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Justine – Pesadelo em Sodoma

ventre

Depois daquela noite de sexo selvagem entre Justine e Lucas as coisas nunca voltaram a ser as mesmas. O papel de dominadora de Justine, agora, se revezava com Lucas. Passaram-se duas semanas e a cama ainda pegava fogo, porém Justine se sentia na angústia da decisão: casar ou não casar?

Uma noite, ao chegar em casa, Justine se depara com um envelope encima da cama. Não era um envelope comum, ele era grande, marfim, com detalhes em dourado. Ela o pegou e sentiu um choque percorrer suas veias ao ler o nome de Mario.

“Para Carlo e Família”

Era um convite de casamento. Durante esta vida maluco em que estava, ela até havia se esquecido por instantes de seu primo Mario, que a cerca de um ano estivera em sua casa e os dois tiveram um pequeno caso.

 – Caraba! O Marinho já vai se casar… Que disperdício! Bonito daquele jeito, seria mais feliz solteiro… Ou não né, quem sou eu pra dizer algo.

 – Justine! – chama a mãe na porta.

– Entra mãe!

Ela ficou parada na porta e viu o envelope na mão da filha.

– Ah! Já está sabendo então, vim aqui te contar a novidade. Quem diria, Marinho vai pro altar.

– Entra mãe, eu não vou morder.

Ela entrou e se sentou na poltroninha de canto.

– Eu queria mesmo falar com você.

– Pode falar mãe.

– E então filha, você pensou sobre o pedido de Lucas?

– Estou pensando… – disse ela meio desconfiada – Por quê?

– Bem, filha, seu pai ficaria feliz com isso. Ele anda preocupado com você.

– Como é!? – perguntou Justine com os olhos arregalados.

– Ué filha, eu não podia falar pro seu pai?

– Mãe eu não queria! Eu não sei ainda o que vou fazer, daí a senhora vai e fala pra ele, o coitado vai ficar cheio de esperanças.

– Filha, isso fez bem a ele. Nos últimos meses, antes de estar com Lucas, você estava estranha, chegava tarde, e bêbada, quando não estava com aquele namorado esquisito lá do bar. Você nem tem mais amigos filha, só a Marcela, se bem que é bom, seus amigos eram mais estranhos ainda e a Marcela é uma boa menina.

 – Olha mãe… Isso… Isso é algo que eu que tenho de decidir.

 – Eu sei, mas acho que chegou a hora de você repensar sua vida, e planejar seu futuro. O tempo voa menina, e Lucas me parece um rapaz bom.

– Eu sei mãe… – disse cabisbaixa.

– Quero que ele venha jantar conosco amanha!

– Amanha? Mas… Mas como? Nem sei se ele pode!

– Ligue pra ele, o convide, me diga qual o prato preferido dele e farei. Simples, não tem mistério e eu e seu pai não mordemos – disse enquanto saia pela porta.

– Ta bom…

Ao fechar a porta Justine se remoeu de raiva. Se antes ficou indecisa, agora mais ainda. O que faria? Afinal o que a mãe lhe disse tinha sentido, Lucas era um bom rapaz, fazia tudo o que Justine desejava, e além disso, o sexo entre eles era ótimo, mas será que isso era motivo para casar? E Marcela? Ela morreria de desgosto. A cabeça de Justine deu um giro de 360° e seu estomago se embrulhou, ela correu ate o banheiro e vomitou. Ao terminar sentou no chão enfrente do vaso. Seus nervos doíam e as lagrimas já escoriam.

 – Puta que pariu! Porque eu não consigo me decidir!? Por que!?

Em meio ás lagrimas e lamentos, seu celular começou a tocar. Era Marcela. Ela respirou fundo e atendeu.

 – Oi Má.

– Você ta bem?

– To por quê?

– Eu te conheço muito bem! Voz de choro…

– Nada é só que eu tava conversando com minha mãe.

 – Brigaram?

– Discutimos… Mas não quero falar sobre isto.

– Ok! Bem, liguei pra saber se não quer passar por aqui e jantar comigo.

– Ai amor, me desculpe, mas estou enjoada demais hoje. E também, tenho que ver uma viagem.

– Viagem? Pra onde?

– Meu primo vai se casar!

– Aquele que você teve um caso!?

– É… Este mesmo…

 – Quem diria!

Justine achava engraçado ouvir isto novamente, o que Mario tinha que seria espantoso o casamento, afinal ele já era noivo a tanto tempo, já era de se esperar.

– É, um dia agente tem que casar né?

– Se for com você eu caso amanha!

Aquilo foi uma facada no peito de Justine, mais uma lagrima lhe percorreu a face morrendo nos lábios.

– É… É… Meio difícil né!? Tipo – Justine começou a enrolar a língua nas palavras – Ah Marcela… Marcela, assim você me deixa sem graça!

 – Eu sei, agente já conversou sobre isso.

– Desculpe!

