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Tag Archives: angústia

Automutilação – entre a fé e as lágrimas

Há meses eu luto contra meu eu, contra uma série de desejos, contra ideias que insistem em atormentar até meus sonhos, transformando-os em pesadelos.

Durante meses, eu fiz terapia com um intuito, mudar sem que a tal mudança me destruísse, hoje tudo parece vão. Todas àquelas horas no consultório, às vezes sorrindo, outras aos prantos. Havia dias que em que a confiança era tamanha, que nada no mundo poderia me derrubar, porém talvez, naquele mesmo dia, eu sentia todo o peso do mundo me derrubar.

Ao contrário de muitos que já encontrei pelas redes sociais, não sou Borderline, ao menos meus psiquiatras nunca chegaram a essa conclusão, para ser sincera, nunca chegaram de fato a alguma conclusão. Eu já fui diagnosticada como: paranoica, histérica e por ultimo Bipolar. Já tentei vários tratamentos, inclusive espiritual, por um tempo alguns ajudaram tanto medicamentos quanto o espiritual. Já disseram que era o “demônio que queria que eu me contasse”, que eu “só queria chamar a atenção”, mas hoje aqui, com tantos, mais tantos depoimentos sobre como se sentem em relação a isso, sei que sou só mais uma no meio de milhões.

Sim, infelizmente só tenho visto esses números crescerem. Esse blog já foi popular pelos textos que abordam sexualidade, hoje ele é o numero um quando se busca “automutilação” no Google. O que mais me deixa triste é o fato de que, ainda não encontrei programas de ajuda pra que sem automutila. Vi que no dia Primeiro de Março, foi o dia do combate mundial a autoflagelo. Inclusive, um dos meus depoimentos foi usado como base pra um site. Quando vi, não sabia se me sentia lisonjeada ou mais deprimida. No Brasil, infelizmente não encontrei um centro de apoio a isso, os EUA já promovem campanhas, em Portugal a um centro especializado. Falando sobre isso, sobre esta falta, ontem meu namorado me disse: Porque não escreve sobre isso, um livro, conte seus relatos. Meu único pensamento era como eu seria vista se fizesse isso. Histórias, batalhas, e muito mais coisas eu teria pra partilhar, inclusive a batalha, que hoje me parece eterna de não me mutilar, tentando usar aquelas frases que o AA usa: Um dia de cada vez. Eu controlo bem a expressão das pessoas quando veem as cicatrizes, o olhar de curiosidade e pena, são ciclos, às vezes me importo menos, em outras me importa muito, pois odeio o sentimento PENA.

Eu decidi me mudar, queria sair da cidade, sair daquele mundo, nunca me senti dali, achava que seria impossível me encontrar onde vivia. Eu odiava a cidade, passei a odiar mais da metade das pessoas que habitam nela, eu não queria mais sair, minha única alegria era cinema no domingo, e os encontros com a terapeuta. Então, depois de várias discussões com a terapeuta, tomando um novo medicamento, me senti confiante em mudar e disse a mim mesma: hoje começa minha verdadeira vida.

Confesso que só de me lembrar, de me ver dizendo isso enfrente ao espelho, eu começo a chorar. Depois de anos passei e ser sistemática, organização pra mim é importante, as coisas tinham que sair como eu planejava. Eu estudei muito, me empenhei muito, até mesmo agora acho que estudar e ler tanto me deixou mais chata, mais critica e menos tolerante, e isso é horrível, pois por mais que planejemos, por mais que tudo indique que será daquele jeito, não é. A vida não tem um curso certo, planos é apenas um roteiro para se guiar, não para seguir a risca.

Algumas horas de voo, muito cansaço, uma semana entediante, os nervos a flor da pele, as primeiras cobranças “você tá indo atrás de emprego”, “como estão às coisas ai?”, todas as perguntas me pressionaram o cérebro. Passei a descontar em quem só quis me ajudar, tentei explicar que certas coisas não controlo, sim, é verdade, não controlo quase nada, eu falo sem pensar, eu me preocupo de maneira exagerada e algumas vezes vago, perdida em meus pensamentos ora coloridos, ora obscuros.

