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Automutilação: a desconfiança

Primeiramente, gostaria de iniciar este assunto agradecendo a todos que vem aqui, que dão apoio, que buscam ajuda para pessoas queridas, que desabafam, assim como eu fiz. Nunca pensei que um desabafo em meio à dor fosse gerar tantos comentários, que eu fosse descobrir que não estou sozinha, já que a solidão causa ainda mais pânico, mais medo em mim.

               Eu já estou sem me ‘punir’ a cerca de três meses, o que parece muito e ao mesmo tempo pouco, se levar e conta que há muita vida pela frente – bem eu acho que há, mas confesso que por muitas e muitas vezes penso em terminar com tudo de uma vez por todas, ou que não vou suportar certas decepções que nem ao menos aconteceu, ainda sou um tanto pragmática e pessimista e sofro às vezes por um possível futuro, o que é errado e tento me policiar, mas ainda é difícil.

               Meu maior problema no momento é a desconfiança! Tenho tido conflitos internos e externos por isso, e um deles é amizades, o medo de me sentir só, às vezes me faz aceitar o errado, porém, posso dizer que a terapia tem me ajudado a ver que o “antes só que mal acompanhado é muito mais válido”. – parem de achar que fala de alguém específico, se penso que é sobre você, é porque a carapuça serviu – Eu tenho ficado só, há um mês não saio de casa para ter uma vida social agitada, e quer saber, não sinto falta, pela primeira vez não entro em pânico por ficar só, até gosto, porém, tenho visto o medo no meu pai.

               Sempre que começo a ficar mais tempo no meu quarto ouvindo músicas, filmes ou lendo, o que para mim é reconfortante, incomoda meu pai – com quem eu vivo, visto que meus pais são divorciados – para ele é sinal de que estou em depressão e me “cortando novamente”, como ele mesmo diz, vejo nítido em seus olhos o temor de passar por tudo outra vez. Sei que fiz meu pai, mãe e irmão sofrerem comigo. As demais pessoas que moram nessa casa, falam por ai, que eu só quero é chamar atenção, mas já superei esses comentários, que por alguém tempo me afetaram, e sei que o que faço, faço muitas vezes involuntariamente.

               Outra coisa que já consegui superar é a palavra “louca”, pois pessoas que considerei muito nessa vida, que amei e até meu próprio pai, disse que eu era louca, ou pessoas que se diziam amigas comentavam, “a louca lá deu pití outra vez”. Agora que vejo tudo mais nítido e menos vermelho, noto o quão desorientado e sem informação são.

               A desconfiança é algo que dói, e quando escuto a pergunta como “o que aconteceu?”, ou “você está bem?”, vejo isso como uma pergunta retórica, no final das contas ninguém quer saber a verdade, muitas vezes eu engulo o choro e digo “não é nada, está tudo bem”, mesmo que por dentro algo esteja me dilacerando.

               Dizer que estou livre desta maldição, ainda não posso, acho que como qualquer pessoa em tratamento, está propensa a recaídas. E como qualquer outra pessoa que se livra de uma dependência, busca outras formas de fuga, como já li e também já busquei, por exemplo no álcool, em sexo, em qualquer coisa que o faça sofrer de alguma forma ou apagar aquilo que era tão dolorido.

               Quando estou nervosa, ainda arranco pedacinhos dos lábios, sabe aqueles descascadinhos? Então, tiro-os até sangrarem, ou quando não tem mexo até que haja uma misera pontinha pra puxar, a princípio não percebia o motivo, hoje é mais claro, tirar cutícula também se tornou uma mania, e vivo com os dedos machucados, em crises mais severas, hoje, pra me controlar, eu quero coisas – o que também não é saudável, visto que meu guarda-roupa esta ‘mutilado’ e despencando, mas, antes um objeto do que eu.

               Então, comprei um saco de boxe, é bem, ajuda a extravasar, você chora e soca, soca e soca até seus braços não suportarem. Eu havia buscado o Muay-Tai para me ajudar a descarregar a violência interna, mas por uma lesão no ligamento do tornozelo – não, eu não o provoquei, no virei o pé em um degrau terrivelmente alto.

               Mas no final o que tem me ajudado mesmo de verdade, é a terapia cognitiva, com uma terapeuta. Sozinho penso que o caminho das pedras fica ainda mais tortuoso, porém, não envolvo mais familiares ou amigos nisso, às vezes desabafo com um, mas estou tentando buscar em mim e por mim. Pois além da desconfiança, meu conflito agora é outro, procurar o sabotador dentro de mim, já que observei que estou me sabotando em vários aspectos e projetos importantes para dar segmento a minha vida e poder dizer enfim que cresci.

               Para aqueles que querem um canto para conversar como outras pessoas com o mesmo problema ou similar ao seu, me foi recomendado uma página do facebook: http://www.facebook.com/groups/274357359264475/?notif_t=group_activity

               E lembre-se: se cair, levanta-te!

*imagem por Beethoven Delano

Auto-Flagelo: Pequenos Deslizes

Nada é tão fácil quanto parecer ser, nem eu vir aqui e falar pra cada um de vocês buscar ajuda, pois nem sempre a ajuda virá, ou ao menos não virá de onde esperamos, como a família.

Ser chamada de louca ou ser olhada com desconfiança não era o que eu buscava quando meus pais descobriram deste meu “pequeno” problema, bem, minha mãe ainda é compreensível, mas meu pai gritou aos quatro ventos que eu era louca.

Não é fácil, mas se não temos ajuda, o negócio e nos auto-ajudar, afinal, porque só podemos nos auto-flagelar? Porque não nos auto-ajudar?