– Tudo bem, eu tenho de me acostumar. Bem se você não vem, vou chamar o Gustavo, to meio angustiada hoje, não quero ficar só.

– Isso! Ótima idéia, convide ele.

– Você não ta brava?

– Não claro que não, eu já te disse, não vou empatar tua vida meu amor. E além do mais, ele é ótima companhia e te ama.

– Hum… Ta certo. Então ta!

– Beijos amor, ótimo jantar e juízo.

– Você também.

Aquilo seria mais difícil do que parecia, mas após ouvir o nome de Gustavo, uma lâmpada se acendeu na cabecinha de Justine. Talvez Gustavo fosse sua salvação, talvez a amiga se apaixonasse por ele, seria doloroso perder Marcela, mas tendo em vista as circunstâncias que sua vida estava, ela não poderia arriscar mais, ela teria de tomar uma decisão em breve.

Depois de um banho quente, ainda enjoada Justine foi olhar os e-mails. Lembrou da primeira vez que viu o recado de Lucas, os e-mails carinhosos que ele a envia quase todos os dias como um rito sagrado, nem que seja para dizer que esta com saudades ou que a noite foi maravilhosa.

Havia várias fotos, inclusive fotos da sua primeira viagem, quando Marcela também fora, ela nem acreditou quando encontrou uma foto dos três sorridentes a beira da lareira. Ela perguntava a si mesma, como não poderiam ser felizes os três juntos?

Pouco depois de colocar um pijama o celular tocou, era Lucas, então ela se lembrou do “convite” exigente de sua mãe para um jantar.

– Oi amor! – disse Justine ao atender.

– Oi linda! Tudo bem?

– Enjoada!

– Oh tadinha da minha gostosa. Já tomou remedinho?

– Não… Logo passa.

– Hum… Será que vem um bebê pra gente?

Aquela parecia a noite das apunhaladas, uma faca atravessou seu estomago e o enjôo aumentou.

– VOCÊ TA LOCO! – girou ela espantada.

– Calma Ju, eu falei brincando. Eu sei que você toma pílula, só acho que não da pra confiar nisso sempre. Eu ficaria feliz! – disse ele em tom de voz brando e agradável.

– Não, não, nem quero pensar, ta muito cedo pra isso.

– Ta você quem sabe!

– Ah! Antes que eu me esqueça, minha mãe te convidou pra jantar.

– Serio!

– Sim.

– Finalmente vou conhecer seus pais. Que maravilha amor!

– Há, mês que vem vamos viajar.

– Vamos? Pra onde.

– Ah, é casamento do meu primo, ele convidou a família e você irá junto. Tudo bem?

– Seu desejo é uma ordem, mas tenho que saber a data, pra deixar tudo certo.

– É só um final de semana, e eles moram perto daqui… Por favor, você não pode me deixar sozinha nessa.

– Calma, nossa parece que vai ao enterro e não ao casamento!

– É que eu não sei se te disse, mas havia dito a minha mãe sobre o seu pedido… E agora ela contou ao meu pai que ta todo feliz, e este casamento seu que será um falatório da minha mãe na minha cabeça de que eu também deveria me casar, etc, etc, etc…

– Por isso eu acho que você deveria aceitar, eu falo com eles amanha.

– NÃO! Deus, não eu não sei… Eu to confusa. Meu Deus. Me perdoa amor… Não sei como não enjoa de mim.

– Eu te amo… Simples assim.

– Também te amo.

– To com saudades gostosa. Porque não me aceita logo, assim teria você todo dia. Não agüento o vazio que fica na cama sem você.

– Também fico com saudades do teu corpo entrelaçado no meu. Mas hoje não dá, amanhã tenho que mil coisas no trabalho.

– Vou ter que me masturbar então, se não eu não durmo. To viciado em ti cadela.

– Não fala assim que eu me arrepio putinha.

Justine se levantou da cama e foi trancar a porta do quarto. Ela voltou e subiu a camisola na altura do umbigo e tirou a calcinha.

– Meu pau ta tão duro e quente… Ele pulsa teu nome cadelinha.

– Minha bucetinha da lambuzada, meu grelo pulsa pelo teu pau nele.

Ela percorreu a mão por toda a buceta depilada, lisinha, melada, quente, ela sentia seu coração batendo ali ao invés de estar no peito, ela suspirou quando colocou o dedinho lá.

– Você me deixa louca amor, me deixa sem ar. Eu to zonzinha já de tanto tesão.

-Eu também, e queria meter ele bem fundo em ti, te sentir quentinha e lambuzada como sempre. E meter meu dedinho do teu rabo… Ah que delicia!

– Hum… Isso é bom! Mete então, mete bem gostoso na minha buceta.

Ambos ficaram apenas gemidos ao celular, os corpos podiam estar distantes, mas a mente sempre se interligava. Não havia um dia se quer que eles fiquem apenas na vontade. Mesmo distante, os dois sempre davam um jeitinho de se realizarem.

