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A solidão de um bipolar

  É incrível a capacidade das pessoas se alto intitularem depressivas, psicóticas ou bipolares, só quem sofre de tais doenças sabe o quanto é solitário o caminho de quem tem algum distúrbio.

  Eu sou uma delas, assim como milhões de outras pessoas no mundo eu tenho o que chamam de “Distúrbio de Personalidade Bipolar”, já escrevi sobre o assunto aqui, mas do ponto de vista de outras pessoas, não o meu, mas hoje estou aqui, meio que por desabafo, um pouco por revolta da falta de compreensão que o mundo ao nosso redor tem com os bipolares.

    Há muito não sofria de crises tão severas de mudança de humor, eu nunca tomei lítio como alguns, ouvia as reclamações dos seus efeitos e pensava “não quero isso, quero ser uma pessoa normal”… Ai de mim, afinal, normal ninguém é. Tomei vários antidepressivos, ansiolíticos, até que um dia eu estava bem, porém, o distúrbio também nos engana com os famosos momentos de “euforia”, você se sente ótima, capaz de tudo, o mundo é seu e você é invencível, se sente mais sedutora, mais confiável, disposta a mudar ou até a carregar o mundo nas costas, porém, é ilusório, um dia uma das peças desse quebra-cabeça maluco não se encaixa e o mundo desaba te levando junto.

               Faz mais de um mês que escuto a palavra “instável”, e não agüento mais ouvi-la sem ao menos ser compreendida. Você esta em guerra consigo mesma e é obrigada a ouvir que “há pessoas com muito mais problemas que você”, “você não é a única que sofre”, “você pelo menos tem saúde”… Blá-blá-blá! Como se não bastasse você ainda é intitulada de EGOÍSTA!

               Perdem-se amigos, perdem-se amores e deixa a família em alerta 24 horas quando entra no estágio depressivo ou de irritação.

               Outra coisa que ninguém compreende é que não se tem controle dos sentimentos, das ações, que claro desencadeiam uma série de reações.

               A revista Viva Saúde número 95 publicou uma pequenina matéria sobre as “Cinco verdades sobre o transtorno bipolar”, então vejamos quais são:

  • A doença provoca diversas funções psíquicas instáveis, principalmente a flutuação do humor. Assim, é comum a pessoa apresentar fases de depressão e outras de euforia ou irritação.
  • Pode proporcionar idéias de morte e suicídio. Na fase eufórica, denominada de mania, ocorre uma sensação de muita energia, além da fala rápida e uso de roupas mais coloridas (isso explica porque fico às vezes tagarela que até enrolo a língua no meio das palavras e meu guarda-roupa anda instável).
  • É comum períodos de ausência de libido e outros de hipersexualidade. O descontrole também afeta o nível de gastos, o que provoca uma enorme contração de dívidas.
  • A principal causa conhecida é genética. Além dela, a doença pode ter início após estressores muito intensos. Esses podem ser situações traumáticas, estresse crônico ou doenças clínicas.
  • Existem inúmeros medicamentos tanto para as fases agudas como para a prevenção. Apesar de não ter cura, seu controle é possível. Procure um psiquiatra para fazer o diagnóstico e definir o tratamento.

Essa doença também possui três fases:

  • Depressão, que pode ser de intensidade leve, moderada ou grave, e algumas de suas características é: humor melancólico; desinteresse por coisas que gostava; aparência melancólica, chorosa; Inquietação ou irritabilidade; perda ou aumento de apetite; excesso de sono ou incapacidade de dormir; agitado demais ou lento; fadiga; pessimismo ou falta de esperança; dificuldade de concentração, tomar decisão ou de lembrar-se das coisas; planejamento ou pensamento de suicídio.
  • Mania, também conhecido como euforia, possui sintomas como: alegria exagerada, animação excessiva; impaciência; agitação física e mental; aumento de energia iniciando várias atividades ao mesmo tempo sem conseguir terminá-las; otimismo e confiança exagerada; incapacidade de discernir; idéias grandiosas; incapacidade de se concentrar; comportamento agressivo, inadequado, provocador ou violento; desinibição; aumento de impulso sexual; aumento da agressividade física ou verbal; insônia; uso de drogas como álcool, cigarros, soníferos e até mesmo cocaína.
  • Mista, esta fase, como o próprio nome já diz alterna os sintomas de depressão e mania no mesmo dia (é o que mais me identifico, já que no meu diagnóstico não foi dito qual seria meu ‘tipo’).