Eu achava que estava tudo bem, que eu estava “livre” deste problema, pensava que podia controlar, até que um dia, senti aquele desespero bater, as lagrimas correr e o desejo surgir, me sentia um vulcão prestes a entrar em erupção, eu parei, tentei pensar, queria me controlar, mas como qualquer outro viciado disse a mim mesma: “só um pouquinho não vai fazer mal”, minha maratona começou, procurar algo que fio pra me aliviar.

Revirei o quarto e nada, então fui até a cozinha… Bem, digamos que foi meu dia de sorte, a faca que eu considerava mais afiada estava sem fio, bem, sem muito fio, foram apenas dois risquinhos, então eu me vi naquela cena decadente e desisti, fui pro quarto, chorei mais um pouco e dormi.

Nem sempre vai ser fácil, nem sempre teremos sorte, nem sempre agente vai conseguir manter o controle, mas não custa nada tentar, como sempre digo, que seja sempre por nós! Devemos nos colocar em primeiro lugar, tirar essa idéia de loucos da cabeça, não somos loucos, temos sim problemas, mas nada que não tenha cura ou alívio.

Talvez seja a hora de buscar ajuda espiritual, eu não to falando pra vocês irem à fogueira santa, nem aquela papagaiada que vêem na tv por favor, busque ajuda em Deus, e não em uma instituição que utiliza o nome dele em vão. Eu recomendo tratamento espiritual no centro espírita kardecistas, mas isso vai de cada um.

Tenha força!

 

Auto-Flagelo: Se cair, levante-se

Já diziam os antigos, “mente vazia, oficina do diabo”, e estavam certos. Depois de meses sem ao menos penar em me ferir, ontem, eis que o ‘diabo’ me tentou.

É difícil… Desviar o pensamento da dor é, pra quem luta diariamente para não ter recaídas, uma verdadeira tortura. Mas nem todos iriam entender, somente quem está lutando pra abandonar um ‘vício’ pode saber do que estou falando.

Eu luto! Dia a pós dia, entre a depressão e euforia, eu sigo, mesmo que nem sempre esteja de cabeça erguida, eu sigo.

Vejo aqui tantos outros como eu e penso: porque este assunto não é abordado pelas mídias de maneira mais aberta, assim como os viciados em drogas, os compulsivos, nós também precisamos de atenção, precisamos que nossas famílias saibam que isso não é uma ‘manha’ uma tolice, precisam saber como lidar com isso, afinal somos viciados compulsivos em dor!

Tantos outros que vêm aqui me pedir ajuda, comecei a pensar: quem sou eu pra ajudar, dar minha opinião se ainda estou na ‘reabilitação’? Mas sabe, só de poder falar, de me abrir com alguém… Se essas pessoas sentem o que eu sinto quando desabafam, então, de certa forma, sou útil!

A queda nem sempre tem um motivo drástico, uma simples discussão pode alavanca um erupção emocional, eu mesma, ontem, uma discussão com meu pai, pelos mesmos motivos de sempre (família, aliais essa família que não é minha), não poder falar, não colocar pra fora aquilo que está me sufocando simplesmente porque ele não sabe lidar com isso, acha que vou surta, ficar louca, me ferir ou sei lá mais o que, esse simples fato de não ouvir, de “deixa pra lá”, isso que faz não só eu, mas muitos outros se sentir um nada e assim, nossa força despenca novamente.

Eu chorei, solucei, me isolei por segundos no banheiro, e ao olhar meus olhos vermelhos no espelho, vi um vestidinho pink da minha sobrinha pendurado, ela se sujou, eu a troquei e ele ficou ali. Fui lavar roupa! Era eu, o tanque e água por todo lado, quando do nada, aquele pensamento maldito me martelou, uma dorzinha, apenas uma dorzinha só pra aliviar. Eu sacudi a cabeça tentando fazer o pensamento sumir, fui ao varal e lá estava aquele anjinho de cabelos dourados e bagunçados me dizendo, “ou titia”. Pega-la no colo e sentir aqueles bracinhos pequenos envolvendo meu pescoço me fez seguir em frente, não podia, não queria parecer fraca na frente dela. Tantas vezes ela me viu mal, e perguntava, “titia você ta dodói?”, aquilo me partia ainda mais o coração, se eu não era exemplo pra uma sobrinha, imagina pra um filho? Sinceramente, não sou apta a ser mãe, mas isso é um outro caso.

Não vale, não vale a pena, eu já tenho tantas marcas que me afastaram tantas pessoas, pessoas boas. No meu convívio social posso dizer que sou só. Bem, ainda me sobraram alguns amigos, alguns que eu acho que me compreendem (compreensão não é o mesmo que apoiar, amigo que é amigo não apóia atitudes insanas), já outras pessoas, me acham louca, e quando o assunto é afetivo… Ai danou-se! Estou só mesmo, é raro uma pessoa que consiga ficar ao lado de gente como nós (isso soou preconceituosamente, mas sim, como minoria, somos digamos, diferentes, em alguns aspectos), mas não condeno ninguém, afinal não quero ser um peso, mais do que já sou a mim.

Uma coisa positiva que tenho visto são pessoa que vem atrás de ajuda para ajudar quem sofre desse vicio maldito. Eu gostaria de saber como ajudar, mas são sei, pra mim, ajuda quem me escuta, para os demais, penso que isso também será um bom começo.

É um dia de cada vez, um pé enfrente ao outro. Se cair e se ralar, chore o que tiver pra chorar, mas siga enfrente, não desista.

