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Justine – De volta a realidade Parte Final

beijo

Justine decidiu tomar banho sozinha, vestiu suas roupas já secas, tomou um café puro e se despediu de Gustavo.

– É, está na hora de encarar a realidade.

– Tudo vai ficar bem, você verá!

– É… Obrigada pela noite, obrigada por tudo. Eu espero que… – Gustavo selou os lábios de Justine com um beijo não permitindo que ela terminasse a frase.

– Este é nosso segredo, vai ficar tudo bem.

Os dois se abraçaram como bons amigos, Justine suspirou e saiu porta a fora. Andou uma quadra até chegar ao carro, que não estava próximo caso Marcela aparecesse por lá.

No caminho para casa, seus pensamentos vagavam entre a noite maravilhosa e o que estava por enfrentar. Então começou a falar consigo mesma.

– E se eu realmente me enganei? Se realmente nada aconteceu entre o Lucas e a Marcela? E se o Lucas e ela souberem o que houve entre mim e Gustavo? Deus! O que foi que eu fiz? Porque não consigo controlar meus impulsos, porque não posso ser normal?

As lagrimas quentes e salgadas percorreram por sua face durante todo o caminho, pela primeira vez Justine sentiu a culpa pairar sob seus ombros. Lucas e Marcela eram seus maiores amores e ela os traiu sem dó nem piedade, ela nem se quer os ouviu, de certo para usar isso como desculpa para a traição, para não sentir a culpa, mas não teve como evitar. Quando ela ouvisse o que seria um tanto obvio a dor lhe tomaria o coração.

Ao dobrar a esquina de casa, já podia ver o carro de Lucas estacionado. Um calafrio percorreu seu corpo.

– Cacete! É agora! – disse assustada.

Ao entrar com o carro na garagem ela hesitou em descer do carro, sua vontade era fugir novamente, pois não queria ouvir que tudo fora apenas um engano.

Respirou fundo e fechou a porta, caminhou lentamente, até a porá ta frente da casa, como em um filme de terror, ela abriu a porta vagarosamente, e lá estavam Marcela, Lucas, Maria e Carlo, tomando café e conversando, quando notaram a presença de Justine, calaram-se imediatamente. Envergonhada, ela não abriu a boca. Então sua mãe se pronunciou.

– Carlo, vamos deixá-los conversar. Me ajude a ver o que vou fazer para o almoço querido.

– Claro amor! – ele virou para Justine e perguntou – Tudo bem filha?

Ela acenou positivamente ainda envergonhada. Podia ver nos olhos do pai a aflição do seu desaparecimento.

Ela caminhou até a poltrona que ficava enfrente ao sofá em que estavam Lucas e Marcela. Sem abrir a boca, olhou-os e esperou por respostas sem perguntas.

– Ju… – disse Marcela com um nó na garganta – eu queria lhe pedir desculpas pelo que ocorreu ontem, você não deveria ter visto o que viu. Não daquela forma. Sei que se sentiu traída em nos ver juntos, mas não é nada do que imaginou.

O estomago de Justine latejava em nervos.

– Ju… – prosseguiu Lucas – Marcela me ligou aflita, disse que precisava conversar comigo. Disse que não suportava mais vê-la tão triste por não saber que decisão tocar, ela soube do jantar que tive com seus pais, e também das minhas intenções de casamento. Mas também sabia que você não conseguiria deixa-la. Ela sabe o quanto à ama, e se sente feliz por isso… – Marcela já estava em prantos – mas acima de tudo, ela deseja sua felicidade. Ambos desejamos isso!

Após uma pausa silenciosa e torturante, Marcela voltou a falar.

– Eu só quero que tenha sua vida amor, eu sei que eu e você nunca seremos realidade, um fato. Eu e você somos apenas amigas que se amam demais, só que expressamos de uma forma nada convencional. Não quero que perca sua vida, e sei que nunca tomaria uma decisão então eu quis conversar com Lucas, pra dizer a ele que deixaria você em paz. Que não atrapalharia mais seus pensamentos. Me perdoe. Não queria que se sentisse traída.

Justine já chorava como uma criança que perderá os pais. Seus soluços deixaram Marcela e Lucas agoniados.

– Ju não chora! – disse Marcela ao se aproximar da amiga e seguiu sussurrando eu seu ouvido – eu te amo e nossa amizade nunca irá acabar.

– Eu também te amo Má! Me perdoe se pensei algo errado de você, me perdoe por tudo que te disse. Eu tava tendo uns pesadelos… E daí vi vocês… Eu… Eu não pude controlar… Eu fiquei louca… Me perdoe!

