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Justine – Terremoto na Rotina (parte III)

Justine e Lucas tomaram banho juntos como duas crianças brincalhonas, rindo de tudo que acabara de acontecer. Lucas saiu primeiro, pois já estava atrasado para sua viajem, Justine ficou curtindo a água morna que percorria seu corpo relaxado.

– Querida, preciso ir, me deixa no aeroporto? – perguntou Lucas apressado.

– Sim claro, vou me secar e vestir algo rapidinho – respondeu Justine enquanto desligava o chuveiro e pegava a toalha.

Ela pegou a primeira roupa do armário, um vestido longo, mas leve, ela estava tão relaxada que poderia dormir o dia todo, como um bebê. Lucas já estava na porta berrando desesperado.

– VAMOS AMOR! ESTOU ATRASADO!!!

– Tô aqui já, podemos ir!

– Você esta estranha…

– Eu? Por quê?

– Sei lá, esse sorriso esquisito ai?

– Depois de tudo que houve, você queria que eu ficasse triste ou mal humorada?

– Claro que não! Desculpe se estou meio indiferente, mas não posso perder este vôo, muito menos essa reunião.

– Eu sei – disse com ternura – Bem, pisa fundo então!

Os dois foram em silêncio no carro, na rádio rolava musicas bregas e ninguém se importava em mudar. Justine estava com o olhar longe, ora soltava um risinho malicioso, ora suspirava profundamente.

– Chegamos Ju – disse Lucas saindo do carro parado no “embarque-desembarque”.

– Quer que eu entre contigo? – perguntou Justine indo a sua direção no porta-malas.

– Não precisa anjo – respondeu e beijou-lhe a testa – Vou sentir sua falta cadelinha, te amo, se cuida e juízo!

– Você quem vai viajar, você que se cuide e tenha muitíssimo juízo! Te amo – se beijaram e Justine ficou olhando Lucas entrar no aeroporto.

Ela voltou ao carro e seu celular estava piscando no banco ao lado, 3 chamadas não atendidas, era Amanda, então retornou a ligação.

– Oi putaaaa! Finalmente consigo falar contigo! – disse Amanda animada.

– É que o Lucas foi viajar, vim trazê-lo no aeroporto.

– E ai como estão às coisas? Melhor?

– Sim – respondeu entre risos – melhorou muito!

– Que bom, então não quer sair comigo mais?

– Claro, você acha que vou ficar mofando em casa enquanto ele vai pro Canadá? Frango frito, cerveja forte e Hooters? Mas nunca que fico em casa, onde vamos?

– To saindo com aquele cara da internet, não quer ir no barzinho que te falei que ia? Gata, lá tem tanto topetudo bonito, que você nem tem noção!

– Ok! Me passa o endereço por e-mail, que horas?

– La fica bom pela meia noite… Mas vamos mais cedo, assim agente descola uma mesa, ou um lugar no bar.

– Fechado, umas onze ta bom?

– Dez e meia!

– Fechado! Até mais tarde Mandita.

Justine desligou e decidiu ir visitar a mãe, no caminho foi pensando no que vestir pra noite, e no que disse a Amanda, sobre o Canadá.

– Só espero que o Lucas não encontre nenhuma canadense e me esqueça!

Chegando na sua casinha, a mãe estava no jardim aguando as plantas.

– Ju! Filha que surpresa, você sumiu, quase não a vejo mais.

– Desculpe mãe, é que andei enrolada, e o Lucas você sabe, até viajou hoje de ultima hora pro Canadá, pra resolver um problema de cliente.

– Vocês estão bem? – perguntou a mão ao notar a face preocupada de Justine quando mencionou o Canadá.

– Bem mãe, sei lá, senti medo pela primeira vez, eu e o Lucas andamos meio distantes no ultimo mês, quase nem tempo pra nós dois, só nos víamos na cama pra dormir, caímos em uma rotina que estava me deixando deprimida, eu estava virando dona de casa! Acredita?

– Minha filha… – disse a mãe ao sorrir – você está crescendo, isso parece ser pavoroso mesmo, mas é que nem sempre da para se manter o pique de um namoro normal, morar junto então, mas tem que ter paciência, qualquer relação será assim, tudo tem que ter paciência.

– Eu sei, eu sei! Pena que paciência não faz parte das minhas virtudes.

– Isso eu sei bem! Vamos entrar eu vou passar um cafezinho do jeito que você gosta e tem bolo de cenoura, seu predileto!

– Ah mãe, só você pra me tirar da dieta e me por pra cima – elas se abraçaram e foram para dentro.

As duas ficaram conversando por horas, o pai de Justine chegou para a janta, os três se reuniram em volta da mesa como nos velhos tempos, riram, conversaram, e logo mais Justine foi para casa se arrumar.

– Tchau mãe, obrigada pela conversa – disse Justine enquanto a abraçava – Tchau papai – se despediu beijando o pai carinhosamente.