             Cada estado tem um tempo médio de duração que variam entre dias, semanas e meses. Há também outras formas de manifestação da doença, como a hipomania, sendo menos prejudicial no circulo social e no trabalho. Pra resumir esta parte teórica, somente um psiquiatra poderá diagnosticar a doença em uma série de testes e somente ele poderá lhe medicar.

                   Questões clínicas aparte, é que estudo nenhum sabe o quanto é só a vida de um bipolar, tendo ou não amigos, família ou um relacionamento, nada parece durar, pois ninguém suporta tempo o suficiente (a não ser seus parentes, apesar de que já quiseram me interar), pois você só será vista como egoísta, mimada, descontrolada, instável, todos terão medo de você, de que tente suicídio, que caia nas drogas, que enlouqueça, ninguém o vê como um ser humano que só precisa às vezes de um colo pra chorar, um abraço, carinho e mais que tudo ser ouvido. É uma tarefa chata? Claro! Sei que é difícil para meus pais, para meu irmão… Bem, pra quem ainda convive comigo (o que parece ter reduzido ainda mais neste final de semana).

                 Eu nunca fiz o tipo de chata, chiclete, ou coisas assim, mas nessa ultima crise que estou passando, tive uns “ataques de pelanca”, eu não gosto, odeio não controlar algumas das minhas atitudes, odeio não poder ser eu mesma às vezes. Mas eu ainda me cuido, quase desisti de tudo nesse final de semana que se passou, pois em um mês, minha vida se tornou um castelo de cartas cuja uma por uma foram se desabando dia-pós-dia, e só fui julgada, criticada e tachada, tudo, menos compreendida, porque as pessoas acham que é desculpa, claro, como o ditado “desculpa do aleijado não é a muleta”, a minha não poderá sempre ser “sou bipolar”, mas não faço o tipo de quem da essa desculpa à toa, quando eu sinto eu digo, eu sou sincera doa o ouvido que doer.

                     É uma jornada longa? Claro, pois não há ainda cura pra bipolaridade, só tratamentos que amenizam os sintomas e terapia pra te ajudar a conviver com isso. Muitas pessoas, até celebridades já se declararam bipolar e estão ai, com famílias, amigos e trabalhando.

                   O bipolar não é um ser de outro planeta, mas pode ser confuso e de fases muitas vezes, o que me resta? Aceitar que posso viver só, que posso achar novos amigos, que posso superar isso tudo e quem sabe um dia, encontrar mais pessoas que consigam conviver com minha ‘inconstante instabilidade’.

 

*Fontes: Revista Viva saúde Número 95, pág. 14, 2011;

Site: http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?419

Leia também: http://virtualpsy.locaweb.com.br/index.php?art=367&sec=26

Comunidade para bipolares: http://www.bipolarbrasil.net/

http://www.ceapesq.org.br/ceapesq/grupoDePesquisa.php?FhIdGrupo=15

*Imagens: Google Imagens

Justine – Nada de tédio

Em pouco tempo o tédio já havia tomado a relação de Justine e Lucas. Ela desejava encontrar Pépe, mas sentia culpa, passava várias noites em claro recusando ligações do amante e pensando em como resolver este em passe se é que ela poderia resolver o que já não parecia mais ter solução.

Uma noite sentados na sala, Lucas estava lendo documentos de um processo e Justine trocando de canais sem parar.

– Justie, para de mudar de canal, estou ficando desconcentrado – disse Lucas irritado.

– Você ainda me ama? – perguntou enquanto seguia trocando os canais.

– Que pergunta mais besta! – respondeu enquanto tirava o controle das mãos dela.

– É, e de tão besta você não respondeu. Acho que não me ama mais – continuou enquanto deitava no tapete felpudo olhando para o teto – esse tapete… Ah esse tapete! Agente já fodeu pacas nele, e na mesa de jantar, no corredor, fodemos em todo canto deste maldito apartamento, mas agora… Você não me quer mais.

– Justine, eu não sou uma maquina sexual, tenho meu trabalho, meus problemas, quer foder é isso?

– Não, eu quero meu Lucas de volta, cadê meu Lucas? Ficou preso no Canadá?

– Eu estou aqui Ju, só estou um pouco cansado, é muito trabalho, eu tenho que arrumar um estagiário pra firma, não estou mais dando conta sozinho.

