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Justine – O desejo do desconhecido I

pés

Que Justine amava Lucas isso era fato, mas que ela amava Marcela também, e que estava confusa era visível. Estes pesadelos só poderia ser resultado de uma confusão mental dos pensamentos que andava tendo, para se tranqüilizar em suas suposições, ela foi procurar Gustavo.

Gustavo era uma espécie de psicólogo de botequim, ele havia estudado dois anos de psicologia, mas por problemas familiares e o descontentamento com o curso o fizeram parar de estudar. Sem alternativas no momento, Justine resolveu ligar pro amiga e marcar um lugar para que conversassem a sós.

 – Alô!? Gú?

– Sim, sou eu Jú. Como está?

– Não muito bem… – em sua havia o toque do pesar.

– O que houve pequena?

– Preciso muito conversar Gú, podemos nos ver hoje?

– Acho que sim, se for antes do trabalho, tudo bem.

– Claro, quanto antes melhor!

– Que horas?

– A hora que você achar melhor.

– Quer almoçar comigo?

– Mas já não quase 3 horas da tarde.

– Bem, eu trabalho na noite, que horas você acha que eu almoço.

– Bem… É que eu estou no trabalho, mas vou falar com minha chefe, ver se ela me da uma horinha ao menos pra resolver isso logo. Já eu te retorno.

– Ok, eu vou almoçar aqui próximo de casa, em um restaurante chinês, sabe qual é?

Meio desorientada ainda, já que havia ido apenas uma vez na casa de Gustavo, ela apenas disse que sim e já lhe retornaria.

– Ok! Até mais, pequena.

– Até!

Depois que uma cena de novela mexicana, Justine convenceu a chefe de que não estava bem. Desde pequena Justine tinha um dom para persuadi as pessoas a acreditar que estava com problemas ou doente. Sua mãe sempre dizia que ela estava perdendo a chance de ser uma grande atriz.

Enquanto corria para o carro ela ligou para Gustavo que lhe passou as coordenadas mais fáceis para que ela chegasse ao restaurante sem problemas.

Cerca de 40 minutos dentro de um engarrafamento, onde seus miolos fervilharam em meio a vários pensamentos, ela finalmente chegou ao tal restaurante, onde o amigo lhe esperava na porta fumando um cigarro.

Olhando daquele ângulo Gustavo era um rapaz incrivelmente charmoso, seu jeito despojado e básico fazia seu olhar se destacar ainda mais naquele emaranhado de cabelo no rosto. Antes de descer do carro Justine não conteve em analisá-lo de cima abaixo e disse a si mesma.

– Como pode Marcela não se sentir extremamente atraída por ele!

Logo em seguida se assustou com o súbito comentário. Imediatamente, desceu do carro, antes que demais pensamentos lhe corresse novamente.

– Pequena! – disse Gustavo feliz ao vê-la.

– Oi Gú – respondeu Justine apressando o passo para encontrá-lo mais rápido.

Os dois se enroscaram em um abraço apertado, o que não era tão comum assim entre eles, visto que Gustavo sentia ciúmes de Justine com Marcela, a amizade dos dois vivia abalada entre brigas.

– Nossa! Quanto tempo não te vejo baby, você está belíssima, diferente da época que andava pelo bar.

– É, o que o “amadurecimento” não nos faz – e os dois explodiram em risos.

– Vamos nos sentar lá dentro. Eu já almocei, mas se você quiser beber algo, eu lhe acompanho.

– Claro, vamos!

Os dois entraram e buscaram por uma mesa mais reservada onde pudessem conversar melhor. Sentaram-se em um canto afastado dos olhos de todos que entrassem ali. Meio apreensiva, ela não parava de estalar os dedos.

– Então. O que houve Ju?

– A Gú, eu não ando nada bem… Ao menos durante o sono não. Parece estranho, mas é que agente conversava tanto quando eu namorava o Fabiano, você é bom nisso, nunca deveria ter desistido da carreira de psicólogo.

– Rá Justine, você é uma piada mesmo, vamos me diga, o que está acontecendo?

– Bem… – disse ela enquanto baixava a cabeça envergonhada – você sabe que eu e Marcela ainda nos vemos não é?

– Sim claro, ela me liga quase que diariamente.

– Serio?! – perguntou espantada.

– Sim, claro. Sempre me pergunta o que fazer pra te esquecer.

Justine agora estava parecida com o tomate maduro, seu rosto queimava com o sangue que lhe pregou a face. Como Marcela pudera pensar assim quase que todos os dias. Como se ele tivesse ouvido seu pensamento Gustavo lhe respondeu.

– Ju, tu sabes que ela te ama demais e tudo mais, eu não sei que mel tu tens ai menina, mas Marcela é viciada em você. Porém, seu namoro com o Lucas a faz mal e ela sabe o quanto lhe faz mal também,então ela tenta diariamente encontrar uma solução para a sua felicidade.

Justine começou a relembrar as ultimas atitudes de Marcela, depois do que houve no campo, Marcela nunca mais fora a mesma, ela deu mais espaço a amiga, e seu ciúmes já não era tão obvio assim.

– Então é isso – sussurrou para si mesma.

– O que disse?

– Nada.

– Então, qual o problema?

– Pesadelos!

Gustavo pode ver o temos escorrendo pelos olhos de Justine, realmente aquilo era algo que a aterrorisava.

– Olha Gustavo, eu vou lhe ser muito sincera, talvez até mais do que deveria. Não sei se Marcela lhe disse o que aconteceu entre mim, Lucas e ela.

