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Justine – Desafiando o desconhecido

desejos

Depois daquela noite os pesadelos de Justine não foram mais os mesmos, agora eles se revezavam com entre Lucas e Gustavo, e algumas vezes, ao invés de Lucas e Marcela no centro da orgia era ela e Gustavo.

Justine passou a desmembrar cenas de seu pesadelo para descobrir o que Gustavo lhe falou, ela poderia ver mais medos e desejos envolvidos ali. O maior medo era Lucas e Marcela se apaixonarem e assim ela perderia os dois de uma só vez. Seu maior desejo ultimamente era transar com Gustavo, por isso ele aparecia tanto agora, mas ele poderia não deseja-la e sim querer somente Marcela. E seu maior desejo e medo: a orgia!

Ela sempre desejou ir a casas de swing, ver e ser vista transando, dar para quantos desconhecidos pudesse agüentar, mas ela tinha medo. Medo de ser descoberta, medo de que algo desse errado, medo de não ser desejada, não ser o centro das atenções e pintos.

Isso latejava em sua mente, em suas veias, durante todo o resto da semana, ela não via a hora de chegar sexta e ir encontrar com Marcela. Elas precisavam conversar, e Justine tinha de descobrir como terminar com aquilo sem magoá-la, mas como se até ela sofreria? O bom seria que Marcela se apoiaria em Gustavo, e o ruim é que logo os dois voltariam a namorar, e ela nunca mais teria a oportunidade de tê-lo, de senti-lo.

Mil possibilidades passaram por sua cabecinha louca. Insinuar um ménege à trois com ela, Marcela e Gustavo. Mas achava que Lucas não ficaria feliz em estar de fora, ele sempre disse que ao menos teria de estar presente. Ela pensou em ir encontrá-lo e seduzi-lo sem que nenhum dos outros soubessem, mas por quanto tempo ela conseguiria esconder a traição de seus amados?

Então chegou sexta. Justine saiu do trabalho e foi direto para casa de Marcela, sem avisar. Ela decidiu comprar o vinho predileto da amiga, chocolates e entrar de surpresa, já que tinha a chave do apartamento dela.

Ao entrar sorridente, uma nuvem atravessou sua mente. Seu maior pesadelo parecia se realizar, Marcela e Lucas juntos, sentados no sofá, ele afagando as mãos dela, ela com um meio sorriso bobo.

– Justine! – disse Marcela em um pulo.

– Oi amor – falou Lucas calmamente.

Os olhos de Justine se encheram de lágrimas, a raiva estampada em seu rosto deixou Lucas apreensivo.

– Amor, o que houve?

– ENTÃO É ISSO SEUS FILHOS DA PUTA?! HÁ QUANTO TEMPO ESTÃO ME ENGANANDO? – gritava Justine totalmente descontrolada.

– Não é nada disso que você estava pensando flor – falou Marcela carinhosamente tentando acalma-la.

– Amor? Querida? Calma, eu só vim aqui ajudar Marcela… – e foi interrompido pelo grito de Justine.

– HAAAAAAAA, VOCÂ ACHA QUE CAIO NESSA, AS DUAS PESSOAS QUE MAIS SE ODEIAM SE AJUDANDO?!!! ACHAM QUE SOU IDIOTA?

– Justine, acalme-se, pare de gritar, eu tenho vizinhos sabia?

– QUE SE FODA SUA LESBICA ENRRUSTIDA. E VOCÊ TAMBÉM SEU VIADO. ODEIO VOCÊS.

Justine saiu correndo e ninguém conseguiu sair do lugar, Marcela caiu aos prantos no chão atingida pelas duras palavras da amiga. Lucas sem saber o que fazer, tentou ajudar Marcela em seu pânico, ele esperava que Justine fosse pra casa e então se acalmaria e os dois pudessem conversar. Mas Justine não tinha intenção alguma de ser encontrada, dentro do carro e totalmente sem rumo, ela só queria ir para onde ninguém a achasse.

 – Gustavo!

Ela pegou o ruma da casa de Gustavo, porém provavelmente ela o encontraria em casa. Como que por sorte ela o pegou na saída do prédio. Sem dizer nada ela saiu correndo do carro em sua direção e o abraçou.

– O que houve? – perguntou a ela assustado.

– Estão me traindo! Estão juntos nisso! – dizia em prantos.