– Ju, se acalme, teus pais podem ouvir menina! – disse Marcela com um sorriso caloroso.

– Ju, nós só estávamos pensando no melhor pra você, em como lhe ajudar. Eu sei mais que tudo que você não consegue se decidir, não que quiséssemos decidir algo por você, mas queria-mos lhe ajudar a decidir, a saber o que você quer de verdade. E sei que você não queria magoar a Marcela com alguma decisão.

– Me perdoe amor, eu fui uma tola, uma idiota em pensar o que pensei de vocês. E… E… Vocês sempre pensando em mim, e eu egoísta! Egoísta! Uma idiota! – dizia ela quase histérica.

– Ju! Para menina, por favor, acalme-se, o que seus pais irão pensar daqui a pouco! – disse Marcela firmemente.

– Ok! Ok! – ela abaixou a face entre as mãos e disse baixinho – eu amo vocês. Amo muito!

– Agente sabe – disse Lucas sorridente.

– Vamos encerrar este papo, por favor! – disse Marcela em um tom de deboche – isto já estava parecendo novela mexicana. Porque você não se troca mocinha, afinal está com esta roupa desde ontem, banho percebi que tomou, ta de cabelos lavados, daí saímos os três, como bons amigos, para almoçar? E então? O que acham da minha fabulosa idéia? – perguntou sorridente.

– Ótima idéia Má! – concordou Lucas empolgado.

Justine olhou sem entender, e questionou consigo mesma se a partir de agora os três seriam amigos, do tipo que faz programas aos domingos, almoços, ou até programas de casais se Marcela se juntasse a Gustavo. Para ela seria um tanto estranho, como seria se os quatro saíssem juntos? No mínimo um tanto estranho, ao menos para ela.

– Tudo bem, eu não estou com tanta fome, mas será bom sair pra arejar a mente. Vou me trocar.

Justine foi para o quarto se trocar. Marcela e Lucas ficaram aliviados por resolverem o mal entendi tão fácil. Pelo temperamento explosivo de Justine, ambos imaginavam que seria mais complicado. Maria e Carlo voltaram para a sala.

– E então meninos? Tudo esclarecido? – disse Maria.

– Sim Dona Maria, tudo resolvido! – respondeu Lucas com um sorriso de satisfação.

– Se a senhora não se importa, chamamos Justine pra almoçar, pra conversar-mos um pouco mais – disse Marcela delicadamente.

– Claro querida! Sem problema algum, eu fico feliz que tudo esteja bem.

– Eu também, Justine tem uma sorte tremenda por tê-los! – exclamou Carlo.

– Não seu Carlo, nós que temos a maior sorte por ter Justine em nossas vidas, ela é um anjo – concluiu Lucas.

– Estou pronta! – disse Justine de prontidão na porta.

– Então vamos! – chamou Marcela sorridente.

Todos se despediram com beijinhos e abraços e foram para o carro de Lucas. Justine ainda andava meio desconfiada, sem se aproximar dos dois. Ela não conseguia entender como Marcela e Lucas se aproximaram tão rápido, como os dois riam e conversavam como se conhecessem há anos.

Os três entraram no carro e foram ao restaurante predileto de Justine, aquele seria um dia de paparicos, já podia sentir que seria tratada como uma princesa, como uma filinha do casal, cheia de mimos.

Durante o almoço Justine ainda estava confusa, era como estar na série de TV “Além da Imaginação”, como duas pessoas que se odiavam agora se tornaram tão bons amigos? Seu estomago revirou e Justine praticamente vomitou as seguintes palavras: CHEGA!

Os dois olharam para ela estáticos. Já irritada ela prosseguiu.

– Que foi em? Eu perdi algo? Eu entrei em como e fiquei fora muito tempo?

– Como assim Ju? – perguntou Marcela sem entender nada.

– Como assim digo eu! Eu sumo um dia e os dois, que mal se olhavam, praticamente se odiavam, agora são os melhores amigos? O que houve? O que eu perdi?

– Bem Justine, não é bem assim. – disse Lucas – Nunca odiei a Marcela. Eu simplesmente tinha ciúmes, muito ciúmes, porque sei que antes de mim, você amou somente ela. E ela pode lhe dar coisas que eu não lhe dou.

