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Justine – Dividida em sentimentos

Mais que um coração divido, Justine tinha a cabeça cortada em pedacinhos, seu cérebro estava a mil. Lucas, Pépe. Pépe e Lucas. O que fazer quando não se sabe amar apenas um? Depois de ter passado sua relação turbulenta entre Lucas e Marcela, Justine pensava que nunca mais teria problemas com esse tipo de relação.

– Deus? O que fazer? – disse Justine para si mesma no espelho.

Em poucas horas o avião de Lucas pousaria, e ela ainda estava na casa do Pépe.

– Algum problema? – perguntou Pépe no chuveiro.

– Não, nada… Aliais… Bem, tem uns parentes meus chegando hoje, e vou ficar ausente por uns dias.

Pepe saiu do banho e com o corpo ainda molhado e nu abraçou Justine, os dois se olharam no espelho por alguns minutos. Pela regata branca do Pépe que ela usava para dormir, podia se ver os mamilos rijos. Justine soltou um sorriso malicioso.

– No que pesou? Perguntou Pépe.

– Segredo – respondeu Justine virando-se para beijá-lo – quer tomar outro banho?

– hum… acho que sou um garoto ‘sujo’ e realmente preciso de um outro banho.

Ela sorriu o empurrando de volta para o boxe. Ligou o chuveiro e a água morna molhou a regata revelando seu corpo arrepiado. Pépe a colocou contra a parede e enquanto a beijava delizou uma das mãos por entre as coxas chegando logo onde o interessava, seu grelo rijo, quente e pulsante. Ela gemeu.

– Vou sentir saudades safadinha, esses dias sem você serão um martírio.

– Shiiiiiiiiii… – Justine interrompeu o que Pépe iria falar, e começou a beijar seus lábios, queixo, pescoço, percorrendo o peitoral, se ajoelhou segurando o membro rijo e começou a sugá-lo como quem não se alimenta a tempo.

– Pequena… Ah! Você além de gostosa me deixa incrivelmente louco… Ah! Isso puta safada, chupa gostoso.

Ela adorava o que fazia, e fazia como nenhuma outra, seus lábios quentes deixaram qualquer um apaixonado, seja homem ou mulher, Justine não media esforços e amava sugar, sugar, sugar, ia cada vez mais fundo, até mesmo suas engasgadinhas eram encantadoras.

– Vou explodir pequena, vou explodir! – disse Pépe entre gemidos.

Ela não parava, não parava nunca, queria ver o leite derramar, mas como tesão a toda, ela interrompeu a função, se levantou, olhou-o nos olhos e sem dizer nada, apenas mordendo os lábios, tirou a regata molhada e começou a acariciar seu próprio corpo, suas mãos deslizavam entre seios e o sexo úmido, Pépe começou a se tocar, mas ela acenou com a cabeça que não.

– Não, não faça isso – sussurou.

Ele parou e ficou apenas admirando Justine se tocar. Seus gemidinhos ainda tímidos, quando a excitação já estava no auge, ela se virou contra a parede, abriu as pernas, empinou a bunda e disse.

– Vem!

Pepe não pensou e logo a penetrou, sua bucetinha estava lambuzada e muito quente, ela continuou a tocar o grelo, seus gemidos estavam mais altos e estridentes, ele não parava de meter segurando-a pelos cabelos.

– Eu acho que vou explodir pequena – disse Pépe enquanto metia mais rápido.

Ambos os corpos estremeceram e permaneceram juntos embaixo do chuveiro.

Depois de brincarem no banho Justine se arrumou, comeu algo e foi se despedir de Pépe que estava brincando com o violão.

– Vou sentir saudades… – disse ela manhosa.

– Eu também… Some não.

– Vou dar m jeitinho de vir lhe ver pena semana…

– Ju… Senta aqui – apontou ele para o colo.

– Diga!

– Sabe, já faz uns dois meses que estamos juntos – disse ele enquanto afagava os cabelos dela.

– Pois é, passou rápido não é?

– Sim, passou, e eu queria dizer que quero ficar mais tempo contigo, cada minuto que está longe, eu quero você aqui. Eu sei, é piegas nem eu esperava dizer isso mais a alguém, mas estou louco por ti garota!

– Acho que preciso ir – disse Justine espantada.

– Como? – perguntou incrédulo – Estou me declarando e você quer ir embora?

– Pépe, desculpe – disse ela levantando em direção da porta – Sabe, eu não esperava… Aliais, eu queria ouvir isso, mas… Não posso, Deus. Tchau!

Justine saiu sem olhar para trás, seu coração estava disparado, será que de fato ela sabia o que queria, ou achava que sabia? Ela desejava ficar só, mas Lucas estava para chegar então foi para o aeroporto.

O vôo iria atrasar meia hora, então ela foi tomar um café.

– Deus, não sei o que fazer – repetia para si mesma a todo momento.

Sentada só, ela sentia vários olhares direcionados a si, tudo lhe deixava mais confusa, enfim o vôo chegou, ela pagou o café e foi para o saguão de desembarque. Muitas pessoas, diversos de reencontros emocionantes, e o coração de Justine só conseguia sentir o medo da culpa que ultimamente lhe seguia até mesmo nos sonhos. Seu rosto corou quando viu Lucas acenando sorridente, ele apressou o passo ao seu encontro.

– Deus, finalmente cheguei, eu não agüentava mais de saudades – disse Lucas ao abraça-la.

Justine chorou, o abraçou apertado e simplesmente chorou.

– Não chora amor, eu to aqui! Caramba, como eu te amo Jú.

– Eu também te amo Lucas, muito, muito.

Realmente ela o amava, daquela forma estranha, mesmo assim ela o amava, foi ao lado dele que ela cresceu, amadureceu, viveu.

– Vamos pra casa? – disse ela enquanto o beijava.

– É o que mais quero.

Os dois foram andaram de mãos dados pelo estacionamento, ele colocou as malas no carro, e antes de justine entrar ele a beijou, prensada ao carro, no calor do reencontro, ele a beijava como se não a visse a anos, seu corpo ficou tomado pelo calor.

– Melhor correr-mos pra casa – disse ele animado.

No caminho, o pensamento de Justine voava. Ela que acabará de transar com seu amante, não sabia se conseguiria se entregar ao amado com tanto fervor.

– Você está bem? – perguntou Lucas desconfiado.

– Sim, só estou um pouco cansada, não dormi bem, tive uns sonhos estranho – respondeu com um sorriso amarelo estampado no rosto.

– Pesadelos novamente?

– Pois é… hehe, esses sonhos tolos.

– Está com alguém problema? Você só tem esses pesadelos quando está em crise.

– Não, era só saudades, eu fico preocupada, nada demais.

– Bem, logo vamos matar essa saudade.

Ao chegar em casa, Lucas não se agüentava mais de tesão, ele jogou as malas na sala e começou a revirar a bolsa de mão.

– Querida, quero vê-la – disse ele sentado no sofá com um embrulho nas mãos.

– Mas você já está me vendo.

– Quero ver você inteira, nua, quero admirar seu corpo, tenho algo pra você, e quero que esteja nua.

Justine sem entender, começou a tirar a roupa, primeiro a calça, depois a blusa.

– Linda, continua linda, que saudade deste corpo, tire o resto.

Ela se despiu por completo ficando nua.

– Nessa mala ao seu lado tem uma surpresa, abre e pegue uma caixa para mim por favor.

Justine abriu a mala e pegou uma caixa de sapato.

– Venha até aqui querida – disse ele enquanto se ajoelhava.

Justine entregou a caixa a ele, que abriu e calçou belos sapatos de verniz preto altíssimos.

– Gostou?

– Sim, são lindíssimos.

– Feche os olhos, tenho outro presente para você.

Ela obedeceu, e curiosa sentiu algo gelado encostar em seu pescoço.

– Continue de olhos fechados e venha comigo.

Ele a segurou pela mão e a levou até o enorme espelho da sala.

– Abra os olhos querida.

– Deus! É linda – disse Justine com os olhos brilhando, ao admirar sua gargantilha de brilhantes.

– Você merece, merece isso e muito mais. Quando a vi na loja disse a mim mesmo: Foi feita para Justine!

– Obrigada amor, eu não mereço tantas coisas.

– Shiiiiiiiiii você merece tudo de bom – disse ele enquanto beijava as costas nuas da amada.

Ele a virou e começaram a se beijar caminhando até a cama. Ele a deitou e começou a beijar todo seu corpo, da cabeça aos pés, sem retirar o sapato. Ele abriu suas pernas e entre mãos e lábios acariciava-lhe a coxa até chegar ao grelo.