Quando decidi me mudar, decidir ter um pouco mais de fé, eu tenho minhas crenças, mas não sou alienada em religião, se eu fosse indicar alguma a vocês, seria o espiritismo, pois nunca fui julgada ali, e tive muita luz. Continuando, fiz novenas, rezei, implorei e vim com a fé “inabalável” de que tudo correria bem. Que eu teria meu lugar, que acharia um lugar que valorizasse meus conhecimentos – apesar de muitos acharem que sou louca, modéstia a parte, sou inteligente e esforçada, se fosse louca, seria um gênio louco.

Nada foi como o planejado, até o voo que deveria ser calmo, foi desagradável do inicio ao fim. Eu tentei me manter firme, eu tento me manter firme, mas logo nas primeiras semanas (me mudei no dia 17 de fevereiro) eu achei que havia cometido um erro, mesmo lembrando que minha terapeuta havia dito que eu estava madura, que deveria ter confiança, a falta de consideração, aliais de valorização me fez descer o primeiro degrau. A saudade dos sobrinhos, o medo de falhar começou a me perseguir.

Todas as noites sonhando com a família que ficou, com minhas paixões que são meus sobrinhos, minha frustração de ter duas faculdades e nenhuma chance justa de emprego, em uma noite, não resisti e chorei. Foi como se estivessem me amputando os braços e pernas, a dor era insuportável, eu queria um cortezinho, mísero que fosse pra aliviar aquele peso, aquela pressão no peito. Na minha cabeça um filme de terror, diversas saídas e uma única solução eu só me via dando um tiro na cabeça – a cerca de 6 anos tive essa obsessão, de que morreria assim.

Chorei, solucei, não sei como o Téo me via (Téo é meu namorado, o coitado em quem desconto toda a raiva e descontrole), eu queria gritar, mas abafava o mesmo, meus punhos estavam serrados, meus dedos dos pés encolhidos, minha nuca latejava, chorei por um tempo, pareceu longo, na verdade nem sei ao certo, ele só me olhou, me abraçou, pediu pra ter forças, eu queria gritar, queria conversar, mas como sempre, as palavras travam, eu me sufoco, nada saía. Então ele perguntou: você quer voltar pra casa? Aquilo me partia mais ainda, eu não consigo voltar, e não sei se consigo seguir. Vez e outra, acordo achando que ”hoje será um ótimo dia”, mas nada acontece e a noite vem traiçoeira.

Não consegui ainda achar uma cena, ou algo que eu possa comparar este sentimento, o desespero, parece que tudo que digo, ou a que comparo doí menos do que essa maldita dor psicológica. É torturante.

Ainda me seguro na fé, fé de que Deus uma hora vai olhar e finalmente me enxergar e dizer: chegou sua vez. Eu não suportaria, não suporto pensar em falhar (já que não é a primeira vez que saio de casa com tais objetivos), uma noite eu jurei que viva não voltava, e essa maldita ideia ficção não some.

Os remédios acabaram, falta um mês pra conseguir uma consulta com um psiquiatra nessa terra da garoa, ouvi uma vez do médico: não te transformarei em uma garota feliz e sorridente, só lhe darei algo pra aliviar e aprender a lidar com isso tudo… Mas pensando bem, às vezes desejo esse remédio que diz que vai deixar tudo “maravilhoso”, mesmo que uma falsa felicidade, conviver com essa dor, viver em guerra, tentar não cair totalmente, só quem luta sabe.

Pra quem chegou até aqui nesse texto meio sem nexo, se você é border, bipolar, neurótico, psicótico, seja o que for, não desista, mesmo que a duras penas, eu queria ter escrito um texto feliz, sobre como estou conseguindo me manter firme no meu projeto “sem cortes”, até “Cicatricure” comprei na esperança de elas sumirem um pouquinho que seja. Eu às vezes entro no banheiro, vejo algo cintilante, aquela vontade, aquele desejo me dividi, então entro debaixo do chuveiro e choro mais ainda. É um dia de cada vez. Uma cruz que se leva, eu até perco a cabeça, mas não vou perder aquilo que ainda me mantem “limpa” a vários meses.

Busque ajuda, não tenha medo, a pior violência é se permitir a temer, somos julgados diariamente, pressionados por toda vida. Gostaria que aqueles que apenas passeiam os olhos aqui porque conhece alguém que tem este problema lhes peço, tenha paciência. Sei que paremos egoístas, mas muitas vezes infelizmente é só uma característica da doença (quando digo doença, é porque de fato somos doentes, porém não incapazes).