– Aposto que seus sócios ainda comem as esposas…

– Tudo pra você é sexo?

– Tudo pra você é trabalho? Já houve um tempo que tudo pra você era sexo – Justine se virou e engatinhou até Lucas – eu to com saudades… Saudades do teu toque, ta tua língua… – continuou enquanto colocava a mão dentro da samba canção dele – sinto falta desse caralho duro!

– É sério querida, estou exausto.

– Você está é exausto de mim – disse ela levantando decepcionada – em outra era você já tinha me jogado nesse chão e metido loucamente, depois iria jorrar porra em mim todinha, agora ta ai, essa coisa lânguida.

Lucas se levantou zangado e puxou Justine para si.

– E ai? Vai me bater ou me comer? – disse Justine rindo debochadamente.

Lucas a soltou e foi em direção ao quarto.

– Você é uma bicha mesmo, to cansada, eu que estou cansada de você. Tudo que quer é me exibir como troféu pro seus amiguinhos, mas no fundo devem comer uns aos outros, seus bichas!

– Cala essa boca sua puta e não me irrita – disse enquanto se voltava para ela.

– Anda Lucas, me bate, me come, seu lá faz alguma coisa, tudo o que faz é chegar em casa e reclamar, reclamar, e as vezes me da um presentinho como quem diz “não vou te comer mais, mas toma aí teu premio de consolação”.

– O que você quer? Anda diz? O que quer? Ir a esbornia como antigamente? Não dá Justine, eu tenho coisas a fazer.

– Você tem uma amante? Você andou comendo alguém na porra do Canadá e por isso não me quer mais?

– Você acha que tenho tempo pra isso menina.

– Não me chama de menina! Quer saber, você merece leva é muito galho nessa cabeça, seu corno viado – disse Justine enquanto pegava a bolsa.

– VAI ONDE SUA VAGABUNDA! – gritou Lucas indo atrás de Justine.

– Vou ver se acho alguém que me coma, cansei dessa ladainha tua. FUI! – saiu batendo a porta.

– Filho da puta viadinho, depois essas porras não querem tomar chifre, homem acha que só homem tem necessidade? – disse Justine entrando no carro.

Ela pegou o celular e rezou para que Pepe atendesse. Tocou, tocou, toucou e nada de atender.

– Só o que me faltava… Droga! Droga! Droga! – dizia enquanto socava o volante do carro.

Mesmo sem saber o que fazer, ela não voltaria pra casa com o rabo entre as pernas, então ela resolveu ir a um puteiro.

Não havia muita gente, o que era bom, já que ela havia saído de pijama, calça folgada e blusinha de alcinhas justinha com transparência o suficiente para se ver os mamilos. Ela pegou o oculos escuro que estava na bolsa e tentou disfarçar, sentou-se em um canto escondido.

– Deseja alguma coisa? – perguntou a garçonete descabelada, gorda e com o batom borrado.

– Wisky, duplo. Tem alguma coisa hoje aqui?

– Tem uma garota nova que já, já vai dançar.

– Ok!

A garçonete voltou com um wisky barato no copo um pouco sujo. As luzes do palco se acendem e timidamente aparece uma garota, franzina, cabelos longos de cor castanha, ainda uma menina. Justine sentiu o coração pulsar um pouco mais rápido. A dança foi uma porcaria, a garota era tímida demais e o bar cheio de velhos nojentos e bêbados. A garçonete voltou para saber se Justine desejava algo mais.

– Gostou patroa?

– Sim, desajeitada, mas bonitinha, chama ela aqui.

– Darling, vem aqui menina!

A garota saiu do colo de um velho barrigudo que suava como porco e veio em direção a mesa de Justine.

– Darling, essa moça aqui quer te conhecer.

– Pode nos deixar a sós? – perguntou Justine.

– É 50 real patroa.

Justine abriu a carteira e tirou o dinheiro entregando pra agenciadora.

– Bom proveito patroa.

– Seu nome é mesmo Darling?

– Não, não senhora – respondeu a moça ainda cabisbaixa.

– Graças a Deus não é!? Porque nome de puta tem que ser brega? Porque não muda seu nome?

– Foi minha madrinha que deu – respondeu direcionando a cabeça para o balcão do bar.

– Essa é sua madrinha menina?

– Sim senhora.

Justine revirou os olhos e seguiu a conversa.

– Quantos anos tem?

– 19 senhora.

– Para com isso de senhora, não sou tão mais velha que você.