– Saudades deste doce – disse Lucas enquanto a acariciava.

Justine esqueceu todos os problemas e se entregou inteiramente, afinal ela o amava, ele a amava, nada mais justo que apagar tudo e ser apenas dele, aquele era seu momento.

Depois de horas de prazer, Justine adormeceu de salto e com a gargantilha de brilhantes. Lucas permaneceu acordado, acariciando suas costas e admirando cada pedacinho de Justine, ele só desejava tê-la para sempre.

 

Justine – Conflitos

O telefone tocava sem parar, Justine não sabia se era só um sonho ou realidade, no escuro, ela procurava sob a mesinha de cabeceira atrás do aparelho.

– Deus quem será a essa hora? – disse esfregando os olhos – Alô?

– Oi querida! – disse Lucas do outro lado da linha.

– Esqueceu que tem casa, namorada e uma vida no Brasil?

– Claro que não, estou com muita saudade, não vejo a hora de voltar.

– Não parece, já tem um mês isso… Aliais, você me ligou pra dizer que vai demorar mais quanto tempo?

– Desculpe, mas este caso está demorando mais do que eu imaginava.

– Já arrumou uma canadense por ai?

– Claro que não! Ta loca menina, porque já tem outros por ai?

– Quem sabe!

– O que?

– Aí, você é pior que pião pra pegar corda.

Lucas contou como andavam as coisas e a saudade que sentia dela, no fundo Justine queria que ele a tivesse traído, isso pesaria menos no remorso que sentia pelo que estava acontecendo, porém, ela não conseguia controlar.

– Daqui duas semanas vai ter a ultima audiência, bem eu espero que seja a ultima, eu estou super cansado daqui e sentindo falta de você, desse eu corpo nu sob o meu, essa sua bucetinha quentinha… Vamos marcar uma conversa pelo skype, quero te ver.

– Você sabe que esse papo de sexo virtual não me excita…

– Só um pouquinho, mata minha saudade?

– Quem sabe um dia!

– Bem preciso desligar, te amo gostosa.

– Também te amo, se cuida amor.

Justine deitou para tentar dormir novamente, mas sua cabeça estava a mil, ela realmente não merecia Lucas, mas também ela não sabe se ele estava sendo sincero, afinal ele estava em outro país, o que acontecesse ali ela nunca saberia.

– Mas quem estou enganando… Lucas não faz esse tipo… DROGA! – ela colocou o travesseiro sob o rosto tentando abafar o grito, e continuou assim até adormecer.

O celular não parava de tocar, e uma fresta de luz invadia o quarto.

– Que coisa, todo mundo hoje resolveu me acordar?

– Oi Marcela!

– Me esqueceu foi?

– Droga!

– Isso ta ficando mais difícil do que parece…

– Eu sinto muito…

– Sem mais, vai fazer o que no almoço?

– Nada.

– Se vista estou passando ai pra te buscar em 40 minutos no máximo.

Justine pulou da cama assustada no quanto havia dormido, apesar de ter sido uma péssima noite cheia de sonhos estranhos. Correu para o banheiro para tomar banho e escovar os dentes, depois foi para o closet procurar uma roupa leve, afinal aquele dia estava terrivelmente quente. O celular toca novamente.

– Oi Má!

– Ta pronta?

– Sê já ta aqui?

– To chegando, só mais 10 minutinhos e to ai, termina logo e desce, te pego na frente do prédio.

– Ok!

Justine colocou um vestidinho, sapatilhas e sem se maquiar colocou um óculos pra apagar a cara de noite mal dormida.

Ao chegar enfrente ao prédio, Marcela já estava lá, as duas deram um longo abraço apertado.

– Você está radiante Marcela, adorei seu cabelo natural, esta mais linda ainda.

– Obrigada querida, o seu cabelo cresceu, você esta ainda mais bonita, o Lucas tem te feito bem. E como ele esta?

– Deve ta bem, não o vejo a mais de um mês.

– Porque Ju?

– Ele está a trabalho no Canadá, ia e voltava logo, mas seu cliente lhe deu dores de cabeça e teve que ficar.

As duas riram, relembraram os velhos tempos, falaram bobagens e logo chegaram até um restaurante que iam quando estavam juntas.

– Você ainda lembra dela Má?

– Claro, como poderia esquecer do que vivemos?

Conseguiram a mesma mesa de sempre, era um momento pra reviver o que tiveram de melhor, exceto com algumas noticias que viriam logo após.

– Má, você ta super bem, desculpa falar, mas até deu uma engordadinha, o Gu deve ta te tratando como princesa.

Marcela começou a rir.

– É e logo me tratará como rainha!

– Hã?

– Eu estou noiva amiga! – disse mostrando a aliança.

– Nossa! Serio? Parabéns – disse Justine sem saber o que sentir.

– E tenho mais uma noticia.

– Qual?

– Não estou gordinha… Estou grávida.

– Grávida, mas… Mas como?

– Como você já sabe, deve brincar de fazer filhos sempre.

– Cala boca!

– O que?

– Não, não pode… – Justine começou a se alterar.

– Ju, sê ta loca? Fala baixo!

– Não pode ser, você ta grávida e vai se casar? Como pôde?

– Como eu pude o que? Achei que ficaria feliz por mim?

– Porque eu deveria?

– Para de ser egoísta e mimada Justine, quando você terminou comigo, não pensou em nada não foi? Eu toquei minha vida, segui enfrente, assim como você né, que ficou noiva e nem me contou, acorda garota cresce!

– Você ta me chamando de criança?

– É como está agindo, como criança mimada e egoísta!

– Ata, só porque você está grávida se acha agora mais madura do que eu? Fala sério, eu vou embora daqui – disse Justine ao se levantar, abriu a bolsa tirou umas notas e jogou sob a mesa – tenha um bom apetite.

– Onde você vai garota, ta loca? Não sei porque dessa manha toda.

Justine saiu sem olhar para trás, sua cabeça girava, sua vida estava confusa, seus sentimentos estavam confusos, ela já não sabia o que fazer, e porque aquele ciúme tolo? Porque tratar mal a amiga que tanto ama?

– O que está havendo comigo?

Ela andou sem rumo por horas, não atendeu o celular nem respondeu a milhares de mensagens de Marcela preocupada. Depois de cansar de tanto andar, entrou em um barzinho que encontrou e foi tomar algo pra esquecer.

– Wisky, duplo e sem gelo, por favor!

– Dia ruim? – disse o barman enquanto pegava a garrafa.

– Péssimo!

Justine entornou o copo e pediu outro.

– Não é melhor ir com calma senhorita?

– Só me vê outro, por favor! Vim beber e não procurar um psicólogo.

– Ok!

– Depois de algumas doses, tudo parecia melhor, ela pegou o celular e olhou as ligações e mensagens, não quis retornar para ninguém, olhou para os lados, parecia um encontro de motoqueiros, logo o sol já havia desaparecido e o lugar estava lotado.

– Senhorita, aquele rapaz na ponta do balcão lhe pagou outra dose.

Justine olhou, o rapaz acenou, ela levantou o copo em agradecimento e bebeu.

– O que rola aqui? – perguntou ao barman.

– Hoje rola uma banda de blues, esses motoqueiros estão sempre por aqui.

– Acho que não estou vestida adequadamente para o local.

– Garanto que as pessoas aqui não repararam nisso – concluiu o barman dando uma piscadela.

Justine sorriu e pela primeira vez nas horas que passou sentada ali, olhou de fato para o rapaz. Ele era jovem e simpático.

Algumas bebidas de graça, vários convites para conversar, Justine já estava alta e esqueceu de todos os problemas, o bar estava cheio e entre o blues e o classic rock, ela estava sentada no balcão curtindo. Já estava tarde e seu celular cheio de mensagens preocupadas tanto de Marcela quanto de Pêpe. Ela desceu do balcão para ir ao banheiro.

– Já vai moça?

– Não… Acho que ficarei um pouco mais, vou só no banheiro.

– Que bom! – disse o simpático barman.

Justine deu um passo e voltou para o balcão.

– Aliais, qual seu nome? – perguntou Justine.

– Rodrigo, e o seu?

Justine pensou duas vezes antes de responder.

– É… Verônica!

Ele sorriu e ela foi ao banheiro.

– Devo estar ficando louca, ou extremamente bêbada – disse para si mesma enquanto lavava o rosto – mas aquele barman é uma gracinha.

– Realmente ele é, e também é delicioso – disse uma moça que saia de um dos banheiros.

– Ai, que susto! – disse Justine espantada com a mão sob o seio arfando.