Não quero tentar induzir ninguém a ir a uma igreja, templo, ou seita, sei lá, mas a fé ajuda, seja de onde ela venha. Eu não sou espírita, sou católica, mas acredito nos ensinamentos espíritas, e se eu pudesse indicar uma leitura, leia “Nosso Lar” que hoje estréia nos cinemas, isso fará você repensar quando frases como “melhor morrer do que viver assim”, “lá não deve ser pior que aqui”, entre outros pensamentos suicidas, pois, já ouvi milhares de vezes que “não me corto com a intenção de morrer”, porém, o auto-flagelo pode levar a morta como qualquer outro vício. “Nosso Lar” mostra um pouquinho e explica o que é o suicida. Vale a pena ao menos para refletir.

Haverão dias que você não irá resistir porque está muito mal, em outros sentirá falta (isso mesmo, você poderá sem motivo algum, sentir saudades da sensação que ver o sangue correr nós dá). O auto-flagelo é uma droga, não se cale, não se isole, busque ajuda!

Justine – Terremoto na Rotina (parte III)

Justine e Lucas tomaram banho juntos como duas crianças brincalhonas, rindo de tudo que acabara de acontecer. Lucas saiu primeiro, pois já estava atrasado para sua viajem, Justine ficou curtindo a água morna que percorria seu corpo relaxado.

– Querida, preciso ir, me deixa no aeroporto? – perguntou Lucas apressado.

– Sim claro, vou me secar e vestir algo rapidinho – respondeu Justine enquanto desligava o chuveiro e pegava a toalha.

Ela pegou a primeira roupa do armário, um vestido longo, mas leve, ela estava tão relaxada que poderia dormir o dia todo, como um bebê. Lucas já estava na porta berrando desesperado.

– VAMOS AMOR! ESTOU ATRASADO!!!

– Tô aqui já, podemos ir!

– Você esta estranha…

– Eu? Por quê?

– Sei lá, esse sorriso esquisito ai?

– Depois de tudo que houve, você queria que eu ficasse triste ou mal humorada?

– Claro que não! Desculpe se estou meio indiferente, mas não posso perder este vôo, muito menos essa reunião.

– Eu sei – disse com ternura – Bem, pisa fundo então!

Os dois foram em silêncio no carro, na rádio rolava musicas bregas e ninguém se importava em mudar. Justine estava com o olhar longe, ora soltava um risinho malicioso, ora suspirava profundamente.

– Chegamos Ju – disse Lucas saindo do carro parado no “embarque-desembarque”.

– Quer que eu entre contigo? – perguntou Justine indo a sua direção no porta-malas.

– Não precisa anjo – respondeu e beijou-lhe a testa – Vou sentir sua falta cadelinha, te amo, se cuida e juízo!

– Você quem vai viajar, você que se cuide e tenha muitíssimo juízo! Te amo – se beijaram e Justine ficou olhando Lucas entrar no aeroporto.

Ela voltou ao carro e seu celular estava piscando no banco ao lado, 3 chamadas não atendidas, era Amanda, então retornou a ligação.

– Oi putaaaa! Finalmente consigo falar contigo! – disse Amanda animada.

– É que o Lucas foi viajar, vim trazê-lo no aeroporto.

– E ai como estão às coisas? Melhor?

– Sim – respondeu entre risos – melhorou muito!

– Que bom, então não quer sair comigo mais?

– Claro, você acha que vou ficar mofando em casa enquanto ele vai pro Canadá? Frango frito, cerveja forte e Hooters? Mas nunca que fico em casa, onde vamos?

– To saindo com aquele cara da internet, não quer ir no barzinho que te falei que ia? Gata, lá tem tanto topetudo bonito, que você nem tem noção!

– Ok! Me passa o endereço por e-mail, que horas?

– La fica bom pela meia noite… Mas vamos mais cedo, assim agente descola uma mesa, ou um lugar no bar.

– Fechado, umas onze ta bom?

– Dez e meia!

– Fechado! Até mais tarde Mandita.

Justine desligou e decidiu ir visitar a mãe, no caminho foi pensando no que vestir pra noite, e no que disse a Amanda, sobre o Canadá.

– Só espero que o Lucas não encontre nenhuma canadense e me esqueça!

Chegando na sua casinha, a mãe estava no jardim aguando as plantas.

– Ju! Filha que surpresa, você sumiu, quase não a vejo mais.

– Desculpe mãe, é que andei enrolada, e o Lucas você sabe, até viajou hoje de ultima hora pro Canadá, pra resolver um problema de cliente.

– Vocês estão bem? – perguntou a mão ao notar a face preocupada de Justine quando mencionou o Canadá.

– Bem mãe, sei lá, senti medo pela primeira vez, eu e o Lucas andamos meio distantes no ultimo mês, quase nem tempo pra nós dois, só nos víamos na cama pra dormir, caímos em uma rotina que estava me deixando deprimida, eu estava virando dona de casa! Acredita?

– Minha filha… – disse a mãe ao sorrir – você está crescendo, isso parece ser pavoroso mesmo, mas é que nem sempre da para se manter o pique de um namoro normal, morar junto então, mas tem que ter paciência, qualquer relação será assim, tudo tem que ter paciência.

– Eu sei, eu sei! Pena que paciência não faz parte das minhas virtudes.

– Isso eu sei bem! Vamos entrar eu vou passar um cafezinho do jeito que você gosta e tem bolo de cenoura, seu predileto!

– Ah mãe, só você pra me tirar da dieta e me por pra cima – elas se abraçaram e foram para dentro.

As duas ficaram conversando por horas, o pai de Justine chegou para a janta, os três se reuniram em volta da mesa como nos velhos tempos, riram, conversaram, e logo mais Justine foi para casa se arrumar.

– Tchau mãe, obrigada pela conversa – disse Justine enquanto a abraçava – Tchau papai – se despediu beijando o pai carinhosamente.

