nem se quer tem ciúmes se eu der a porra da buceta a outro homem.

– Cala você a menina. É assim que você me ama? Desejando outros homens?

O silencio tomou o carro novamente.

– Eu não sou teu dono mocinha. Eu até quero me casar, mas isso não quer dizer que ambos teremos coleiras.

– Como assim? Você quer casar e ter uma vida de solteiro? O que você acha que eu sou?

– Uma puta! – disse com um sorriso sarcástico que não durou muito com o tapa na cara que Justine lhe deu em seguida.

– Você vem aqui na minha casa, fica amiguinho do meu pai e depois mostra as garras, como um psicopata do filme?

– Você é uma putinha meu amor, a putinha que eu mais amo na vida – disse ele se aproximando dela.

Justine tentava resistir, de costas para a porta ela procurou a maçaneta, mas logo ele travou o carro.

– Quer fugir minha putinha? Que feio – e sacudiu a cabeça para um lado e para outro com quem reprova uma atitude.

O terror estava estampado nos olhos de Justine, e isso o excitou mais ainda, ele se aproximou mais dela com o mesmo sorriso sarcástico de antes, ela o empurrou, mas de nada adiantou, ele a segurou pelos pulsos e tentou aproximar os lábios ao dela.

– Me solta seu louco!

– Cala a boca menina – dizia ele enquanto apertada os pulsos de Justine com uma só mão, a outra ele usou para enfiar de baixo da saia dela.

– O que você esta fazendo? Pare! Eu não quero!

– Como não? Você esta mais encharcada do que uma piscina olímpica.

Ela ainda tentou se soltar, mas Lucas era mais forte, seu corpo malhado não era apenas para exibir. Ele tentou beija-la novamente enquanto ela sacudia a cabeça. Em nenhum momento suas mãos ousaram sair da buceta dela. Quente, molhada, pulsante e o medo dos olhos dela. Era tudo o que ele queria no momento, meter e meter, mas sabia que ali não era o lugar então a faria jorrar em suas mãos.

Suas pernas tremeram e Justine desistiu da luta, logo ele a soltou e sua outra mão percorreu os seios de mamilos rijos, ele os beliscou, os apertou, os mordeu, ela gemia, remexia, rebolava de leve, ele sabia que ela desejava um pau na buceta tanto quando ele desejava meter.

Ela olhou em direção a janela da casa e não viu ninguém, as luzes estavam todas apagadas, deu uma rápida olhada pela rua e o deserto pairava, então ela decidiu se arriscar. Abriu a calça do Lucas e puxou para fora o seu brinquedo predileto.

Um gemido escapuliu por entre dentes quando Marcela sentou em seu pau. Ela rebolava, tão graciosamente, era tão lindo vê-la assim, na mistura do medo e desejo. Ele segurou-a pela bunda, apertando com força e dando tapinhas, ela estava tão excitada, tão molhada que ele pode sentir escorrer em sua coxa a baba da bucetinha dela. Aproveitou toda a excitação pra penetrar-lhe um dedinho no rabo, mais que tudo nela ele amava aquele rabinho. Tão rosadinho, limpinho, sem pelinhos algum, era tão apertado e quentinho dentro dele. Ao sentir dois dedinhos penetrá-la no cú, mais que depressa ela gemeu, era a cachorrinha mais linda do mundo pensava Lucas. Ele realizaria qualquer desejo dela só para vê-la feliz e satisfeita, para que nunca pudesse perdê-la.

Logo os dois gozaram. Ela se aninhou nos braços dele sem sair de cima, ela adorava sentir o pau dele dentro dela. Era o momento em que os dois eram apenas um.

– Eu te amo! Te amo demais! – disse ele enquanto a acariciava a face.

– Eu também te amo! Me desculpe por hoje… – antes que ela pudesse terminar a frase ele segurou os lábios com os dedos.

– Olha, eu que peço desculpas se te assustei. Eu não resisto quando você fica brava, eu não resisto quando vejo o medo e o ódio nos teus olhos. Se eu não me importo que tenha desejos por outros, não é por falta de amor e sim porque quando a conheci, eu sabia o que me aguardava, mas prefiro vê-la dando para 500 caras do que perde-la meu sol!

– Você é perfeito! – e abriu um sorriso safadinho.

Os dois ficaram mais um tempo ali, mas já era tarde e amanha ambos teriam de ir trabalhar, eles se despediram e Lucas foi embora.

Justine sentia que não tinha chão ao caminhar. Ao chegar ao quarto se jogou na cama, abriu as penas e passou a mão na buceta lambuzada, depois levou ate a face para sentir o perfume maravilhoso que os dois tinham. Ela pensou em Gustavo, pensou em Marcela, pensou no quão errado era desejar Gustavo, mas ela não conseguia evitar, ela só o desejava mais do que tudo naquele momento.

 

Freak Butterfly.

Justine – O desejo do desconhecido I

pés

Que Justine amava Lucas isso era fato, mas que ela amava Marcela também, e que estava confusa era visível. Estes pesadelos só poderia ser resultado de uma confusão mental dos pensamentos que andava tendo, para se tranqüilizar em suas suposições, ela foi procurar Gustavo.