– Desculpe – respondeu a moça sorrindo – sou Paula, amiga do Rodrigo, e pelo que vi, ele gostou de você também. Qual seu nome?

– Ju… Verônica, prazer.

– Vai lá e aproveita menina, não é sempre que ele está disponível – disse a ‘amiga’ do banheiro ao sair.

– Será? Bem, quem sabe! – Justine secou o rosto e as mãos com uma toalha de papel e voltou para o balcão.

– Pode me dar uma coca?

– Não quer mais wisky senhorita?

– Acho que pra mim já chega de beber por hoje.

– Uma coca geladinha saindo – respondeu o barman sorridente.

Justine tomou uma golada direto do bico da garrafa, olhou para Rodrigo que admirava cada centímetro de seus lábios carnudos.

– Será que você não tem um cigarro pra me arrumar? – perguntou Justine.

– Bem eu já estou indo lá fora fumar um é meu minuto de folga, não quer ir junto?

– Bem… Pode ser!

– Vou avisar o outro rapaz, me espera no final do balcão.

– Ok! – Justine terminou a coca e foi para a ponta do balcão.

Rodrigo levantou a tampa do balcão e a deixou passar, eles passaram pela pequena cozinha e foram para os fundos do bar, um beco com lixo que dava para a rua.

– Desculpe fazer você vir aqui, mas não posso ir pra frente do bar – disse Rodrigo enquanto pegava o cigarro.

– Não tudo bem, esse lugar tem seus ‘encantos’ – sorriu.

Ele ofereceu o cigarro a ela e o acendeu, ele ainda com o cigarro na ficou observando Justine dar o primeiro trago, ela o olhou, seus olhos cheio de desejo, sem pensar, jogou o cigarro no chão e o beijou contra a parede.

Rodrigo se entregou ao beijo, suas mãos rápidas deslizavam todo seu corpo, seu beijo voraz, sua pegada selvagem a colocou contra a parede, uma das mãos deslizou por entre as coxas dela tocando seu sexo molhado. O vento estava forte e somente os raios os iluminavam. Ela já podia sentir o sexo dele pulsar sob a calça.

– Eu te quero, quero muito garota! – disse enquanto abria o zíper da calça.

Ele pegou uma camisinha no bolso de trás e colocou, levantou uma das pernas de Justine e a penetrou levemente, um gemido escapou por entre os lábios e ele começou a estocar cada vez mais rápido, ela passou seus braços entorno do pescoço dele.

– Isso! Isso – sussurrava ela no seu ouvido – vai, mais forte, mais forte!

– Gosta é safadinha, você gosta?

– Adoro, adoro!

Quando ela abriu os olhos viu uma sombra os observando, aquilo a excitou ainda mais, ela não conseguia tirar os olhos da sombra, parecia uma silhueta feminina. Ela mordeu os lábios, seu corpo estava quente, ela queria gozar, e queria que aquela pessoa ali a visse satisfeita. Ela sentia que ia explodir, não podia mais segurar, a muito não gozava em tão pouco tempo, mas a adrenalina estava a mil.

– Isso, vai fundo, com força… ah, ah, aaaaah, isso.

Seu corpo estremeceu e logo em seguida Rodrigo também gozou.

– Gata você é demais!

Justine sorriu, tirou pegou a calcinha e jogou no lixo.

– Acho que vai chover, vamos voltar.

– Chuva… Perfeito, acho que vou embora.

– Já? Não…

– Aí a conta! Quanto será que deu? Posso lhe dar o dinheiro e você pagá-la pra mim, quero aproveitar e sair por aqui mesmo.

– Fica tranqüila, eu acerto essa… Será que vou lhe ver novamente? – perguntou enquanto afagava o cabelo bagunçado de Justine.

– Talvez! – respondeu a sorridente Justine.

– Como te encontro?

– Pode deixar que eu te acho – acenou a cabeça em direção do bar.

– Ta certo, desculpe, eu preciso voltar pro trabalho.

– Tudo bem, eu vou indo – ela o beijou e se virou para a saída do beco – Ah! Rodrigo, muito obrigada!

Desconfiado e um pouco sem graça respondeu.

– Não tem por que! – e entrou no bar.

– Que noite! Que noite! – dizia Justine para si mesma.

O vento estava forte e as primeiras gotas começaram a cair, ela estava se sentido livre, solta, não esquecia aquela sombra lhe observando e a cada flash na memória lhe excitava novamente. Logo a chuva começou a cair e Justine parecia ter voltado a infância, ela começou a correr pela calçada e já estava toda milhada quando parou embaixo de um toldo.

O celular estava vibrando dentro da bolsa, era Marcela, ela olhou por alguns segundos, sorriu novamente e resolveu atender.

– Má?

– Justine? Sê ta loca menina? Quer me matar de susto, onde você está?

– Não sei, andei por ai sem rumo, Má me desculpe, sinto muito pela forma com que tratei, como agi com as noticias, eu a amo muito. É que você seguiu enfrente e eu não consegui.

– Tudo bem, tudo bem! Eu a amo, sempre vou amar, quer vir aqui?

– Não, não acho que vou pegar um táxi antes que a chuva me deixe gripada, eu preciso ir, amanha te ligo.

– Ok! Você está bem mesmo.

– Estou ótima, estou ótima! Beijos – Justine desligou o celular jogou a bolsa e procurou um táxi.

Sem pensar ela foi pra casa de Pêpe, durante todo o percurso no táxi ela sorria, a muito não se sentia assim, era como se aqueles minutos ali no beco tivessem lhe despertado novamente para a vida mostrando o que ela realmente precisava.

Justine ligou para o Pêpe quando chegou em frete ao prédio dele.

– Ju sua maluca, porque não atendeu?

– Estou enfrente ao seu prédio, posso subir?

– Claro, claro!

Ela pagou o táxi e correu para a portaria, no elevador seu corpo estava em alvoroço. Ela apertou a campainha e esperou, ao abrir lá estava ela, cabelos bagunçados, toda molhada e apesar de tudo extremamente sensual exalando sexualidade.

– Jú? O que houve a Amanda me ligou…  – ele foi interrompido por um beijo inesperado dela que o empurrou para dentro do apartamento fechando a porta como pé.

– E então delicia, será que posso tomar um banho?

– Quer ajuda?

Justine sorriu maliciosamente, tirou o vestido molhado e sai caminhando para o banheiro, Pêpe logo vai atrás dela. Para Justine será uma noite e tanto.

 

Justine – Terremoto na Rotina (parte III)

Justine e Lucas tomaram banho juntos como duas crianças brincalhonas, rindo de tudo que acabara de acontecer. Lucas saiu primeiro, pois já estava atrasado para sua viajem, Justine ficou curtindo a água morna que percorria seu corpo relaxado.

– Querida, preciso ir, me deixa no aeroporto? – perguntou Lucas apressado.

– Sim claro, vou me secar e vestir algo rapidinho – respondeu Justine enquanto desligava o chuveiro e pegava a toalha.

Ela pegou a primeira roupa do armário, um vestido longo, mas leve, ela estava tão relaxada que poderia dormir o dia todo, como um bebê. Lucas já estava na porta berrando desesperado.

– VAMOS AMOR! ESTOU ATRASADO!!!

– Tô aqui já, podemos ir!

– Você esta estranha…

– Eu? Por quê?

– Sei lá, esse sorriso esquisito ai?

– Depois de tudo que houve, você queria que eu ficasse triste ou mal humorada?

– Claro que não! Desculpe se estou meio indiferente, mas não posso perder este vôo, muito menos essa reunião.

– Eu sei – disse com ternura – Bem, pisa fundo então!

Os dois foram em silêncio no carro, na rádio rolava musicas bregas e ninguém se importava em mudar. Justine estava com o olhar longe, ora soltava um risinho malicioso, ora suspirava profundamente.

– Chegamos Ju – disse Lucas saindo do carro parado no “embarque-desembarque”.

– Quer que eu entre contigo? – perguntou Justine indo a sua direção no porta-malas.

– Não precisa anjo – respondeu e beijou-lhe a testa – Vou sentir sua falta cadelinha, te amo, se cuida e juízo!

– Você quem vai viajar, você que se cuide e tenha muitíssimo juízo! Te amo – se beijaram e Justine ficou olhando Lucas entrar no aeroporto.

Ela voltou ao carro e seu celular estava piscando no banco ao lado, 3 chamadas não atendidas, era Amanda, então retornou a ligação.

– Oi putaaaa! Finalmente consigo falar contigo! – disse Amanda animada.

– É que o Lucas foi viajar, vim trazê-lo no aeroporto.

– E ai como estão às coisas? Melhor?

– Sim – respondeu entre risos – melhorou muito!