Veja o vídeo da campanha: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=Q7HXhyOofNU

Busque ajuda médica, mesmo em caminho de pedras, podemos sobreviver a isso. E não se sinto sozinho, nem uma aberração, há mais pessoas que sofrem disto no mundo do que imaginamos:

Demi Lovatto: http://www.youtube.com/watch?v=mu6ZC-FqkDg

Tipos de Self Harm: http://www.youtube.com/watch?v=uWJTDG1SWC8

Pais estejam mais alertas: http://www.youtube.com/watch?v=gPxj86oOifg&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=yMVhX1FlfXI&feature=related

Um dia também quero cantar “VEJA COMO ESTOU HOJE BEM!!”

*Link comentado: http://luciaureakaha.wordpress.com/2012/02/28/1o-de-marco-dia-da-consciencia-sobre-a-automutilacao/

Há meses eu luto contra meu eu, contra uma série de desejos, contra ideias que insistem em atormentar até meus sonhos, transformando-os em pesadelos.

Durante meses, eu fiz terapia com um intuito, mudar sem que a tal mudança me destruísse, hoje tudo parece vão. Todas àquelas horas no consultório, às vezes sorrindo, outras aos prantos. Havia dias que em que a confiança era tamanha, que nada no mundo poderia me derrubar, porém talvez, naquele mesmo dia, eu sentia todo o peso do mundo me derrubar.

Ao contrário de muitos que já encontrei pelas redes sociais, não sou Borderline, ao menos meus psiquiatras nunca chegaram a essa conclusão, para ser sincera, nunca chegaram de fato a alguma conclusão. Eu já fui diagnosticada como: paranoica, histérica e por ultimo Bipolar. Já tentei vários tratamentos, inclusive espiritual, por um tempo alguns ajudaram tanto medicamentos quanto o espiritual. Já disseram que era o “demônio que queria que eu me contasse”, que eu “só queria chamar a atenção”, mas hoje aqui, com tantos, mais tantos depoimentos sobre como se sentem em relação a isso, sei que sou só mais uma no meio de milhões.

Sim, infelizmente só tenho visto esses números crescerem. Esse blog já foi popular pelos textos que abordam sexualidade, hoje ele é o numero um quando se busca “automutilação” no Google. O que mais me deixa triste é o fato de que, ainda não encontrei programas de ajuda pra que sem automutila. Vi que no dia Primeiro de Março, foi o dia do combate mundial a autoflagelo. Inclusive, um dos meus depoimentos foi usado como base pra um site. Quando vi, não sabia se me sentia lisonjeada ou mais deprimida. No Brasil, infelizmente não encontrei um centro de apoio a isso, os EUA já promovem campanhas, em Portugal a um centro especializado. Falando sobre isso, sobre esta falta, ontem meu namorado me disse: Porque não escreve sobre isso, um livro, conte seus relatos. Meu único pensamento era como eu seria vista se fizesse isso. Histórias, batalhas, e muito mais coisas eu teria pra partilhar, inclusive a batalha, que hoje me parece eterna de não me mutilar, tentando usar aquelas frases que o AA usa: Um dia de cada vez. Eu controlo bem a expressão das pessoas quando veem as cicatrizes, o olhar de curiosidade e pena, são ciclos, às vezes me importo menos, em outras me importa muito, pois odeio o sentimento PENA.

Eu decidi me mudar, queria sair da cidade, sair daquele mundo, nunca me senti dali, achava que seria impossível me encontrar onde vivia. Eu odiava a cidade, passei a odiar mais da metade das pessoas que habitam nela, eu não queria mais sair, minha única alegria era cinema no domingo, e os encontros com a terapeuta. Então, depois de várias discussões com a terapeuta, tomando um novo medicamento, me senti confiante em mudar e disse a mim mesma: hoje começa minha verdadeira vida.

Confesso que só de me lembrar, de me ver dizendo isso enfrente ao espelho, eu começo a chorar. Depois de anos passei e ser sistemática, organização pra mim é importante, as coisas tinham que sair como eu planejava. Eu estudei muito, me empenhei muito, até mesmo agora acho que estudar e ler tanto me deixou mais chata, mais critica e menos tolerante, e isso é horrível, pois por mais que planejemos, por mais que tudo indique que será daquele jeito, não é. A vida não tem um curso certo, planos é apenas um roteiro para se guiar, não para seguir a risca.