Justine entrou no carro e disparou até o apartamento, já passava das nove horas e ela não tinha menor idéia de onde era, nem o que vestir. Entrou no apartamento correndo e deixou o computador ligando enquanto tomava outro banho. Conectou-se a internet e entrou no closet para procurar algo.

– O que vestir? O que vestir? – dizia ela com as mãos nos cabelos.

O celular apitou, era uma mensagem da Amanda.

“Amiga, já está se arrumando? Não vai me esquecer em sua safada. Recebeu meu e-mail? Beijos, até logo!! x)”

Justine sentou na mesinha e foi olhar o local, jogou o endereço no Google maps para encontrar o melhor caminho e voltou a se arrumar, entre vestidos, saia e calças ela não tinha idéia do que vestir.

– Acho que um pretinho básico vai bem em qualquer lugar!

Vestiu um tomara-que-caia preto com um belíssimo decote coração e um pouco acima do joelho. Colocou um bolerinho de renda preto, só como enfeite pois não cobria muito seus fartos seios. Correu para o banheiro.

– Caramba, sabe aqueles dias que não da nem vontade de se arrumar? Hoje é meu dia! Droga…. Cadê meu pó… Aqui! Nossa que pele lixo está a minha… Acho que só vou cobrir essas espinhas que surgiram e passar um rímel, será que consigo?

Depois de algum esforço ela consegui se maquiar, uma sombra clara, rímel preto, cílios alongados com o delineador e um batom rosado para dar um ar de saudável. O closet de Justine era um sonho, Lucas, amante de sapatos sempre a presenteava com novidades belíssimas.

– Que droga, às vezes ter muita coisa é um saco, não sei o que calçar, definitivamente, não sei.

Depois de gastar quase 30 minutos calçando diversos sapatos para decidir qual usaria, ela colocou o primeiro que experimentou, salto 10cm vermelho de vinil bico arredondado.

– Acho que to pronta!

Olhou para o relógio já passara das dez e meia, conforme havia combinado com Amanda.

– CARALIO PUTA QUE PARIU, A AMANDA VAI ME MATAR! GRRR – gritou enquanto imprimia o mapa, nem parou pra desligar o computador e saiu correndo trancando a porta.

No elevador ela olhou o endereço.

– Ainda bem que não muito longe, e não tem muito transito.

Ela entrou no carro e saiu em disparada. Ao chegar em frente ao local, o celular tocou, era Amanda.

– Oi amiga!

– Porra Justine, tu vai mesmo me dar um bolo é?

– Não eu já estou em frente, só tenho que achar lugar pra estacionar.

– Segue um pouco mais que tem um estacionamento logo enfrentem é mais seguro, te encontro lá.

– Ok! – ela desligou, seguiu um pouco mais e logo achou o estacionamento.

Fechou o carro e saiu do parking, Amanda estava na frente a esperando.

– Que bom que você veio! – disse Amanda indo em sua direção para abraçá-la.

– Não disse que eu vinha!

– Vamos vou te apresentar o Vitor, ele trouxe um amigo.

– Ah safada, planejando as coisas pelas minhas costas?

– Você vai me agradecer. Mudando de assunto, menina, você ta chique demais, os caras vão cair matando, e eu toda básica.

– Não sei onde básica com essa calça justíssima e este corselet, os peitos pulando de tão apertados – risos.

– Tô tentando entrar no clima do lugar, mas você vai se dar bem, ta toda pin upizuda! – disse Amanda enquanto ria – bem eles estão lá dentro, preparada?

– Meu Deus, até parece que vou conhecer meu futuro marido.

– Quem sabe! Aproveita e guarda a aliança na carteira.

– Tá loca? – disse Justine brava.

– Amiga, você vai me agradecer.

Quando entraram havia uma roda de mulheres alvoroçadas, Justine não entendi o que estava havendo, era muito escuro ali, mas já pode sentir como seria a noite, ainda na entrada ela já havia levado uma cantada do porteiro, outra de um rapaz que passou esbarrado nela.

– Ah! Eles estão ali – apontou para a mesa logo depois da reunião feminina – Cara odeio essas Maria Topetudo, onde vou passo raiva, ainda bem que o Vi não ta nem ai, só olha pra mim.

– Também, ele deve se perder ai nesses peitos, caracas Mandita, estão enormes – disse Justine dando uma apertadinha enquanto ria.

– Safada, vai que eu gosto!

Romance à démodé?

Toda mulher prega a liberdade, a independência, querem ser livres para escolher, porém, quando o assunto é relacionamento, as coisas realmente se tornam confusas, até mesmo para mim, que sou mulher.

Hoje, ouvimos muito falar de “dividir a conta”, “cada um paga a sua”, e algumas ainda reclamam do romantismo ou excesso de cavalheirismo, mas será que na pratica é isto mesmo? Eu me coloquei a prova em vários encontros para saber como as relações andam hoje e transcrevi em uma espécie de estudo de caso, que não estão em ordem cronológica e em alguns casos a pessoa pode ser a mesma.

Primeiro caso: Um convite para sair com o namorado (que agora é ex).

