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Tag Archives: bagunça

Efeito Primata – Uma viajem infernal

Nunca esperei tanto por algo “educacional” como esperava pelo congresso de comunicação, passagem paga, alojamento confirmado e malas prontas, lá estava eu na faculdade, depois de uma prova sobre o “o manual de redação do Estado”, da qual me saí razoavelmente bem, levando em conta que não havia estudado nada.

Fiquei cerca de 3 horas esperando o horário da partida, o coração disparado (coisas de pessoas ansiosas) e várias pessoas estranhas. Pouco depois das 22 horas, o ônibus chega, tudo indicava que as coisas seriam um tanto conturbadas logo na “organização” para embarcarmos, primeiro vi algumas garrafas de vodka, segundo, o rapaz que havia locado o ônibus (precário diga-se de passagem) não conseguia obter a atenção de ninguém que estava presente (exceto a minha, que já pensei logo na saída “isso vai dar uma historia”).

Não darei nome aos “burros”, mas nunca imaginei que estudantes de comunicação social tivessem tanto problemas para se comunicar. Aquilo era pior que o maternal, até minha sobrinha que tem 2 anos e 5 meses sabe ouvir, já os adultos, estavam entrando no estado de euforia, com uma caixa de isopor e algumas latas de cervejas, muitos pedidos de “dois minutinhos, pessoal”, o ônibus saiu.

Primeira parada: 20 minutos depois paramos em um posto de gasolina pra comprar mais bebida (medo).

O pedido era que apenas se bebesse enquanto o ônibus estava andando, para não corrermos o rico de ir para o “xadrez”, alguém gritou: “NINGUÉM AQUI VAI DORMIR!”, este não me conhecia, eu dormiria nem que matasse um. Minha companheira de viajem já estava desmaiada num sono profundo de dar inveja… Já eu, rezava para que o ônibus fosse parado no posto da Polícia Federal, musicas horríveis, cheiro de cerveja e até de cigarro… (eu sou fumante, mas tenho respeito, e não fumo num lugar fechado que só tem ar condicionado, a não ser baladas que me permitam a isso).

Logo tudo começa a se transformar, o efeito alcoólico de fato transforma as pessoas de tal maneira que até as mais santas mostram suas garras. E foi assim, eu, mesmo com o mp3 ligado ouvindo matanza e com um dramim e rivotril na cabeça não conseguia apagar, já estava entrando em estado de desespero, pois a bebida que caia no chão, logo “apodrecia” e o cheiro de azedo pairava pelo ar, começaram com Skol e Orloff, terminaram com Sol e skayloff (uma vodka do ‘cão’ feita em uma indústria ‘fofatoba’ daqui).

Eu passei horas ouvindo as coisas mais insanas, pessoas declarando seu amor platônico, alguns que começaram a gerar dúvida se faziam parte da tribo dos “coloridos”, assedio e cantadas. Os ‘feromônios’ estavam no ar, mas poucos desejam alguém que estivesse ali. Eu via mato e mais mato pela janela, e foi depois de duas pessoas “maravilhosas” vomitarem e dar o toque de podridão ao interior do ônibus, que todos começaram a acalmar e dormir, as uma e pouco da manha eu consegui cochilar, quando deram duas, fui acordada para sair do ônibus para atravessar o rio na balsa.

Meu medo era de que todos ali despertassem, mas graças ao bom Deus isso não ocorreu. Eu e dois colegas fumamos um cigarro pra relaxar, eu consegui linda como tava (de olheiras e cara amassada) levar cantada de caminhoneiro (risos) “Colei chiclete na cruz! Colei chiclete na cruz!”, era o que meu cérebro gritava e logo a travessia chegou ao fim, só assim, eu dormi, pouco, mas dormi.

Ao chegar lá, só o que se via eram óculos escuros pra esconder a ressaca guerra que muitos estavam tendo. Eu não bebi e penso que foi melhor assim, palavras ditas não voltam mesmo, atitudes tomadas quando se está bêbado marcam, ao menos alguns que não beberam como eu.

Realmente, quando se bebe se regride, é o tal efeito primata, mas penso que até os macacos conseguiriam se comunicar melhor do que nós naquela viajem “infernal”, não digo o que digo para ofender, mas quem sabe pra minha auto-reflexão.

Freak Butterfly