– Já fez programa?

– Alguns, mas é minha primeira vez dançando.

– Hum… Precisa ensaiar mais. Já ficou com uma mulher?

– Poucas vezes, os maridos que sempre querem isso.

– Você parece uma criança ainda, já deu esse rabo bonito?

– Não senhora, ainda não.

– Ta me dando uma vontade de meter nesse rabo… Venha aqui, senta do meu lado.

Darling obedeceu ainda que timidamente. Trajando apenas uma mini-saia e top, seu sexo estava nu para o deleite de Justine.

– Deixa-me sentir essa bocetinha – disse Justine enquanto colocava a mão entre as pernas da moça – um apesar de tímida to vendo que esta animadinha, bem lambuzada.

Darling finalmente mostrou os dentes brancos em um belo sorriso.

– Você é muito linda, não sei o que faz nesse pulgueiro. Mas, sorte a minha que você está aqui.

– Me acha bonita mesmo?

– Sim, eu acho, e você? O que achou de mim?

– Desculpe o que vou falar, mas achei a senhora muito lindo, uma dama, mesmo de pijama.

– Pois é, bruiguinha de casal é assim, sou esquentada sai sem pensar direito, mas estou aqui, e logo mais, vou te foder.

Darling olhou para Justine, sorriu docimente e se beijavam, Justine levou a mão novamente entre as coxas da moça e começou a tocar seu grelo, logo Darling soltou uns gemidinhos. Os velhos nojentos olharam para tentar ver o que estava acontecendo naquele escurinho.

Elas continuaram a se beijar, Darling acariciando os mamilos já expostos através da blusa de Justine. Justine massageando o grelo de Darling.

– Isso é muito bom senhora! Muito bom!

– Não mente pra mim Darling, não minta.

– É verdade, ah… Seus dedos são deliciosos… Acho… acho que vou gozaaaaaar – mal conseguiu terminar a palavra e já havia se lambuzado toda.

Justine sorriu olhando Darling.

– Boa menina… Quer ser meu brinquedinho novo?

– Sim senhora.

– Mas não hoje… Quero te ver sem sua “madrinha” saber. Não se preocupe, eu vou pagar, só que prefiro dar o dinheiro a você e não ela, sei que vai receber uma mixaria.

– Ok senhora… Vou te passar meu celular, assim pode mel ligar.

– Podemos nos ver amanha? Lá pelas 18 horas?

– Sim, acho que sim.

– Vou te ligar, quero que me ajude em uma coisa.

– Sim senhora.

– Bem, eu já vou – Justine abriu a bolsa sem que a gorda visse e deu mais dinheiro a darling – isso é seu, sai desse muquifo, não quero que nenhum desses porcos nojentos acabe comprando seu rabinho.

– Sim senhora, muito obrigada!

Elas se beijaram e Justine saiu do puteiro decadente. No caminho de volta para casa sua cabeça estava agitada, muitos pensamentos, muitos planos para o dia seguinte.

 

Auto-Flagelo: Pequenos Deslizes

Nada é tão fácil quanto parecer ser, nem eu vir aqui e falar pra cada um de vocês buscar ajuda, pois nem sempre a ajuda virá, ou ao menos não virá de onde esperamos, como a família.

Ser chamada de louca ou ser olhada com desconfiança não era o que eu buscava quando meus pais descobriram deste meu “pequeno” problema, bem, minha mãe ainda é compreensível, mas meu pai gritou aos quatro ventos que eu era louca.

Não é fácil, mas se não temos ajuda, o negócio e nos auto-ajudar, afinal, porque só podemos nos auto-flagelar? Porque não nos auto-ajudar?

Eu achava que estava tudo bem, que eu estava “livre” deste problema, pensava que podia controlar, até que um dia, senti aquele desespero bater, as lagrimas correr e o desejo surgir, me sentia um vulcão prestes a entrar em erupção, eu parei, tentei pensar, queria me controlar, mas como qualquer outro viciado disse a mim mesma: “só um pouquinho não vai fazer mal”, minha maratona começou, procurar algo que fio pra me aliviar.

Revirei o quarto e nada, então fui até a cozinha… Bem, digamos que foi meu dia de sorte, a faca que eu considerava mais afiada estava sem fio, bem, sem muito fio, foram apenas dois risquinhos, então eu me vi naquela cena decadente e desisti, fui pro quarto, chorei mais um pouco e dormi.

