Não sei o que é pior pra mim, a desconfiança de que eu esteja sempre “fazendo algo errado” ou a curiosidade do ser humano.
Eu já passei daquela fase de me sentir envergonhada quando algum amigo me pergunta se este imenso “código de barras” no meu braço fiz por que quis ou algo assim. Quando se é um amigo, ao menos um colega, não me sinto tão constrangida, eu sabia que perguntas assim poderiam ocorrer, o problema é quando alguém que você não conhece, não deu se quer qualquer intimidade para que a tal pergunta surja.
A curiosidade alheia é tão grande que a pessoa não nota que você dá uma resposta superficial, e então aquele thriller policial começa, você se sente claustrofóbico, com a luz apontada pra sua cara, você dá uma resposta, e aquele adulto com o intelecto de uma criança de 4 anos, não para de soltar os “porquês”.
Para mim a delicadeza não é algo que consta em meu repertório, a paciência, bem esta já nem sei se existe mais, e como diz o ditado: Pra tudo há um limite!
O único motivo de eu não mandar esse sujeito pra puta que o pariu foi por amizade a quem o conhecia, porque sabia que seria constrangedor dar um ataque de loucura na praça de alimentação de um shopping lotado.
Querido leitor, se você encontra uma pessoa sem braço, você vai perguntar o por quê? Pra mim, tentar investigar o que só minha terapeuta tentou é invasão de privacidade, ou melhor é falta de bom senso!
Outra coisa irritável é a desconfiança! Muitos aqui não têm apoio da família na busca por uma “cura”, outros têm até de amigos, eu não sei o que posso dizer, eu tenho a desconfiança. Eu ainda moro com meu pai, e de certa forma ele investiga minha vida, tudo é motivo pra eu estar me cortando novamente. Eu não posso querer simplesmente ter a privacidade de ficar no meu quarto com a porta trancada, eu não posso ouvir musica alta, nem posso ter o prazer de estar somente na minha companhia. E se eu cortar o dedo que seja e aparecer com um curativo, pronto, o mundo caiu!
Sei que os fiz sofrer, sei que o que eu faço não é legal. Mas se não há interesse de saber como estou de verdade, quando me vem com aquela pergunta retórica “e aí, tá tudo bem?”, cansei de ouvi-la sem que pudesse realmente responder. Hoje conto com minha terapeuta, e uns raros amigos que estão dispostos a ouvir meus desabafos sem lógica e minhas lágrimas insanas, no mais, sou eu por mim mesma. E estou seguindo em frente, eu tento ser forte, não é fácil.
Hoje transferi meu desejo pela dor em “machucar” as coisas, meu guarda-roupas que o diga, pois está aos pedaços, porém no momento é o que me alivia no momento. Se não posso conversar naquela hora, se não tenho um colo pra recorrer, eu tento pensar em mim, no quanto eu não quero mais isso, não quero mais perguntas e intromissão, não quero mais viver a desconfiança, não quero afastar as pessoas e nem passar por louca. Porque é muito fácil você apontar os erros, acusar e dizer que somos malucos.
É muito fácil subjugar e achar que sabe o inferno que se torna nossas mentes, que muitas vezes nos leva a perda de controle. Não sei se hoje eu to livre disso, eu tenho outros pequenos tiques-nervosos que são menos visíveis ou desagradáveis. No fim, é como sempre digo, devemos lutar por nós mesmos, e lembrar que se cairmos, poderemos levantar, não é uma pedra no caminho que destruirá toda nossa jornada.
Acho que já falei aqui que achei uma pagina no facebook onde várias pessoas, com todos seus problemas desabafam, se unem em bate-papo e se ajudam, espero que ajude algum de vocês – http://www.facebook.com/groups/274357359264475/?notif_t=group_activity . E fico muito feliz que muitos aqui conseguiram enfrentar seus medos e desabafar, muitos estão buscando ajuda. Viu, não somos os anormais que os outros pintam, não somos modinha, somos apenas um entre milhares, e seja qual for o problema, lhes cito um trecho de uma música do Matanza que gosto muito: “porque a minha vida é aminha e a sua que se foda!”, simples assim.