Era começo de namoro, tudo estava bem, desde nosso primeiro encontro que foi um cinema, eu havia pagado o meu e ele o dele, até porque quando vou ao cinema com alguém chego e compro logo a minha, pois me sinto envergonhada em esperar que ele pague (pois vai que ele não se habilita, imagina o mico), então um dia, planejávamos ir a um pub badalado da cidade, curtir um som e beber, porém na ultima hora eu fiquei sem dinheiro, em uma conversa por telefone, falando de outra festa, eu disse que estava sem dinheiro e sabe o que ouvi de volta? “então como você quer sair amanhã?” minha cara caiu no chão, eu fiquei muda ao telefone e depois disso tive um colapso de memória, não lembrando dos fatos seguintes. Sei que não esperava aquela frase, é obvio que eu esperava algo “eu você está saindo comigo, eu pago”, ou qualquer coisa do gênero, tento em vista que meu namorado anterior não me deixava pagar nem uma bala. Depois daquele dia foi como “brochar”, toda vez que falávamos em sair eu ficava sem vontade, ou quando saiamos, ele pagava o cinema, mas não pagava o jantar (ao menos o meu), ele queria transar, mas nunca se prontificou em pagar o motel (eu já paguei motel pra homem, e também já dividi, mas de namorado eu não aceitaria jamais, nem dividir), no ultimo suspiro da nossa relação ele se propôs a passarmos a noite em um hotel, e ele pagaria, enfim, ele era um bom rapaz e me pagou alguns almoços na padaria da esquina.

Segundo caso: Passeio de domingo.

Marquei de ir ao cinema com um “amigo”, para assistir um filme que a muito desejava ver, eu estava meio sem dinheiro, mas pensei “melhor eu ter ao menos o do cinema e do refrigerante”. No dia que nos conhecemos, se eu pedisse a lua, ele teria dado um jeito, no dia seguinte, fez todos os meus gostos, e mesmo depois de eu já ter “liberado” ele fazia de tudo pra me agradar, saímos para jantar e ele pagou o meu e o dele, com este histórico, eu nunca imaginava que na hora de comprar os ingressos ele comprasse somente o dele! Tudo bem, aquilo eu deixei passar, ele comprou a pipoca, mas eu quem comprou o refrigerante. Ok! Saímos do cinema e decidimos comer ali pelo shopping mesmo, eu escolhi o lugar para comer, na fila pensei “vou fazer um teste, se ele não disser o que você vai querer, eu fico na minha”, dito e feito, ele pediu dois lanches pagou, depois disse e você vai comer o que? Não, ele não estava me perguntando pra pagar, pois não seria idiota de passar o cartão duas vezes. Eu juro, meu sangue subiu pra cabeça e senti o rubor na minha face, para não demonstrar que estava chateada com a situação, eu disse que comeria em outro lugar, sentei com ele para esperar o pedido, enquanto fingia pensar no que comer, mas na verdade eu estava contando até 1000 para me acalmar, claro que ele não é bobo e notou minha mudança de humor na mesma hora, eu liguei pro meu irmão, que também estava no shopping e fui encontrá-lo, deixando o individuo sozinho. Contei a minha cunhada e ela achou o cumulo. Voltei, comprei comida em outro restaurante, e de tão irritada tive má digestão e nossa noite foi para o buraco. Exagero da minha parte? Foi o que me questionei a noite inteira. Nas próximas vezes que marcamos de sair, eu disse que estava sem dinheiro e ele nada falou.

Terceiro caso: Visita a um “amigo”

Era férias e fui visitar um “amigo”, fiquei três dias na casa dele, no dia em que cheguei, ele me levou para comer em uma confeitaria e pagou a conta, fomos ao mercado e perguntou o que eu desejava levar. No dia seguinte, fomos a uma balada que ele ia discotecar, paguei minha entrada ao ir lá fora fumar, pois nesta cidade a lei contra fumantes em ambientes fechados prevalece, quando voltei e ele ficou sabendo disso, fez o bar devolver meu dinheiro, pois eu era sua convidada, pagou a cerveja, perguntou durante toda a noite o que eu queria um cavalheiro a moda antiga. Eu me sentia mal em vê-lo “me bancar” e comprei algumas cervejas, na saída ainda fomos comer e mais uma vez ele pagou. No dia seguinte a mesma coisa ao irmos almoçar fora, eu ficava envergonhada, mas ele fazia questão, até mesmo o taxi da casa dele a rodoviária foi uma luta para eu pagar, afinal nada mais justo depois de tanta gentileza, inclusive da mãe dele.

Quarto caso: Cinema com um conhecido. Ambos queriam muito assistir o mesmo filme, ele novo na cidade, decidimos ir juntos. Eu não esperava absolutamente nada dele, afinal, havíamos nos visto duas vezes em reuniões de amigos, cheguei primeiro, comprei meu ingresso e fiquei esperando por ele. Quando chegou foi logo perguntando, “seu ingresso é meia ou inteira?”, eu disse que já havia comprado e ele disse “poxa”. Na hora da pipoca eu fui pra comprar a minha, mas ele se ofereceu, insistiu e eu aceitei, envergonhada novamente.

Quinto caso: Namorava um rapaz de longe, que se achava a ultima bolacha do pacotinho, mas como toda apaixonada eu tava cega, me mudei para mais próximo da cidade dele e um dia fui visitá-lo e passar uma semana na casa dele. Logo no primeiro passeio eu já vi como seria, machista, mas acomodado, tudo que ele me convidava eu que pagava, até o sorvete! E ele ainda falava em casamento… Espero que hoje ele tenha amadurecido, tendo em vista que está casado, no dia em que eu fui embora, peguei um taxi, além de pagar a ida, ainda tive que deixar o dinheiro pra ele voltar (de ônibus claro, porque eu não podia ser mais boba e a esta altura eu já não estava mais cegamente apaixonada), pra piorar ainda esqueci uma bota que eu adorava e cara na casa dele, que ele nunca enviou de volta, puro pão-durismo, afinal o PAC do correios nem é tão caro assim.

Sexto caso: Presente de natal.