– Sim – disse ele com um meio sorriso sarcástico – eu nunca tive tanta inveja do Lucas como tenho agora. As duas garotas mais formidáveis que conheci só pra ele – disse a ultima palavra em um quase suspiro.

Envergonhada ela seguiu em frente.

– Olha Gú, você pode nem acreditar pelas atitudes que eu tomo, mas eu amo demais a Marcela, mas também preciso do Lucas como preciso do ar para respirar. Antes mesmo, quando ainda o que ocorreu eram só planos, eu comecei a ter um pesadelo horrível. A Principio, ele seria até excitante, mas esta cada vez mais intenso.

– Me fale sobre o pesadelo.

– Primeiro era eu em um corredor escuro, onde só podia se ouvir gritos e gemidos, quando consegui atravessar a escuridão e alcançar o quarto iluminado, era como se eu entrasse no filme 120 de Sodoma.

– Hum… Mas isto seria bom… – disse ele ainda com o meio sorriso estampado.

– Ta Gustavo, até seria, se Marcela e Lucas não fosse o centro da orgia. Se eles não estivessem transando e nem se quer notar minha presença. Eu tentei gritar, durante todo sonho, mas minha voz só saiu quando eu despertei. Desde então quase que todas as noites eu tenho este pesadelo, o mesmo corredor escuro, às vezes eu posso ouvir os gemidos e gritos em outras eu só sigo o ponto de luz, e sempre, como um ato sagrado, os dois estão se deliciando um nos braços do outro.

Depois de um longo silencio, Gustavo decidiu interromper os pensamentos aterrorizantes da amiga.

– Bem isto é meio claro, você esta com medo de ser trocada, de não ser mais o centro das atenções. Claro que pode haver uma serie de outros fatores, como desejos escondidos, seus medos, anseio, e a pressão do dia-a-dia. Pesadelos contínuos são para nos lembrar disso tudo, para nos possamos resolver o que nos atormenta.

– Não sei o que fazer – disse já entre lagrimas.

– Olha linda, não chore, são só sonhos. Mas é claro que está na hora de você tomar uma decisão. Marcela é uma pessoa incrível e não pode viver para sempre ao seu lado como um brinquedinho que você ama e não consegue largar, mesmo com um brinquedo novo.

– Ela não é um brinquedinho! – sibilou Justine.

– É um modo de tentar te explicar, eu sei que você a ama, é estranho, mas todos nós temos algo estranho então não vou te julgar pequena. Mas pense no que realmente quer, se não por você, por Marcela, a liberte. Pois ela nunca terá coragem de lhe dizer “adeus”. Compreende?

Aquelas palavras invadiram o pensamento de Justine como um Tsunami. Ela se sentia mais culpada do que nunca de “usar” Marcela daquela forma. Como uma criança, ela abaixou a cabeça na mesa e começou a chorar. Por instinto, Gustavo começou a afagar seus cabelos.

Depois de um longo tempo, os dois saíram de lá e foram caminhando até uma pracinha. Sentaram-se em um banquinho distante e apenas admiraram o sol que já desejava se esconder da lua. Como um casal de namorados, ela já em seus braços ainda em soluços.

– Nossa Gustavo, há tempos eu não me sentia assim… Não sei, é como se você me dizendo aquilo tudo, me desse uma cruz para carregar, mas eu poderia decidir até onde a levaria.

– Pequena, eu não queria lhe deixar mal, nunca quis isso, mesmo em meio a tantas brigas nossas por causa da Marcela, eu gosto das duas – ele riu – claro que não da mesma forma como você consegue gostar da Marcela e do Lucas – você ainda é uma incógnita para mim.

Justine não teve outro impulso se não sorrir calorosamente ao comentário do amigo. Ela se aninhou confortavelmente nos braços dele e olhou o céu que já era laranja com lilás. Ele confuso, beijou-lhe os cabeços e retornou a afagá-los. Sem duvida aquilo era a coisa mais estranho que lhe acontecerá nestes últimos tempos. Mas ambos não poderiam ser “inimigos”, eles teriam de ser mais amigos do que nunca para tentar ajudar aquela que tanto amam.

A Lua cheia já remetia sua luz nas estrelas quando Gustavo viu que estava atrasado para ir trabalhar. Justine então lhe ofereceu uma carona, era o mínimo que ela poderia fazer a ele, depois do apoio que lhe dera a tarde toda.

– Vamos á em casa então, vou trocar de roupa, pegar minhas coisas e aviso o Fabiano que estou indo.

– Por favor, só não diga a ele que estava comigo. Ele pode dizer a Marcela, ela pode distorcer tudo e não osso mais magoá-la.

– Fica tranqüila, ele me deve algumas. Vou manter sigilo do que eu estava fazendo, e quando ele começar a especular, digo que estava com uma garota que conheci semana atrás no bar.

– Obrigada – disse ela em um terno sorriso.

(Continua)

Freak Butterfly.

About FreakButterfly

Que fique logo claro: não sou sexóloga (apesar de que gostaria muito), também não sou formada em psicologia, sou Bacharel e Adm. Com habilitação em Marketing e agora Bacharel em Jornalismo. Tenho este blog desde meados de 2008, onde comecei a escrever por mera diversão e distração do tédio e solidão que a cidade onde morava até então me proporcionava. Com o passar dos dias, o blog foi crescendo e a vontade de escrever também. Amo escrever e espero faze-lo bem! Não estou aqui para julgar, descriminar ou fazer apologia a qualquer coisa que seja, escrevo do que gosto para pessoas que gostam do mesmo que eu, e se o ofendi, sinto muito, mas basta fechar a pagina. No mais, volte sempre!

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