Nem sempre vai ser fácil, nem sempre teremos sorte, nem sempre agente vai conseguir manter o controle, mas não custa nada tentar, como sempre digo, que seja sempre por nós! Devemos nos colocar em primeiro lugar, tirar essa idéia de loucos da cabeça, não somos loucos, temos sim problemas, mas nada que não tenha cura ou alívio.

Talvez seja a hora de buscar ajuda espiritual, eu não to falando pra vocês irem à fogueira santa, nem aquela papagaiada que vêem na tv por favor, busque ajuda em Deus, e não em uma instituição que utiliza o nome dele em vão. Eu recomendo tratamento espiritual no centro espírita kardecistas, mas isso vai de cada um.

Tenha força!

 

Justine – O casamento do primo Mario Parte II

Desejo_by_Godas

Cavalgando, Justine se sentiu livre, como a muito não sentia, o sol estava fraco e a brisa fresca. Seu corpo estava leve, e cansada de tudo ela se soltou e deixou o cavalo guia-la. Seu corpo se movimentava sensualmente. Ela fechou os olhos por um momento e desejou estar nua, em segundos sua xoxota estava pulsando.

Depois dos segundos para si, ela abriu os olhos e reparou que todos a olhavam, ela abriu seu sorriso doce e continuou a cavalgar. Fábio não tirava os olhos do corpo de Justine, ela percorreu os olhos por todo o corpo do primo e logo notou o quão excitado ele estava. Mario a olhava de canto, enquanto conversava com a noiva.

– Vamos apostar corrida Mario? Como fazíamos quando éramos crianças? – propôs Justine sorridente.

– Quer perder novamente? – questionou Mario com um sorriso malicioso.

– Só se for à cabeça! – Justine sorriu e saiu em disparada.

Logo, Mario foi atrás. Fábia ria da brincadeira dos primos e Priscila olhava com ar de reprovação.

– Que coisa mais infantil! – disse Priscila.

– Não vejo nada de infantil, os dois só estão se divertindo.

– Quero voltar. Vamos comigo? Eu detesto cavalgar sozinha, aliais, eu detesto cavalgar – concluiu Priscila.

Fábio virou os olhos, ele não queria voltar, ele queria correr no campo com os primos, mas ele já receberá instruções de sua mãe: “Faça tudo o que a Priscila pedir, não queremos que ela se sinta deslocada, afinal, logo será parte de nossa família.”

– Tudo bem… Vamos voltar – disse Fabio contra sua vontade.

Logo já não podia se ver Justine e Mario, os dois correram tanto que entraram em uma campina.

Justine parou o cavalo no meio da campina, onde brotava um córrego.

– Ganhei! – gritou sorridente.

Logo atrás estava Mario, parando o cavalo.

– Claro, você roubou!

– Eu? Nunca, eu sou boa em cavalgadas – concluiu com o sorriso malicioso que Mario já conhecia.

Justine desceu do cavalo e o levou na margem do córrego, Mario fez o mesmo e ficou ao lado da prima.

– Lembra quando éramos crianças, agente vinha brincar aqui escondidos, quando a família se reunia, bons tempos – disse Mario.

– É verdade… Isso deixava nossas mães loucas – riu – eram bons tempos mesmo. Você era o único que brincava comigo, mesmo sendo mais velho, você cuidava de mim, era como um irmão.

– Ah os outros eram tolos, mas agora todos crescemos Ju. Sua mãe me disse que você não queria vir, que estava apreensiva por causa disso, não acreditei. Você, uma mulher linda e forte, com medo de ser zoada pelos nossos primos e primas idotas?

– Eu sei, mas… Não sei explicar, eu apenas senti medo, mas o Lucas me deu força e coragem.

– A tia me disse também que ele virá… – disse Mario com um tom desanimador.

– O que foi? Ele não pode vir? – perguntou zangada.

– Claro que não, não é isso. É só que… Ju… O que vou dizer agora é meio… Bem, não sei explicar, mas olha, eu nunca te esqueci, você sem duvida foi a melhor, em todos os sentidos.

Justine permaneceu em silencio, estava surpresa com o que acabará de ouvir. Mario se aproximou dela, e acariciou a face.

– Você é especial Ju… E terrivelmente sedutora. Nossos primos irão desejá-la como eu desejo e nossas primas irão invejá-la, como Priscila a inveja.

– Priscila tem inveja de mim? – perguntou espantada.

