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Justine – Rompendo os Limites (Parte 1)

bacanal

Após aquela noite, Justine e Lucas voltaram a sua rotina de antes, mesmo sentindo que não teve tudo o que queria, Justine estava feliz com a possibilidade de Lucas aceitar a inversão de papeis.

Era uma tarde quente de verão quando Justine resolver visitar Marcela, que estava reclamando sua ausência, ao chegar, foi recebida com beijos e abraços, Marcela já não era mais aquela mulher segura de si que Justine conheceu e sim uma garotinha amedrontada e insegura.

 

– Amor! – exclamou Marcela cheia de felicidade ao ver a amada em sua porta – Venha, entre, entre – dizia ela enquanto puxava Justine para a sala.

 

– Olá Marcela, como está?

 

– Não muito bem – ela responde enquanto baixa o cenho – você me esqueceu… Me sinto tão só.

 

– Para com isso Marcela, eu não estou aqui?

 

– Agora sim. Mas você não vinha há semanas, nem ligava, achei que já não me queria mais.

 – Para com essa bobagem menina! Você sabe que estou namorando, você deveria fazer o mesmo.

Neste momento a face de Marcela mudou completamente, podia-se ver o quanto ela resistia às lágrimas. Então Justine foi até ela cheia de doçura e afagou seus cabelos, tomando-a em seus braços por um longo beijo.

As duas ficaram sentadas no sofá, Marcela no colo de Justine que começou a pensar como uma pessoa podia ser tão frágil, tão dependente, tão escrava dos sentimentos e desejos, será que ela também era assim? Um turbilhão de perguntas passou por sua mente, logo sendo interrompido por um abraço apertado da sua garotinha.

 

– Eu te amo tanto Ju. Sinto tanto a sua falta, quero lhe pedir algo. – Disse ela com receio.

 

– Claro, diga.

 

– Não me deixe nunca, por favor. Eu não saberia viver sem você.

 

– Para com isso Marcela. Você não é mais nenhuma garotinha indefesa. Haja como a mulher que sei que você é, a mulher por quem entreguei sentimentos sinceros um dia.

 

– O que quer dizer com isso, você não me ama mais sua vagabunda! – disse enquanto se levantava subitamente.

Justine ficou catatônica com o que Marcela lhe disse. Vagabunda? Questionava ela. Ela não conseguia mover um dedo sequer. Ao notar isto, Marcela se desmanchou em lagrimas e pedidos de perdão. Ajoelhou-se aos pés da amada e pediu perdão beijando seus joelhos. Justine colocou uma das mãos nos cabelos ruivos e sedosos de Marcela e sentiu pena daquela moça.

 – Tudo bem, tudo bem. Eu compreendo Ma. Não fica assim.

Entre lagrimas sufocadas Marcela gaguejava perdão sem poder olhar nos olhos de Justine.

 – Amor, eu já disse, para com isso.

 – Eu faço Ju, eu juro, eu faço o que você desejar. Qualquer coisa pra não lhe perder.

 – Deite no meu colo e fique calma – pediu Justine com toda a doçura do mundo.

Obediente, Marcela deitou a cabeça em seu colo. As palavras de Marcela martelavam na cabeça de Justine: “Eu faço Ju, eu juro, eu faço o que você desejar. Qualquer coisa pra não lhe perder.”

Será que ela realmente faria qualquer coisa? Ela tinha uma fantasia inacabada, mas nunca se viu ativa e sim como vouyer. Mas será que Marcela toparia? Será que faria realmente qualquer coisa por ela? Um turbilhão de perguntas começaram a surgir quando Marcela interrompeu seus pensamentos.

 – Ju, dorme comigo hoje?

Lucas trabalharia até tarde e como se não bastasse ainda levaria mais trabalho para casa, então uma noite com Marcela seria ótimo para relaxar e variar um pouco, afinal ela também sentia falta de quando estavam mais juntas.

 

– Ótimo, vamos fazer uma noite do pijama! O que acha amor?

 – Perfeito, vamos ao mercado comprar algumas coisas, não esperava por você.

 – Claro que tal comprar vinho e queijo, pegamos um filme e curtimos uma noite só nossa.

 – Ai, isto vai ser perfeito! – dizia Marcela com os olhos iluminados.

As duas foram ao mercado, compraram vinho e mais algumas guloseimas, passaram na locadora e alugaram uma comédia romântica que Marcela dizia ser excelente. Tudo estava normal, como um programa de amigas. Elas foram para casa, colocaram seus pijamas, beberam o vinho, riram do filme, fumaram cigarros e quando ambas já estavam rindo a toa por causa do vinho, Marcela se atirou sob Justine.

 – Eu senti muito sua falta – dizia ela entre beijos – eu te amo demais Ju!

 – Eu também te amo pequena, você é meu solzinho.

Sem perder tempo as duas se jogaram no tapete, nuas, corpos suados, se amaram como a muito não faziam. As mãos de Marcela percorriam docemente pelo corpo da amada. Para ela não havia cheiro melhor, não havia pele mais sedosa do que a de Justine.