– Que bom, então não quer sair comigo mais?

– Claro, você acha que vou ficar mofando em casa enquanto ele vai pro Canadá? Frango frito, cerveja forte e Hooters? Mas nunca que fico em casa, onde vamos?

– To saindo com aquele cara da internet, não quer ir no barzinho que te falei que ia? Gata, lá tem tanto topetudo bonito, que você nem tem noção!

– Ok! Me passa o endereço por e-mail, que horas?

– La fica bom pela meia noite… Mas vamos mais cedo, assim agente descola uma mesa, ou um lugar no bar.

– Fechado, umas onze ta bom?

– Dez e meia!

– Fechado! Até mais tarde Mandita.

Justine desligou e decidiu ir visitar a mãe, no caminho foi pensando no que vestir pra noite, e no que disse a Amanda, sobre o Canadá.

– Só espero que o Lucas não encontre nenhuma canadense e me esqueça!

Chegando na sua casinha, a mãe estava no jardim aguando as plantas.

– Ju! Filha que surpresa, você sumiu, quase não a vejo mais.

– Desculpe mãe, é que andei enrolada, e o Lucas você sabe, até viajou hoje de ultima hora pro Canadá, pra resolver um problema de cliente.

– Vocês estão bem? – perguntou a mão ao notar a face preocupada de Justine quando mencionou o Canadá.

– Bem mãe, sei lá, senti medo pela primeira vez, eu e o Lucas andamos meio distantes no ultimo mês, quase nem tempo pra nós dois, só nos víamos na cama pra dormir, caímos em uma rotina que estava me deixando deprimida, eu estava virando dona de casa! Acredita?

– Minha filha… – disse a mãe ao sorrir – você está crescendo, isso parece ser pavoroso mesmo, mas é que nem sempre da para se manter o pique de um namoro normal, morar junto então, mas tem que ter paciência, qualquer relação será assim, tudo tem que ter paciência.

– Eu sei, eu sei! Pena que paciência não faz parte das minhas virtudes.

– Isso eu sei bem! Vamos entrar eu vou passar um cafezinho do jeito que você gosta e tem bolo de cenoura, seu predileto!

– Ah mãe, só você pra me tirar da dieta e me por pra cima – elas se abraçaram e foram para dentro.

As duas ficaram conversando por horas, o pai de Justine chegou para a janta, os três se reuniram em volta da mesa como nos velhos tempos, riram, conversaram, e logo mais Justine foi para casa se arrumar.

– Tchau mãe, obrigada pela conversa – disse Justine enquanto a abraçava – Tchau papai – se despediu beijando o pai carinhosamente.

Justine entrou no carro e disparou até o apartamento, já passava das nove horas e ela não tinha menor idéia de onde era, nem o que vestir. Entrou no apartamento correndo e deixou o computador ligando enquanto tomava outro banho. Conectou-se a internet e entrou no closet para procurar algo.

– O que vestir? O que vestir? – dizia ela com as mãos nos cabelos.

O celular apitou, era uma mensagem da Amanda.

“Amiga, já está se arrumando? Não vai me esquecer em sua safada. Recebeu meu e-mail? Beijos, até logo!! x)”

Justine sentou na mesinha e foi olhar o local, jogou o endereço no Google maps para encontrar o melhor caminho e voltou a se arrumar, entre vestidos, saia e calças ela não tinha idéia do que vestir.

– Acho que um pretinho básico vai bem em qualquer lugar!

Vestiu um tomara-que-caia preto com um belíssimo decote coração e um pouco acima do joelho. Colocou um bolerinho de renda preto, só como enfeite pois não cobria muito seus fartos seios. Correu para o banheiro.

– Caramba, sabe aqueles dias que não da nem vontade de se arrumar? Hoje é meu dia! Droga…. Cadê meu pó… Aqui! Nossa que pele lixo está a minha… Acho que só vou cobrir essas espinhas que surgiram e passar um rímel, será que consigo?

Depois de algum esforço ela consegui se maquiar, uma sombra clara, rímel preto, cílios alongados com o delineador e um batom rosado para dar um ar de saudável. O closet de Justine era um sonho, Lucas, amante de sapatos sempre a presenteava com novidades belíssimas.

– Que droga, às vezes ter muita coisa é um saco, não sei o que calçar, definitivamente, não sei.

Depois de gastar quase 30 minutos calçando diversos sapatos para decidir qual usaria, ela colocou o primeiro que experimentou, salto 10cm vermelho de vinil bico arredondado.

– Acho que to pronta!

Olhou para o relógio já passara das dez e meia, conforme havia combinado com Amanda.

– CARALIO PUTA QUE PARIU, A AMANDA VAI ME MATAR! GRRR – gritou enquanto imprimia o mapa, nem parou pra desligar o computador e saiu correndo trancando a porta.

No elevador ela olhou o endereço.

– Ainda bem que não muito longe, e não tem muito transito.

Ela entrou no carro e saiu em disparada. Ao chegar em frente ao local, o celular tocou, era Amanda.

– Oi amiga!

– Porra Justine, tu vai mesmo me dar um bolo é?

– Não eu já estou em frente, só tenho que achar lugar pra estacionar.

– Segue um pouco mais que tem um estacionamento logo enfrentem é mais seguro, te encontro lá.

– Ok! – ela desligou, seguiu um pouco mais e logo achou o estacionamento.

Fechou o carro e saiu do parking, Amanda estava na frente a esperando.

– Que bom que você veio! – disse Amanda indo em sua direção para abraçá-la.

– Não disse que eu vinha!

– Vamos vou te apresentar o Vitor, ele trouxe um amigo.

– Ah safada, planejando as coisas pelas minhas costas?

– Você vai me agradecer. Mudando de assunto, menina, você ta chique demais, os caras vão cair matando, e eu toda básica.

– Não sei onde básica com essa calça justíssima e este corselet, os peitos pulando de tão apertados – risos.

– Tô tentando entrar no clima do lugar, mas você vai se dar bem, ta toda pin upizuda! – disse Amanda enquanto ria – bem eles estão lá dentro, preparada?

– Meu Deus, até parece que vou conhecer meu futuro marido.

– Quem sabe! Aproveita e guarda a aliança na carteira.

– Tá loca? – disse Justine brava.

– Amiga, você vai me agradecer.

Quando entraram havia uma roda de mulheres alvoroçadas, Justine não entendi o que estava havendo, era muito escuro ali, mas já pode sentir como seria a noite, ainda na entrada ela já havia levado uma cantada do porteiro, outra de um rapaz que passou esbarrado nela.

– Ah! Eles estão ali – apontou para a mesa logo depois da reunião feminina – Cara odeio essas Maria Topetudo, onde vou passo raiva, ainda bem que o Vi não ta nem ai, só olha pra mim.

– Também, ele deve se perder ai nesses peitos, caracas Mandita, estão enormes – disse Justine dando uma apertadinha enquanto ria.

– Safada, vai que eu gosto!

Justine – O casamento do primo Mario Parte I

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Tudo parecia ter voltado ao normal, Lucas e Justine estavam em paz, e Marcela estava mais feliz do que nunca com Gustavo. Desde os últimos acontecimentos Justine o evitará para não se sentir mal em relação à Marcela e também ao que houve entre os dois. Mas quando podiam, trocavam e-mails secretos, com assuntos desde como Marcela estava reagindo com a ausência de Justine e sobre o quanto a noite que tiveram fora especial.

O tempo passou rápido, faltavam apenas 5 dias para o casamento do primo Mario. Justine estava ansiosa, sentia seu coração saltar do peito toda vez que lembrava que logo iria vê-lo. As malas estavam prontas, o vestido já arrumado, eles iriam uns dias antes, pois seria um grande encontro de família, e ocorreriam algumas confraternizações. Lucas só poderia ir 3 dias depois, o que deixava Justine ainda mais tensa.

– Mãe… Será que não posso ir com Lucas?

– Porque Justine!? Você não quer rever seus primos e primas? Todos estarão lá, será uma forma de reencontrar todos – disse Maria animada.

Justine torceu os lábios e seu estomago embrulhou, desde pequena ela nunca se deu bem com seus primos e primas, ela sempre foi motivo de zombarias, reencontra-los não era nenhuma motivação, nenhuma visão agradável para ela.

– É que, não sei mãe, Lucas vai ficar envergonhado de ir depois sozinho, e não quero ir sem ele.

– Eu já falei com ele minha filha.

– Quando!?  – perguntou assustada.

– Hoje pela manha, quando ele ligou para saber se tudo estava bem.

Marias fofoqueiras… – resmungou para si mesma.