Era final de ano, apesar de não ser a namorada melosa que ele desejava eu era atenciosa, sempre o ouvia (por horas e horas e mais horas), éramos ótimos amigos acima de tudo. Aquele seria meu primeiro natal que trocaria presente com um namorado, então estava animada, comprei pra ele o kit de poker que ele tanto queria (ele ama poker), comprei também a revistinha em quadrinhos (que ele também ama) que ele tanto desejava e não quiseram vender pra ele, entre outras coisinhas, claro que se eu dei, eu quero receber. Como passaríamos as festas de final de ano separados, dei a ele os presentes antes de viajar, e o que eu ganhei em troca? Bem, primeiro eu quase que exigi um presente, depois ele me deu um sapato horrível que meus nervos saltaram, sentia que ele não tinha nenhuma consideração comigo, tendo em vista tudo o que fiz pra agradá-lo quando o presenteei, não consegui ser sínica e disse que havia odiado, fui trocar o sapato, mas na loja eu não sabia qual era o pior, então devolvi e disse pra trocar por algo pra ele. Era difícil uma pessoa que sempre saia comigo pra fazer compras não saber meu gosto. Até porque eu sempre passava pelas vitrines e jogava uns verdes pra ver se ele se tocava. Nas férias tudo que eu via me lembrava dele eu queria comprar, mas me controlei e só comprei duas lindíssimas calças, ele disse que compraria um presente pra mim também. No reencontro entreguei uma das calças a ele, e nada me veio em troca. Hoje a outra calça ta La em casa, acho que da pra usar como boyfriend…

Resumindo: é difícil nos entender? É sim! Escrevendo tudo isso eu tentei analisar e buscar uma resposta do porque somos assim, e se você leu isso tudo e pensou que sou interesseira, saiba que para todas as mulheres que contei essas historias todas, sem sobrar uma sentiram-se revoltadas. Como é possível nos sentirmos mal ao sermos bancadas, mas nos sentirmos pior ainda quando não somos? Seria vestígios ainda da criação que tivemos de nossos pais, que viveram em uma época onde a mulher era Amélia? Seria falso moralismo? Escola católica? O mundo que é machista demais ainda e nos faz pensar que as coisas devem ser assim ou será simplesmente que no fundo, nós mulheres ainda fantasiamos aquele romance démodé, onde os rapazes abrem a porta do carro, mandam flores em ocasiões especiais e pagam a conta?

Seja qual for a resposta, se é que há uma resposta para isso, as mulheres querem mesmo é ser paparicadas, mimadas e ao serem convidadas para algum programa que não precisem levar nada além da maquiagem para retocar, pois o cavalheiro pagará a conta (claro que para tudo há exceções, então que estas se manifestem se eu estiver absurdamente equivocada).

Freak Butterfly

Soundtrack: Bajulações Modéstia à Parte – Faichecleres

Justine – O casamento do primo Mario Parte I

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Tudo parecia ter voltado ao normal, Lucas e Justine estavam em paz, e Marcela estava mais feliz do que nunca com Gustavo. Desde os últimos acontecimentos Justine o evitará para não se sentir mal em relação à Marcela e também ao que houve entre os dois. Mas quando podiam, trocavam e-mails secretos, com assuntos desde como Marcela estava reagindo com a ausência de Justine e sobre o quanto a noite que tiveram fora especial.

O tempo passou rápido, faltavam apenas 5 dias para o casamento do primo Mario. Justine estava ansiosa, sentia seu coração saltar do peito toda vez que lembrava que logo iria vê-lo. As malas estavam prontas, o vestido já arrumado, eles iriam uns dias antes, pois seria um grande encontro de família, e ocorreriam algumas confraternizações. Lucas só poderia ir 3 dias depois, o que deixava Justine ainda mais tensa.

– Mãe… Será que não posso ir com Lucas?

– Porque Justine!? Você não quer rever seus primos e primas? Todos estarão lá, será uma forma de reencontrar todos – disse Maria animada.

Justine torceu os lábios e seu estomago embrulhou, desde pequena ela nunca se deu bem com seus primos e primas, ela sempre foi motivo de zombarias, reencontra-los não era nenhuma motivação, nenhuma visão agradável para ela.

– É que, não sei mãe, Lucas vai ficar envergonhado de ir depois sozinho, e não quero ir sem ele.

– Eu já falei com ele minha filha.

– Quando!?  – perguntou assustada.

– Hoje pela manha, quando ele ligou para saber se tudo estava bem.

Marias fofoqueiras… – resmungou para si mesma.

– O que foi?

– Nada não mãe… Vou falar com Lucas.

– Ok! Mas ele disse que você pode ir sem problemas.

Justine se retirou para o quarto estalando os dedos. A raiva que sentia desta amizade entre o Lucas e sua mãe era imensa. Esse diálogo maravilhoso que ambos tem um com o outro, só dificultava a maioria dos planos de Justine.

Sem pensar duas vezes, ela ligou pra ele.

– Lucas! Porque você foi dizer a minha mãe que estava tudo bem eu ir antes?

– Oi pra você também meu amor!

– Nem vem com essa não. Vocês dois me deixam louca!

– Porque está tão furiosa meu docinho?

– Para com isso! Oras por quê? Porque eu não quero ir nesta reunião tola de família, nem queria ir ao casamento, vou porque você vai comigo. E agora você me atira aos lobos!

– Amor, calma, farei de tudo pra ir antes do previsto, to me matando pra terminar com toda esta papelada da mesa. Afinal alguém tem que trabalhar, ou quem sustentara nossos filhos?

– Filhos! – exclamou com espanto.

– Não quer ter?

– É… Ah Lucas, você é idiota!

Lucas não se conteve e começou a rir.

– Minha menininha. Oh menininha brava!

– Não sou menininha, ok!?

– Já até posso ver o tamanho do bico que se formou nessa boca linda.