– Ela sabe que tivemos algo…

– CALA A BOCA! – gritou Justine interrompendo Mario – Como assim ela sabe? Do que você ta falando? Mario! Você não fez a besteira de contar a ela, fez?

– Eu não podia esconder, eu fiquei louco por você. Eu não queria mais toca-la, e então um dia ela me pôs contra a parece e não pude esconder mais.

– Você é louco! E estúpido! Eu vou embora – disse Justine enquanto tentava subir no cavalo – não posso ficar aqui. Você é um imbecil. UM PERFEITO BABACA!

Justine finalmente conseguiu montar no cavalo e saiu em disparada de volta para a casa, Mario foi atrás, implorando que ela parasse para ouvi-lo. Ela se negava. A casa estava longe, e não havia ninguém a vista de ambos. Ele conseguiu chegar ao lado dela.

– Justine… Anda, pare agora, vamos conversar.

– Não tenho mais nada pra falar contigo, vou embora.

Furioso por não querer ser ouvido, ele encostou seu cavalo ao dela e a puxou, Justine caiu no chão e o cavalo seguiu enfrente.

– AI! VOCÊ ESTÁ LOUCO? – disse Justine enquanto sentava e tirava a terra dos braços.

– Ju! Meu Deus, me perdoe, você esta bem? – perguntou Mario enquanto descia do cavalo para socorrê-la.

– Porque fez isso? – ela questionou entre lagrimas.

– Me perdoe! Não queria feri-la. Deixe me olhar seu braço.

Ela havia caído encima do braço e o machucara em uma pedra, o sangue escorria, mas as lagrimas de Justine eram de raiva, e não pela dor.

– Eu quero ir embora. Porque você contou a ela.

– Eu não pude evitar, Justine, eu fiquei louco, alucinado, eu precisava de você, e logo você estava namorando, e eu era noivo, e não sabia o que fazer, só me restou contar a ela. Era a única pessoa com que eu podia desabafar.

– Você não podia ter feito isso, o que ela vai pensar de mim? – continuava entre lagrimas.

– Ju, ela não pensa nada, eu disse que eu quem te seduziu.

Justine se levantou e olhou de volta para a campina.

– Eu estou tão confusa, tão perdida.

– Porque meu anjo?

– Lucas quer casar, e eu não sei se quero isso, não agora. Mas meus pais ficaram tão felizes com a noticia…

– Só posso te dizer uma coisa, não faça isso por eles, e sim por você, é você quem vai se casar e estar com ele todos os dias.

– Eu sei… Mas eu ao amo, como nunca imaginei amar ninguém, mas meu coração se divide entre amá-lo e ser livre.

– Será que você realmente o ama? – Mario perguntou enquanto abraçava a prima.

– Sim, eu sei que o amo, mas também amava Marcela… Isso que não posso entender.

– Marcela?

– É uma longa historia.

– Fiquei curioso… Bem, temos o resto da tarde pra isso.

– Não quero demorar, sua noiva pode se irritar.

Mario ficou enfrente de Justine e os dois se olharam por segundos em meio ao silencio, ele acariciou a face e afagou os cabelos dela. A poeira da queda misturada às lágrimas deu um ar selvagem à face triste de Justine. E mesmo em meio a um conflito, Mario se sentiu atraído pela prima, segurou-a pela nuca e aproximou seus lábios, Justine não recuou, apenas fechou os olhos e acolheu o beijo terno.

Os dois montaram no cavalo e partiram de volta a campina. Ao chegarem, desceram rapidamente, e continuaram a se beijar, desta vez com um pouco menos de ternura e mais pegada. Justine desabotoou a camisa xadrez a Mauro tirou a camiseta, os corpos queimavam em beijos, mãos, mordidas, até que Mauro a levou ao chão, abriu a calça e baixou até os joelhos da prima, passou a mão na xoxota pela qual se apaixonara, ela estava quente e úmida, tanto que a calcinha estava toda molhada. Logo, seu pau enrijeceu.

Ele baixou a calcinha e se colocou entre as pernas dela, com a boca ele arrancou diversos suspiros de Justine, que havia perdido a razão para o desejo. Ele a penetrou com a língua quente, enquanto ela acaricia seus cabelos. O suco que percorria a xoxota de Justine era como uma droga, viciava seus amantes.

Em minutos ela explodiu em prazer.

-Me fode! – disse ela imponente.

– Fica de quatro putinha doce.