Gustavo era uma espécie de psicólogo de botequim, ele havia estudado dois anos de psicologia, mas por problemas familiares e o descontentamento com o curso o fizeram parar de estudar. Sem alternativas no momento, Justine resolveu ligar pro amiga e marcar um lugar para que conversassem a sós.

 – Alô!? Gú?

– Sim, sou eu Jú. Como está?

– Não muito bem… – em sua havia o toque do pesar.

– O que houve pequena?

– Preciso muito conversar Gú, podemos nos ver hoje?

– Acho que sim, se for antes do trabalho, tudo bem.

– Claro, quanto antes melhor!

– Que horas?

– A hora que você achar melhor.

– Quer almoçar comigo?

– Mas já não quase 3 horas da tarde.

– Bem, eu trabalho na noite, que horas você acha que eu almoço.

– Bem… É que eu estou no trabalho, mas vou falar com minha chefe, ver se ela me da uma horinha ao menos pra resolver isso logo. Já eu te retorno.

– Ok, eu vou almoçar aqui próximo de casa, em um restaurante chinês, sabe qual é?

Meio desorientada ainda, já que havia ido apenas uma vez na casa de Gustavo, ela apenas disse que sim e já lhe retornaria.

– Ok! Até mais, pequena.

– Até!

Depois que uma cena de novela mexicana, Justine convenceu a chefe de que não estava bem. Desde pequena Justine tinha um dom para persuadi as pessoas a acreditar que estava com problemas ou doente. Sua mãe sempre dizia que ela estava perdendo a chance de ser uma grande atriz.

Enquanto corria para o carro ela ligou para Gustavo que lhe passou as coordenadas mais fáceis para que ela chegasse ao restaurante sem problemas.

Cerca de 40 minutos dentro de um engarrafamento, onde seus miolos fervilharam em meio a vários pensamentos, ela finalmente chegou ao tal restaurante, onde o amigo lhe esperava na porta fumando um cigarro.

Olhando daquele ângulo Gustavo era um rapaz incrivelmente charmoso, seu jeito despojado e básico fazia seu olhar se destacar ainda mais naquele emaranhado de cabelo no rosto. Antes de descer do carro Justine não conteve em analisá-lo de cima abaixo e disse a si mesma.

– Como pode Marcela não se sentir extremamente atraída por ele!

Logo em seguida se assustou com o súbito comentário. Imediatamente, desceu do carro, antes que demais pensamentos lhe corresse novamente.

– Pequena! – disse Gustavo feliz ao vê-la.

– Oi Gú – respondeu Justine apressando o passo para encontrá-lo mais rápido.

Os dois se enroscaram em um abraço apertado, o que não era tão comum assim entre eles, visto que Gustavo sentia ciúmes de Justine com Marcela, a amizade dos dois vivia abalada entre brigas.

– Nossa! Quanto tempo não te vejo baby, você está belíssima, diferente da época que andava pelo bar.

– É, o que o “amadurecimento” não nos faz – e os dois explodiram em risos.

– Vamos nos sentar lá dentro. Eu já almocei, mas se você quiser beber algo, eu lhe acompanho.

– Claro, vamos!

Os dois entraram e buscaram por uma mesa mais reservada onde pudessem conversar melhor. Sentaram-se em um canto afastado dos olhos de todos que entrassem ali. Meio apreensiva, ela não parava de estalar os dedos.

– Então. O que houve Ju?

– A Gú, eu não ando nada bem… Ao menos durante o sono não. Parece estranho, mas é que agente conversava tanto quando eu namorava o Fabiano, você é bom nisso, nunca deveria ter desistido da carreira de psicólogo.

– Rá Justine, você é uma piada mesmo, vamos me diga, o que está acontecendo?

– Bem… – disse ela enquanto baixava a cabeça envergonhada – você sabe que eu e Marcela ainda nos vemos não é?

– Sim claro, ela me liga quase que diariamente.

– Serio?! – perguntou espantada.

– Sim, claro. Sempre me pergunta o que fazer pra te esquecer.

Justine agora estava parecida com o tomate maduro, seu rosto queimava com o sangue que lhe pregou a face. Como Marcela pudera pensar assim quase que todos os dias. Como se ele tivesse ouvido seu pensamento Gustavo lhe respondeu.

– Ju, tu sabes que ela te ama demais e tudo mais, eu não sei que mel tu tens ai menina, mas Marcela é viciada em você. Porém, seu namoro com o Lucas a faz mal e ela sabe o quanto lhe faz mal também,então ela tenta diariamente encontrar uma solução para a sua felicidade.

Justine começou a relembrar as ultimas atitudes de Marcela, depois do que houve no campo, Marcela nunca mais fora a mesma, ela deu mais espaço a amiga, e seu ciúmes já não era tão obvio assim.

– Então é isso – sussurrou para si mesma.

– O que disse?

– Nada.

– Então, qual o problema?

– Pesadelos!

Gustavo pode ver o temos escorrendo pelos olhos de Justine, realmente aquilo era algo que a aterrorisava.