Algumas horas de voo, muito cansaço, uma semana entediante, os nervos a flor da pele, as primeiras cobranças “você tá indo atrás de emprego”, “como estão às coisas ai?”, todas as perguntas me pressionaram o cérebro. Passei a descontar em quem só quis me ajudar, tentei explicar que certas coisas não controlo, sim, é verdade, não controlo quase nada, eu falo sem pensar, eu me preocupo de maneira exagerada e algumas vezes vago, perdida em meus pensamentos ora coloridos, ora obscuros.

Quando decidi me mudar, decidir ter um pouco mais de fé, eu tenho minhas crenças, mas não sou alienada em religião, se eu fosse indicar alguma a vocês, seria o espiritismo, pois nunca fui julgada ali, e tive muita luz. Continuando, fiz novenas, rezei, implorei e vim com a fé “inabalável” de que tudo correria bem. Que eu teria meu lugar, que acharia um lugar que valorizasse meus conhecimentos – apesar de muitos acharem que sou louca, modéstia a parte, sou inteligente e esforçada, se fosse louca, seria um gênio louco.

Nada foi como o planejado, até o voo que deveria ser calmo, foi desagradável do inicio ao fim. Eu tentei me manter firme, eu tento me manter firme, mas logo nas primeiras semanas (me mudei no dia 17 de fevereiro) eu achei que havia cometido um erro, mesmo lembrando que minha terapeuta havia dito que eu estava madura, que deveria ter confiança, a falta de consideração, aliais de valorização me fez descer o primeiro degrau. A saudade dos sobrinhos, o medo de falhar começou a me perseguir.

Todas as noites sonhando com a família que ficou, com minhas paixões que são meus sobrinhos, minha frustração de ter duas faculdades e nenhuma chance justa de emprego, em uma noite, não resisti e chorei. Foi como se estivessem me amputando os braços e pernas, a dor era insuportável, eu queria um cortezinho, mísero que fosse pra aliviar aquele peso, aquela pressão no peito. Na minha cabeça um filme de terror, diversas saídas e uma única solução eu só me via dando um tiro na cabeça – a cerca de 6 anos tive essa obsessão, de que morreria assim.

Chorei, solucei, não sei como o Téo me via (Téo é meu namorado, o coitado em quem desconto toda a raiva e descontrole), eu queria gritar, mas abafava o mesmo, meus punhos estavam serrados, meus dedos dos pés encolhidos, minha nuca latejava, chorei por um tempo, pareceu longo, na verdade nem sei ao certo, ele só me olhou, me abraçou, pediu pra ter forças, eu queria gritar, queria conversar, mas como sempre, as palavras travam, eu me sufoco, nada saía. Então ele perguntou: você quer voltar pra casa? Aquilo me partia mais ainda, eu não consigo voltar, e não sei se consigo seguir. Vez e outra, acordo achando que ”hoje será um ótimo dia”, mas nada acontece e a noite vem traiçoeira.

Não consegui ainda achar uma cena, ou algo que eu possa comparar este sentimento, o desespero, parece que tudo que digo, ou a que comparo doí menos do que essa maldita dor psicológica. É torturante.

Ainda me seguro na fé, fé de que Deus uma hora vai olhar e finalmente me enxergar e dizer: chegou sua vez. Eu não suportaria, não suporto pensar em falhar (já que não é a primeira vez que saio de casa com tais objetivos), uma noite eu jurei que viva não voltava, e essa maldita ideia ficção não some.

Os remédios acabaram, falta um mês pra conseguir uma consulta com um psiquiatra nessa terra da garoa, ouvi uma vez do médico: não te transformarei em uma garota feliz e sorridente, só lhe darei algo pra aliviar e aprender a lidar com isso tudo… Mas pensando bem, às vezes desejo esse remédio que diz que vai deixar tudo “maravilhoso”, mesmo que uma falsa felicidade, conviver com essa dor, viver em guerra, tentar não cair totalmente, só quem luta sabe.