– Vamos entrar – ele a segurou pelos braços e os dois entraram.

Sentados no sofá ela lhe contou o que virá.

– Ju, eu acho que você esta enganada, não é possível isso, talvez ele o quisesse ajudar mesmo.

– Porque ele Gú, ela tem a você. Eles nem se gostam, como ela pediria ajuda a ele.

– Simples, porque não foi racional e deixou que eles falassem antes de fazer escândalo e sair correndo?

– Não pude, eu me senti no meio do meu pesadelo, foi horrível a sensação que eu tive.

O celular de Gustavo começou a tocar, era Marcela.

– Por favor, Gú, eu te imploro, não atenda, não diga que estou aqui, não quero vê-los.

Receoso, ele não atendeu.

– Olha, daqui a pouco tudo vai acalmar e então vocês conversam. Ok?

Justine não conseguiu responder.

– Gú, posso te pedir um favor?

– Claro flor, o que é?

– Falta o trabalho hoje? Por favor!

– Mas hoje lá é um inferno.

– Por favor, diz pro Fabiano que você tem uma emergência, que não pode ir, afinal ele não te deve? Chama alguém pra ficar no teu lugar. Por favor!!!

Ele respirou fundo, pensou por um momento, olhou o estado em que Justine estava e decidiu.

– Ok! Agora você quem me deve uma.

Ela sorriu envergonhada e assentiu com a cabeça.

Os dois conversaram por horas, evitando qualquer assunto que lhe magoasse, Justine pegou o vinho no carro e logo os dois tomaram toda a garrafa. Gustavo abriu um que havia ganhado de Marcela, e os dois beberam mais uma garrafa. Justine sentiu seu estomago virar.

– Você está bem?

– Eu não comi nada… Acho que o vinho me caiu mal.

Quando percebeu que ela estava para vomitar, ele a colocou no colo e correu para o banheiro, como bar man por tanto tento ela já havia aprendido quando isso aconteceria.

Justine encostou a cabeça no vaso depois de vomitar, sem graça ela deixou correr algumas lagrimas. Gustavo não sabia o que dizer então foi buscar uma toalha.

– Tome um banho linda, isso a fará se sentir melhor, enquanto isso eu preparo algo pra você comer.

– Ok… Me ajuda a levantar?

Ele a segurou por de baixo dos braços e a puxo para cima, para junto de seu corpo. Depois, quando sentiu que ela havia se equilibrado, abriu o chuveiro. Ao olhar para o lado ela já estava sem as roupas tentando desabotoar o sutien. Seu olhos se arregalaram. Ela era linda, não de beleza comum, ela não tinha um corpo de modelo de biquínis, mas era cheia de curvas, ele admirou cada detalhe, os seios fartos, a bunda, a barriguinha um pouco saliente que ela tinha e até sua celulite ele se deliciou. Ao sentir algo lhe queimar ele perdeu o rumo e tentou sair do banheiro como se nada tivesse acontecido.

– Gu!

– Oi? O que? O que houve?

– Nada, só me ajuda a soltar essa droga de sutien que não consigo.

Ele soltou, e foi para a cozinha.

Minutos depois lá estava ela, cabelos molhados enrolada na toalha pequena.

– Desculpe, é que minha roupa esta vomitada – disse envergonhada.

– Ah! Espere vou buscar algo pra vestir, mas é de menino – disse ele com um sorriso bobo.

– Tudo bem, está ótimo.

– Ah! A sopinha ta pronta, fiz algo leve pra você não piorar, pode se servir mocinha – disse ele enquanto estava no quarto.

Justine foi até o fogão para se servir, apesar do estomago lhe doer ainda, ela sabia que a falta de alimento lhe estragara a noite. Tomou o equivalente a uma coxa, tempo em que Gustavo lhe trouxe uma samba-canção e uma camiseta.

– Me desculpe flor, mas isso é tudo o que tenho, tentei encontrar algo da Marcela, mas ela nunca deixa nada.

Automaticamente, Justine baixou a cabeça e a tristeza pairou em sua face novamente.

– Me desculpe… Ju, desculpe, não queria… A vem cá – disse Gustavo enquanto lhe dava um abraço – Não fica assim, é tudo um mal entendido, você vai ver linda, é só coisa da tua cabeça, é por causa dos pesadelos. Tudo vai ficar bem.