Justine entrou no carro e disparou até o apartamento, já passava das nove horas e ela não tinha menor idéia de onde era, nem o que vestir. Entrou no apartamento correndo e deixou o computador ligando enquanto tomava outro banho. Conectou-se a internet e entrou no closet para procurar algo.

– O que vestir? O que vestir? – dizia ela com as mãos nos cabelos.

O celular apitou, era uma mensagem da Amanda.

“Amiga, já está se arrumando? Não vai me esquecer em sua safada. Recebeu meu e-mail? Beijos, até logo!! x)”

Justine sentou na mesinha e foi olhar o local, jogou o endereço no Google maps para encontrar o melhor caminho e voltou a se arrumar, entre vestidos, saia e calças ela não tinha idéia do que vestir.

– Acho que um pretinho básico vai bem em qualquer lugar!

Vestiu um tomara-que-caia preto com um belíssimo decote coração e um pouco acima do joelho. Colocou um bolerinho de renda preto, só como enfeite pois não cobria muito seus fartos seios. Correu para o banheiro.

– Caramba, sabe aqueles dias que não da nem vontade de se arrumar? Hoje é meu dia! Droga…. Cadê meu pó… Aqui! Nossa que pele lixo está a minha… Acho que só vou cobrir essas espinhas que surgiram e passar um rímel, será que consigo?

Depois de algum esforço ela consegui se maquiar, uma sombra clara, rímel preto, cílios alongados com o delineador e um batom rosado para dar um ar de saudável. O closet de Justine era um sonho, Lucas, amante de sapatos sempre a presenteava com novidades belíssimas.

– Que droga, às vezes ter muita coisa é um saco, não sei o que calçar, definitivamente, não sei.

Depois de gastar quase 30 minutos calçando diversos sapatos para decidir qual usaria, ela colocou o primeiro que experimentou, salto 10cm vermelho de vinil bico arredondado.

– Acho que to pronta!

Olhou para o relógio já passara das dez e meia, conforme havia combinado com Amanda.

– CARALIO PUTA QUE PARIU, A AMANDA VAI ME MATAR! GRRR – gritou enquanto imprimia o mapa, nem parou pra desligar o computador e saiu correndo trancando a porta.

No elevador ela olhou o endereço.

– Ainda bem que não muito longe, e não tem muito transito.

Ela entrou no carro e saiu em disparada. Ao chegar em frente ao local, o celular tocou, era Amanda.

– Oi amiga!

– Porra Justine, tu vai mesmo me dar um bolo é?

– Não eu já estou em frente, só tenho que achar lugar pra estacionar.

– Segue um pouco mais que tem um estacionamento logo enfrentem é mais seguro, te encontro lá.

– Ok! – ela desligou, seguiu um pouco mais e logo achou o estacionamento.

Fechou o carro e saiu do parking, Amanda estava na frente a esperando.

– Que bom que você veio! – disse Amanda indo em sua direção para abraçá-la.

– Não disse que eu vinha!

– Vamos vou te apresentar o Vitor, ele trouxe um amigo.

– Ah safada, planejando as coisas pelas minhas costas?

– Você vai me agradecer. Mudando de assunto, menina, você ta chique demais, os caras vão cair matando, e eu toda básica.

– Não sei onde básica com essa calça justíssima e este corselet, os peitos pulando de tão apertados – risos.

– Tô tentando entrar no clima do lugar, mas você vai se dar bem, ta toda pin upizuda! – disse Amanda enquanto ria – bem eles estão lá dentro, preparada?

– Meu Deus, até parece que vou conhecer meu futuro marido.

– Quem sabe! Aproveita e guarda a aliança na carteira.

– Tá loca? – disse Justine brava.

– Amiga, você vai me agradecer.

Quando entraram havia uma roda de mulheres alvoroçadas, Justine não entendi o que estava havendo, era muito escuro ali, mas já pode sentir como seria a noite, ainda na entrada ela já havia levado uma cantada do porteiro, outra de um rapaz que passou esbarrado nela.

– Ah! Eles estão ali – apontou para a mesa logo depois da reunião feminina – Cara odeio essas Maria Topetudo, onde vou passo raiva, ainda bem que o Vi não ta nem ai, só olha pra mim.

– Também, ele deve se perder ai nesses peitos, caracas Mandita, estão enormes – disse Justine dando uma apertadinha enquanto ria.

– Safada, vai que eu gosto!

About FreakButterfly

Que fique logo claro: não sou sexóloga (apesar de que gostaria muito), também não sou formada em psicologia, sou Bacharel e Adm. Com habilitação em Marketing e agora Bacharel em Jornalismo. Tenho este blog desde meados de 2008, onde comecei a escrever por mera diversão e distração do tédio e solidão que a cidade onde morava até então me proporcionava. Com o passar dos dias, o blog foi crescendo e a vontade de escrever também. Amo escrever e espero faze-lo bem! Não estou aqui para julgar, descriminar ou fazer apologia a qualquer coisa que seja, escrevo do que gosto para pessoas que gostam do mesmo que eu, e se o ofendi, sinto muito, mas basta fechar a pagina. No mais, volte sempre!

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