– Olha Gustavo, eu vou lhe ser muito sincera, talvez até mais do que deveria. Não sei se Marcela lhe disse o que aconteceu entre mim, Lucas e ela.

– Sim – disse ele com um meio sorriso sarcástico – eu nunca tive tanta inveja do Lucas como tenho agora. As duas garotas mais formidáveis que conheci só pra ele – disse a ultima palavra em um quase suspiro.

Envergonhada ela seguiu em frente.

– Olha Gú, você pode nem acreditar pelas atitudes que eu tomo, mas eu amo demais a Marcela, mas também preciso do Lucas como preciso do ar para respirar. Antes mesmo, quando ainda o que ocorreu eram só planos, eu comecei a ter um pesadelo horrível. A Principio, ele seria até excitante, mas esta cada vez mais intenso.

– Me fale sobre o pesadelo.

– Primeiro era eu em um corredor escuro, onde só podia se ouvir gritos e gemidos, quando consegui atravessar a escuridão e alcançar o quarto iluminado, era como se eu entrasse no filme 120 de Sodoma.

– Hum… Mas isto seria bom… – disse ele ainda com o meio sorriso estampado.

– Ta Gustavo, até seria, se Marcela e Lucas não fosse o centro da orgia. Se eles não estivessem transando e nem se quer notar minha presença. Eu tentei gritar, durante todo sonho, mas minha voz só saiu quando eu despertei. Desde então quase que todas as noites eu tenho este pesadelo, o mesmo corredor escuro, às vezes eu posso ouvir os gemidos e gritos em outras eu só sigo o ponto de luz, e sempre, como um ato sagrado, os dois estão se deliciando um nos braços do outro.

Depois de um longo silencio, Gustavo decidiu interromper os pensamentos aterrorizantes da amiga.

– Bem isto é meio claro, você esta com medo de ser trocada, de não ser mais o centro das atenções. Claro que pode haver uma serie de outros fatores, como desejos escondidos, seus medos, anseio, e a pressão do dia-a-dia. Pesadelos contínuos são para nos lembrar disso tudo, para nos possamos resolver o que nos atormenta.

– Não sei o que fazer – disse já entre lagrimas.

– Olha linda, não chore, são só sonhos. Mas é claro que está na hora de você tomar uma decisão. Marcela é uma pessoa incrível e não pode viver para sempre ao seu lado como um brinquedinho que você ama e não consegue largar, mesmo com um brinquedo novo.

– Ela não é um brinquedinho! – sibilou Justine.

– É um modo de tentar te explicar, eu sei que você a ama, é estranho, mas todos nós temos algo estranho então não vou te julgar pequena. Mas pense no que realmente quer, se não por você, por Marcela, a liberte. Pois ela nunca terá coragem de lhe dizer “adeus”. Compreende?

Aquelas palavras invadiram o pensamento de Justine como um Tsunami. Ela se sentia mais culpada do que nunca de “usar” Marcela daquela forma. Como uma criança, ela abaixou a cabeça na mesa e começou a chorar. Por instinto, Gustavo começou a afagar seus cabelos.

Depois de um longo tempo, os dois saíram de lá e foram caminhando até uma pracinha. Sentaram-se em um banquinho distante e apenas admiraram o sol que já desejava se esconder da lua. Como um casal de namorados, ela já em seus braços ainda em soluços.

– Nossa Gustavo, há tempos eu não me sentia assim… Não sei, é como se você me dizendo aquilo tudo, me desse uma cruz para carregar, mas eu poderia decidir até onde a levaria.

– Pequena, eu não queria lhe deixar mal, nunca quis isso, mesmo em meio a tantas brigas nossas por causa da Marcela, eu gosto das duas – ele riu – claro que não da mesma forma como você consegue gostar da Marcela e do Lucas – você ainda é uma incógnita para mim.

Justine não teve outro impulso se não sorrir calorosamente ao comentário do amigo. Ela se aninhou confortavelmente nos braços dele e olhou o céu que já era laranja com lilás. Ele confuso, beijou-lhe os cabeços e retornou a afagá-los. Sem duvida aquilo era a coisa mais estranho que lhe acontecerá nestes últimos tempos. Mas ambos não poderiam ser “inimigos”, eles teriam de ser mais amigos do que nunca para tentar ajudar aquela que tanto amam.

A Lua cheia já remetia sua luz nas estrelas quando Gustavo viu que estava atrasado para ir trabalhar. Justine então lhe ofereceu uma carona, era o mínimo que ela poderia fazer a ele, depois do apoio que lhe dera a tarde toda.

– Vamos á em casa então, vou trocar de roupa, pegar minhas coisas e aviso o Fabiano que estou indo.

– Por favor, só não diga a ele que estava comigo. Ele pode dizer a Marcela, ela pode distorcer tudo e não osso mais magoá-la.

– Fica tranqüila, ele me deve algumas. Vou manter sigilo do que eu estava fazendo, e quando ele começar a especular, digo que estava com uma garota que conheci semana atrás no bar.

– Obrigada – disse ela em um terno sorriso.

(Continua)

Freak Butterfly.