RSS Feed

Tag Archives: desconfiança

Automutilação: a desconfiança

Primeiramente, gostaria de iniciar este assunto agradecendo a todos que vem aqui, que dão apoio, que buscam ajuda para pessoas queridas, que desabafam, assim como eu fiz. Nunca pensei que um desabafo em meio à dor fosse gerar tantos comentários, que eu fosse descobrir que não estou sozinha, já que a solidão causa ainda mais pânico, mais medo em mim.

               Eu já estou sem me ‘punir’ a cerca de três meses, o que parece muito e ao mesmo tempo pouco, se levar e conta que há muita vida pela frente – bem eu acho que há, mas confesso que por muitas e muitas vezes penso em terminar com tudo de uma vez por todas, ou que não vou suportar certas decepções que nem ao menos aconteceu, ainda sou um tanto pragmática e pessimista e sofro às vezes por um possível futuro, o que é errado e tento me policiar, mas ainda é difícil.

               Meu maior problema no momento é a desconfiança! Tenho tido conflitos internos e externos por isso, e um deles é amizades, o medo de me sentir só, às vezes me faz aceitar o errado, porém, posso dizer que a terapia tem me ajudado a ver que o “antes só que mal acompanhado é muito mais válido”. – parem de achar que fala de alguém específico, se penso que é sobre você, é porque a carapuça serviu – Eu tenho ficado só, há um mês não saio de casa para ter uma vida social agitada, e quer saber, não sinto falta, pela primeira vez não entro em pânico por ficar só, até gosto, porém, tenho visto o medo no meu pai.

               Sempre que começo a ficar mais tempo no meu quarto ouvindo músicas, filmes ou lendo, o que para mim é reconfortante, incomoda meu pai – com quem eu vivo, visto que meus pais são divorciados – para ele é sinal de que estou em depressão e me “cortando novamente”, como ele mesmo diz, vejo nítido em seus olhos o temor de passar por tudo outra vez. Sei que fiz meu pai, mãe e irmão sofrerem comigo. As demais pessoas que moram nessa casa, falam por ai, que eu só quero é chamar atenção, mas já superei esses comentários, que por alguém tempo me afetaram, e sei que o que faço, faço muitas vezes involuntariamente.

               Outra coisa que já consegui superar é a palavra “louca”, pois pessoas que considerei muito nessa vida, que amei e até meu próprio pai, disse que eu era louca, ou pessoas que se diziam amigas comentavam, “a louca lá deu pití outra vez”. Agora que vejo tudo mais nítido e menos vermelho, noto o quão desorientado e sem informação são.

               A desconfiança é algo que dói, e quando escuto a pergunta como “o que aconteceu?”, ou “você está bem?”, vejo isso como uma pergunta retórica, no final das contas ninguém quer saber a verdade, muitas vezes eu engulo o choro e digo “não é nada, está tudo bem”, mesmo que por dentro algo esteja me dilacerando.

               Dizer que estou livre desta maldição, ainda não posso, acho que como qualquer pessoa em tratamento, está propensa a recaídas. E como qualquer outra pessoa que se livra de uma dependência, busca outras formas de fuga, como já li e também já busquei, por exemplo no álcool, em sexo, em qualquer coisa que o faça sofrer de alguma forma ou apagar aquilo que era tão dolorido.

               Quando estou nervosa, ainda arranco pedacinhos dos lábios, sabe aqueles descascadinhos? Então, tiro-os até sangrarem, ou quando não tem mexo até que haja uma misera pontinha pra puxar, a princípio não percebia o motivo, hoje é mais claro, tirar cutícula também se tornou uma mania, e vivo com os dedos machucados, em crises mais severas, hoje, pra me controlar, eu quero coisas – o que também não é saudável, visto que meu guarda-roupa esta ‘mutilado’ e despencando, mas, antes um objeto do que eu.

               Então, comprei um saco de boxe, é bem, ajuda a extravasar, você chora e soca, soca e soca até seus braços não suportarem. Eu havia buscado o Muay-Tai para me ajudar a descarregar a violência interna, mas por uma lesão no ligamento do tornozelo – não, eu não o provoquei, no virei o pé em um degrau terrivelmente alto.

               Mas no final o que tem me ajudado mesmo de verdade, é a terapia cognitiva, com uma terapeuta. Sozinho penso que o caminho das pedras fica ainda mais tortuoso, porém, não envolvo mais familiares ou amigos nisso, às vezes desabafo com um, mas estou tentando buscar em mim e por mim. Pois além da desconfiança, meu conflito agora é outro, procurar o sabotador dentro de mim, já que observei que estou me sabotando em vários aspectos e projetos importantes para dar segmento a minha vida e poder dizer enfim que cresci.

               Para aqueles que querem um canto para conversar como outras pessoas com o mesmo problema ou similar ao seu, me foi recomendado uma página do facebook: http://www.facebook.com/groups/274357359264475/?notif_t=group_activity

               E lembre-se: se cair, levanta-te!

*imagem por Beethoven Delano

Auto-Flagelo: Pequenos Deslizes

Nada é tão fácil quanto parecer ser, nem eu vir aqui e falar pra cada um de vocês buscar ajuda, pois nem sempre a ajuda virá, ou ao menos não virá de onde esperamos, como a família.

Ser chamada de louca ou ser olhada com desconfiança não era o que eu buscava quando meus pais descobriram deste meu “pequeno” problema, bem, minha mãe ainda é compreensível, mas meu pai gritou aos quatro ventos que eu era louca.

Não é fácil, mas se não temos ajuda, o negócio e nos auto-ajudar, afinal, porque só podemos nos auto-flagelar? Porque não nos auto-ajudar?

Eu achava que estava tudo bem, que eu estava “livre” deste problema, pensava que podia controlar, até que um dia, senti aquele desespero bater, as lagrimas correr e o desejo surgir, me sentia um vulcão prestes a entrar em erupção, eu parei, tentei pensar, queria me controlar, mas como qualquer outro viciado disse a mim mesma: “só um pouquinho não vai fazer mal”, minha maratona começou, procurar algo que fio pra me aliviar.

Revirei o quarto e nada, então fui até a cozinha… Bem, digamos que foi meu dia de sorte, a faca que eu considerava mais afiada estava sem fio, bem, sem muito fio, foram apenas dois risquinhos, então eu me vi naquela cena decadente e desisti, fui pro quarto, chorei mais um pouco e dormi.

Nem sempre vai ser fácil, nem sempre teremos sorte, nem sempre agente vai conseguir manter o controle, mas não custa nada tentar, como sempre digo, que seja sempre por nós! Devemos nos colocar em primeiro lugar, tirar essa idéia de loucos da cabeça, não somos loucos, temos sim problemas, mas nada que não tenha cura ou alívio.

Talvez seja a hora de buscar ajuda espiritual, eu não to falando pra vocês irem à fogueira santa, nem aquela papagaiada que vêem na tv por favor, busque ajuda em Deus, e não em uma instituição que utiliza o nome dele em vão. Eu recomendo tratamento espiritual no centro espírita kardecistas, mas isso vai de cada um.

Tenha força!