Marcela se pos entre as pernas de Justine e começou a acariciar seu grelo, sua felicidade se completava quando ouvia suspiros, gemidos e sentindo o gozo escorrer. Depois de muitos beijos e caricias, as duas adormeceram o sono dos deuses.

Os olhos de Justine se abriram, mas tudo estava escuro, era mais negro do que a noite naquele corredor estranho. Com medo, ela começou a caminhar se guiando com as mãos na parede. Havia uma pequena luz vermelha no corredor que parecia não ter fim. Então ela tentou gritar, mas sua voz ficou sufocada na garganta. Desesperada, começou a caminhar mais rápido para a luz vermelha que ficava maior e mais forte, as lagrimas percorriam sua face como uma cascata, ela tentou gritar novamente, mas foi em vão. Ao se aproximar da luz, ela podia ouvir gritos, gemidos, então ela correu em direção a porta fechando os olhos ao passar por ela, sem saber em que ela tropeçou e caiu de quatro.

Os gritos e gemidos eram mais altos, e o medo a deixará catatônica por alguns minutos. Ao sentir uma mão tocar seus cabelos, ela abraçou os joelhos colocando o rosto entre eles, o choro era desesperado e a voz teimava em não sair. Ela começou a pensar que não estava em um pesadelo, mas sim que havia morrido e irá para o inferno. Começou a pensar em Marcela, em Lucas, em seus pais, um flash back tumultuado passou por sua mente em segundos então ela abriu os olhos sem deixar que o medo os fechasse novamente.

Era como estar em Sodoma, vários corpos nus ao seu redor, não importava o sexo as pessoas estavam se contemplando, mulheres com mulheres, homens com homens, casais, ménage à tróis, era um bacanal regado a porra que jorrava de todos os lados. E ali no centro Marcela e Lucas fornicavam de maneira selvagem, e Justine estava ali, caída ao chão, invisível. A excitação a tocava. Ele se levantou e atravessou por vários corpos, ninguém a sentia, ninguém a tocava, estava ai seu maior pesadelo, ser ninguém no mundo. Ela tentou gritar por varias vezes o nome de Marcela e Lucas, mas sua voz não saiu. Ela se aproximou e tentou toca-los, era como num transe, os dois estavam tendo um prazer único, então uma onda de ciúmes e ódio tomou Justine, que em prantos começou a gritar, quando enfim ouviu uma voz longínqua a lhe chamar. Com a face entre as mãos, ela gritou a todo pulmão por marcela.

 – MARCELAAAAA!

 – Justine abra os olhos, acorde amor – dizia Marcela assustada – ande, abra os olhos, foi só um pesadelo.

Meio zonza, ela abriu os olhos e o feixe de luz a cegou por uns instantes.

 – Marcela – disse ela sussurrando – é você?

 – Amor, calma, foi só um pesadelo. – disse Marcela enquanto afagava os cabelos da amada que se colocou entre seus braços.

 – Foi horrível Má – dizia justine aos prantos – foi horrível, ninguém me via, ninguém me ouvia, eu queria gritar e não conseguia. E você estava lá, com Lucas, vocês não me viam… Foi horrível!

 – Calma, foi só um pesadelo, isso vai passar. O que fazíamos que você ficou tão desesperada se debatendo na cama?

 – Era uma Sodoma, uma Sodoma!

 – A Justine e você estava com medo disto?

 – Mas eu não existia ali, eu era só um espírito vagando. E meus dois amores estavam juntos, e não me viam.

 – Fique calma, você sabe que eu nunca nesta vida lhe trocaria pra ficar com Lucas! Eu nem gosto muito dele… Mas eu sei ficou desesperada porque não conseguiu participar deste bacanal né!? – disse Marcela com um meio sorriso tentando distrair a amiga.

 – Não sei, eu não sei porque esta onda de desespero me bateu.

 – Calma, foi só sonho. Vai passar. Vamos voltar a dormir.

 – Acho que não consigo.

 – Foi só um pesadelo Justine, agente bebeu demais. Foi só isso, você misturou fantasias, os filmes e a bebida.

 – É talvez você tenha razão.

As duas se deitaram, Justine nos braços de Marcela, e adormeceram juntas. Como dois anjos.

 

Continua…

(Freak Butterfly – Poliana S. Zanini)

 

*Imagem do Google Imagens

About FreakButterfly

Que fique logo claro: não sou sexóloga (apesar de que gostaria muito), também não sou formada em psicologia, sou Bacharel e Adm. Com habilitação em Marketing e agora Bacharel em Jornalismo. Tenho este blog desde meados de 2008, onde comecei a escrever por mera diversão e distração do tédio e solidão que a cidade onde morava até então me proporcionava. Com o passar dos dias, o blog foi crescendo e a vontade de escrever também. Amo escrever e espero faze-lo bem! Não estou aqui para julgar, descriminar ou fazer apologia a qualquer coisa que seja, escrevo do que gosto para pessoas que gostam do mesmo que eu, e se o ofendi, sinto muito, mas basta fechar a pagina. No mais, volte sempre!

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