– Vem me dar adeus?

– Nossa, que trágica, até parece que será tão ruim. Você vai ver o quanto vai ser divertido. Aqueles seus primos chatos e zombavam de você irão querer te comer meu anjo!

Justine ficou pasma com o comentário do namorado.

– Alo! Alo Justine… – disse Lucas cantarolando.

– Você é louco!

– Mas só você sabe disso, é o nosso segredinho. É por isso que me ama.

De fato ela o amava por este humor peculiar.

– Já estou com saudades.

– Eu também minha garotinha rebelde. Vou ai daqui a pouco lhe dar um beijo.

– Te espero.

Ela desligou o celular e se atirou na cama, às palavras de Lucas percorreram seu pensamento centenas de vezes. Talvez aquele reencontro não fosse tão ruim, afinal ela já era uma mulher, uma bela mulher, se não tão bela ao gosto de seus primos e primas, era ao menos sensual, chamava a atenção. Talvez aquele reencontro fosse divertidíssimo.

– É… Talvez seja delicioso seduzir e pisar em meus primos e mostrar as minhas primas que a patinha feia cresceu e virou um cisne.

Ela se levantou e foi refazer a mala, se quisesse por seu novo plano em pratica, não poderia levar aquelas roupas puritanas de garotinha do papai. Para não parecer muito vulgar ela misturou as roupas de santa com alguns acessórios e vestimentas de caçadora. Claro que seus sapatos de saltos não poderiam faltar.

– Bem, acho que esta mala está bem melhor agora.

– Falando com quem?

– Lucas! – exclamou Justine surpresa.

– E então, falando sozinha meu amor? – completou com um sorriso malicioso estampado na face.

– É que você me deu uma ótima idéia. Realmente, não farei desta viajem um pesadelo, e sim uma diversão.

– O que esta planejando em mocinha? – perguntou ao abraçá-la.

– Não quero ser alvo dos meus primos, não de chacota. Como chegarei sem você, no mínimo vão achar que sou uma solteirona encalhada. Eles vão me desejar ainda…

– O que quer dizer com isso?

– Ah! É só uma brincadeira, não se preocupe, quando você chegar irá se divertir comigo!

– Sossega este rabo menina!

– Fica tranqüilo, não farei nada demais, só vou provocá-los… Eu te amo cachorrinho! – e ela o beijou calorosamente.

Já estou com saudades minha putinha – sussurrou em seu ouvido.

Os dois se olharam por alguns minutos sem dizer nada. Lucas estava apreensivo por não conseguir adivinhar os pensamentos de Justine. E Justine estava animada para colocar seu plano em pratica.

– JUSTINE! – gritou o pai.

– Me ajuda com a mala?

– Claro! – Lucas pegou a mala da amada e foi para o carro, enquanto Justine pegava a bolsa e um casaco.

– Que pena que não vai conosco hoje Lucas! – disse Maria.

– É uma pena mesmo, mas estou tentando acelerar no trabalho pra ir o mais rápido possível – terminou a frase olhando torto para Justine.

– Bem, estaremos lhe aguardando! – disse Carlo com o sorriso caloroso de sempre.

– Já estou com saudades… – disse Justine emburrada.

– Eu também meu amor. Vou trabalhar dobrado pra estar logo contigo.

– Esperarei ansiosa.

Os dois se beijaram. Carlo e Maria já estavam no carro. Ela entrou cabisbaixa, acenou adeus e partiram.

Depois de horas na estrada, em uma viajem que lhe pareceu mais longa do que esperava, Justine estava aliviada por enfim chegar à fazenda dos avos. O casamento de Mauro seria ali. Pois era um lugar imenso que abrigaria toda a família.

Ela já podia ver alguns primos andando a cavalo, e outros na piscina. Ela respirou fundo e desceu do carro. Vários tios e tias correram para cumprimentar Carlo e Maria. Ela já podia ouvir vários deles questionando ao mesmo tempo: “Esta é a pequena Justine?”.

Ela revirou os olhos, sem duvida não tinha vocação para reuniões de família. Abriu seu sorriso amarelo e recebeu os cumprimentos da família. Vários abraços, beijos, apertões de bochechas e comentários do tipo: “Como você cresceu!”, “Nossa, como está magra, lembra como era gorda?”, “Você colocou silicone? Não lembro de você ter seios.” E vários outros blábláblás constrangedores.

Ao conseguir finalmente por as malas no quarto ela suspirou e sentou na cama.

– Deus! Isso é pior que “A hora do espanto”. Vai ser mais difícil do que eu esperava.

Ao concluir a frase Mauro entra em seu quarto.

– Prima? – perguntou meio encabulado.

– Maurinho! – exclamou animada ao vê-lo.

Ela correu para abraçá-lo quando uma pequena moça lhe deteve.

– Justine, esta é minha noiva Priscila. Pri esta é minha melhor prima Justine.

A duas se cumprimentaram com um aperto de mãos. Justine estava nervosa, e Priscila parecia encabulada.

– Nós viemos lhe chamar para dar uma volta a cavalo conosco – disse Priscila com uma voz angelical.

Ela era pequenina, com olhos grandes e esverdeados, não era magra nem gorda, poderia dizer que era normal. Os cabelos dourados eram ondulados e longos. Priscila parecia uma boneca de porcelana. Mas era muito infantil aos olhos de Justine.

– Estou um pouco cansada – respondeu com um sorriso amarelado.

– Ah! Prima, que isso!? Os cavalos andarão por nós. Quero te reapresentar aos outros primos e primas.

Ela não sabia se era o momento certo.

– Vamos Justine, será divertido! – disse a voz de anjo.

– Ok… Vou trocar de sapatos e já desço.