Imediatamente ela obedeceu. Como dois animais, eles fornicaram no gramado da campina, ele a segurava pelo largo quadril enquanto metia, os gemidos pareciam uivos. Depois do gozo, eles se vestiram, olharam nos olhos um do outro, montaram no cavalo e voltaram para o casarão.

Ao chegar todos estavam preocupados, ao verem justine imunda de terra e com o braço sagrando, correram para a porta.

– Justine filha o que houve? – perguntou o pai desesperado.

– Nada pai, eu só cai do cavalo.

– Eu disse menina que isso é um perigo!

– Não se preocupe tio Carlo, a Ju ta bem, ela só ralou o braço.

– Porque demoraram tanto? – perguntou a noiva furiosa.

– Estávamos correndo no campo, e então a Justine caiu e o cavalo seguiu enfrente, ela ficou nervosa ao ver o sangue e não quis montar novamente, andamos até a campina pra ela se acalmar e lavar o rosto. Quando ela se sentiu mais segura, voltamos.

Ela desceu do cavalo com um pouco de dificuldade, já que as pernas ainda estavam fracas.

– Vem filinha, vou te fazer um curativo – disse a mãe com a voz aveludada.

Ela olhou de rabo de olho para trás e viu que Priscila soltava fogo pelas ventas. Novamente ela se sentiu mal por estar ali. No banho ela pensou em tudo o que o primo disse, e desejou que Lucas chegasse o mais rápido possível.

A noite chegou, e o primeiro churrasco em família também, Priscila estava sorridente ao lado de Mauro, Fabio não parava de tagarelar sobre a faculdade para Justine, todos estavam bem e parecia que nada errado havia ocorrido. Justine estava com o pensamento distante, pegou o celular e ligou para Lucas.

– Oi anjinho! Que saudades – atendeu Lucas, carinhosamente.

– Eu também, com muita saudade.

– Ta tudo bem? – perguntou desconfiado.

– Não… Ta tudo certo, é só… Só saudades mesmo, sabe… Muito trabalho?

– Logo termino, não se preocupe.

– Ok, vou voltar pro churrasco…

– Esta tudo bem mesmo?

– Ahãm! Te amo, boa noite!

– Também te amo anjinho.

Ela desligou o celular e olhou para os noivos. Priscila a esnobava com toda a força. Mauro ficava constrangido. Fábia não a deixava em paz, ela estava perdida.

Continua….

Freak Butterfly

Auto-Flagelo – Relatos de uma viciada

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Se muitos buscam nas drogas ilícitas uma fuga para suas dores psicológicas, eu infelizmente, busquei outras dores para “tentar” se distanciar daquilo que me afligia.

Resolvi escrever, pois tenho visto que a cada dia que passa, encontro mais pessoas com o mesmo problema, o auto-flagelo, visto na psicologia como “mania”.

É estranho estar aqui e colocar minha cara a tapas, mas como muitos de nós somos julgados, em conseqüência de uma modinha estúpida intitulada “emo”, as pessoas acabam nos tachando como estes, e não enxergando o verdadeiro problema que há por trás.

Sei que muitos não tentando fazer isso para provocar suas mortes, mas há casos de pessoas que mesmo sem desejar, veio a óbito.

Neste exato momento em que me encontro em meio a uma crise voraz, vi como o melhor momento para escrever e transcrever melhor o que realmente se passa em alguém que se mutila.014087964-gdq00

As vezes somos tão egoístas pois não vemos que além de provocar nosso próprio sofrimento, atingimos pessoas que realmente nos querem bem, como nossos familiares. Hoje pela manha, quando não consegui acordar para trabalhar, pois tomei havia tomado uma cartela de cloroadizepam na esperança de ao menos provocar um coma e assim me desligar verdadeiramente do mundo (já que ainda sou covarde demais para tirar minha vida, mesmo conhecendo varias formas de fazê-la) ou meu irmão dizer, “você se cortou outra vez?”, sem responder, sem ao menos conseguir me mover, já que os medicamentos me fizeram ficar “chapada” pude sentir o pesar em sua voz ao concluir enquanto saí do meu quarto, “este inferno vai começar novamente”.

Realmente, a vida de nossos familiares se tornam um inferno. Com medo sempre de que possamos fazer o pior a nos mesmos, passamos a ser vigiados e até mau interpretados. Muitos conseguem esconder de sua família e amigos o que acontece, eu sinceramente, moro em uma cidade quente o ano inteiro, e não poderia usar manga longa pra disfarçar as cicatrizes, mas muitos ao meu redor já sabem, e sei de a maioria dos muitos me acham idiota e estúpida por fazer algo assim.