– Você não tem porque se desculpar, afinal você não fez nada além de ser um bom amigo.

Um calafrio percorreu seu corpo, e os pelos dos braços se arrepiaram.

– Você vai congelar menina, vá no meu quarto e se troque antes que fique gripada.

Ela pegou as peças de roupa e se trocou rapidamente, voltando para a sala, onde Gustavo estava sentado ligando a TV.

– Que beleza! – exclamou admirado ou vê-la tão natural.

– Ah é! Estou belíssima! – disse estampando um sorriso debochado.

– Quer ver um filme? Quer alguma coisa? Quem sabe um edredom, está meio frio hoje.

– Que tal um colo. Se não for pedir muito claro.

– Meu colo é sei colo – e fez sinal que ela podia deitar sua cabeça ali.

O perfume de Gustavo era maravilhoso, ela podia sentir através de sua calça jeans, suas mãos afagando os cabelos, aquilo era demais para ela. Tudo que desejava estava a poucos dedos, bastava ela se virar, baixar o zíper e cair de boca. Cada toque era um arrepio exposto na pele.

– Você está com frio? Quer deitar um pouco na cama? – perguntou preocupado.

– Não, está tudo bem.

Ela começou a lhe acariciar a cocha, distraída, como quem não quer nada. Visto que ele não se incomodou ela continuou a fazê-lo. Ela deletou por alguns instantes, Marcela e Lucas de sua mente, aquela cena que os vira lhe deu forças para desafiar o desconhecido, aquela seria sua única oportunidade de tê-lo sem culpa alguma. Mesmo que tudo tenha sido apenas uma confusão de sua cabeça. Era agora ou nunca. Então rapidamente arquitetou um plano para ter o que desejava. Afinal seu lema sempre fora: melhor dormir arrependida, que acordar com vontade.

Então foi a hora de dar o primeiro passo.

– É realmente ta meio frio aqui… Será que aquele convite do edredom é valido?

– Claro! Que tal se agente for pro quarto, agente se enrola e assiste um filminho, assim você se distrai.

– Perfeito! – exclamou sorridente, era o que ela queria ouvir. Cama, enroladinhos, filme, seria a ocasião perfeita.

Os dois se levantaram e foram até o quarto, ele arrumou os travesseiros na cama, pegou o edredom grosso e macio e colocou sob ela.

– Se não se importa, vou trocar de roupa.

– Claro, fique a vontade.

Quando Gustavo voltou do banheiro, ainda havia roupa demais, uma calça de moletom e camiseta. Mas ela não precisava ser nenhum super-herói pra ver aquele peito torneado por debaixo da camiseta surrada.

– Bem, o que quer assistir? – perguntou animado.

– Qualquer coisa, menos drama e romance.

– Comédia?

– Ótimo!

Ele foi para sala e em poucos minutos voltou com dois DVD’s nas mãos.

– Qual prefere? Curtindo a vida a doidado ou Débi e Lóide?

– Você ta de gozação! Você tem realmente Débi e Lóide?

– Claro meu bem, é um clássico!!!

– Então… Vamos ao clássico! – exclamou sorridente.

Ele colocou o filme e se jogou na cama ao lado de Justine. Já havia se passado meia hora de filme e nada demais tinha acontecido, o maximo que ela conseguiu foi ficar nos braços dele. Então começou a pensar que se ele realmente não a via somente como amiga, ou se ele era tão apaixonado por Marcela que não via a mulher ao seu lado?

Entre tantos pensamentos, Justine adormeceu. Desta vez seu pesadelo tomara outro rumo. Ela chegava à mesma saleta de sempre e ao invés de ver Lucas e Marcela transando, ela viu os dois muito próximos, entrelaçados, como se fossem apenas um, seus olhares eram de puro sarcasmo, Marcela estava com uma enorme barriga, e Lucas a acariciava. Quando as primeiras lágrimas de Justine começaram a rolar, os dois gargalhavam sem parar e a apontavam, era como em um filme de terror.

Calafrios, suor, Justine começou a se debater na cama, as lagrimas corriam em sua face sem cessar, que pesadelo, ela não conseguia sair, não conseguia voltar a si. Foi quando lá no fundo ouviu seu nome, era uma voz confortante, quente, foi seguindo a voz de Gustavo que ela conseguiu despertar.

– Ju! Ju! Abra os olhos, o que houve menina?