– O que foi?

– Nada não mãe… Vou falar com Lucas.

– Ok! Mas ele disse que você pode ir sem problemas.

Justine se retirou para o quarto estalando os dedos. A raiva que sentia desta amizade entre o Lucas e sua mãe era imensa. Esse diálogo maravilhoso que ambos tem um com o outro, só dificultava a maioria dos planos de Justine.

Sem pensar duas vezes, ela ligou pra ele.

– Lucas! Porque você foi dizer a minha mãe que estava tudo bem eu ir antes?

– Oi pra você também meu amor!

– Nem vem com essa não. Vocês dois me deixam louca!

– Porque está tão furiosa meu docinho?

– Para com isso! Oras por quê? Porque eu não quero ir nesta reunião tola de família, nem queria ir ao casamento, vou porque você vai comigo. E agora você me atira aos lobos!

– Amor, calma, farei de tudo pra ir antes do previsto, to me matando pra terminar com toda esta papelada da mesa. Afinal alguém tem que trabalhar, ou quem sustentara nossos filhos?

– Filhos! – exclamou com espanto.

– Não quer ter?

– É… Ah Lucas, você é idiota!

Lucas não se conteve e começou a rir.

– Minha menininha. Oh menininha brava!

– Não sou menininha, ok!?

– Já até posso ver o tamanho do bico que se formou nessa boca linda.

– Vem me dar adeus?

– Nossa, que trágica, até parece que será tão ruim. Você vai ver o quanto vai ser divertido. Aqueles seus primos chatos e zombavam de você irão querer te comer meu anjo!

Justine ficou pasma com o comentário do namorado.

– Alo! Alo Justine… – disse Lucas cantarolando.

– Você é louco!

– Mas só você sabe disso, é o nosso segredinho. É por isso que me ama.

De fato ela o amava por este humor peculiar.

– Já estou com saudades.

– Eu também minha garotinha rebelde. Vou ai daqui a pouco lhe dar um beijo.

– Te espero.

Ela desligou o celular e se atirou na cama, às palavras de Lucas percorreram seu pensamento centenas de vezes. Talvez aquele reencontro não fosse tão ruim, afinal ela já era uma mulher, uma bela mulher, se não tão bela ao gosto de seus primos e primas, era ao menos sensual, chamava a atenção. Talvez aquele reencontro fosse divertidíssimo.

– É… Talvez seja delicioso seduzir e pisar em meus primos e mostrar as minhas primas que a patinha feia cresceu e virou um cisne.

Ela se levantou e foi refazer a mala, se quisesse por seu novo plano em pratica, não poderia levar aquelas roupas puritanas de garotinha do papai. Para não parecer muito vulgar ela misturou as roupas de santa com alguns acessórios e vestimentas de caçadora. Claro que seus sapatos de saltos não poderiam faltar.

– Bem, acho que esta mala está bem melhor agora.

– Falando com quem?

– Lucas! – exclamou Justine surpresa.

– E então, falando sozinha meu amor? – completou com um sorriso malicioso estampado na face.

– É que você me deu uma ótima idéia. Realmente, não farei desta viajem um pesadelo, e sim uma diversão.

– O que esta planejando em mocinha? – perguntou ao abraçá-la.

– Não quero ser alvo dos meus primos, não de chacota. Como chegarei sem você, no mínimo vão achar que sou uma solteirona encalhada. Eles vão me desejar ainda…

– O que quer dizer com isso?

– Ah! É só uma brincadeira, não se preocupe, quando você chegar irá se divertir comigo!

– Sossega este rabo menina!

– Fica tranqüilo, não farei nada demais, só vou provocá-los… Eu te amo cachorrinho! – e ela o beijou calorosamente.

Já estou com saudades minha putinha – sussurrou em seu ouvido.

Os dois se olharam por alguns minutos sem dizer nada. Lucas estava apreensivo por não conseguir adivinhar os pensamentos de Justine. E Justine estava animada para colocar seu plano em pratica.

– JUSTINE! – gritou o pai.

– Me ajuda com a mala?

– Claro! – Lucas pegou a mala da amada e foi para o carro, enquanto Justine pegava a bolsa e um casaco.

– Que pena que não vai conosco hoje Lucas! – disse Maria.

– É uma pena mesmo, mas estou tentando acelerar no trabalho pra ir o mais rápido possível – terminou a frase olhando torto para Justine.

– Bem, estaremos lhe aguardando! – disse Carlo com o sorriso caloroso de sempre.

– Já estou com saudades… – disse Justine emburrada.

– Eu também meu amor. Vou trabalhar dobrado pra estar logo contigo.

– Esperarei ansiosa.

Os dois se beijaram. Carlo e Maria já estavam no carro. Ela entrou cabisbaixa, acenou adeus e partiram.

Depois de horas na estrada, em uma viajem que lhe pareceu mais longa do que esperava, Justine estava aliviada por enfim chegar à fazenda dos avos. O casamento de Mauro seria ali. Pois era um lugar imenso que abrigaria toda a família.

Ela já podia ver alguns primos andando a cavalo, e outros na piscina. Ela respirou fundo e desceu do carro. Vários tios e tias correram para cumprimentar Carlo e Maria. Ela já podia ouvir vários deles questionando ao mesmo tempo: “Esta é a pequena Justine?”.

Ela revirou os olhos, sem duvida não tinha vocação para reuniões de família. Abriu seu sorriso amarelo e recebeu os cumprimentos da família. Vários abraços, beijos, apertões de bochechas e comentários do tipo: “Como você cresceu!”, “Nossa, como está magra, lembra como era gorda?”, “Você colocou silicone? Não lembro de você ter seios.” E vários outros blábláblás constrangedores.

Ao conseguir finalmente por as malas no quarto ela suspirou e sentou na cama.

– Deus! Isso é pior que “A hora do espanto”. Vai ser mais difícil do que eu esperava.

Ao concluir a frase Mauro entra em seu quarto.

– Prima? – perguntou meio encabulado.

– Maurinho! – exclamou animada ao vê-lo.

Ela correu para abraçá-lo quando uma pequena moça lhe deteve.

– Justine, esta é minha noiva Priscila. Pri esta é minha melhor prima Justine.

A duas se cumprimentaram com um aperto de mãos. Justine estava nervosa, e Priscila parecia encabulada.

– Nós viemos lhe chamar para dar uma volta a cavalo conosco – disse Priscila com uma voz angelical.

Ela era pequenina, com olhos grandes e esverdeados, não era magra nem gorda, poderia dizer que era normal. Os cabelos dourados eram ondulados e longos. Priscila parecia uma boneca de porcelana. Mas era muito infantil aos olhos de Justine.

– Estou um pouco cansada – respondeu com um sorriso amarelado.

– Ah! Prima, que isso!? Os cavalos andarão por nós. Quero te reapresentar aos outros primos e primas.

Ela não sabia se era o momento certo.

– Vamos Justine, será divertido! – disse a voz de anjo.

– Ok… Vou trocar de sapatos e já desço.

Ela deu graças a Deus de ter colocado a bota montaria na mala, pois seria ridículo cavalgar de salto alto. Ela vestiu uma calça mais justa, e calçou a bota, amarrou os cabelos e deixou a blusa tipo bata esconder um pouco do corpo, já que a calça já mostrava suas pernas grossas e a bunda empinada. Ela desceu desanimada e foi para a varanda de frente. Mario e Priscila já estavam em seus cavalos, e ao lado estava um jovem de corpo atlético, esperando ao lado do cavalo.

– Justine, lembra do Fábio?

– Fabinho! – disse espantada.

– Sim, Jú, eu sei, eu sei! Eu cresci, muito! – disse sorridente – Você também está bem prima.

– Obrigada!

Ela subiu no cavalo com certa dificuldade. Depois Fábio montou em outro, e os quatro foram para o campo aberto cavalgar. A brisa que sacudia os fios soltos de seu cabelo era deliciosa para uma tarde quente de primavera. Justine sentiu-se bem, sentiu-se livre. Olhou para o lado e viu Fabio sorrindo para ela. Então pensou consigo mesma: “Acho que tudo será mais fácil do que imaginei.”

Continua…

Freak Butterfly.

amor

Justine – De volta a realidade Parte Final

beijo

Justine decidiu tomar banho sozinha, vestiu suas roupas já secas, tomou um café puro e se despediu de Gustavo.

– É, está na hora de encarar a realidade.

– Tudo vai ficar bem, você verá!

– É… Obrigada pela noite, obrigada por tudo. Eu espero que… – Gustavo selou os lábios de Justine com um beijo não permitindo que ela terminasse a frase.