Ela deu graças a Deus de ter colocado a bota montaria na mala, pois seria ridículo cavalgar de salto alto. Ela vestiu uma calça mais justa, e calçou a bota, amarrou os cabelos e deixou a blusa tipo bata esconder um pouco do corpo, já que a calça já mostrava suas pernas grossas e a bunda empinada. Ela desceu desanimada e foi para a varanda de frente. Mario e Priscila já estavam em seus cavalos, e ao lado estava um jovem de corpo atlético, esperando ao lado do cavalo.

– Justine, lembra do Fábio?

– Fabinho! – disse espantada.

– Sim, Jú, eu sei, eu sei! Eu cresci, muito! – disse sorridente – Você também está bem prima.

– Obrigada!

Ela subiu no cavalo com certa dificuldade. Depois Fábio montou em outro, e os quatro foram para o campo aberto cavalgar. A brisa que sacudia os fios soltos de seu cabelo era deliciosa para uma tarde quente de primavera. Justine sentiu-se bem, sentiu-se livre. Olhou para o lado e viu Fabio sorrindo para ela. Então pensou consigo mesma: “Acho que tudo será mais fácil do que imaginei.”

Continua…

Freak Butterfly.

amor

Pedofilia: você é contra ou a favor do aborto?

985211

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nos últimos dias os jornais têm dado ênfase a questão do aborto, desde que foi anunciado o aborto legal de uma menina de nove anos de idade grávida de gêmeos, no quarto mês de gestação. O motivo? Abuso sexual. O acusado? Padrasto.

Cada dia se tem conhecimento de novos casos de crianças abusadas dentro de casa, muitas vezes chegando a ter o conhecimento da mãe, que por medo de perder o “amor” do marido, acaba se silenciando. Até então o lugar que era para ser um porto-seguro se transformou em um ninho de pesadelos.

Por medo, por repressão, por serem ameaçadas, as crianças não irão contar que foram molestadas, então devemos ter todo o cuidado e prestar atenção em comportamentos estranhos, vejamos alguns exemplos a seguir:

1.Interesse excessivo ou evitação de natureza sexual;

2.Problemas com o sono ou pesadelos;

3.Depressão ou isolamento de seus amigos e da família;

4.Achar que têm o corpo sujo ou contaminado;

5.Ter medo de que haja algo de mal com seus genitais;

6.Negar-se a ir à escola,

7.Rebeldia e Delinqüência;

8.Agressividade excessiva;

9.Comportamento suicida;

10. Terror e medo de algumas pessoas ou alguns lugares;

11. Retirar-se ou não querer participar de esportes;

12. Respostas ilógicas (para-respostas) quando perguntamos sobre alguma ferida em seus genitais;

13. Temor irracional diante do exame físico;

14. Mudanças súbitas de conduta.*

 

Fiquem atentos às crianças ao seu redor, muitos imaginam que tal situação nunca irá ocorrer com nossos filhos ou parentes e s sentem despreparados ao que fazer em relação à criança quando a noticia vem à tona. Vejamos algumas sugestões (American Academy of Child and Adolescent Psychiatry):

1.Incentivar a criança a falar livremente o que se passou, sem externar comentários de juízo.

2.Demonstrar que estamos compreendendo a angústia da criança e levando muito a sério o que esta dizendo. As crianças e adolescentes que encontram quem os escuta com atenção e compreensão, reagem melhor do que aquelas que não encontram esse tipo de apoio.

3.Assegurar à criança que fez muito bem em contar o ocorrido pois, se ela tiver uma relação muito próxima com quem a abusa, normalmente se sentirá culpada por revelar o segredo ou com muito medo de que sua família a castigue por divulgar o fato.

4.Dizer enfaticamente à criança que ela não tem culpa pelo abuso sexual. A maioria das crianças vítimas de abuso pensa que elas foram à causa do ocorrido ou podem imaginar que isso é um castigo por alguma coisa má que tenham feito.

Se neste caso ocorre uma gravidez, a lei esta ao lado da criança, já que muitas vezes a mesma não tem capacidades físicas ou mentais para gerar um feto. Porém, a igreja condena tal ação, descomungando todos que participam do ato, menos o agressor, pois o mesmo não tirou a vida do feto. Isto parece mais com a idade média. Como podemos aceitar que a família da criança, os médicos e outros envolvidos sejam culpados perante a igreja e o agressor, que prejudicou a vida de uma criança, mudando sua psique para sempre, pois é de conhecimento publico que muitos agredidos não conseguem se recuperar totalmente do trauma, ser livre disto?

É um absurdo o vaticano apoiar isto. Vejamos outro caso, de uma menina de onze anos estuprada pelo próprio pai. Ela esta para ter o bebê e o pai esta livre, quando deveria estar atrás das grades.

Então fica aberta uma outra pergunta: os padres pedófilos também são descomungados? Você viu isso na mídia?

As leis sejam elas civis ou da igreja estão repletas de falhas.

O aborto deve ser uma opção da mulher. Em caso de estupro, seja infantil ou adulto, elas deveriam escolher se desejam ou não gerar o feto.

Não posso aceitar abortos realisados por motivos de imprudência e descuido. Mas todos têm o livre arbítrio e não podemos sair julgando. Cabe a nós termos consciência e cuidar de nossas famílias que infelizmente não estão seguras nem dentro de nossas casas.

Se você é vitima, ou sabe de algo, não se cale, denuncie, não transforme seu ente querido em mais uma “Vitima do Silencio”.

 

Freak Butterlfy (Poliana S. Zanini)

 

 

·         Fonte: http://www.virtualpsy.org/infantil/abuso.html

·         Disk denuncia: 0800-990500