Pra quem chegou até aqui nesse texto meio sem nexo, se você é border, bipolar, neurótico, psicótico, seja o que for, não desista, mesmo que a duras penas, eu queria ter escrito um texto feliz, sobre como estou conseguindo me manter firme no meu projeto “sem cortes”, até “Cicatricure” comprei na esperança de elas sumirem um pouquinho que seja. Eu às vezes entro no banheiro, vejo algo cintilante, aquela vontade, aquele desejo me dividi, então entro debaixo do chuveiro e choro mais ainda. É um dia de cada vez. Uma cruz que se leva, eu até perco a cabeça, mas não vou perder aquilo que ainda me mantem “limpa” a vários meses.

Busque ajuda, não tenha medo, a pior violência é se permitir a temer, somos julgados diariamente, pressionados por toda vida. Gostaria que aqueles que apenas passeiam os olhos aqui porque conhece alguém que tem este problema lhes peço, tenha paciência. Sei que paremos egoístas, mas muitas vezes infelizmente é só uma característica da doença (quando digo doença, é porque de fato somos doentes, porém não incapazes).

Veja o vídeo da campanha: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=Q7HXhyOofNU

Busque ajuda médica, mesmo em caminho de pedras, podemos sobreviver a isso. E não se sinto sozinho, nem uma aberração, há mais pessoas que sofrem disto no mundo do que imaginamos:

Demi Lovatto: http://www.youtube.com/watch?v=mu6ZC-FqkDg

Tipos de Self Harm: http://www.youtube.com/watch?v=uWJTDG1SWC8

Pais estejam mais alertas: http://www.youtube.com/watch?v=gPxj86oOifg&feature=related

Um dia também quero cantar “VEJA COMO ESTOU HOJE BEM!!”

*Link comentado: http://luciaureakaha.wordpress.com/2012/02/28/1o-de-marco-dia-da-consciencia-sobre-a-automutilacao/

A solidão de um bipolar

  É incrível a capacidade das pessoas se alto intitularem depressivas, psicóticas ou bipolares, só quem sofre de tais doenças sabe o quanto é solitário o caminho de quem tem algum distúrbio.

  Eu sou uma delas, assim como milhões de outras pessoas no mundo eu tenho o que chamam de “Distúrbio de Personalidade Bipolar”, já escrevi sobre o assunto aqui, mas do ponto de vista de outras pessoas, não o meu, mas hoje estou aqui, meio que por desabafo, um pouco por revolta da falta de compreensão que o mundo ao nosso redor tem com os bipolares.

    Há muito não sofria de crises tão severas de mudança de humor, eu nunca tomei lítio como alguns, ouvia as reclamações dos seus efeitos e pensava “não quero isso, quero ser uma pessoa normal”… Ai de mim, afinal, normal ninguém é. Tomei vários antidepressivos, ansiolíticos, até que um dia eu estava bem, porém, o distúrbio também nos engana com os famosos momentos de “euforia”, você se sente ótima, capaz de tudo, o mundo é seu e você é invencível, se sente mais sedutora, mais confiável, disposta a mudar ou até a carregar o mundo nas costas, porém, é ilusório, um dia uma das peças desse quebra-cabeça maluco não se encaixa e o mundo desaba te levando junto.

               Faz mais de um mês que escuto a palavra “instável”, e não agüento mais ouvi-la sem ao menos ser compreendida. Você esta em guerra consigo mesma e é obrigada a ouvir que “há pessoas com muito mais problemas que você”, “você não é a única que sofre”, “você pelo menos tem saúde”… Blá-blá-blá! Como se não bastasse você ainda é intitulada de EGOÍSTA!

               Perdem-se amigos, perdem-se amores e deixa a família em alerta 24 horas quando entra no estágio depressivo ou de irritação.

               Outra coisa que ninguém compreende é que não se tem controle dos sentimentos, das ações, que claro desencadeiam uma série de reações.