– Este é nosso segredo, vai ficar tudo bem.

Os dois se abraçaram como bons amigos, Justine suspirou e saiu porta a fora. Andou uma quadra até chegar ao carro, que não estava próximo caso Marcela aparecesse por lá.

No caminho para casa, seus pensamentos vagavam entre a noite maravilhosa e o que estava por enfrentar. Então começou a falar consigo mesma.

– E se eu realmente me enganei? Se realmente nada aconteceu entre o Lucas e a Marcela? E se o Lucas e ela souberem o que houve entre mim e Gustavo? Deus! O que foi que eu fiz? Porque não consigo controlar meus impulsos, porque não posso ser normal?

As lagrimas quentes e salgadas percorreram por sua face durante todo o caminho, pela primeira vez Justine sentiu a culpa pairar sob seus ombros. Lucas e Marcela eram seus maiores amores e ela os traiu sem dó nem piedade, ela nem se quer os ouviu, de certo para usar isso como desculpa para a traição, para não sentir a culpa, mas não teve como evitar. Quando ela ouvisse o que seria um tanto obvio a dor lhe tomaria o coração.

Ao dobrar a esquina de casa, já podia ver o carro de Lucas estacionado. Um calafrio percorreu seu corpo.

– Cacete! É agora! – disse assustada.

Ao entrar com o carro na garagem ela hesitou em descer do carro, sua vontade era fugir novamente, pois não queria ouvir que tudo fora apenas um engano.

Respirou fundo e fechou a porta, caminhou lentamente, até a porá ta frente da casa, como em um filme de terror, ela abriu a porta vagarosamente, e lá estavam Marcela, Lucas, Maria e Carlo, tomando café e conversando, quando notaram a presença de Justine, calaram-se imediatamente. Envergonhada, ela não abriu a boca. Então sua mãe se pronunciou.

– Carlo, vamos deixá-los conversar. Me ajude a ver o que vou fazer para o almoço querido.

– Claro amor! – ele virou para Justine e perguntou – Tudo bem filha?

Ela acenou positivamente ainda envergonhada. Podia ver nos olhos do pai a aflição do seu desaparecimento.

Ela caminhou até a poltrona que ficava enfrente ao sofá em que estavam Lucas e Marcela. Sem abrir a boca, olhou-os e esperou por respostas sem perguntas.

– Ju… – disse Marcela com um nó na garganta – eu queria lhe pedir desculpas pelo que ocorreu ontem, você não deveria ter visto o que viu. Não daquela forma. Sei que se sentiu traída em nos ver juntos, mas não é nada do que imaginou.

O estomago de Justine latejava em nervos.

– Ju… – prosseguiu Lucas – Marcela me ligou aflita, disse que precisava conversar comigo. Disse que não suportava mais vê-la tão triste por não saber que decisão tocar, ela soube do jantar que tive com seus pais, e também das minhas intenções de casamento. Mas também sabia que você não conseguiria deixa-la. Ela sabe o quanto à ama, e se sente feliz por isso… – Marcela já estava em prantos – mas acima de tudo, ela deseja sua felicidade. Ambos desejamos isso!

Após uma pausa silenciosa e torturante, Marcela voltou a falar.

– Eu só quero que tenha sua vida amor, eu sei que eu e você nunca seremos realidade, um fato. Eu e você somos apenas amigas que se amam demais, só que expressamos de uma forma nada convencional. Não quero que perca sua vida, e sei que nunca tomaria uma decisão então eu quis conversar com Lucas, pra dizer a ele que deixaria você em paz. Que não atrapalharia mais seus pensamentos. Me perdoe. Não queria que se sentisse traída.

Justine já chorava como uma criança que perderá os pais. Seus soluços deixaram Marcela e Lucas agoniados.

– Ju não chora! – disse Marcela ao se aproximar da amiga e seguiu sussurrando eu seu ouvido – eu te amo e nossa amizade nunca irá acabar.

– Eu também te amo Má! Me perdoe se pensei algo errado de você, me perdoe por tudo que te disse. Eu tava tendo uns pesadelos… E daí vi vocês… Eu… Eu não pude controlar… Eu fiquei louca… Me perdoe!

– Ju, se acalme, teus pais podem ouvir menina! – disse Marcela com um sorriso caloroso.

– Ju, nós só estávamos pensando no melhor pra você, em como lhe ajudar. Eu sei mais que tudo que você não consegue se decidir, não que quiséssemos decidir algo por você, mas queria-mos lhe ajudar a decidir, a saber o que você quer de verdade. E sei que você não queria magoar a Marcela com alguma decisão.

– Me perdoe amor, eu fui uma tola, uma idiota em pensar o que pensei de vocês. E… E… Vocês sempre pensando em mim, e eu egoísta! Egoísta! Uma idiota! – dizia ela quase histérica.

– Ju! Para menina, por favor, acalme-se, o que seus pais irão pensar daqui a pouco! – disse Marcela firmemente.

– Ok! Ok! – ela abaixou a face entre as mãos e disse baixinho – eu amo vocês. Amo muito!

– Agente sabe – disse Lucas sorridente.

– Vamos encerrar este papo, por favor! – disse Marcela em um tom de deboche – isto já estava parecendo novela mexicana. Porque você não se troca mocinha, afinal está com esta roupa desde ontem, banho percebi que tomou, ta de cabelos lavados, daí saímos os três, como bons amigos, para almoçar? E então? O que acham da minha fabulosa idéia? – perguntou sorridente.

– Ótima idéia Má! – concordou Lucas empolgado.

Justine olhou sem entender, e questionou consigo mesma se a partir de agora os três seriam amigos, do tipo que faz programas aos domingos, almoços, ou até programas de casais se Marcela se juntasse a Gustavo. Para ela seria um tanto estranho, como seria se os quatro saíssem juntos? No mínimo um tanto estranho, ao menos para ela.

– Tudo bem, eu não estou com tanta fome, mas será bom sair pra arejar a mente. Vou me trocar.

Justine foi para o quarto se trocar. Marcela e Lucas ficaram aliviados por resolverem o mal entendi tão fácil. Pelo temperamento explosivo de Justine, ambos imaginavam que seria mais complicado. Maria e Carlo voltaram para a sala.

– E então meninos? Tudo esclarecido? – disse Maria.

– Sim Dona Maria, tudo resolvido! – respondeu Lucas com um sorriso de satisfação.

– Se a senhora não se importa, chamamos Justine pra almoçar, pra conversar-mos um pouco mais – disse Marcela delicadamente.

– Claro querida! Sem problema algum, eu fico feliz que tudo esteja bem.

– Eu também, Justine tem uma sorte tremenda por tê-los! – exclamou Carlo.

– Não seu Carlo, nós que temos a maior sorte por ter Justine em nossas vidas, ela é um anjo – concluiu Lucas.

– Estou pronta! – disse Justine de prontidão na porta.

– Então vamos! – chamou Marcela sorridente.

Todos se despediram com beijinhos e abraços e foram para o carro de Lucas. Justine ainda andava meio desconfiada, sem se aproximar dos dois. Ela não conseguia entender como Marcela e Lucas se aproximaram tão rápido, como os dois riam e conversavam como se conhecessem há anos.

Os três entraram no carro e foram ao restaurante predileto de Justine, aquele seria um dia de paparicos, já podia sentir que seria tratada como uma princesa, como uma filinha do casal, cheia de mimos.

Durante o almoço Justine ainda estava confusa, era como estar na série de TV “Além da Imaginação”, como duas pessoas que se odiavam agora se tornaram tão bons amigos? Seu estomago revirou e Justine praticamente vomitou as seguintes palavras: CHEGA!

Os dois olharam para ela estáticos. Já irritada ela prosseguiu.

– Que foi em? Eu perdi algo? Eu entrei em como e fiquei fora muito tempo?

– Como assim Ju? – perguntou Marcela sem entender nada.

– Como assim digo eu! Eu sumo um dia e os dois, que mal se olhavam, praticamente se odiavam, agora são os melhores amigos? O que houve? O que eu perdi?

– Bem Justine, não é bem assim. – disse Lucas – Nunca odiei a Marcela. Eu simplesmente tinha ciúmes, muito ciúmes, porque sei que antes de mim, você amou somente ela. E ela pode lhe dar coisas que eu não lhe dou.

– Ju, eu apenas amadureci. Os dias que fiquei longe de você, foram dolorosos para mim, e quando soube do jantar, bem, antes que pergunte, liguei na sua casa no dia do jantar, e sua mãe me contou, não a culpe, ela estava animada por finalmente conhecer um namorado seu, e pelo fato do Lucas ter lhe pedido em casamento.