– Acho que eu vou gozar! – disse ela entre os gemidos.

– Então gozo contigo gostosa.

E os dois explodiram de prazer. Exausta Justine virou para o lado toda lambuzada ela não conseguia se mover para nada.

– Eu te amo putinha!

– Eu te amo mais ainda minha cadelinha.

– Amanha ás 20 horas?

– Sim, estarei ai.

– Boa noite.

– Esta noite já esta ótima.

Eles desligaram e ela adormeceu assim. Semi-nua em meio ao aroma do seu próprio gozo.

Mais uma vez aquele corredor, escuro frio, mas desta vez tudo estava em silencio. Angustiada, Justine começou a tatear as paredes até a luz fraca que vinha por debaixo da cortina. Pela primeira vez, tudo estava em silencio, sem gritos ou gemidos, ela só escutava sua respiração ofegante. Ela não sabia o que era mais apavorante, o barulho ou o silencio.

Ao conseguir passar pela cortina, uma luz forte lhe cegou os olhos. Quando pode enxergar, viu que havia varias pessoas, sentadas em um enorme circulo, ela, ainda de fora do círculo viu que todos a olhavam. Ao se olhar notou que estava nua, com uma imensa barriga. No centro do circulo estavam Marcela e Lucas, como se ela não existisse para eles, ambos continuaram a fornicar. Parecia uma aula de Kama Sutra. Justine ficou imóvel, não conseguia mexer nem um fio de cabelo. As lagrimas e corriam rapidamente a face, ela queria gritar mas não conseguiu, tentou passar por meio a multidão, mas é como se ela estivesse impedida de atravessar o circulo. Marcela e Lucas desta vez não estavam apenas transando, eles estavam se amando. Algo sem sua barriga começou a se mover. Sem entender, mais uma vez ela tentou atravessar o circulo, sem sucesso e desesperada, com uma dor que crescia mais e mais, ela correi de volta ao corredor, no escuro ela se jogou ao chão, e um grito sufocado lhe escapou.

– NÃOOOOOOOOOOOOOOOO! NÃO PODE! NÃO PODE!

Ela acordou suava ao ouvir sua mãe gritando do outro lado da porta. Ela rapidamente, arrumou a camisola, se levantou para abrir.

– Justine! Filha o que ouve!?

– Nada – dizia ela em prantos – foi só um pesadelo… Um pesadelo horrível!

– Filha você tem certeza, não se feriu?

– Porque mãe? – ainda aos soluços.

– Porque você está cheia de sangue.

Ela virou para olhar a cama e percebeu que o lençol estava ensangüentado.

– Droga! Eu devo ter menstruado mãe. Não se preocupe.

– Vá tomar um banho filha, eu vou pegar um lençol limpinho pra você.

A mãe lhe beijou na testa e saiu para pegar roupa de cama limpa. Ela foi soluçando para o banheiro, sentou no vazo e confirmou o que já parecia obvio, ela estava menstruada. Mas porque aquele sonho estranho? Porque o barrigão? E porque Lucas e Marcela sempre se amando? Seriam seus maiores medos? Ela não parava de se questionar.

A água quente que escorria pelo seu corpo a fez se sentir mais segura.

 – Amanhã eu vou ter que resolver isso… Não agüento mais este pesadelo em Sodoma, não agüento mais.

Depois do banho voltou ao quarto, sua cama limpinha novamente, ela vestiu um pijama mais quentinho, e se deitou. Sua mãe lhe beijou a testa e docemente lhe disse:

– Tudo vai ficar bem!

Logo Justine estava dormindo, e desta vez ela não teve o louco pesadelo, e sim sonhou com a noite que teve junto ao primo Mario.

 

Freak Butterfly.

 

 

*Quer saber como tudo começou? Leia também os primeiros três contos da série:

https://freakbutterfly.wordpress.com/2008/09/11/justine-o-comeco/

https://freakbutterfly.wordpress.com/2008/09/13/justine-–-a-segunda-vez-pode-ser-melhor-ainda/

https://freakbutterfly.wordpress.com/2008/09/16/justine-–-amor-fraternal/

About FreakButterfly

Que fique logo claro: não sou sexóloga (apesar de que gostaria muito), também não sou formada em psicologia, sou Bacharel e Adm. Com habilitação em Marketing e agora Bacharel em Jornalismo. Tenho este blog desde meados de 2008, onde comecei a escrever por mera diversão e distração do tédio e solidão que a cidade onde morava até então me proporcionava. Com o passar dos dias, o blog foi crescendo e a vontade de escrever também. Amo escrever e espero faze-lo bem! Não estou aqui para julgar, descriminar ou fazer apologia a qualquer coisa que seja, escrevo do que gosto para pessoas que gostam do mesmo que eu, e se o ofendi, sinto muito, mas basta fechar a pagina. No mais, volte sempre!

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