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Porque fazer isto? Eu comecei aos 13 anos quando meus pais se separaram (não os culpo por isto, o divorcio não influenciou, mas a falta de dialogo pode ter acarretado isto em mim), eu sentia raiva de mim mesma, se ser o patinho feio do colégio, de ser a menina mais zoada do meu condomínio, entre varias outras coisas que ocorrem nesta fase de adolescência e descobertas, por isto o único conselho que um posso dar no momento é: seja amigo de seus filhos, ouça-os. Julgar não os levará a lugar algum.

Nesta mesma fase juvenil, eu comecei a me punir por ser quem eu era. Nunca vou me esquecer de estar no canto da dispensa procurando algo pontiagudo para me machucar, e tudo que achei foram pisca-pisca de natal e grampos de cabelo. Eu me arrisquei nos dois, nem sem ao menos pensar no risco do tétano. Quando minha mãe viu os arranhões, que ainda eram bobos, culpei meu gato, já falecido.

Os anos se passaram, e isso me perseguiu, pode ser sadomasoquismo, mas a sensação da dor física anulava toda e qualquer dor sentimental, e ainda era como uma punição pelas coisas erradas, que na grande maioria das vezes não era eu que cometia.

O tempo passa, as cicatrizes aumentam e tem uma hora que alguém vai te pegar no flagra, e foi o que me aconteceu. Meus pais sabem do meu problema, eu já busquei diversos tratamentos, tomei uma lista variada de remédios para controlar a tal mania, ouvi centenas de diagnósticos, mas uma mania sempre leva a outras, hoje eu tenho outra mania (quando digo mania, não são aquelas bobas que todos pensam, são distúrbios, conhecidos também como TOC), como sacolejar a perna e uma das mais agoniantes, tirar a pele dos lábios sempre, todo dia o dia todo.

Parece idiotice, mas isso afasta muitas pessoas de nós. O problema que é algo incontrolável, bem eu confesso que tento, conto até 10, tomo um calmante, tento me distrair com a TV, mas se aquela dor, aquele martírio não para de martelar em nossa mente, não tem outra forma se não a dor maior.

Sei que muitos como eu, sofrem calados, às vezes até mesmo eu prefiro assim. Mas a melhor saída é conversar, colocar pra fora, chorar, espernear, pois de nada adianta de flagelar, logo a ferida fecha e os sentimentos permanecem. Eu sei que o que faço é errado, eu sei de todos meus problemas e acima de tudo sei que devo parar, mas infelizmente, não posso chegar aqui e dizer a vocês, queridos leitores (que sofrem ou não deste maldito distúrbio) que eu tenho a formula pra cura disto, ou que vocês vão superar, quando eu mesma não consigo.

Eu já passei meses sem me infligir à dor física, mas quando menos percebo, lá estou eu no fundo do “poço”, magoando novamente as pessoas que mais amo.

Como um leitor comentou no artigo que escrevi sobre, muitos de nós temos até instrumentos para o corte, para o curativo e truques de disfarces.

Isso não é moda, isso não é absurdo, isso é dor, é sofrimento, é um martírio, é um grito de socorro que poucos ouvem ou fingem não escutar. Uma coisa é certa, sozinho você não irá se curar ou amenizar este conflito, então busque ajuda, desabafe, tente se controlar, pois um dia, a dor é tanta que perdemos a noção do ferimento que nos causamos e podemos terminar como tantos outros jovens que perderam suas vidas prematuramente.

Fiquem atentos, pois quem se auto-flagela não escolhe um lugar do corpo especifico, podem chegar a ser pernas, tórax, ou qualquer outro lugar que se torne “invisível”, alguns casos as pessoas chegam a “tirar” pedaços se seus corpos.

É difícil, é doloroso, mas não impossível, e sei que muitos de vocês conseguirão vencer, assim como eu tenho fé que posso controlar um dia isto que causo a mim mesma. Não sei se meu objetivo foi claro, até porque eu ainda estou sob efeito de sedativos, mas quero que realmente entendam que não é moda, não é forma de chamar a atenção, é um grito de socorro, a nos mesmos.

 

Freak Butterfly (Poliana Zanini)

 

*Imagens retirada do google imagens.