Mas as lágrimas não cessavam e o ódio lhe corria pelas veias, presa nos braços de Gustavo e com a cabeça mais confusa do que nunca, sem hesitar ela o beijou intensamente, como se todo seu ódio fosse retirado naquele beijo, como se aquilo fosse lhe aliviar a dor.

Suas mãos percorriam pelos cabelos dele, seus lábios quentes o devoram. Ela começou a tirar a camiseta dele, e depois se despiu rapidamente, antes que ele pudesse pensar ela já estava por cima, lhe beijando, lhe tocando, e claro em nenhum momento ele a rejeitou, pelo contrario, logo estavam os dois nus, um dentro do outro.

– Garota! Você é deliciosa demais… – suspiros – que buceta mais deliciosa é esta?

– Você também é uma delícia. Agora cala a boca e mete que nem homem.

Isso é uma afronta até para o homem mais afeminado que existe, ele começou a estocá-la com força, fundo, sem cessar, os gemidos dela aumentavam a cada estocada.

– ISSO! METE! VAI FUNDO! – suas unhas encravaram nas costas dele.

– AAAAAH! – uma mistura de grito e gemido explodiu dos lábios de Gustavo.

Em um movimento súbito ele a virou de bruços, abriu suas pernas o e meteu novamente enquanto a segurava pelos cabelos.

Gemidos, gritos, suspiros, espasmos, seu coração parou por um instante e seus pulmões se negaram a trabalhar. Sem duvida alguma, aquele fora um de seus melhores orgasmos.

Caídos pela cama Gustavo acendeu um cigarro.

– Quer um? – perguntou a ela.

– Estou tentando tomar fôlego! – respondeu em um meio sorriso.

Ele sorriu satisfeito.

– Nossa, acho que por um segundo, morri fui ao inferno e voltei! – disse ela tentando ainda respirar.

– Poxa, pro inferno? Não poderia ter ido ao céu comigo?

– Relaxa querido, é que pelo que dizem, o inferno parece mais divertido, o céu seria muito… Certinho!

Os dois começaram a rir, e Justine acendeu um cigarro, depois de muito tempo.

– Nossa! Eu nem sabia mais o que era fumar.

– Seu namorado não gosta?

– Não muito… – o semblante de Justine mudou radicalmente do prazer para a tristeza profunda.

– Desculpe pequena!

– Tudo bem…

– Então? O que sonhou desta vez.

– Marcela grávida com Lucas zombando da minha cara… Gú porque estes pesadelos são tão confusos e reais? Porque nunca consigo acordar quando quero?

– Bem, eu não sou medico pra lhe dizer, mas suponho que foi a agitação do seu dia. Você tem estes medos, e não discute com nenhuma das partes, então eles vêem em forma de pesadelo, pra você saber que os medos estão lá, e devem ser resolvidos.

– Só não sei como… Agora que não sei mesmo.

– Bem, ao menos esta vingada em relação ao sonho.

– Desculpe, foi impulsivo.

– Adoro impulsos, ainda mais assim.

Por um momento Justine ficou encabulada, mas logo o desejo tomou conta do seu corpo, pensou consigo mesma: “Amanha, seja o que for que aconteceu, será um novo dia, e eu resolvo estes problemas. Hoje eu só quero me divertir.”

Ela sorriu com este pensamento, e pulou pra cima do Gustavo, recomeçando tudo novamente, essa seria uma longa madrugada.

 

Freak Butterfly.

About FreakButterfly

Que fique logo claro: não sou sexóloga (apesar de que gostaria muito), também não sou formada em psicologia, sou Bacharel e Adm. Com habilitação em Marketing e agora Bacharel em Jornalismo. Tenho este blog desde meados de 2008, onde comecei a escrever por mera diversão e distração do tédio e solidão que a cidade onde morava até então me proporcionava. Com o passar dos dias, o blog foi crescendo e a vontade de escrever também. Amo escrever e espero faze-lo bem! Não estou aqui para julgar, descriminar ou fazer apologia a qualquer coisa que seja, escrevo do que gosto para pessoas que gostam do mesmo que eu, e se o ofendi, sinto muito, mas basta fechar a pagina. No mais, volte sempre!

2 responses »

  1. hum aprender a ouvir antes ,.. pra depois julgar

    Responder
  2. Delicia. Quero mais!

    Responder

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