– Ju, eu apenas amadureci. Os dias que fiquei longe de você, foram dolorosos para mim, e quando soube do jantar, bem, antes que pergunte, liguei na sua casa no dia do jantar, e sua mãe me contou, não a culpe, ela estava animada por finalmente conhecer um namorado seu, e pelo fato do Lucas ter lhe pedido em casamento.

– Não acho que isso seja desculpa – Justine revirava os olhos enquanto falava.

– Bem, se eu puder concluir – disse sorridente – ENTÃO, depois de chorar barris de água salgada e conversar horas sem fim com Gustavo, decidi que se eu te amo, se eu amo de verdade, vou deixá-la partir. Sei que terei sempre sua amizade, seu que não deixarei de lhe ver. Então falei com o Lucas que eu a deixaria em paz, só pra ele, mas que se um dia eu a visse chorar, derramar uma gotinha se quer por causa dele, eu o mataria – concluiu com um enorme sorriso de satisfação.

– Ou vocês são loucos, ou eu que… Eu que não quero entender – disse Justine cabisbaixa.

– Você que não quer entender porque Marcela não será mais sua amante e sim sua amiga, e quem sabe sua madrinha de casamento – disse Lucas se divertindo com a idéia.

Justine arregalou os olhos e viu como num mini-video cenas do seu casamento e Marcela no altar como sua madrinha de honra, foi pavoroso se ver em um vestido branco tradicional, com véu e grinalda, ela soltou uma gemido.

– O que houve? Você esta bem? – perguntou Lucas preocupado.

– Estou é só que, hurg! Eu de véu e grinalda!

Marcela e Lucas não resistiram a gargalhadas.

– Só você mesmo Ju! – disse Marcela ainda com o riso estampado.

Depois do almoço fora passear no shopping, Justine comprou uma linda lingerie com a ajuda de Marcela, sem Lucas ver, seria uma surpresa para ele esta noite. Marcela tentava esconder o ciúmes tagarelando sobre o Gustavo, Justine tentava disfarçar o maximo para não dar nenhum bola fora, confirmando algo que ela dizia.

– E então meninas, querem fazer algo mais? – perguntou Lucas.

– Eu não Lucas, pra mim já basta, estou cansada e marquei com o Gustavo no bar mais tarde, vamos ver se nos reconciliamos – disse a sorridente Marcela.

– Te desejo toda a sorte amiga, ele é um bom rapaz – disse Justine com um sorriso amarelo.

– Pensei que não gostasse muito dele…

– Como o Lucas disse, era só ciúmes.

AS duas se abraçaram e Lucas acenou para irem para o carro. Elas caminharam juntas até o estacionamento, entraram no carro e Lucas deixou Marcela em casa.

– Obrigada por tudo Marcela! – disse Justine com um tom de tristeza.

– Eu que agradeço, e nunca se esqueça de mim, vamos marcar algo, não quero perder o contato – Marcela se aproximou da janela aberta do carro e deu um beijo em Justine – eu te amo, e quero vê-la feliz! – concluiu com um sorriso – Tchau Lucas, tome conta da minha boneca!

Marcela se virou, ainda sorridente, olhou mais uma vez para trás, mandou um beijo pelo ar, acenou adeus. Mais uma lagrima percorreu a face de Justine morrendo em seus lábios. Esta foi mais amarga do que nunca, aquele beijo fora de adeus, ela estava “livre” para ser somente de Lucas, mas sentiu que um pedaço de si se foi junto ao peito latejante de Marcela.

Lucas segurou sua face entre as mãos carinhosamente, olhou-a nos olhos e disse:

– Tudo vai ficar bem, eu sempre vou estar contigo, eu te amo! – ele a beijou de tal forma que a face de Justine ardeu.

Os dois foram para casa, Justine estava ansiosa para lhe mostrar o presentinho que havia comprado para eles.

 

Freak Butterfly.

About FreakButterfly

Que fique logo claro: não sou sexóloga (apesar de que gostaria muito), também não sou formada em psicologia, sou Bacharel e Adm. Com habilitação em Marketing e agora Bacharel em Jornalismo. Tenho este blog desde meados de 2008, onde comecei a escrever por mera diversão e distração do tédio e solidão que a cidade onde morava até então me proporcionava. Com o passar dos dias, o blog foi crescendo e a vontade de escrever também. Amo escrever e espero faze-lo bem! Não estou aqui para julgar, descriminar ou fazer apologia a qualquer coisa que seja, escrevo do que gosto para pessoas que gostam do mesmo que eu, e se o ofendi, sinto muito, mas basta fechar a pagina. No mais, volte sempre!

One response »

  1. interesante . hum mais e agora jose?

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