– Não acho que isso seja desculpa – Justine revirava os olhos enquanto falava.

– Bem, se eu puder concluir – disse sorridente – ENTÃO, depois de chorar barris de água salgada e conversar horas sem fim com Gustavo, decidi que se eu te amo, se eu amo de verdade, vou deixá-la partir. Sei que terei sempre sua amizade, seu que não deixarei de lhe ver. Então falei com o Lucas que eu a deixaria em paz, só pra ele, mas que se um dia eu a visse chorar, derramar uma gotinha se quer por causa dele, eu o mataria – concluiu com um enorme sorriso de satisfação.

– Ou vocês são loucos, ou eu que… Eu que não quero entender – disse Justine cabisbaixa.

– Você que não quer entender porque Marcela não será mais sua amante e sim sua amiga, e quem sabe sua madrinha de casamento – disse Lucas se divertindo com a idéia.

Justine arregalou os olhos e viu como num mini-video cenas do seu casamento e Marcela no altar como sua madrinha de honra, foi pavoroso se ver em um vestido branco tradicional, com véu e grinalda, ela soltou uma gemido.

– O que houve? Você esta bem? – perguntou Lucas preocupado.

– Estou é só que, hurg! Eu de véu e grinalda!

Marcela e Lucas não resistiram a gargalhadas.

– Só você mesmo Ju! – disse Marcela ainda com o riso estampado.

Depois do almoço fora passear no shopping, Justine comprou uma linda lingerie com a ajuda de Marcela, sem Lucas ver, seria uma surpresa para ele esta noite. Marcela tentava esconder o ciúmes tagarelando sobre o Gustavo, Justine tentava disfarçar o maximo para não dar nenhum bola fora, confirmando algo que ela dizia.

– E então meninas, querem fazer algo mais? – perguntou Lucas.

– Eu não Lucas, pra mim já basta, estou cansada e marquei com o Gustavo no bar mais tarde, vamos ver se nos reconciliamos – disse a sorridente Marcela.

– Te desejo toda a sorte amiga, ele é um bom rapaz – disse Justine com um sorriso amarelo.

– Pensei que não gostasse muito dele…

– Como o Lucas disse, era só ciúmes.

AS duas se abraçaram e Lucas acenou para irem para o carro. Elas caminharam juntas até o estacionamento, entraram no carro e Lucas deixou Marcela em casa.

– Obrigada por tudo Marcela! – disse Justine com um tom de tristeza.

– Eu que agradeço, e nunca se esqueça de mim, vamos marcar algo, não quero perder o contato – Marcela se aproximou da janela aberta do carro e deu um beijo em Justine – eu te amo, e quero vê-la feliz! – concluiu com um sorriso – Tchau Lucas, tome conta da minha boneca!

Marcela se virou, ainda sorridente, olhou mais uma vez para trás, mandou um beijo pelo ar, acenou adeus. Mais uma lagrima percorreu a face de Justine morrendo em seus lábios. Esta foi mais amarga do que nunca, aquele beijo fora de adeus, ela estava “livre” para ser somente de Lucas, mas sentiu que um pedaço de si se foi junto ao peito latejante de Marcela.

Lucas segurou sua face entre as mãos carinhosamente, olhou-a nos olhos e disse:

– Tudo vai ficar bem, eu sempre vou estar contigo, eu te amo! – ele a beijou de tal forma que a face de Justine ardeu.

Os dois foram para casa, Justine estava ansiosa para lhe mostrar o presentinho que havia comprado para eles.

 

Freak Butterfly.

Justine – Pesadelo em Sodoma

ventre

Depois daquela noite de sexo selvagem entre Justine e Lucas as coisas nunca voltaram a ser as mesmas. O papel de dominadora de Justine, agora, se revezava com Lucas. Passaram-se duas semanas e a cama ainda pegava fogo, porém Justine se sentia na angústia da decisão: casar ou não casar?

Uma noite, ao chegar em casa, Justine se depara com um envelope encima da cama. Não era um envelope comum, ele era grande, marfim, com detalhes em dourado. Ela o pegou e sentiu um choque percorrer suas veias ao ler o nome de Mario.

“Para Carlo e Família”

Era um convite de casamento. Durante esta vida maluco em que estava, ela até havia se esquecido por instantes de seu primo Mario, que a cerca de um ano estivera em sua casa e os dois tiveram um pequeno caso.

 – Caraba! O Marinho já vai se casar… Que disperdício! Bonito daquele jeito, seria mais feliz solteiro… Ou não né, quem sou eu pra dizer algo.

 – Justine! – chama a mãe na porta.

– Entra mãe!

Ela ficou parada na porta e viu o envelope na mão da filha.

– Ah! Já está sabendo então, vim aqui te contar a novidade. Quem diria, Marinho vai pro altar.

– Entra mãe, eu não vou morder.

Ela entrou e se sentou na poltroninha de canto.

– Eu queria mesmo falar com você.

– Pode falar mãe.

– E então filha, você pensou sobre o pedido de Lucas?

– Estou pensando… – disse ela meio desconfiada – Por quê?

– Bem, filha, seu pai ficaria feliz com isso. Ele anda preocupado com você.

– Como é!? – perguntou Justine com os olhos arregalados.

– Ué filha, eu não podia falar pro seu pai?

– Mãe eu não queria! Eu não sei ainda o que vou fazer, daí a senhora vai e fala pra ele, o coitado vai ficar cheio de esperanças.

– Filha, isso fez bem a ele. Nos últimos meses, antes de estar com Lucas, você estava estranha, chegava tarde, e bêbada, quando não estava com aquele namorado esquisito lá do bar. Você nem tem mais amigos filha, só a Marcela, se bem que é bom, seus amigos eram mais estranhos ainda e a Marcela é uma boa menina.

 – Olha mãe… Isso… Isso é algo que eu que tenho de decidir.

 – Eu sei, mas acho que chegou a hora de você repensar sua vida, e planejar seu futuro. O tempo voa menina, e Lucas me parece um rapaz bom.

– Eu sei mãe… – disse cabisbaixa.

– Quero que ele venha jantar conosco amanha!

– Amanha? Mas… Mas como? Nem sei se ele pode!

– Ligue pra ele, o convide, me diga qual o prato preferido dele e farei. Simples, não tem mistério e eu e seu pai não mordemos – disse enquanto saia pela porta.

– Ta bom…

Ao fechar a porta Justine se remoeu de raiva. Se antes ficou indecisa, agora mais ainda. O que faria? Afinal o que a mãe lhe disse tinha sentido, Lucas era um bom rapaz, fazia tudo o que Justine desejava, e além disso, o sexo entre eles era ótimo, mas será que isso era motivo para casar? E Marcela? Ela morreria de desgosto. A cabeça de Justine deu um giro de 360° e seu estomago se embrulhou, ela correu ate o banheiro e vomitou. Ao terminar sentou no chão enfrente do vaso. Seus nervos doíam e as lagrimas já escoriam.

 – Puta que pariu! Porque eu não consigo me decidir!? Por que!?

Em meio ás lagrimas e lamentos, seu celular começou a tocar. Era Marcela. Ela respirou fundo e atendeu.

 – Oi Má.

– Você ta bem?

– To por quê?

– Eu te conheço muito bem! Voz de choro…

– Nada é só que eu tava conversando com minha mãe.

 – Brigaram?

– Discutimos… Mas não quero falar sobre isto.

– Ok! Bem, liguei pra saber se não quer passar por aqui e jantar comigo.

– Ai amor, me desculpe, mas estou enjoada demais hoje. E também, tenho que ver uma viagem.

– Viagem? Pra onde?

– Meu primo vai se casar!

– Aquele que você teve um caso!?

– É… Este mesmo…

 – Quem diria!

Justine achava engraçado ouvir isto novamente, o que Mario tinha que seria espantoso o casamento, afinal ele já era noivo a tanto tempo, já era de se esperar.

– É, um dia agente tem que casar né?

– Se for com você eu caso amanha!

Aquilo foi uma facada no peito de Justine, mais uma lagrima lhe percorreu a face morrendo nos lábios.

– É… É… Meio difícil né!? Tipo – Justine começou a enrolar a língua nas palavras – Ah Marcela… Marcela, assim você me deixa sem graça!

 – Eu sei, agente já conversou sobre isso.

– Desculpe!

– Tudo bem, eu tenho de me acostumar. Bem se você não vem, vou chamar o Gustavo, to meio angustiada hoje, não quero ficar só.

– Isso! Ótima idéia, convide ele.

– Você não ta brava?

– Não claro que não, eu já te disse, não vou empatar tua vida meu amor. E além do mais, ele é ótima companhia e te ama.