               A revista Viva Saúde número 95 publicou uma pequenina matéria sobre as “Cinco verdades sobre o transtorno bipolar”, então vejamos quais são:

  • A doença provoca diversas funções psíquicas instáveis, principalmente a flutuação do humor. Assim, é comum a pessoa apresentar fases de depressão e outras de euforia ou irritação.
  • Pode proporcionar idéias de morte e suicídio. Na fase eufórica, denominada de mania, ocorre uma sensação de muita energia, além da fala rápida e uso de roupas mais coloridas (isso explica porque fico às vezes tagarela que até enrolo a língua no meio das palavras e meu guarda-roupa anda instável).
  • É comum períodos de ausência de libido e outros de hipersexualidade. O descontrole também afeta o nível de gastos, o que provoca uma enorme contração de dívidas.
  • A principal causa conhecida é genética. Além dela, a doença pode ter início após estressores muito intensos. Esses podem ser situações traumáticas, estresse crônico ou doenças clínicas.
  • Existem inúmeros medicamentos tanto para as fases agudas como para a prevenção. Apesar de não ter cura, seu controle é possível. Procure um psiquiatra para fazer o diagnóstico e definir o tratamento.

Essa doença também possui três fases:

  • Depressão, que pode ser de intensidade leve, moderada ou grave, e algumas de suas características é: humor melancólico; desinteresse por coisas que gostava; aparência melancólica, chorosa; Inquietação ou irritabilidade; perda ou aumento de apetite; excesso de sono ou incapacidade de dormir; agitado demais ou lento; fadiga; pessimismo ou falta de esperança; dificuldade de concentração, tomar decisão ou de lembrar-se das coisas; planejamento ou pensamento de suicídio.
  • Mania, também conhecido como euforia, possui sintomas como: alegria exagerada, animação excessiva; impaciência; agitação física e mental; aumento de energia iniciando várias atividades ao mesmo tempo sem conseguir terminá-las; otimismo e confiança exagerada; incapacidade de discernir; idéias grandiosas; incapacidade de se concentrar; comportamento agressivo, inadequado, provocador ou violento; desinibição; aumento de impulso sexual; aumento da agressividade física ou verbal; insônia; uso de drogas como álcool, cigarros, soníferos e até mesmo cocaína.
  • Mista, esta fase, como o próprio nome já diz alterna os sintomas de depressão e mania no mesmo dia (é o que mais me identifico, já que no meu diagnóstico não foi dito qual seria meu ‘tipo’).

             Cada estado tem um tempo médio de duração que variam entre dias, semanas e meses. Há também outras formas de manifestação da doença, como a hipomania, sendo menos prejudicial no circulo social e no trabalho. Pra resumir esta parte teórica, somente um psiquiatra poderá diagnosticar a doença em uma série de testes e somente ele poderá lhe medicar.

                   Questões clínicas aparte, é que estudo nenhum sabe o quanto é só a vida de um bipolar, tendo ou não amigos, família ou um relacionamento, nada parece durar, pois ninguém suporta tempo o suficiente (a não ser seus parentes, apesar de que já quiseram me interar), pois você só será vista como egoísta, mimada, descontrolada, instável, todos terão medo de você, de que tente suicídio, que caia nas drogas, que enlouqueça, ninguém o vê como um ser humano que só precisa às vezes de um colo pra chorar, um abraço, carinho e mais que tudo ser ouvido. É uma tarefa chata? Claro! Sei que é difícil para meus pais, para meu irmão… Bem, pra quem ainda convive comigo (o que parece ter reduzido ainda mais neste final de semana).

                 Eu nunca fiz o tipo de chata, chiclete, ou coisas assim, mas nessa ultima crise que estou passando, tive uns “ataques de pelanca”, eu não gosto, odeio não controlar algumas das minhas atitudes, odeio não poder ser eu mesma às vezes. Mas eu ainda me cuido, quase desisti de tudo nesse final de semana que se passou, pois em um mês, minha vida se tornou um castelo de cartas cuja uma por uma foram se desabando dia-pós-dia, e só fui julgada, criticada e tachada, tudo, menos compreendida, porque as pessoas acham que é desculpa, claro, como o ditado “desculpa do aleijado não é a muleta”, a minha não poderá sempre ser “sou bipolar”, mas não faço o tipo de quem da essa desculpa à toa, quando eu sinto eu digo, eu sou sincera doa o ouvido que doer.

                     É uma jornada longa? Claro, pois não há ainda cura pra bipolaridade, só tratamentos que amenizam os sintomas e terapia pra te ajudar a conviver com isso. Muitas pessoas, até celebridades já se declararam bipolar e estão ai, com famílias, amigos e trabalhando.

                   O bipolar não é um ser de outro planeta, mas pode ser confuso e de fases muitas vezes, o que me resta? Aceitar que posso viver só, que posso achar novos amigos, que posso superar isso tudo e quem sabe um dia, encontrar mais pessoas que consigam conviver com minha ‘inconstante instabilidade’.

 

*Fontes: Revista Viva saúde Número 95, pág. 14, 2011;

Site: http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?419

Leia também: http://virtualpsy.locaweb.com.br/index.php?art=367&sec=26

Comunidade para bipolares: http://www.bipolarbrasil.net/

http://www.ceapesq.org.br/ceapesq/grupoDePesquisa.php?FhIdGrupo=15

*Imagens: Google Imagens

Auto-Flagelo: Uma luta de cada vez

Dói tanto… E a vontade de me machucar volta. Parada no escuro do quarto, ouvindo Matanza em alto e bom som, as lágrimas percorrem sem cessar.

Me sinto tão só, parece paranóia, neurose minha, mas não é, a solidão é nítida.

Só quem sente esta sensação sabe o grito de desespero que pulsa no corpo. O coração não bate, ele martela a alma… O peito dói!

Eu começo a questionar se sangrar não me aliviaria, aí me lembro de todos vocês, que sempre lêem meus relatos e digo a mim mesma “não posso fraquejar, não posso decepciona-los”, e é quando me recordo que não sou feita só de palavras, que sou humana e erro como qualquer outro.

As lagrimas passam, ops, voltam. Parece besteira mas tudo começou com hoje (sábado) com uma revolta, amanha é aniversário do meu irmão e meu pai dará a ele qualquer coisa (se é que dará) sem muito gosto, enquanto pra enteada presenteou com um notbook novinho (e nem eu ganhei um assim, o meu foi de segunda mão e meu irmão, quando precisou pra faculdade, teve que comprar), mas o que me revolta nisso tudo de fato é:ela nem gosta dele, todo mundo me fala que ela “atura” ele, não tenho motivos pra ficar triste, afinal tenho um pai trouxa!

Isso… A TPM… É meus caros eu remôo o passado sempre e sempre, só quem sabe meu histórico de vida pra entender o que eu sinto e porque eu sinto!

Agora talvez a coisa mais banal, ligar para alguém (já que mais ninguém me liga, ao menos não que morem aqui) e o telefone só tocar… No pós-namoro percebi que não me restaram amigos, nem os de balada, eu acabei me afastando de todos, e o pior, não por amor, mas por depressão, e hoje pago, pois estou sozinha, aflita, escrevendo ou falando com as paredes.

Escrever as vezes me faz desviar o foco “corte”, gostaria de não cair novamente nos braços da lamina fria, mas pelo visto talvez seja inevitável, o problema é que não agüento mais as marcas, essas malditas marcas que eu sinto, são elas que me afastam as pessoas, pois ao invés de tentarem compreender, elas simplesmente fogem, afinal, não é problema delas! Eu sei disso, pois até quem disse que me amou um dia com tanto fervor, acabou se distanciando de mim por medo, o medo da loucura…

Não creio que eu seja louca, aliais, estou sempre consciente desses erros, só que é mais forte que eu, a dor que sinto é tão intensa, que muitas vezes não resisto, mas vou com cautela.

Pensar pode levar a morte… Porque se você analisar, quando paramos para refletir sobre a vida, uma analise profunda… Nossa, ao menos a minha parece mais assustador que um filme de Hitchcock. E ao fazer isso hoje percebi que tenho vivido só pra esperar o dia de morrer.

Hoje (sábado), mais uma vez acho que não irei sair, não vou viver, devo dormir, o que é triste, pois não vivemos (de fato) quando estamos “vegetando”.

Minha maior vontade no momento é socar o mundo, me meter em um briga do melhor estilo hooligans, quem sabe assim essa dor e angustia passariam… Mas como sempre, seria temporário, quando eu acordasse pra vida, os problemas ainda estariam lá.

Então não adianta tentar “ferrar” a própria vida, nada vai mudar, tudo ainda vai estar lá, no final só nos resta encarar os problemas, mas isso é outra página.

Frase: A única forma de me livrar de meus medos é fazer filmes sobre eles. [ Alfred Hitchcock ]

Assim como Hitchcock encontrou uma forma se lidar com seus medos, nós encontraremos uma de lidar com os nossos.

Musica: Tempo Ruim (Matanza)

Freak Butterfly