– Hum… Ta certo. Então ta!

– Beijos amor, ótimo jantar e juízo.

– Você também.

Aquilo seria mais difícil do que parecia, mas após ouvir o nome de Gustavo, uma lâmpada se acendeu na cabecinha de Justine. Talvez Gustavo fosse sua salvação, talvez a amiga se apaixonasse por ele, seria doloroso perder Marcela, mas tendo em vista as circunstâncias que sua vida estava, ela não poderia arriscar mais, ela teria de tomar uma decisão em breve.

Depois de um banho quente, ainda enjoada Justine foi olhar os e-mails. Lembrou da primeira vez que viu o recado de Lucas, os e-mails carinhosos que ele a envia quase todos os dias como um rito sagrado, nem que seja para dizer que esta com saudades ou que a noite foi maravilhosa.

Havia várias fotos, inclusive fotos da sua primeira viagem, quando Marcela também fora, ela nem acreditou quando encontrou uma foto dos três sorridentes a beira da lareira. Ela perguntava a si mesma, como não poderiam ser felizes os três juntos?

Pouco depois de colocar um pijama o celular tocou, era Lucas, então ela se lembrou do “convite” exigente de sua mãe para um jantar.

– Oi amor! – disse Justine ao atender.

– Oi linda! Tudo bem?

– Enjoada!

– Oh tadinha da minha gostosa. Já tomou remedinho?

– Não… Logo passa.

– Hum… Será que vem um bebê pra gente?

Aquela parecia a noite das apunhaladas, uma faca atravessou seu estomago e o enjôo aumentou.

– VOCÊ TA LOCO! – girou ela espantada.

– Calma Ju, eu falei brincando. Eu sei que você toma pílula, só acho que não da pra confiar nisso sempre. Eu ficaria feliz! – disse ele em tom de voz brando e agradável.

– Não, não, nem quero pensar, ta muito cedo pra isso.

– Ta você quem sabe!

– Ah! Antes que eu me esqueça, minha mãe te convidou pra jantar.

– Serio!

– Sim.

– Finalmente vou conhecer seus pais. Que maravilha amor!

– Há, mês que vem vamos viajar.

– Vamos? Pra onde.

– Ah, é casamento do meu primo, ele convidou a família e você irá junto. Tudo bem?

– Seu desejo é uma ordem, mas tenho que saber a data, pra deixar tudo certo.

– É só um final de semana, e eles moram perto daqui… Por favor, você não pode me deixar sozinha nessa.

– Calma, nossa parece que vai ao enterro e não ao casamento!

– É que eu não sei se te disse, mas havia dito a minha mãe sobre o seu pedido… E agora ela contou ao meu pai que ta todo feliz, e este casamento seu que será um falatório da minha mãe na minha cabeça de que eu também deveria me casar, etc, etc, etc…

– Por isso eu acho que você deveria aceitar, eu falo com eles amanha.

– NÃO! Deus, não eu não sei… Eu to confusa. Meu Deus. Me perdoa amor… Não sei como não enjoa de mim.

– Eu te amo… Simples assim.

– Também te amo.

– To com saudades gostosa. Porque não me aceita logo, assim teria você todo dia. Não agüento o vazio que fica na cama sem você.

– Também fico com saudades do teu corpo entrelaçado no meu. Mas hoje não dá, amanhã tenho que mil coisas no trabalho.

– Vou ter que me masturbar então, se não eu não durmo. To viciado em ti cadela.

– Não fala assim que eu me arrepio putinha.

Justine se levantou da cama e foi trancar a porta do quarto. Ela voltou e subiu a camisola na altura do umbigo e tirou a calcinha.

– Meu pau ta tão duro e quente… Ele pulsa teu nome cadelinha.

– Minha bucetinha da lambuzada, meu grelo pulsa pelo teu pau nele.

Ela percorreu a mão por toda a buceta depilada, lisinha, melada, quente, ela sentia seu coração batendo ali ao invés de estar no peito, ela suspirou quando colocou o dedinho lá.

– Você me deixa louca amor, me deixa sem ar. Eu to zonzinha já de tanto tesão.

-Eu também, e queria meter ele bem fundo em ti, te sentir quentinha e lambuzada como sempre. E meter meu dedinho do teu rabo… Ah que delicia!

– Hum… Isso é bom! Mete então, mete bem gostoso na minha buceta.

Ambos ficaram apenas gemidos ao celular, os corpos podiam estar distantes, mas a mente sempre se interligava. Não havia um dia se quer que eles fiquem apenas na vontade. Mesmo distante, os dois sempre davam um jeitinho de se realizarem.

– Acho que eu vou gozar! – disse ela entre os gemidos.

– Então gozo contigo gostosa.

E os dois explodiram de prazer. Exausta Justine virou para o lado toda lambuzada ela não conseguia se mover para nada.

– Eu te amo putinha!

– Eu te amo mais ainda minha cadelinha.

– Amanha ás 20 horas?

– Sim, estarei ai.

– Boa noite.

– Esta noite já esta ótima.

Eles desligaram e ela adormeceu assim. Semi-nua em meio ao aroma do seu próprio gozo.

Mais uma vez aquele corredor, escuro frio, mas desta vez tudo estava em silencio. Angustiada, Justine começou a tatear as paredes até a luz fraca que vinha por debaixo da cortina. Pela primeira vez, tudo estava em silencio, sem gritos ou gemidos, ela só escutava sua respiração ofegante. Ela não sabia o que era mais apavorante, o barulho ou o silencio.

Ao conseguir passar pela cortina, uma luz forte lhe cegou os olhos. Quando pode enxergar, viu que havia varias pessoas, sentadas em um enorme circulo, ela, ainda de fora do círculo viu que todos a olhavam. Ao se olhar notou que estava nua, com uma imensa barriga. No centro do circulo estavam Marcela e Lucas, como se ela não existisse para eles, ambos continuaram a fornicar. Parecia uma aula de Kama Sutra. Justine ficou imóvel, não conseguia mexer nem um fio de cabelo. As lagrimas e corriam rapidamente a face, ela queria gritar mas não conseguiu, tentou passar por meio a multidão, mas é como se ela estivesse impedida de atravessar o circulo. Marcela e Lucas desta vez não estavam apenas transando, eles estavam se amando. Algo sem sua barriga começou a se mover. Sem entender, mais uma vez ela tentou atravessar o circulo, sem sucesso e desesperada, com uma dor que crescia mais e mais, ela correi de volta ao corredor, no escuro ela se jogou ao chão, e um grito sufocado lhe escapou.

– NÃOOOOOOOOOOOOOOOO! NÃO PODE! NÃO PODE!

Ela acordou suava ao ouvir sua mãe gritando do outro lado da porta. Ela rapidamente, arrumou a camisola, se levantou para abrir.

– Justine! Filha o que ouve!?

– Nada – dizia ela em prantos – foi só um pesadelo… Um pesadelo horrível!

– Filha você tem certeza, não se feriu?

– Porque mãe? – ainda aos soluços.

– Porque você está cheia de sangue.

Ela virou para olhar a cama e percebeu que o lençol estava ensangüentado.

– Droga! Eu devo ter menstruado mãe. Não se preocupe.

– Vá tomar um banho filha, eu vou pegar um lençol limpinho pra você.

A mãe lhe beijou na testa e saiu para pegar roupa de cama limpa. Ela foi soluçando para o banheiro, sentou no vazo e confirmou o que já parecia obvio, ela estava menstruada. Mas porque aquele sonho estranho? Porque o barrigão? E porque Lucas e Marcela sempre se amando? Seriam seus maiores medos? Ela não parava de se questionar.

A água quente que escorria pelo seu corpo a fez se sentir mais segura.

 – Amanhã eu vou ter que resolver isso… Não agüento mais este pesadelo em Sodoma, não agüento mais.

Depois do banho voltou ao quarto, sua cama limpinha novamente, ela vestiu um pijama mais quentinho, e se deitou. Sua mãe lhe beijou a testa e docemente lhe disse:

– Tudo vai ficar bem!

Logo Justine estava dormindo, e desta vez ela não teve o louco pesadelo, e sim sonhou com a noite que teve junto ao primo Mario.

 

Freak Butterfly.

 

 

*Quer saber como tudo começou? Leia também os primeiros três contos da série:

https://freakbutterfly.wordpress.com/2008/09/11/justine-o-comeco/

https://freakbutterfly.wordpress.com/2008/09/13/justine-–-a-segunda-vez-pode-ser-melhor-ainda/

https://freakbutterfly.wordpress.com/2008/09/16/justine-–-amor-fraternal/